Sete curiosidades sobre os brasileiros morando fora

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Morei 30 anos no Brasil e estou há 3 fora dele. Esta experiência recente me fez interpretar o brasileiro de uma forma que não imaginava antes. Refleti e compartilho com vocês, tendo como base unicamente minha míope (e recente) experiência de Brasileira Pelo Mundo:

1. Brasileiro AMA falar sobre o Brasil

Seja para o bem ou seja para o mal, nós amamos falar do Brasil e comparar tudo com a nossa terra. Até acho que todas as pessoas, de todas as nacionalidades, fazem isso em um certo grau. Mas brasileiro realmente gosta de falar de como cada coisa funciona (ou não funciona). A maioria dos brasileiros, conversando com os gringos, adora começar frases com “But in Brazil…” e senta que lá vem história!

Eu entendo isso como uma necessidade que temos, como país imenso que somos, de dar uma “situada” na humanidade sobre nossas origens e tradições, que variam tanto do Oiapoque ao Chuí. Agora, uma regra não escrita é a seguinte: brasileiro pode falar mal do Brasil à vontade, mas se um gringo vier falar mal do nosso país… ah, coitado! É querer comprar briga! Fica na sua, colega!

2. Brasileiro é muito informal

Isso eu notei demais, na minha primeira visita ao Brasil, depois de um ano morando fora. Eu acho ótima esta nossa informalidade porque nos sentimos queridos, acolhidos e em casa em todo lugar. Parecia que a vendedora da loja queria ser minha amiga para sempre. Fiquei com vontade de levá-la para casa para um chá com bolo.

Quando você muda para outro país, sente muita falta desta informalidade nas relações do dia a dia. O lado ruim disso é que falta um pouco de seriedade quando precisamos dela em alguns serviços. Essa característica brasileira, às vezes, não é muito bem-vinda em algumas culturas. Este foi um ponto pessoal que tive que mudar quando trabalhei na Inglaterra, lá a informalidade no ambiente de trabalho pode jogar muito contra você.

3. Brasileiro é festeiro

Somos os reis do entretenimento. Sério. No quesito animação, nada se compara a uma festa de brasileiros. Nunca um brasileiro te deixará só na pista bailando a Macarena ou puxando um trenzinho na festa.

As melhores festas de ano novo do mundo são no Brasil. As com mais fogos de artifício, mais música, mais dança até o chão, mais gente feliz. A gente leva festa a sério, se planeja, faz tema, decoração, playlist, iluminação, convite no Facebook… Para os ingleses, fazer festa é beber até cair, não importa o resto. Festa estranha com gente esquisita e desanimada, essas são as festas gringas.

Um capítulo à parte são as festas da firma. Nossa… Quanta diferença! Enquanto vejo meus amigos do Brasil postando no Facebook as animadíssimas festas de final de ano de suas empresas, fico de cá amargando uma dor-de- cotovelo infinita. Vejo no Brasil pessoas indo trabalhar fantasiadas em algumas ocasiões e penso por quê o resto do mundo não adota isso também?

4. Brasileiro é fã de uma limpeza

Somos o povo mais limpinho do mundo. Comer sanduíche com guardanapo, lavar as mãos, ter álcool em gel sempre na bolsa, usar luva para servir comida… esqueça essas coisas quando sair do Brasil. Nós amamos fazer as unhas toda semana, se depilar, tomar banho… As outras culturas não são bem assim. Temos que agradecer isso aos índios que nos ensinaram a tomar banho todos os dias. Somos mesmo obcecados por limpeza e temos orgulho disso!

Casa limpa, trocar a roupa de cama com frequência, limpar janela… temos esses costumes que não são bem assim, muito difundidos em outros países.

 

5. Brasileiro quando vê brasileiro no exterior, torce o nariz

Pode admitir. Que atire a primeira pedra quem nunca torceu o nariz quando viu brasileiro causando no exterior. Uma coisa que todo brasileiro fala quando vai fazer intercâmbio é que vai ficar longe de outros brasileiros. Mas isso é a coisa mais difícil e depressiva do mundo, pois são os brasileiros que mais te acolhem e fazem você sentir-se em casa. Lembra da informalidade? É uma delícia encontrar uma informalidade brasileira quando se está longe de casa e cercada de estranhos que fazem questão de se manterem assim.

6. Brasileiro tem uniforme de férias

Nem estou falando só de quem usa a camisa da seleção brasileira ou de time de futebol. Mas brasileiro tem uma forma particular de se vestir. Viu de calça jeans e tênis de corrida? Brasileiro (a)! Usando camisa polo e calça de tactel? Grandes chances de ser brasileiro. Não por mal, mas a gente curte um conforto quando está de férias. Não temos medo de misturar roupa de ginástica com o resto do guarda-roupas. Somos um povo que curte usar roupa de fazer esporte nas férias, que mal tem isso, oras? Afinal, tirar férias e conhecer tudo por aí é uma ginástica e tanto!

