Fonte: acervo pessoal
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Assim como no Brasil aqui na China temos diferentes tipos de escolas voltadas para diferentes públicos, e dentro dessa perspectiva existem 4 segmentos principais: as escolas chinesas públicas ou privadas, as chinesas bilíngues e as internacionais.

As escola públicas são subsidiadas pelo governo e os pais precisam bancar apenas os custos dos livros didáticos e alimentação, além disso, a família precisa ter uma casa própria próxima à escola que os filhos irão frequentar. Se chinesas privadas, além dos custos com alimentação e material didático, existe também o custo da mensalidade que por sua vez são mais baixos e também acessíveis se comparados aos outros segmentos. Acredito muito que esse tipo de escola não seria o ideal para um estrangeiro, uma vez que não existe o ensino de uma segunda língua e os alunos aprendem os caracteres desde pequenos, então para uma pessoas que está na China apenas por algum tempo, o que é o caso da grande maioria dos expatriados, não seria o ideal.

Fonte: acervo pessoal

As escolas bilíngues são mais caras que as chinesas e o currículo também é um pouco diferente já que é permitido aos alunos terem 30 % apenas de imersão em uma segunda língua. Os professores do departamento bilíngue são, em sua maioria, nativos ou de outras nacionalidades mas que tenham proficiência na língua a ser ensinada. Uma lei recente tem dificultado um pouco a contratação de professores não nativos que dão aula de ESL (English as a Second Language), porque de acordo com essa lei somente professores nativos (entenda como nativo qualquer cidadão que tenha nascido onde o Inglês é considerado uma das línguas oficiais e isso inclui África do Sul e Nova Zelândia, por exemplo) podem ser contratados, mas até onde sei a lei tem sido mais rigorosa em cidades maiores como Shanghai e Beijing. Além do que, já percebi que por aqui também existe um jeitinho chinês de contornar as coisas, como é o caso de uma amiga brasileira que dá aula de ESL em Shanghai e que teria seu contrato modificado para professora de Português, mesmo dando aula de Inglês.

No mesmo campus da escola em que trabalho existe uma escola bilíngue e algumas peculiaridades me chamam bastante a atenção. Apesar de serem mais caras que as escolas chinesas, não deixam de ser acessíveis. Os filhos de vários  funcionários da nossa escola, desde funcionários da limpeza até professores do departamento de Chinês, têm filhos estudando lá. Os alunos começam a chegar na escola no domingo a tarde cheios de malas, travesseiros, cobertas, e etc. E isso acontece porque eles passam a semana dormindo no campus da escola e voltam para casa na sexta no final do dia. Essa rotina começa com crianças a partir de 3 anos, muito louco imaginar crianças tão pequenas, passando a semana longe dos pais. Quando ainda morava no campus, via alunos em salas de aula tarde da noite. O sistema de ensino chinês é bem competitivo, e os alunos são estimulados a serem sempre os melhores e terem boas notas, inclusive essas notas são divulgadas nos murais e existe um ranking dos “melhores” aos “piores”.

Nas minhas andanças pelos campus sempre vejo grupos de adolescentes conversando tranquilamente sem supervisão e geralmente grupos de meninas e meninos separados. Imagino que no Brasil seria bem diferente, adolescentes sem supervisão estariam geralmente “se pegando”, ou com bebida alcoólica e até mesmo drogas. É triste mas é a realidade. Outra coisa bacana que observo é que os pequenos sempre começam o dia fazendo exercícios ao ar livre e os maiores correm em uma pista de atletismo que fica bem atrás da minha sala.

As escolas internacionais, por sua vez, são bem mais caras. Para se ter uma ideia em valores reais, seria em média 5.000 reais por mês, isso para crianças em idade escolar de 2 a 4 anos. À medida que ficam mais velhos e as séries vão aumentando, o valor da mensalidade acompanha esse crescimento também. Esse valor inclui mensalidade, alimentação, atividades “after school” e, se o aluno usar transporte escolar, esse valor será acrescido. E com um detalhe bem importante, o valor tem que ser pago pelo ano todo.

O currículo seguido é bem diferente das escolas chinesas ou bilíngues. Os dois principais utilizados são o Common Core, que é um currículo americano e que várias outras escolas internacionais ao redor do mundo também seguem, era esse o currículo utilizado na escola em que eu trabalhava no Brasil e aqui também. O outro é o IB (International Baccalareaute) que também é usado em diferentes escolas ao redor do mundo e foi desenvolvido na Suíça. 

Como trabalho em escola internacional, minha filha de 7 anos frequenta a mesma escola e não teve dificuldade de adaptação quanto ao idioma, já que ela sempre teve contato com o inglês desde os 2 anos de idade. E agora uma terceira língua foi introduzida no seu dia a dia. Na escola ela tem aula de mandarim todos os dias, mas com um tempo menor que o inglês, e onde o foco principal é a comunicação. Acredito que, em alguns anos, ela vai estar dominando o mandarim com fluência. 

Abaixo algumas escolas internacionais nas principais cidades chinesas e, claro, em Ningbo:

Xangai

Ningbo

Beijing

Guangzhou

3 Comentários

  1. Ótimo texto! Parabéns!
    Bem a nossa realidade!
    Aqui em Dongguan existem outras escolas internacionais também… caras também, mas não tanto quanto você citou aqui!

    Mas mesmo sendo caras, Eh um ótimo investimento em nossos filhos…. E em pouco tempo percebemos a evolução deles!

    Beijao, guria!

  2. Super esclarecedor,
    Havia lido um post que falava de valores surreais, como U$3.500 dólares mensais… achei impossível aceitar qualquer contrato de trabalho, tendo 2 filhos…

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