Escócia – À Procura de Emprego

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Assim que um estudante internacional termina o curso, tem 4 meses de visto para decidir o próximo passo. Este período é dado para todos os estudantes de pós-graduação cujo curso dure pelo menos 1 ano, de acordo com as regras atuais. Você pode escolher seguir na vida acadêmica em um doutorado ou outros estudos. Ou voltar para o seu país de origem. A outra opção é a mais complicada por aqui: conseguir um emprego. As regras de imigração são as mesmas para os 4 países que formam o Reino Unido.

Até 2012 o UK tinha o visto Post-Study Work, que permitia a estudantes internacionais permanecerem até dois anos no país para trabalharem, tendo a chance de colocarem em prática o que aprenderam na universidade. O atual governo extinguiu este tipo de visto. Em 2013 criou uma extensão do visto de estudante para quem está para concluir o doutorado no UK, o Doctorate Extension Scheme, que oferece mais 12 meses para o estudante ganhar mais experiência em seu campo de atuação, buscar um emprego ou uma oportunidade como empreendedor.

Para os que desejam permanecer no país com um emprego portanto, sem ter cidadania europeia, existem duas opções: abrir seu próprio negócio tentando um visto de empreendedor, ou ser contratado por uma empresa que aceite patrocinar seu visto de trabalho.

A procura por emprego por quem não tem cidadania europeia é um exercício de paciência. É caro e burocrático para as empresas contratarem alguém de fora. Elas tem que preencher uma série de requisitos, como provar que não conseguiram nenhum candidato europeu para a vaga, o salário oferecido deve ser acima de um determinado valor, o cargo deve ser em um determinado nível, o candidato tem que provar determinado nível de inglês. Há também um limite anual na quantidade de vistos de trabalho emitidos. De todos os não-europeus da minha turma do mestrado que estavam pensando em continuar aqui com um emprego, eu fui a única a conseguir.

job searchQuem é recém-graduado em nível superior tem algumas isenções nestes requisitos, que foram implantadas após a remoção do post-study work visa. Mas a maioria das empresas não tem nem conhecimento disso e os recém-graduados acabam sendo tratados como qualquer outro candidato não-europeu.

Algumas vagas já dizem na descrição que não são adequadas para quem não tem permissão para trabalhar. Outras não deixam isso explícito, mas, ao começar a preencher o formulário para o emprego, a pergunta “Você tem permissão para trabalhar no país?” aparecerá, e no caso de uma resposta negativa, a inscrição é automaticamente encerrada. E aqui fica o conselho, que é óbvio, mas não custa lembrar: sem mentiras. Não adianta nada colocar que você tem a permissão, porque a primeira coisa que exigem em uma eventual entrevista é a documentação que prove isso. Já é decidido na criação da vaga se ela será apropriada para aceitar candidaturas de estrangeiros ou não. Se a candidata não tem a permissão, não importa o quão perfeita ela é para a vaga, eles não abrirão exceção.

Pouquíssimas empresas aceitam o currículo já pronto. A maioria das vagas que pesquisei exigia o preenchimento de formulário próprio online, que pede todos os detalhes de sua experiência, além de um texto explicando porque você quer e merece a vaga. Não é somente uma carta de apresentação, é uma redação mesmo, que pode variar de 500 a até 1.000 palavras dependendo da empresa. E, claro, não adianta fazer uma padrão e mandar para todas. Tem que ser de acordo com a vaga e com a empresa. São também exigidas referências profissionais, entre duas ou três.

As entrevistas aqui são formadas por equipes, ou seja, você não é entrevistado somente pelo responsável pela vaga, mas normalmente incluem outros gerentes do departamento, a pessoa do RH, e outros funcionários. Nas que participei, o número variou entre 6 e 8 entrevistadores, todos reunidos em volta da mesa. Desta maneira eles dizem que evita-se “preferências” e discriminação na seleção.

Eles também te dão uma tarefa, que na minha área de atuação era normalmente uma apresentação sobre um tema relevante à vaga, que é fornecido com antecedência no convite à entrevista. A pessoa que está sendo entrevistada tem então 10-15 minutos para apresentar, onde será examinada tanto pela forma de apresentar como pelo conhecimento do tema.

O lado bom é que é só uma entrevista, não aquele processo cansativo de várias etapas que muitas empresas no Brasil ainda insistem em fazer.

