Argentina – Recebendo visitas

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Quem se mudou do Brasil deve estar sempre preparado para receber visitas dos familiares e amigos que, querendo encontrar com você, aproveitam a oportunidade para viajar e conhecer um novo lugar. Diferente de quando você mora na mesma cidade, a visita não chega para um jantar e depois se vai. Ou, quando se mora no mesmo estado ou país, que a estadia se limita a um final de semana ou feriado prolongado. Muitas vezes nossas visitas ficam de uma semana a até um mês – afinal, precisam aproveitar os gastos com a passagem internacional e muitas vezes programam a viagem para o período de férias.

Deixando de lado toda a emoção, prazer e alegria em receber as pessoas de quem tanto sentimos falta, em abraçar alguém conhecido (que fale sua língua e tenha um forte vínculo com você), vamos ser práticas e admitir: dá trabalho!

Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, recebi visitas cinco vezes, o que significa uma visita a cada dois meses e meio, mais ou menos. O que mais me gerou conflito foi administrar o tempo com os convidados e o tempo das obrigações diárias (trabalho, escola, afazeres de casa, etc). Entre alegrias, matança de saudades, prazer em receber gente querida, um probleminha, algumas agonias e muito cansaço, decidi reunir algumas dicas a partir das experiências vividas!

  • Mimos

Não há nada melhor que chegar na casa de alguém e perceber que a sua presença é mais do que esperada! Pequenos detalhes fazem toda a diferença e demonstram o nosso afeto pelo convidado que estamos por receber: uma flor no quarto onde ele irá se acomodar, um kit de produtos típicos do lugar para que ele leve quando voltar para casa, um bolo fresquinho com chá ou café para quando chegarem! Gosto também de sempre deixar a cama já posta, toalhas e cobertores disponíveis no quarto e uma cestinha com os produtos básicos de higiene pessoal (creme e fio dentais, touca de banho, sabonete cheiroso, shampoo, condicionador, cotonete, hidratante, etc) – há visitas que vêm de muito longe e sempre há o risco de esquecer de algo. Além disso, chegar e observar delicadezas assim é receber um super abraço de boas-vindas!

  • Sua visita está de férias, mas pode ser que você não esteja

Existe gente com e sem noção em qualquer canto do mundo, e a falta de noção não escolhe apenas desconhecidos para se instalar. É importante ter claro e deixar claro para quem você irá receber que é uma alegria muito grande tê-lo ali, mas que infelizmente você não deixará de ter compromissos e responsabilidades e que por isso não poderá estar todo o tempo à disposição.

  • Não se sinta obrigado em ser guia turístico

Para mim funcionou impor uma regra básica para mim mesma de que pais e irmãos têm prioridade, então na medida do possível me organizo para ter o maior tempo possível disponível para eles. Não queira bancar o guia de cada pessoa que receba! Suas tarefas diárias se acumulam, você se cansa demais na tentativa de se redobrar em diferentes atividades e no final acaba usufruindo menos da companhia deles. Reúna um guia prático da cidade, escreva previamente algumas dicas de roteiros e lugares para ir e combine em quais passeios você poderá acompanhar.

  • Ser um bom anfitrião não é ser babá

A qualidade do receber bem está mais ligada ao fazer com que o convidado se sinta à vontade do que estar à disposição dele todo o tempo. Ainda no primeiro dia da visita, indique onde ficam os copos, pratos, toalha, papel higiênico. Deixe a pessoa confortável para abrir a geladeira e comer quando tiver fome. Parece bobo, mas dar liberdade ao convidado faz com que ele se sinta mais confortável e você ganha muitos minutos de relaxamento para dedicar-se a outras coisas!

  • Gastos e despesas

Vai da condição de cada um poder ou não bancar os gastos e refeições de todas as visitas que chegam durante o ano. A administração desse tema varia muito conforme a visita e a liberdade que você tem com ela. Você não vai se preocupar com esses gastos se está recebendo seus pais, por exemplo, mas imagine as despesas acumuladas com cada pessoa que te visite! Geralmente, além da estadia, eu ofereço café da manhã todos os dias e não me comprometo em cozinhar as demais refeições. Assim, além da sua visita explorar mais a comida típica nos restaurantes da cidade, você economiza o trabalho e o gasto para tal. Pode parecer “pão-duragem” à primeira vista, mas se você colocar na ponta do lápis, verá que não!

  • Evite conflitos, mas não ature qualquer coisa

Você não encontra com a pessoa há quem sabe quanto tempo, por isso, evite ao máximo situações de conflitos ou brigas. Por outro lado, você não é obrigado a tolerar tudo. A casa é sua: imponha seus limites, exponha as regras do lar e, se necessário, fale firme. É melhor deixar tudo claro do que criar uma situação de desconforto contínuo (lembre-se que a visita sempre poderá voltar e que o bom anfitrião é aquele que deixa o convidado com saudades da recepção que teve).

  •  Agregados / não-amigos ou não-conhecidos

Pode ser que aquele amigo que decida te visitar resolva levar mais alguém. Ou que um casal de primos combine com outro casal de viajarem juntos. Você não tem obrigação em receber todo mundo! Se não se sente confortável em receber desconhecidos ou se o espaço na sua casa não é suficiente para acomodar a todos, sugira um hotel próximo à sua casa e diga que está à disposição para ajudar no que for necessário e que será um prazer acompanha-los em alguns passeios!

Enfim, lembre-se sempre de que ter educação é fazer o que se quer, com boa vontade, e não o que se supõe que seja obrigado – afinal, ninguém deve ser forçado a nada no próprio país e nem em outro lugar do mundo! No mais, aproveite muito os seus convidados! É uma delícia receber pessoas queridas, principalmente quando se mora longe. Definir limites é permitir-se aproveitar ao máximo dessas visitas, com o mínimo de estresse, deixando o gostinho de quero mais e “volte logo”!!!

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