Como se financiar como estudante na Alemanha?

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Fonte: Pixabay.com
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A vida no Brasil pode ser tão cara que a ideia de estudar no exterior parece, às vezes, praticamente absurda. Não são poucas as pessoas que acreditam que a vida fora seja apenas ‘coisa de rico’. No entanto, esse é um pensamento muitas vezes equivocado. A verdade é que o mundo é grande e são muitas as possibilidades.

Em muitos países pode-se, sim, viver bem com menos dinheiro e não raro vive-se mais barato do que no Brasil – principalmente para quem não têm “frescuras” e nem medo de enfrentar algumas dificuldades pelo caminho. Isso vale tanto para profissionais quanto em relação a estudantes. E na Alemanha não é diferente. Apesar do custo e estilo de vida serem diferentes de região para região, existem alternativas que proporcionam estudantes uma boa qualidade de vida sem gastar muito.

De acordo com pesquisas recentes da Deutsches Studentenwerk, o custo médio de vida para estudantes solteiros que moram sozinhos ou em um apartamento compartilhado e que estudam em tempo integral totalizou cerca de 819 Euros por mês. Isso inclui aluguel, transporte, comida, roupas, materiais de aprendizagem, telefone, internet, atividades de lazer, bem como seguro de saúde e tarifas de rádio e televisão (obrigatórios na Alemanha). É claro que os custos dependem muito do estilo de vida de cada um. Afinal, cada pessoa tem um entendimento diferente do que considera ‘básico’ para si. Além disso, assim como discutido anteriormente, os preços podem variar dependendo de onde se mora/estuda. Quem vive no leste alemão tem, por exemplo, custos consideravelmente mais baixo em comparação com o sul ou oeste do país. No geral, a maior despesa para os estudantes é o aluguel.

Acredito que o principal ponto a considerar seja que as universidades alemãs são, em maior parte, gratuitas. Pelo menos essa é a realidade atual, pois nem sempre foi assim. A partir de 2004 cada estado pode decidir por si como as mensalidades e taxas de inscrição são regulamentadas e, até 2014, todos aboliram as mensalidades de vez – também por pressão popular. No entanto, essa é uma regra geral, que não vale para todos os casos. Por exemplo, pessoas que façam uma segunda graduação podem ser cobradas ou as chamadas ‘taxas administrativas’ também são comuns. Além disso, o que voltou a acontecer é que algumas universidades em regiões como Baden-Württemberg e Renânia do Norte-Vestefália passaram a cobrar taxas de cerca de 1.500 Euros para estudantes não europeus (o que não vale para estrangeiros que foram à escola na Alemanha). Portanto, apesar da gratuidade geral, é bom verificar especificamente como é a regulamentação da região e universidade de interesse.

Fonte: Pixabay.com

Como nem todo mundo consegue vaga no curso desejado em uma instituição pública, alguns estudantes optam por instituições particulares. Inclusive, o número de faculdades privadas na Alemanha duplicou nos últimos anos. As mensalidades, no entanto, variam bastante de acordo com a região e o curso. Independente de onde se estuda, muitos estudantes precisam de uma ajuda extra. Para isso, existem diferentes tipos de bolsas de estudos, além de um suporte financeiro fornecido pelo estado: BAföG. Bolsas para estrangeiros podem ser encontradas, por exemplo, no site do DAAD, na página do Ministério Federal de Educação e Pesquisa ou através do mystipendium.de. Informações em relação ao BAföG e sobre como se candidatar podem ser encontradas aqui. O principal ponto que decide se o estudante tem direito a esse suporte e qual será o valor recebido é a renda da família.

Mais uma opção de auxílio financeiro tanto para estrangeiros quanto para alemães são os trabalhos de meio período para estudantes. Muitas empresas têm vagas especiais para esse grupo, os chamados Werkstudenten. Inclusive, isso é preferência de várias firmas, pois o custo de manter estudantes é bem inferior para as empresas. Estudantes sem passaporte europeu também têm o direito de trabalhar, no entanto devem conferir nos seus vistos qual a carga horária exata/máxima permitida durante os estudos. Empregos para estudantes podem ser encontrados em vários websites, como StudentJob e Jobmensa. Outra dica é procurar vagas de assistente nas próprias universidades (Wissenschaftliche Hilfskraft – ou simplesmente HiWi). Para quem precisa encontrar uma vaga com urgência uma boa ideia é se candidatar em restaurantes, cafés ou hotéis – a área gastronômica está constantemente precisando de mão de obra e mesmo pessoas que não falam muito bem a língua alemã têm boas chances de conseguir emprego. No entanto, uma coisa é certa: quanto melhor o domínio no idioma, mais chances se têm.

Além disso, outros aspectos da vida de um estudante podem ser facilmente manejados para que os custos se mantenham baixos. As refeições são, por exemplo, uma importante despesa. Por isso, pesquisar por lugares mais em conta na cidade onde mora é de grande valia. Uma boa alternativa são os refeitórios das próprias universidades (Mensa), que geralmente oferecem variadas opções por um preço justo. Eu mesma já comi diversas vezes almoço com bebida e sobremesa pagando menos de 5 Euros. Ademais, algo feito por muitos alemães (não apenas estudantes, como também profissionais) é cozinhar em casa e levar a comida já pronta em potes, tipo marmita – o que também ajuda bastante na economia.

Enfim, estudar e ter uma vida digna sem mordomias no exterior é possível, sim. Pesquise sobre o país e curso que deseja, se informe por fontes oficiais e invista no seu potencial e habilidades. Muitas possibilidades estão aí pra quem procurar. Perseverança e força de vontade são as palavras-chave!

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