A perigosa prática dos jogos sexuais na Espanha

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A saúde pública espanhola está em alerta com o crescente número de “vítimas” dos jogos sexuais, ou roleta sexual, como também é conhecida. Esse perigoso  comportamento sexual iniciada nos Estados Unidos nos anos 90, como uma orgia entre homossexuais, nada mais é do que a prática sexual sem preservativos e que atualmente está na moda nas grandes cidades espanholas como Madri, Barcelona e Valência.

Ocorre que, para incrementar o jogo e aumentar a periculosidade, estão sendo envolvidos participantes soropositivos, de forma voluntária e consentida. Ninguém sabe quem é este participante, trata-se de um jogos “às cegas”, mas é certo que alguém entrará com a doença e pelo menos dois serão os que sairão com ela. O mais incrédulo é que o acordo entre os participantes parece tácito; todos sabem dos riscos, assumem-os e desfrutam da orgia.

Aliás o nome Roleta Russa Sexual não poderia ser mais propício: “apontar o cano da arma para si próprio ou para outrem, sem conhecer a posição exata da bala, e apertar o gatilho, pelo simples desejo de experimentar emoções violentas”.

Parece inconcebível que alguém possa gostar de participar desse obscuro jogo, mas crê-se que a adrenalina e a sensação de vulnerabilidade são poderosos afrodisíacos, e a razão pelo qual cada vez mais são os que se somam a essa realidade.

A prática é uma pulsão de morte, ou uma forma de contrapor-se as normas do Sistema de Saúde, onde o risco de infecção é a principal fonte de prazer, sendo maior que o medo da morte.

Relatos médicos apontam justificativas insolentes de alguns praticantes. Vê-se que as pessoas estão perdendo o medo da AIDS devido a melhora dos tratamentos farmacológicos que permitem que os infectados possam levar uma vida praticamente igual a das pessoas sanas, ainda que segue sendo uma doença incurável e potencialmente mortal.

Segundo Freud, que conceituou a pulsão de morte, a tendência a destruição de outrem ou de si mesmo, pode detonar uma satisfação libidinal, assim como Sade, que representava a crítica sobre a repressão aos instintos vitais do homem, considerava que a liberdade é individual e o prazer, uma forma de alcançar o fim último do ser humano. Aponta também que este prazer deve ser buscado mesmo que custe a vida. Aqui o prazer de viver está atrelado ao prazer de morrer.

De acordo com uma Organização de Apoio a Soropositivos, a Espanha tem um nível deficiente de conscientização sobre HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, e que o número de infectados vêm aumentando desde 2005 e atualmente conta com uma taxa acima da média européia (9,4 casos a cada 100.000 habitantes frente a 5,8 da média na Europa).

Em Catalunha, 30.000 pessoas recebem tratamento anti-aids com o incremento constante no número de homossexuais. Madri é a segunda maior cidade européia (só perde para Londres) onde mais se está aumentando o número de diagnósticos de HIV em homossexuais.

Há também as derivações dos jogos sexuais, como o chamado “Chemsex” que consiste na prática realizada entre homossexuais que organizam grandes sessões de sexos grupais com o jogo de roleta russa e também com o alto consumo de drogas para manterem-se mais tempo, podendo inclusive durar dias. Os efeitos são os mesmos de uma roleta russa sexual porém com o agravante do consumo das drogas, deixando os participantes em estado semi-consciente e reduzindo a percepção de risco.

Um dos mais perigosos comportamentos sexuais que se há registrado entre grupos de adolescentes nos últimos meses é o “Juego del Muelle” (Jogo de Mola), onde os meninos se sentam em um círculo, sem roupa interior, e enquanto mantém a ereção, as meninas vão sentando-se sobre eles alternadamente a cada 30 segundos, forçando uma penetração. Perde o jogo, o primeiro garoto que ejacula.

Os menores parecem não ter consciência dos riscos que enfrentam ao aceitar participar dessa prática, pois a grande maioria das vezes são realizadas sem preservativos, o que pode levar a transmissão de enfermidades, gravidez e vaginismo (espasmos musculares pela não lubrificação vaginal que provoca feridas e uma relação sexual dolorosa).

Este jogo não é uma novidade na América Latina, identificado pela primeira vez na cidade colombiana de Medelin, onde são muito frequentes entre adolescentes, quase sempre em um ambiente permeado por álcool e drogas.

Na Espanha está prática vem aumentando tanto que médicos e enfermeiros estão recebendo formação alertando sobre esse tipo de prática e como proceder.

O motivo que levam os jovens a essa prática é que os jovens querem ser adultos muito cedo e confirmam uma grande irresponsabilidade no comportamento para atingir esse objetivo, agregado a uma falta de controle parental. Os adolescentes se cansam rapidamente e sempre estão em busca de novas práticas.

Além disso, os adolescentes começam a normalizar tal comportamento e a criar uma relato de desigualdade entre os gêneros. São as meninas que se elevam e vão girando, eles apenas controlam a ejaculação, sem pensar no prazer, considerando uma prática de poder. As meninas desejam-se provar mais sexualmente liberadas, e os meninos competem uns com os outros para ver quem é o mais “viril” (quem mantém por maior tempo a ereção).

Comportamentos sexuais assim são viáveis apenas em uma ética individualista onde o prazer individual é o principal objetivo de uma relação sexual. O que interessa para o libertino “[…] é a intercambialidade dos corpos – e mais: de todos os corpos do mundo, a lhe designar a especialidade de um desejo que jamais se reconhece no outro, que jamais se perde num objeto, posto que absolutamente centrado em si mesmo” (MORAES, 2000).

Podemos afirmar, portanto, que os “Jogos Sexuais” não é apenas uma forma de expressar o prazer, que é individual e que depende de cada um, mas também uma forma de ultrapassar os limites impostos por um poder que tenta se impor à singularidade do sujeito.

Algo extremamente preocupante e mortal!

Fonte:

  • MORAES, E.R. Prefácio. In: SADE, M. Os crimes do amor e A arte de escrever ao gosto do público. Porto Alegre: L&PM, 2000.
  • PEIXOTO, F. SADE: vida e obre. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

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