Dicas para viajar de carro pela Espanha

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Paisagens espanholas - arquivo pessoal
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Dicas para viajar de carro pela Espanha

Uma das maiores alegrias dos expatriados, além de comer as delicias brasileiras, é receber a visita da família; e quando ela chega em peso, é ainda melhor. De repente, minha casa ficou pequena: 7 brasileiros incrivelmente invadiram meu espaço.

Durante 15 dias aproveitamos para conhecer e curtir uma pouco mais o território espanhol e para abarcar tanta gente e, claro, baratear o custo das viagens, alugamos um (melhor dois) carros; isso se podemos chamar o Fiat 500 de um carro! O importante é que estávamos juntos e férias é sempre uma festa.

Dividimos a viagem em duas etapas: primeiro fomos sentido nordeste, de Valência à Barcelona e em um segundo momento, sentido centro do país e  em seguida ao sul – Valência – Madri – Granada.

Para aproveitar ao máximo o tempo, distribuímos os dias entre as cidades e regiões que mais apreciamos, e também que nunca tínhamos estado. Assim, resolvemos fazer um bate-volta até Barcelona, passando por Mont Serrat, haja vista a distância de 350Km desde Valência.

Na Espanha, como na maioria dos países europeus, temos as autopistas com pedágios, as autopistas livres e autovias (sem cobrança de pedágios, mas com velocidades reduzidas e inconstantes). Assim, a eleição da estrada depende do tempo, da distância e do custo. Há vários sites que mostram os melhores caminhos de acordo com os critérios elegidos, e também o custo aproximado da viagem com combustível e pedágios, caso haja. O que costumamos utilizar é o Via Michellin.

A cobrança de pedágios por aqui é um pouco diferente do Brasil, e costuma ser bem caro, por isso, para quem viaja com freqüência ou longas distâncias, é preferível correr as vias livres, mesmo sendo mais longas. Nas estradas espanholas, além do pedágio aberto, que cobra um valor fixo dependendo do veículo (modelo brasileiro), temos o pedágio fechado, que, ao entrar na estrada, há um registro, ou seja, você recolhe o ticket e ao sair da auto estrada, pagará o valor de acordo com a distância percorrida, através da leitura do ticket adquirido, o famoso “surpresinha”. Aqui também há o serviço “sem parar”, que chamamos de Via-T. O preço médio da gasolina, segundo uma pesquisa realizada em novembro/2017, é de 1,21 euro/litro.

Voltando a viagem: saímos bem cedo de Valência e fomos direto ao Monastério de Mont Serrat, localizado em um pueblo catalão com o mesmo nome. Trata-se de um santuário beneditino situado no alto da montanha de Montserrat, a uma altura de 720 metros sobre o nível do mar. É um lugar belíssimo porque une paz e tranquilidade à perfeição da natureza e, independente da sua crença religiosa, é um passeio imperdível para quem está ou visitará Barcelona.

De lá, partimos diretamente para a capital catalã, uma viagem de aproximadamente 1 hora e pudemos desfrutar de algumas poucas horas, até regressar a Valência. Para quem não conhece Barcelona, não aconselho está passagem rápida, pois há muito o que ver e fazer por lá, além de ser extremamente exaustiva.

Outro detalhe importante: a partir de uma certa hora (acredito que depois das 22h), é difícil encontrar nas estradas um restaurante ou conveniência aberto ou com muita opção de compra, normalmente abre-se uma janela e os pedidos são feitos diretamente ao vendedor, sem aquele lindo andar pelos corredores que tanto adoramos.

O nosso segundo trecho foi mais extenso e portanto despendemos mais dias, com várias paradas e descansos. Planejamos e reservamos hotéis com antecedência, além de calcular trechos, dias e horas em cada parada.

Saímos de Valência também muito cedo, em sentido a Cuenca, na Comunidade de Castilla-La Mancha, e percorremos um bom trecho dos mais de 200 km, pela pitoresca via  N-420, que segue o traçado de uma antiga calçada romana, e passa por paisagens encantadoras entre vinhedos, montanhas e campos de girassóis. O trecho é mais distante, a estrada não é das melhores, mas a beleza natural compensa.

Cuenca conserva um importante patrimônio histórico e arquitetônico, que se extende por todo casco antigo, sendo uma das maiores atrações as Casas Colgadas, que é um conjunto de edifícios com seus balcões sobressalentes no alto da cadeia rochosa. Muito lindo!

Cuenca

Não mais que 3 horas de visita, partimos para Toledo, há 200km. Conhecida como a “cidade das três culturas”, devido a convivência, durante séculos, de cristianos, árabes e judeus, Toledo conserva entre suas muralhas um grande legado artístico e cultural, a convertendo em um museu à céu aberto, o que lhe permitiu ser declarada como Patrimônio da Humanidade.

A cidade é encantadora e sempre vale uma visita (ou revisita) e por lá ficamos até o anoitecer…Foi aqui que nos dividimos, metade do grupo foi a Madri de trem (super rápido; um pouco mais de 30 minutos desde Toledo até Atocha-Madri) e o restante de carro (75 km).

A ideia era ficar duas noites em Madri, desfrutar suas maravilhas e depois seguir a Andaluzia. E foi exatamente o que fizemos.

Acabada as explorações pela capital espanhola, seguimos a Granada, sul do país. Foram mais de 450km de viagens por vegetações e paisagens muito distintas, aliás esse é o bacana de viajar de carro pela Espanha, ver e apreciar as peculiaridades da flora de cada comunidade autônoma. Com uma parada para almoçar e algumas outras emergenciais, chegamos no vilarejo de Zafarraya (cidade natal do meu avô) por volta das 14h. Foi o ponto auge da viagem: poder tomar contato com suas origens, materializar as histórias que ouvia tão carinhosamente, conversar com o povo…enfim, foi emocionante! Além  disso, a Espanha esconde “pueblos” espetaculares, com muita história, cultura, arquitetura e gastronomia, que merecem serem apreciados.

Chegamos a Granada (capital), que fica a 80km de Zafarraya, no final da noite, a tempo de jantar e dormir.

Granada requer um artigo exclusivo contando seus imensos encantos e prazeres, aqui me restrinjo a dizer que se come muito bem e barato, pois conservam a tradição de uma tapa grátis por copa solicitada, ou seja, se beber, o petisco é gratuito, só não vale escolher; acolha (e “lambe os lábios”) com o que te oferecem. Ademais, é uma cidade universitária, de musicalidade, de monumentos, de sangue e de sol.

Dois dias intensos nessa terra que tanto amo, continuamos a nossa viagem, agora de volta a casa. Partimos de Granada, rumo a Valência (500km) através das rodovias A-92 e A-7, com uma parada para o almoço na cidade de Murcia, e uma visita pelo centro da cidade, onde concentram-se as mais importantes e imponentes atrações.

Desde Murcia até Valencia, foram mais de 3 horas, percorrendo a belíssima comunidade valenciana, sua costa e seus vilarejos medievais. Pela estrada, sempre há uma ruína de muralhas e castelos no topo da colina a ser apreciado.

Ah, já havia me esquecido, dedicamos um outro dia para visitar Calpe e outras cidades litorâneas de Valência, mas esse é tópico para outro post. Aqui deixo um pouco da minha incrível experiência de viajar de carro por uma mísera parte da Espanha.

Espero que tenham gostado. Até as próximas aventuras!

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