Minha dica é mostrar principalmente seus diferenciais. Um conhecimento ou habilidade específicos, que às vezes são difíceis de encontrar, idiomas e experiência com outros países e mercados (vagas que precisam lidar com América Latina muitas vezes precisam de gente que saiba falar português ou espanhol e conheça os países da região). Se você quer entrar nesta busca, tenha paciência, persistência e informe-se a fundo sobre as oportunidades e, principalmente, leis de imigração. E seja realista, porque as oportunidades de trabalho para não-europeus estão bem limitadas, não só no UK, mas na Europa em geral.

Os detalhes e requisitos do visto Tier 2, o mais comum para trabalho, estão aqui. Há regras e vistos específicos para quem é do ramo artístico, esportivo, entre outros, e para quem é trabalhador temporário, então vale a pena conferir cada detalhe para entender o que melhor se encaixa no seu caso.

31 Comentários

  1. Oi Daniela, muito bom o texto e esclarece muita duvida de quem esta pensando em se arriscar por essas bandas. Eu ainda consegui pegar o post study apos concluir meu mestrado e com isso, completei o tempo necessario para pedir minha cidadania. Em relacao a perguntarem sobre os direitos de trabalho em UK, isso ja e feito ha muitos anos. Desde que eu cheguei, em 2001, me lembro de preencher formularios para trabalhar em redes de cafe e la estava a maldita da pergunta. Rs! Enfim, acredito que alem das regras, obviamente necessarias para controle, um pouco de sorte ajuda muito no momento de uma entrevista. Tambem ja passei por varias entrevistas e deu para sentir bem o drama e a concorrencia que esta cada vez mais acirrada. Bjs Fernanda

    • Pois é Fernanda… toda vez que eu via a tal da pergunta eu dava um suspiro longo… muito mais fácil já dizer na descrição da vaga pra poupar tempo.
      Mas pior que a pergunta é a falta de conhecimento das regras para quem é recém-graduado, o que facilitaria muito esse processo. Enfim…
      Você teve um bom momento, porque agora os anos como estudante não contam para indefinite leave ou cidadania mais.
      Obrigada pela leitura! Beijo!

  2. Oi Daniela! Minha esposa desembarcou na Inglaterra, ontem, já vivemos em Londres e na Itália, voltamos para o Brasil, mas como talvez um dia vc descubra, não deu muito certo!
    Porém hoje tenho 2 filhas, e sei que em Londres é complicado, e o nível das escolas também varia muito, principalmente que mesmo que consigamos alugar uma casa só para nós, não será em bom bairro.
    Porém um amigo meu, escocês, tem me dito que eu deveria ir para Glasgow. Onde, segundo ele, os salários para empregos primários, são os mesmos de Londres, e custo de vida, pelo menos de aluguel é um quarto do Londrino.
    Minha preocupação, como tenho familia, é a facilidade de achar emprego, apesar de falar inglês e Italiano, fico apreensivo, pois Glasgow é uma cidade bem menor.
    Outro ponto é que, observei que existem muitas oportunidades para BONS empregos, para os quais eu não me sinto preparado, visto que sou formado em Administração, mas tive um negócio próprio por quase toda minha vida.
    Em Londres, as chances eram tão remotas de pegar um emprego bom, que simplesmente, fiz todo o tipo de serviço manual, cozinha, construção, etc. E também naquele tempo o meu visto era de estudante, e não tinha passaporte europeu.
    Tu achas que é arriscado? ou as oportunidades de empregos simplórios para adaptação são tão boas como Londres “guardadas as devidas proporções”?
    Existe uma grande resistência aos estrangeiros, por ser um lugar menor? Passei por isso na Itália. Ainda assim depois de algumas semanas, já tinha 3 empregos.
    As exigencias para locação de imóveis são simples como em Londres? tipo, basta adiantar alguns alugueis?
    Desculpa te encher de perguntas, é que é realmente dificil achar boas dicas sobre a Escócia. E tu me pareceu bem esclarecida!
    Obrigado, Charles Guedes

    • Charles, não sei te responder se com um salário menor, de emprego primário (como você diz), você conseguirá pagar as despesas de uma família de 4 confortavelmente. Isso varia enormemente de acordo com o estilo de vida e necessidades de cada um. No meu texto mais recente eu falo sobre o custo de vida na Escócia. Entretanto o salário mínimo fora de Londres é menor, pois lá tem um top-up por causa do custo de vida.

