Alemanha – Infertilidade: Custos e Tratamentos

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A infertilidade afeta 15 a 18% dos casais no mundo (Fonte: unsplash.com)
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No mês das mães, pensei em escrever para aquelas que têm o sonho de se tornar uma, mas por algum motivo, não conseguem. Infertilidade é a dificuldade de engravidar após um ano de tentativas. A chance de a mulher engravidar em um mês é de 15 a 25%, mas tentar durante um ano a aumenta para 80%.

Na Alemanha, os médicos ginecologistas costumam esperar um ano de tentativas para começar a investigar o possível motivo da demora no resultado positivo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que dos casais inférteis, 40% dos homens e 40% das mulheres têm alguma dificuldade. Os 20% dos casos de infertilidade restantes vêm de ambas as partes, homens e mulheres. Os motivos podem ser muitos, mas a varicocele é o mais comum entre os homens e distúrbios na ovulação, entre as mulheres. No total de 15 a 18% dos casais no mundo todo têm alguma infertilidade.

Os ginecologistas alemães têm no seu consultório um ou dois aparelhos de ultrassom. O próprio médico realiza o exame durante as consultas de suas pacientes. Em seu consultório é realizado também as coletas de sangue para envio ao laboratório. Se as pacientes não conseguirem engravidar após um ano de tentativas, o ginecologista conversará com elas e dará um papel de transferência para um médico especializado em fertilidade.

Chegando na clínica de fertilidade indicada, as pacientes e seus maridos farão mais exames de sangue e espermograma para identificar o motivo. Podem ser necessários exames mais invasivos como uma videolaparoscopia ou histeroscopia, dependendo do histórico médico de cada uma. Isso será definido pelo especialista. Todos os exames são geralmente pagos pelo plano de saúde que é obrigatório na Alemanha.

A primeira consulta nas clínicas é agendada com bastante antecedência e pode demorar meses para se conseguir um horário. A partir da segunda visita, as clínicas normalmente atendem por ordem de chegada, mas prepara-se porque quando você chegar na hora que elas abrem as portas, já haverá uma longa fila de mulheres esperando em pé. Este será o momento que você sentirá que não está sozinha. O atendimento nas clínicas alemãs é eficiente e rápido. Em todas as consultas, o próprio especialista realiza o exame de ultrassom.

Qual é a contribuição do plano de saúde? Os planos de saúde costumam pagar a metade do tratamento, mas há raras exceções de cobertura integral. É bom consultar o seu plano de saúde sobre a contribuição que ele está disposto a dar. Todavia, esta fica condicionada ao fato de a mulher ter menos de 40, o homem menos de 50 e ambos terem mais de 25 anos. Mulheres e homens mais velhos não devem conseguir ajuda do plano já que, nesta faixa etária, a taxa de fertilidade cai bastante. Provavelmente, eles terão que pagar por todo o custo do serviço, exames e tratamento. Alguns casais pesquisam qual plano ajuda mais e trocam antes de se tratarem. Outro detalhe importante é que o plano cobre custos apenas para cônjuges casados no papel.

Os tratamentos nas clínicas seguem normalmente uma ordem. Primeiro, 6 ciclos de tratamento com injeções de hormônios. Segundo, 6 tentativas de inseminação com ou sem ajuda de injeções de hormônios. Terceiro, 3 tentativas de Fertilização in vitro (FIV). Por último, 3 tentativas de injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI). Claro que depende do histórico médico de cada paciente. Dependendo da disfunção motivo da infertilidade, o médico pode sugerir direto uma FIV ou ICSI.

O tratamento de injeções de hormônios é coberto completamente pela maioria dos planos. A paciente, neste caso, precisa aplicar na barriga injeções diárias até conseguir ovular e realizar o coito programado. O médico informará exatamente, com base no exame de sangue e ultrassom, quando o casal deve ter relações. O custo das injeções é quase simbólico, por volta de 10 euros (3 ampolas de Puregon/HCG ou 10 vidros de Menopur).

Considerando que o plano pague a metade dos outros tratamentos, a inseminação sem estimulação de hormônio pode custar para o paciente aproximadamente 100 euros. A inseminação com o hormônio tem custo médio de 500 euros. Uma FIV tem custo de 1.400 euros e a ICSI por volta de 1.550 euros. Estes valores estão incluindo já a medicação, serviço e exames. Mas como informei, a paciente deve perguntar ao plano antes de iniciar qualquer tratamento destes qual é a porcentagem de contribuição. Estes valores são referentes a uma ajuda de 50% do plano. No caso de particular, os valores devem ser negociados com as clínicas.

Após confirmar o positivo, a clínica de fertilidade mandará a paciente de volta ao ginecologista inicial para a realização do pré-natal e obtenção da caderneta de controle da gravidez. Se houver algum problema, como um aborto, a paciente será transferida para o hospital, onde serão realizados exames e a operação de retirada (curetagem), que acontece geralmente no dia seguinte, sem internação. Claro que após o tempo de resguardo que o médico do hospital e o ginecologista indicar, a paciente poderia voltar para a clínica de fertilidade e voltar ao tratamento, neste caso, para mais uma tentativa.

Em 2014, após o tratamento de FIV, 36,2% dos casais chegaram ao desejado positivo e conseguiram engravidar. Para o ICSI, a taxa de sucesso foi, no mesmo ano, de 34,5%. O sucesso do tratamento depende de muitos fatores, dentre eles, estar acima dos 40 anos, o que faz esta chance cair, havendo mais riscos de aborto.

Aproveito para desejar boa sorte para todas aquelas mulheres que desejam filhos no futuro e que precisem passar por algum destes tratamentos. Tenham confiança.

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