7. Brasileiro não tem vergonha de se comunicar

Nós encontramos alternativa para tudo, mesmo quando não há alternativa. Brasileiro é capaz de entrar numa loja na China, negociar um desconto e ainda ficar amigo do chinês. Nós somos um povo que leva ao pé da letra o ditado “quem tem boca vai à Roma” e saímos perguntando e falando em outras línguas mesmo sem dominar nenhum outro idioma. A regra é se comunicar, seja por gestos, desenho, o que for.

Nunca vi um povo tão bom em comunicação como nós.

Leia sobre: Meu marido foi expatriado!

16 Comentários

  1. Amei o post ! Muito verdade tudo o que foi dito !
    Quanto a um dos itens, será que você poderia discorrer melhor sobre como a informalidade pode ser negativa no ambiente de trabalho inglês ?
    Obrigada, abs !

    • Ola Isabela, que bom que gostou do post! Sobre a informalidade, é uma característica que os ingleses têm somente com família e amigos mais chegados. Ser informal no ambiente de trabalho, assim logo de cara, como nós brasileiros geralmente somos, nao é muito bem aceito em ambientes mais tradicionais e principalmente entre pessoas mais velhas. Obrigada por escrever, beijinhos, Analu

  2. Adorei o post. Ref quesito limpeza: e a pura verdade. Eles não se conformam.
    E outra coisa : cleaners tem que: brasileiras . Limpam
    Manicures tambem

  3. gostei de finalmente ver um artigo de brasileiros em Portugal, mas essa de dizer que brasileiro em limpo em casa em toda a casa de brasileiro que fui recebida com amor havia muita picanha feijao com arroz e bebida, mas tembem muita bagunça, algumas delas ate bem sujas.
    vou dar uma pesquisada (amanha) para ver se houve mais artigos escritos entretanto.
    beijinhos portuga.

    • Ola Cláudia, continuarei escrevendo artigos aqui no blog sobre Portugal, este foi apenas o primeiro que enviei. Vou ficar feliz se acompanhar e dar sua opinião. Concordo que temos alguns brasileiros que não são assim tão limpinhos assim 😉 Beijinhos, Analu

