Arte de rua: os murais de São Francisco

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Fernanda Fell
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Mais do que grafite, os murais contam histórias e apoiam lutas

São Francisco (SF) é uma galeria de arte ao céu aberto. Por todos os lados que tu olhas, tem um desenho, uma cor, um traço. A efervescência cultural, a voz política ativa e a diversidade de São Francisco são retratadas em murais espalhados por toda a cidade. Melhor do que a força das mensagens em forma de pintura, é a valorização da arte pela comunidade.

História

A arte de rua ganhou força, em San Francisco, no início dos anos 80. No início, a ideia era apenas espalhar assinaturas pela cidade. O cenário da arte de rua se fortaleceu quando grafiteiros que trabalhavam, primeiramente sozinhos, se juntaram com o movimento do Hip Hop. O que era apenas uma manifestação cultural dos guetos, fortaleceu-se e ganhou espaço na cidade.

Disputa entre artistas

Quando o movimento da arte de rua começou em São Francisco, dois grupos, TWS e TMF, que faziam referência a diferentes estilos estavam em conflito. Toda vez que um grupo grafitava um novo mural, os apoiadores do outro grupo pichavam por cima do grafite. E vice-versa. Essa disputa terminou quando DREAM or KING DREAM, um dos artistas pioneiros Baía de São Francisco, uniu o movimento novamente. Apaixonado por Hip Hop e pelas lutas da sua comunidade, Dream é referência em vários murais da cidade até hoje.

Atualmente, o principal problema em relação a arte de ruas são as pichações.

Leis

Em algumas áreas de SF, os painéis são pintados com autorização dos proprietários. Em outras regiões, os murais são pintados ilegalmente, no entanto, o Estado da Califórnia têm punição para quem não tem autorização, que vai de um ano de prisão e uma multa de $5 mil dólares.

Turismo

O mais interessante dos murais de São Francisco é a dedicação de entidades locais e a dimensão que essa arte tomou entre os turistas. Quem tem interesse em saber a história dos murais, os artistas envolvidos e a conexão que a arte tem com a cidade, pode participar de passeios guiados pelas principais obras da cidade.

Em São Francisco, Mission District é a vizinhança da cidade com o maior número de painéis. De resistência política a direitos gays, os grafites traduzem a liberdade expressão de uma das cidades mais liberais do mundo.

Principais pontos turísticos:

Clarion Alley

O Clarion Alley Mural Project é um coletivo de artistas que, desde 1992, apoia a produção de murais engajados socialmente. Quem visita a ruela colorida percebe a riqueza cultural e a diversidade de povos através da pintura de índios e latinos.

A visão do projeto é ser um espaço onde a cultura e a dignidade falem mais alto do que as regras das propriedades privadas or do estilo de vida que coloca o dinheiro antes da compaixão, do respeito, e da justiça social. Desde a sua fundação, o Projeto já apoiou mais de 500 artistas e criou mais de 700 murais. O Clarion Alley recebe mais de 200 mil visitas por ano.

Fernanda Fell

Balmy Alley

A coleção de murais do Balmy Alley começou no meio dos anos 80. Na época, uma forma de expressão dos artistas em relação a violação dos direitos humanos e abusos políticos na América Central. Atualmente, os murais vão da luta pelos direitos humanos até desastres naturais como o Furacão Katrina.

A melhor forma de visitar o “beco” é caminhando. Os passeios guiados ficam em torno de $20 dólares e duram aproximadamente 2 horas. A parte mais legal do Balmy Alley é que sempre vale a pena visitar de novo, já que novos murais são pintados frequentemente.

Fernanda Fel

Tanto o Clarion Alley quanto o Balmy Alley tem fácil acesso pelas estações de trem 16th Mission e 24th Mission, do Bart.

Vale lembrar que o Mission District é um dos bairros mais populares de São Francisco. Com transporte público de fácil acesso e também uma variedade enorme de restaurantes, bares e parques.

Para mais informações sobre as visitas guiadas visite o link.

Não tem planos de visitar São Francisco tão cedo? Que tal um tour online? Vários sites oferecem imagens dos murais com descrições dos artistas. Clique aqui para iniciar um tour.

E claro, os turistas criam uma exposição online gratuita no Instagram. É só buscar por Clarion e Balmy Alley.

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Fernanda é gaúcha, jornalista, pós-graduada em Relações Internacionais e mora nos Estados Unidos desde fevereiro de 2016. Ama ouvir uma boa história, ajudar quem precisa e está sempre pronta para uma mudança. Atualmente, é estudante internacional na UC Berkeley e escreve no Blog Fell in Califórnia, um espaço pra dar dicas de viagens e compartilhar ideias. Entre os assuntos que mais gosta de escrever estão: África, direitos humanos, HIV, diversidade cultural, viagens e, mais recentemente, tem buscado informações sobre nômades digitais. No Brasil, recebeu Menção Honrosa do Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo - OAB/RS e 1o lugar no Prêmio da Associação Rio-grandense de Imprensa (ARI) na categoria Reportagem Cultural. Fernanda se define como uma mulher independente, passarinho solto que se adapta às mudanças da vida sem perder o foco na felicidade.

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