      Glasgow (aliás qualquer lugar no UK) é mais barata sim do que Londres na questão de aluguel. A maior diferença entre Londres e o restante do UK está em imóveis e transporte. O restante dos preços me parece similar. Eu já morei em Londres também.

      Não vejo resistência a estrangeiros aqui na Escócia só pelo fato de serem estrangeiros. Sempre fui muito bem recebida. A limitação em relação a trabalho sempre é muito mais no sentido de ser caro e burocrático para empresas contratarem não-europeus, e por isso é difícil para quem não tem passaporte da UE ou permissão de trabalho. O que conta muito é a experiência profissional. Minha percepção é de que as empresas valorizam muito mais experiência de trabalho aqui no mercado britânico do que o que o candidato tenha feito no Brasil.

      Sobre imóveis, sim, as exigências são similares. Eu tive que apresentar meu visto para provar que estou legal, apresentar meu holerite para comprovar que tenho renda suficiente para bancar o valor exigido, pagar um mês de aluguel adiantado e o depósito.

      Boa sorte!

  3. Ola Daniela, parabens pelo seu post, estou em vias de pegar a minha cidadania italiana e penso em ir para o Reino Unido, e a Escocia me atrai muito por ser um país tranquilo e de qualidade, sou professor e tecnico de segurança no trabalho no Brasil, apesar de outras habilidades profissionais, mas gostaria de saber em especial se ha chance de ter um negocio proprio que me ofereça sustentabilidade na Escocia, pois tenho esposa e uma filha de 2 anos, pensei em montar um negocio de alimentação de rua , um Food Truk, que você acha?

    Muito obrigado pela atenção, tenha um bom domingo
    Klaudinei

    • Oi Klaudinei, aqui na Escócia não vejo muitos food trucks como via em Londres, esta sim abarrotada de trucks e feiras de rua. São bem poucos aqui no norte, mas aí não se te dizer se é porque ninguém tentou investir nisso ou se é por conta de pouca demanda.
      Você também precisa levar em conta o investimento que terá que fazer e toda a parte burocrática de se montar um negócio no país. O site do governo traz informações sobre: https://www.gov.uk/browse/business.
      Minha recomendação é: faça um excelente e cuidadoso planejamento. Apenas neste último mês fiquei sabendo de 3 casos de brasileiros que vieram para a Europa com o passaporte europeu embaixo do braço, largando tudo no Brasil, e estão com dificuldades porque não encontraram emprego ou o negócio não deu certo (alguns inclusive já pensando em voltar). O passaporte europeu facilita as coisas do lado burocrático (não precisa de visto), mas não garante absolutamente nada. Sair do Brasil simplesmente por sair, sem um bom planejamento e ainda mais com filho a tiracolo, pode trazer desagradáveis surpresas.
      Obrigada pela visita ao blog!

      Daniela

  4. Daniela, bom dia! Gostaria do teu contato, seria possível você me informar o teu email? Estou indo para aí e gostaria de saber se você poderia me ajudar com algumas dicas.Tenho lido os seus posts e tenho achado eles muito bons e têm me esclarecido bastante as minhas dúvidas sobre esse processo. Muito obrigada. Gisele

  5. Olá Daniela, se puder me responder a algumas simples e diretas perguntas eu agradeço imensamente. Com cidadania europeia vc acha que é muito difícil conseguir empregos simples como repositor de supermercado ou atendente de fast food, etc em Glasgow ou Aberdeen? No seu ponto de vista levando-se em conta uma vida bem modesta, seria possível uma única pessoa trabalhar em um dos referidos empregos acima e pagar aluguel e contas em dia, podendo ainda guardar algum valor em dinheiro ou é impossível? Vc sabe se existe educação publica gratuita ou apenas privada para crianças? Obrigado. Att.

    • Olá Jailson, se você tem o direito de trabalhar aqui, creio que não seja difícil conseguir um emprego desses. Mas na minha opinião você vai ter dificuldades em sustentar uma família com o salário mínimo que se ganha em vagas como essa. Juntar dinheiro então, impossível.
      Após os 3 anos de idade as escolas são públicas. Creches para até 3 anos são privadas.
      Recomendo a leitura de meu texto sobre custo de vida, onde você pode ter uma ideia dos salários aqui e os gastos mais comuns.
      Obrigada pela visita ao blog!
      Daniela