  4. Analu, estou fora do Brasil há 13 anos. Neste período, só voltei ao Brasil uma única vez e por apenas uma semana. Foi muito corrido. Minha esposa, já foi ao Brasil três vezes, ficando por lá, 4, 8 e 6 meses, respectivamente. Eu sinto falta das pessoas que lá deixei. Tenho saudades de passear por Sampa, mas não de morar lá. Antes, nem cogitava sequer voltar ao Brasil, mas hoje, já admito que isso pode acontecer a qualquer momento.
    Gostei do seu artigo, é um ponto de vista muito interessante, mas talvez eu esteja numa síntese bem diferente, haja visto, que meu senso crítico é muitas vezes, cruel, até comigo mesmo.
    Pela minha profissão, já rodei vários lugares, pelo menos um em cada continente. Cheguei ao Japão, sabendo falar apenas “palavrões” que aprendi quando criança. Minha esposa, teve o idioma japonês como o primeiro a aprender, já que dentro de casa, morando com os avós juntos, todos os adultos falavam o idioma. Foi aprender o português quando entrou na escola pública aos 7 anos de idade.
    Eu só sabia o inglês, que fui aprender numa escola tranqueira que havia em Santo Amaro, Sampa, mas que logo tratei de trocar, pois aquilo não era da forma que queria aprender.
    Assim, vou comentar seus sete itens, sob o meu ponto de vista.
    1) eu adoro sim falar do Brasil, até mesmo com outros brasileiros, que na maioria das vezes, mentem para não passar uma imagem negativa do nosso país. Penso ser um desperdício mentir, os gringos muitas vezes sabem mais de nosso país do que nós mesmos. Desta forma, eu só falo do Brasil, se eu tiver previamente algum relacionamento social com meus interlocutores.
    2) a informalidade é um fato e quanto a isso, não podemos negar. Só nos falta mesmo, é a habilidade de usar tal informalidade para o nosso bem, pois muitos, infelizmente, cometemos mais erros do que acertos com tanta informalidade fora do Brasil. Lembro-me que quando estava em Londres, passei duas situações, uma positiva e outra negativa, mas que consegui contornar com muita sorte. A primeira, foi ter levado muitas fitas K7 de mpb e muitas pessoas “alugavam” minhas fitas para apreciar nossa música. A negativa, foi quando eu cheguei na casa da família que iria ficar durante o intercâmbio, eu tomava banho duas vezes por dia e, apesar de nunca me chamarem a atenção, eu percebi que isso incomodava de certa forma eles, então, optei por ir para o alojamento do high school.
    3) festa é algo muito legal e brasileiro, consegue fazer festa por qualquer motivo. Em Londres, eu sentia que as festas eram um pouco frias, afinal de contas, eu tinha 16 anos naquela época, hoje aos 47, fiquei meio que avesso às muvucas brasileiras.
    4) associamos a limpeza diretamente com a higiene. Japoneses, usam a reverência como cumprimento social. Ainda bem, muitos japoneses saudosos, não lavam as mãos depois de irem ao toalete, por isso fiquei fã deste tipo de cumprimento.
    5) quando estava na Inglaterra, pouco tive contato com brasileiros, isso porque, eu queria aprender inglês rápido e uma imersão profunda no idioma, foi meu foco, por isso, eu quase que fugia quando ouvia português e, muitas vezes, falava inglês com outro brasileiro, ouvindo os absurdos e mentiras que a pessoa falava. Nos EUA, encontrei brasileiros que viviam em aparente harmonia, digo aparente, pois não convivia dentro da comunidade, pois a rotina do dia a dia, me tomava tempo demais para participar. Aqui no Japão, fiz um artigo comentando sobre a dificuldade de conviver com brasileiros.
    6) nunca parei para pensar nisso. Minhas roupas obedecem apenas duas questões, a primeira, se o corte cai bem em minhas curvas acentuadas, afinal de contas, gordinhos e obesos, sentem falta de variedade de modelos e opções por aqui e, segundo, preciso me sentir confortável com uma roupa, sem necessariamente me preocupar se era do ano passado ou se não era da cor da estação.
    7) quem não se comunica, se trumbica. Eu aprendi o japonês, praticamente sozinho. Não queria ficar dependendo de intérpretes ou da minha esposa. Corri atrás do meu prejuízo e até um MBA fiz aqui, sendo o único estrangeiro durante o curso. Prestei vestibular para ser admitido nesta especialização e quando recebi o telefonema da aprovação do meu ingresso, fiquei tão surpreso quanto apreensivo, afinal de contas, o curso todo seria em japonês e eu queria dar conta do recado. E dei conta, com louvor e, até deixei meu recado entre os participantes: “estudar constantemente é o melhor investimento que você pode fazér, afinal de contas, conhecimento é sempre garantido de não ser perdido.”

    • Anderson, depois que li o seu post já me “situei” novamente, eu também tenho 47 anos e morando há 10 meses na Dinamarca. Tô novamente cheia de disposicao para 2017, porque os primeiros meses sem falar o idioma, recem casada com um dinamarques e ainda com uma espera infinita (6 meses) pelo visto, isso tudo balancou muito comigo. Mas isso sao aguas passadas e seu depoimento me deu bastante animo. Obrigada e um excelente 2017 para todos nos, expatriados mundo afora.

    • Obrigada pelo comentário complementando o texto, Anderson! Muito legal ver seu parecer de brasileiro morando literalmente do outro lado do mundo. Quanto à saudade, acredito que sempre teremos do nosso Brasil. Espero que continue acompanhando os posts aqui do blog e dando sua contribuição. 🙂 Analu

  5. Bom dia para todos, estou corujando a conversa de vcs, nunca sai do Brasil e acho que nunca vou fazer isso, mas me deram um grande ânimo, lendo o que todos escreveram. Passeio muito através de Fotos, Vídeos e Comentários através da mídia e Internet o que ela nos proporciona através do Google Earth e etc. Parabéns a todos que conseguiram se realizar e estarem aonde estão.

  6. Sou de Belo Horizonte, e moro na Suiça ha mais de 15 anos, conheço um pouco a regiao Sul de Portugal, aliàs pensando seriamente em ir morar por la depois da aposentadoria.
    Adorei sua visao, concordo em genero, numero e grau, nos brasileiros temos uma capacidade incrivel de nos aproximarmos de estranhos, o que nao acontece com os europeus. Costumo dizer ao meu marido, que nao teria nenhuma formalidade nem se fosse preciso falar ccom o papa. Rss…. Mas so uma consideraçao:
    Se somos limpinhos com nosso corpo, e adoramos limpar nossas casas, infelizmente ainda temos que aprender com Portugal e Suiça a cuidar de nossas ruas, praças, prédios . A sujeira està por toda parte.
    Parabéns pelo seu texto, nao pare de nos mostrar o que tem de bom nessa terrinha.
    Renilde

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