A arte de se reinventar quando tudo muda

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Fonte: www.unsplash.com
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Saí do Brasil executiva e há pouco havia me tornado mãe. Cheguei em Midland, no Michigan, Estados Unidos, dona de casa e recém promovida a mãe por tempo integral. Saí do Brasil onde tinha família por perto e dois anjos que me ajudavam em casa: a super faz tudo do lar e a babá do meu filho. Cheguei em Midland com minhas duas mãos prontinhas para me ajudarem.

Por dias me peguei perdida! A minha identidade como cidadã brasileira e de rotina tão diferente foi o que poderia dizer roubada de mim mesma e me deram um novo documento que ainda preencho diariamente para dizer quem sou eu.

Tem dias que são fáceis, prazerosos e desafiadores, mas tem outros que sinto falta de ser quem eu era lá. Confesso! É assim que me sinto. Acredito que cada um tenha uma forma de encarar, de se jogar e amar sua nova vida. Eu escolhi ser feliz!

A decisão de morarmos fora do nosso país foi tomada por mim e pelo meu marido. Foram tantos os motivos que nos fizeram optar pelo sim, mas a verdade é que viver este “sim” diariamente cabe a cada um de nós fazer valer a pena. E quando digo que só depende da gente, estou querendo dizer que terá dias que teremos problemas e deveres que não acabam mais, mas o importante é a forma como encaramos.

Estar longe de seu país, da família e dos amigos não é fácil. Aqui ficamos mais sensíveis e algumas vezes nos sentimos desamparados. Um grande ganho que tenho percebido é que meu marido e eu estamos ainda mais unidos (se é que isso era possível, pois sempre fomos) como casal. Acredito que o fato de sermos somente nós dois aqui (com filho e cachorra também) e uma rotina tão diferente da que levávamos tem nos aproximado ainda mais.

Sempre fui fácil de fazer amizades. Não é falta de modéstia não. É que como sou filha única, meus amigos sempre foram meus companheiros e irmãos, desde novinha. Era uma questão de sobrevivência social. E aqui não tem sido diferente. Gosto de fazer amizades, de estar com pessoas e busco isso diariamente.

Agora, após quatro meses da nossa chegada, com a rotina da família devidamente em ordem, decidi listar tudo aquilo que gostaria de fazer para mim mesma, aproveitando este período de mudanças.

Escrevi meus planos pessoais e profissionais que há algum tempo estavam guardados na minha cabeça, criei outros que nem sabia que existiam dentro de mim, tive que abandonar alguns ou mesmo deixá-los em stand by no momento. Era a famosa resolução de ano novo traçada para os próximos anos da minha nova vida. E nesta hora vi o quão versátil e otimista precisamos ser.

A forma que tenho conseguido colocar em prática meus planos foi estabelecendo uma rotina para mim. E tudo bem se esta rotina às vezes não sai como o esperado. Sempre comparo como quando trabalhava no mundo corporativo. Tinha os afazeres do dia, mas sempre aparecia aquela urgência ou reunião de última hora que tinha que parar tudo para atender. No meu caso acho até saudável ter esta flexibilidade.

Como sou disciplinada não tenho problemas em manter o foco.

Não estou falando que seja fácil, porque alguns dias sem o compromisso de ter um trabalho para ir e um “chefe” para prestar contas me deixa mais relaxada ao mesmo tempo em que me cobro mais. Mas tenho buscado encontrar o equilíbrio em cuidar de mim, da família e da casa.

Estes dias alguém me perguntou: mas você não quer trabalhar aqui? Sim, eu quero, só não sei ainda quando! E que bom que posso exercer minha profissão aqui. Trabalho com Marketing.

E aí você me pergunta: e seus planos? Você não acabou de dizer que os listou? Sim, listei… porém mais do que escolher “quando” fazer eu priorizei colocar o que “eu quero fazer”, sem um prazo exato para tudo que está ali. Sem uma ordem certa para aquilo que defini como plano. E tudo bem se não conseguir fazer tudo.

E tem funcionado. A pressão que eu estava vivendo antes no trabalho e na minha própria vida pessoal com uma gravidez de alto risco, resolvi deixar lá no Brasil. Aqui eu sou dona do meu tempo! (Ou pelo menos tento!) Claro que quando se tem um filho pequeno não dá para ser sempre assim. E tudo bem…ajustando daqui e dali o percurso segue a rota certa.

Neste tempo que estamos aqui já aprendi tantas coisas novas e me redescobri algumas vezes. Tem sido uma imersão fantástica em mim mesma. Estou na fase de descoberta e satisfação pelas escolhas tomadas. E ao mesmo tempo com um frio na barriga de que posso fazer mais, muito mais.

É como se eu estivesse em uma roda gigante. A roda gigante não pára. É preciso ter coragem para subir e saber desfrutar da descida apreciando o que a vida tem de melhor.

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