Como é morar em Jackson, no Mississippi

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“Onde você mora?” “Jackson, Mississippi” “Ah sei, Jacksonville?” “Não, Jackson, Mississippi”. Faltam dedos nas mãos e nos pés pra contar quantas vezes já passei por esse diálogo – poucas pessoas conhecem o Mississippi (Sim, eu sei que você já ouviu falar do Rio Mississippi, mas talvez nunca tenha reparado na música do Bruno Mars, quando ele grita: “Jackson, Mississippi!”), e outras poucas sabem o nome da capital do estado.

Jackson possui não mais do que 172.000 habitantes, um clima quente o ano todo (me disseram que em janeiro desse chegou a nevar alguns dias! – infelizmente eu não estava lá pra ver), com poucas atrações turísticas se comparado aos outros estados dos EUA, mas com uma longa história de luta racial (e resquícios dessa luta muito presentes no cotidiano das pessoas). Jackson é rodeada por outras cidades, que são mais charmosas e organizadas do que ela: Madison, Ridgeland, Flowood, entre outras.

Estações do Ano

Como Jackson está no sul dos Estados Unidos, o clima é majoritariamente quente o ano todo. Peguei as quatro estações por aqui: em setembro, o clima estava ameno e gostoso, por volta dos seus 18 °C. Lá pra novembro, o clima vai esfriando (mas foram raras as vezes que usei bota e casaco pesado). Março e abril é a melhor época, pois o clima ainda está ameno e tudo fica mais florido. Vale ressaltar que essa região tem muita incidência de tornados, dependendo da época do ano, o seu celular vai apitar sem parar! Os ventos são fortes e as chuvas bem pesadas.

Moradia

Eu moro no centro de Jackson, ao lado da faculdade, onde eu estudo. Por ali, um apartamento para casal gira em torno de US$850. Eu considero um preço bem salgado por ser em uma região que não está cercada por shoppings, supermercados e restaurantes. Você consegue achar bons preços em outros bairros, que são mais residenciais e aconchegantes. Escolhi viver no centro de Jackson pela comodidade de estar perto da faculdade, mas, tirando isso, eu não moraria por ali.

Transporte público

Nesses 10 meses vivendo lá, vi no máximo dois ônibus no centro. O transporte público é praticamente inexistente e você precisa ter um carro para ir para qualquer lugar.

Atrações turísticas

Como eu disse anteriormente, não há muito para fazer na região de Jackson. Se preferir, monte no carro, viaje duas horas e você estará em New Orleans! Risos. Mas, voltando ao Mississippi, há alguns lugares que valem a visita: Red Bluff, em Foxworth; B. B. King and Museum, em Indianola; tour na Cathead Distillery (a vodka de mel deles é sensacional!), e o Natchez State Park, em Natchez.

Vida noturna e restaurantes

Apesar de a vida noturna de Jackson ser fraca, há alguns restaurantes gostosos para experimentar. Como não há muitos, os que existem são um pouco caros para os padrões de outros restaurantes na região. Alguns deles são em Jackson, outros nessas cidadezinhas próximas: Anjou Restaurant, em Ridgeland, com opções desde frutos do mar até uma boa carne angus; Another Broken Egg Cafe, em Ridgeland, para um brunch saboroso; e Apothecary at Brent’s, em Jackson mesmo, um bar charmoso escondido atrás de uma lanchonete com carinha de anos 90 (super recomendo!).

Em meados de outubro, acontece a Mississippi State Fair, uma tipo de feira gigantesca que é típica em todos os estados dos EUA. A feira do Mississippi é bem divertida e reúne pessoas da capital e da região – vale a pena ir se você estiver por lá nessa época do ano (acredita que o Shawn Mendes se apresentou na feira em 2015? Pois é – I wish I was there!).

Outra atividade divertida pra você fazer durante as semanas e também curtir aos sábados, é experimentar ir em uma das aulas de Salsa e Bachata do Salsa Mississippi. Aos sábados, às 21 horas, você pode participar de uma aula gratuita que vai até as 22h. Logo depois da aula, eles abrem para o público geral e cobram uma taxa de US$10, com um bar lá dentro e pessoas dançando música latina – é bem divertido e você sai de lá cansado de tanto dançar (amei!). O lugar também oferece aulas durante a semana, pagas.

Estudando em uma HBCU (ou Historically Black Colleges and Universities)

Estudo na Jackson State University, uma HBCU. Quando você vem para o Mississippi (ou para o sul) você ouve muito falar desse termo. HBCU são universidades que foram criadas após 1964, com o objetivo inicial de inclusão da comunidade afro-americana na educação superior, e que atualmente recebem estudantes de todas as etnias e de todas as partes do mundo. A diversidade presente nessas faculdades é bem grande – estudei com pessoas do mundo todo. A grande maioria dos estudantes é afro-americana e eles têm um orgulho imenso em fazer parte dessa comunidade e expressarem esse “proud to be”.

Se você quer saber mais sobre a região, me escreve e terei o maior prazer em tirar suas dúvidas. E, ah! Se você tiver interessado em saber mais sobre o Mississippi, o Netflix tem um documentário com Anthony Bourdain, chamado “Parts Unknown”. O terceiro episódio da quinta temporada é sobre o Mississippi – que retrata um pouco sobre o centro da capital, um restaurante tradicional que vende orelha de porco, e ainda fala brevemente sobre a história do estado.

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Mariana é de Rio Claro, interior de SP. Em 2010, partiu para São Paulo com a cara, coragem e seu sotaque caipira pra estudar Publicidade e Propaganda na ESPM. Depois de quase 5 anos na capital, decidiu ir pra Índia por 2 meses fazer trabalho voluntário. Voltou, morou no Rio por mais 2 anos, e finalmente decidiu seguir sua paixão por tecnologia. Atualmente faz Mestrado em Ciência da Computação na Jackson State University, no sul dos Estados Unidos. É apaixonada por inovação, viagens, poesia, e comida brasileira. Tem um blog, onde escreve sobre suas impressões de mundo, viagens, e mulheres em Ciências da Computação.

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