Como fazer novos amigos no Uruguai

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Amizade no Uruguai
Fonte: Pixabay
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No último telefonema entre mim e meu pai, ele me fez uma pergunta diferente das que normalmente faz.

Estou acostumada com suas indagações sobre eu estar bem, estar feliz, estar trabalhando muito,  porém dessa vez meu pai me perguntou se eu tinha amigos.

Ora, fazia todo sentido sua preocupação. Passados mais de quatro anos vivendo no Uruguai ele queria saber se depois desse tempo reconstruindo todo meu entorno, eu estava conseguindo ter uma vida completa no país em que escolhi viver. E realmente, conquistar novos amigos é um tipo de termômetro em relação a nossa adaptação.

Ainda bem que ele esperou 4 anos para me fazer essa pergunta, porque levou tempo para eu fazer amigos de verdade.

Quando a gente está na época da escola ou até mesmo na faculdade há o convívio obrigatório de alguns anos com um grupo fixo de pessoas, quase sempre nossos grandes amigos saem dessas fases. Também é comum que os melhores confidentes tenham crescido juntos no mesmo bairro.

Na fase adulta, há a ausência de tudo isso e a coisa se complica um pouco.

Como quase todo mundo que vai morar fora encontrei primeiro apoio em brasileiros expatriados como eu.

Era mais fácil, no princípio, interagir num grupo com os mesmos costumes, idioma, com as mesmas dores e saudades sentidas por mim.  Porém, a comunidade de brasileiros é bastante dinâmica, muitos voltam, outros se mudam de país e por esses e outros motivos as alianças estão sempre se rompendo.

Além disso, sempre soube da importância de se ter amigos locais, no meu caso uruguaios, para uma vida social mais acolhedora. Não me parece muito saudável construir uma espécie de ilha brasileira, apesar de me render a esses encantos de vez em quando.

Ao longo do tempo em que estou aqui presenciei muita gente falando que é difícil fazer amigos no Uruguai. Nas comunidades, vez ou outra, aparecem desabafos de pessoas que estão desesperançosas com a possibilidade de fazer laços fortes.

Às vezes, parte da nossa frustração vem da comparação que fazemos com o Brasil nos quesitos hospitalidade e aproximação. Talvez sejamos mais calorosos e convidativos que nossos vizinhos, embora isso nem de longe signifique que os uruguaios não sejam hospitaleiros e abertos.

Amizade Uruguai
Fonte: Pixabay

Logo que cheguei muita gente se ofereceu para me ajudar a entender o funcionamento do país. Algumas pessoas me levavam para tomar um café como forma de me mostrar o comércio. Outras, me levavam para andar sem rumo me orientando sobre cada canto da cidade, outras ainda, me indicavam clínicas médicas e serviços de confiança e só o tempo foi mostrando com quais pessoas haveria afinidade suficiente para construir laços profundos e significativos.

Tudo isso ajudou e foi vital para eu me apropriar do novo espaço e do meu lugar nele.

Sinto que há um aspecto importante que influencia na maneira como a amizade se constrói aqui no Uruguai, que é o fato de haver mais meses de frio que de calor. Devido a isso, boa parte dos encontros acontecem dentro das casas das pessoas. O impasse é que nem eles, nem nós, convidamos uma pessoa com a qual ainda não tenhamos total confiança para entrar no nosso lar.

No Brasil temos a oportunidade, não só climática como também faz parte do nosso hábito, de encontrar um amigo recém feito várias vezes num barzinho, até sentirmos que há intimidade suficiente para um café no nosso sofá. Aqui esse dia chega, mas precisa de mais tempo para acontecer.

No Uruguai não há pressa para as coisas, tudo acontece num ritmo lento, a transição de uma amizade também obedece esse compasso.

Escuto muito dizerem que os uruguaios são pessoas mais fechadas e eles próprios se definem assim. Entretanto, pensando nas minhas vivências percebo que depois de rompida a barreira inicial da “examinação” daquilo que é estrangeiro e diferente, o que vem em seguida pode ser tão especial quanto o que tínhamos no Brasil.

O clima, a cultura e os costumes de cada povo implicam na forma de se relacionar dessas pessoas.

Quando a gente deixa de tentar repetir o mesmo padrão de comportamento social que conhecíamos no nosso país para sermos absorvidos pelo padrão local, fica tudo mais fácil.

Com o tempo aprendi a gostar de tomar mate, tipo de erva e cuia muito parecido ao chimarrão do Rio Grande do Sul, porque é nesse momento que as pessoas confraternizam e se aproximam.

Entre um mate e outro a confiança vai crescendo, histórias vividas vão sendo compartilhadas e quando percebemos já temos uma pessoa querida que também nos quer bem, com a qual poderemos contar.

5 Comentários

  1. Ótimo conteúdo com excelente esclarecimento,
    com certeza irei morar nesse lindo país que sempre tive carinho e admiração.
    Espero encontrar outros artigos a respeito.

  2. Oi Vanessa, incialmente parabéns pelo blog. Meu nome é João Pedro e estou indo para o Uruguai próximo ano, em virtude de uma bolsa que ganhei do Santander para estudar na Udelar. Estou muito feliz, mas me preocupo muito com a questão de que locais escolher para moarar e onde encontrar informações confiáveis. Se possível dar dicas de sites que o pessoal usa bastante, iria agradecer muito. Desde já, muito obrigado e muita sorte em sua jornada.

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