Tem burocracia na Finlândia?

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Foto: Lili Simmelink
Foto: Lili Simmelink
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Estamos em Espoo há quase três meses. Viemos com vistos de estudante e de laço familiar. Desde o Brasil, passamos por várias etapas. Em geral, todas pareciam simples e sempre muito bem explicadas. Nós tínhamos todas as informações no site da universidade e sempre respondiam nossos e-mails. Nós nos surpreendemos com a organização e como eles eram pontuais em cumprir com as datas que estipulavam.

Voltando um pouco para o começo do nosso processo, quando realmente decidimos que a Finlândia seria o lugar, faltavam poucos meses até que as inscrições para o curso fechassem. O fator mais importante era que meu marido ainda precisava fazer a prova de proficiência em inglês e, nas nossas condições, o Cambridge era o mais eficaz, já que o resultado era enviado online. Além da prova, fizemos a tradução juramentada tanto dos documentos escolares como dos que comprovavam o nosso laço familiar, reconhecemos em cartório, legalizamos tudo no Ministério das Relações Exteriores em SP, fizemos uma carta motivacional, um portfólio e o currículo.

Depois de tudo enviado, o prazo de espera era de 60 dias. Com sorte, tudo deu certo e na data prevista, ele foi aceito! Após isso, nos passaram as informações para que aplicássemos para as moradias estudantis, tanto do Governo como da universidade, e assim fizemos. Era hora de começar a segunda parte do processo: o visto!

Quando começamos a pesquisar, decidimos que seria melhor que apenas ele aplicasse para ser estudante e eu iria como acompanhante. Escolhemos essa estratégia por dois motivos. Primeiro porque o curso tinha tudo o que ele queria para se especializar e segundo, porque se aplicássemos para vistos separados, caso um de nós não fosse aceito, o processo de visto de laço familiar poderia demorar até nove meses e teríamos que vir separados.

Com a Embaixada tudo foi bem simples. Marcamos nossa entrevista por telefone e fomos até Brasília. Nos atenderam de forma muito querida, passaram todas as informações de como o processo correria e o que precisaríamos fazer ao chegar aqui. Não tivemos que apresentar nada além do que eles já pedem e tudo que precisam está no site oficial no setor de vistos. O prazo que nos deram eram de 30 dias e, exatamente um mês depois, nosso visto chegou! Por coincidência ou não, fomos aceitos no programa do HOAS – empresa do governo que cuida das moradias estudantis – ao mesmo tempo que nosso visto saiu.

Chegamos de madrugada e, por isso, no dia seguinte cedinho fomos até o escritório do HOAS buscar a nossa chave. O processo foi bem simples. O apartamento estava bom, bastante sujo para os nossos padrões, um pouco velho, mas estava ótimo pelo custo benefício. A burocracia maior apareceu quando a parte três do processo começou. Precisávamos comprar o cartão do ônibus para poder fazer tudo que tínhamos que fazer. Como ainda não tínhamos nos registrado na prefeitura, não conseguimos comprar. Tivemos que comprar os passes unitários até que isso fosse resolvido.

Primeiro fomos até a prefeitura de Espoo, mas lá nos encaminharam até a de Helsinki. Apresentamos nossos documentos, mas não pudemos nos registrar. Era necessário ir até a universidade primeiro e concluir a matricula. Fomos matricular meu marido e descobrimos que o pagamento anual do grêmio era obrigatório para poder concluir o processo. Nós sabíamos que teríamos que pagar, mas não sabíamos que tinha que ser logo de cara.

Enfim, voltamos no dia seguinte, concluímos tudo e fomos até a prefeitura para terminar o nosso cadastro. Devido à alta demanda – com os novos estudantes e asilados – nos informaram que levariam 30 dias para que nosso cadastro estivesse ativo. Até aí, ok. Nos deram uma carta comprovando que estivemos lá e com ela conseguimos comprar o nosso cartão do ônibus. O próximo passo era se cadastrar no KELA e abrir uma conta bancária! O KELA é a previdência social finlandesa e, como já esperávamos, recebemos a carta que não fomos aceitos, pois o nosso visto de residência é temporário.

Lidar com o banco foi um tanto quanto estressante, para não dizer, a parte mais estressante que tivemos até agora. Para ser atendido, você precisa agendar via telefone. O problema real começou quando precisamos pagar nosso aluguel. Você não tem acesso à conta assim que abre, e demora até 10 dias para ativar. Aqui também não é como no Brasil. Se você tem que pagar uma conta com um boleto do banco X, o banco X não recebe o pagamento na boca do caixa. Você precisa ir até o seu banco e fazer o pagamento na boca do caixa por transferência ou pagar online. Como não tínhamos acesso à nossa conta e nem dinheiro nela, tivemos problemas até que uma boa alma em outra agência nos ajudou. Aqui, para fazer uma transferência na boca do caixa te cobram uma taxa de 6 euros e 5 euros para depositar qualquer valor. Eles fazem isso justamente para que as pessoas utilizem o bankline e os caixas eletrônicos.

A gerente também nos explicou que tínhamos que ter os comprovantes do Brasil para depositar o dinheiro e, assim que ativaram a conta, os levamos. Resulta que tínhamos que ter os comprovantes da troca de reais para euros. Nós juntamos os euros ao longo do último ano. Não trocamos tudo de uma só vez, e como não sabíamos e muito menos imaginávamos, não guardamos os comprovantes da troca. Aqui controlam cada movimentação que você faz e para resolver, tivemos que agendar novamente com a gerente, explicar a situação, ela passou para a gerência dela e, por fim, aceitaram. Ficaram com todos os extratos originais e papéis assinados, mas deu certo!

No fim, todo o sistema é interligado aqui. Quando a prefeitura te registra, suas informações já aparecem para o banco, para o KELA, para os hospitais, para a empresa de ônibus, enfim não tem como fazer nada sem o registro.

Apesar de termos pesquisado bastante, na prática sempre haverão informações faltando e se soubéssemos mais sobre a burocracia antes de vir, principalmente a última etapa teria sido mais tranquila! Agora já está tudo certo e espero que nossa experiência ajude outras pessoas!

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Elisa é nascida no Peru, filha de pai peruano e mãe brasileira. Mudou-se para Campinas, interior de São Paulo quando tinha 4 anos. É formada em Hotelaria pelo Centro Universitário Senac, já trabalhou na Disney, viajou o mundo como comissária de bordo enquanto morava em Dubai e se especializou em confeitaria abrindo seu próprio ateliê quando retornou ao Brasil. Hoje mora na Finlândia com o marido, ama escrever, ver séries, curtir a natureza, mexer no jardim, viajar e experimentar comidas novas. Adora assuntos relacionados a beleza, bem estar e sempre busca maneiras de melhorar e ver a vida positivamente!

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