  6. Olá Daniela ,parabéns pela qualidade do conteúdo do texto :), penso em fazer pós graduação na Escócia na área de negócios internacionais ,segundo você disse apos o termino do curso , tem a possibilidade de alguma empresa me contratar, gostaria de saber como funciona isto,a contratação de não europeus ? . Obrigado pela atenção Bjoos

    • Oi Júliah, obrigada!
      No caso de não europeus é como descrevi no texto: você deve verificar se a vaga está disponível para estrangeiros, se a empresa pode/quer patrocinar o visto para este cargo, e se você atende aos requisitos mínimos do Tier 2, que é o mais comum para trabalho. O link para as regras do Tier 2 está no final do texto.
      Abraços, Daniela

    • Oi Carlos, a melhor maneira é acessar os sites de vagas de emprego do país e ver quais estão disponíveis. Você também pode procurar informações sobre as áreas mais fortes nas principais cidades (Aberdeen por exemplo é bem forte no setor energético, Glasgow em mídia, e por aí vai).

  7. Oi Daniela, tudo bom? Tenho pesquisado um pouco sobre a Escócia, especialmente Edimburgo, mas ainda nao sei muita coisa, principalmente sobre cursos superiores, eu curso História aqui no Brasil e tenho vontade de fazer uma pós em alguma faculdade dai. voce tem informações?

    Obrigada, Milena

    • Oi Milena, tudo bem e com você?
      Escrevi sobre universidades aqui na Escócia em dois textos – Parte I e Parte II. Creio que há bastante informação lá pra quem deseja começar a busca. Recomendo a leitura deles e se tiver mais alguma dúvida fique à vontade para perguntar.

      Obrigada,

      Daniela

  8. Oi Dani, tudo bem? Possuo cidadania portuguesa e estou terminando meu bacharelado de engenharia da computação aqui no Brasil. Quando me formar queria me mudar para Edimburgo para morar/trabalhar. Seria mais fácil para mim? O que eu teria que fazer?

    • Eduardo, você tem livre entrada no Reino Unido com a cidadania portuguesa, então não há restrições de visto ou de trabalho. Atenção apenas para o referendo que acontecerá no mês de junho, quando o Reino Unido votará se quer sair ou permanecer na União Européia. Se o voto for para sair da UE, as regras devem mudar.

      Eu recomendo não vir se não tiver nada definido, por exemplo uma oferta de emprego ou um bom dinheiro para morar aqui por um tempo sem emprego. Conheço muitos casos de brasileiros que vieram ao UK com passaporte europeu depois de largarem tudo no Brasil achando que chegariam aqui e conseguiriam emprego e tiveram que voltar ao Brasil ou mal estão segurando as pontas com um salário mínimo. Sem renda confirmada você não consegue nem alugar um imóvel para morar, pois eles exigem comprovante de renda. No máximo você conseguiria algo temporário para visitar, como apartamentos de temporada.

      Uma alternativa é vir apenas para visitar de início, ver como são as coisas, os preços, dar uma pesquisada no mercado de trabalho, e aí sim ver se dá pra mudar.

      Escrevi um texto sobre o custo de vida aqui na Escócia, vale a pena dar uma conferida para ter ideia de valores.

      Obrigada pela visita ao blog!

      Daniela

  9. Daniela, tudo bom?

    Meu nome é Leticia, tenho 19 anos, primeiro ano de psicologia e pretendo imigrar para a Escócia no futuro. Mas é pra me mudar de vez mesmo, sem voltar pro Brasil haha

    Andei pesquisando e é muito caro pagar um curso em uma universidade lá.. Pensei na possibilidade de conseguir um emprego e ir pra trabalhar lá. É possível fazer isso? Não me importo de viver sem luxo, não.. E também até prefiro uma cidade pequena pra morar. To sonhando muito alto? haha

    Obrigadão

    • Oi Leticia, neste texto acima explico como funciona pra quem quer trabalhar. Pra quem não tem cidadania europeia só é possível com um emprego que ofereça patrocínio do visto.

      Esta semana respondi um comentário seu com as mesmas dúvidas em outro dos meus textos.

      Daniela

  10. Tenho nacionalidade italiana, sou graduado e pós graduado no Brasil. Se eu for morar lá para estudar inglês e trabalhar eu não preciso de visto, correto? Tem como validar meus diplomas para que tenham validade na Escócia? Como informar no CV que tenho dupla nacionalidade? Tem bastante oportunidade de trabalho? Como tira a “carteira de trabalho” local? Obrigado

    • Oi Tiago, isso mesmo, se você tiver cidadania européia não necessita (por enquanto) de visto. Digo “por enquanto” porque não sabemos o que vai acontecer com a elegibilidade dos cidadãos europeus devido ao resultado do referendo que pediu a saída do UK da União Européia. Por enquanto ainda continua tudo como estava, mas acompanhe as notícias pra saber se algo vai mudar.

      Até onde sei você só precisa validar seus diplomas para certas vagas e áreas, mas não sei dizer quais. No meu caso por exemplo eu nunca validei.

      Normalmente você não envia o CV, você deve fazer a inscrição para a vaga no site da empresa, e neste caso eles já perguntam da sua nacionalidade e elegibilidade para trabalhar no formulário online. E caso seja chamado para uma entrevista, eles geralmente pedem para você levar o documento que prove que você tem permissão para trabalhar no UK.

      A disponibilidade de vagas depende muito da área, da região e do tipo de trabalho que procura. Recomendo acessar os sites de vagas de emprego (Monster, S1jobs, etc) para ter uma ideia do que estão ofertando.

      Aqui não há carteira de trabalho. O que você precisa é apenas de um National Insurance Number. Nesta página tem mais informações sobre o mesmo.

      Obrigada pela visita ao blog!

      Daniela

  11. Primeiramente, parabéns pelas postagens na internet! São incríveis e sempre muito úteis!
    Eu sempre amei a Escócia, mas recentemente esse sentimento se transformou em decisão. Eu desejo ir com minha esposa para Edimburgo. Ela tem 26 anos e é professora de inglês aqui no Brasil. Eu não falo o idioma, tenho 32 anos e sou funcionário público e jornalista. Minha pergunta é: qual ou quais os caminhos mais percorridos por brasileiros rumo ao sonhado visto permanente de residência escocês?
    Na Austrália, Nova Zelândia, Irlanda e em vários outros países o mais comum é entrar como estudante (de inglês, mais comumente falando). Depois de dois anos, em média, troca-se esse visto por um outro, dessa vez de estudante universitário. Após o término do curso é o ponto chave. E aí? Alguns países dão direito a permanecer por um, dois anos depois do término do curso, permitindo trabalhar. E na Escócia?
    Pergunto isso porque para se conseguir um visto de trabalho, que é a primeira etapa para se chegar ao visto de residência, tem de ser formado em uma profissão em demanda no país e depois se inserir no mercado de trabalho. Mas a Escócia dá possibilidade e tempo para que isso aconteça? Quais as dificuldades e facilidades mais comuns nesse processo como um todo?

    Muitíssimo obrigado pela atenção!
    Aguardo a resposta com muita gratidão e contentamento.

    Att.: Rafael

    • Oi Rafael, obrigada pelo comentário! Vamos lá…

      A Escócia é parte do Reino Unido, portanto segue as mesmas regras de imigração de todos os países da união.

      Para conseguir o visto permanente, que aqui é chamado de Indefinite Leave to Remain (ILR), você tem que residir legalmente no UK nos últimos 5 anos antes do pedido. Há um salário mínimo que a pessoa precisa ganhar para ser elegível ao ILR, além de outras exigências. O ILR entretanto só é permitido se você viveu aqui com alguns tipos de visto, e o de estudante não é um deles, apenas se você é casado com um cidadão britânico ou com alguém que já é residente permanente. Nesta página tem todas as informações.

      Conforme mencionei no texto, o visto de trabalho pós-estudo foi abolido em 2012, portanto não há como permanecer no país para trabalhar após o término do curso. Você só consegue se tiver uma oferta de emprego em uma empresa disposta a patrocinar seu visto, porque aí você troca do visto Tier 4 (estudante) para o de trabalho, que foi o meu caso que relatei aí no texto.

      Acho que a maior dificuldade no processo todo é conseguir entrar no país com uma oferta de trabalho que patrocine o visto. Os brasileiros que conheço que residem aqui permanentemente são pessoas que já moram há anos aqui e conseguiram o ILR ou a cidadania britânica (10 anos de residência para esta), ou são casados com cidadãos britânicos ou da UE.

      Também é importante sempre checar por atualizações nas regras de imigração, que tendem a mudar bastante. As informações que eu dei aqui são válidas neste momento em que escrevo.

      Espero ter ajudado a esclarecer suas dúvidas!

      Abraços,

      Daniela

  12. Oi Daniela, tudo bem?
    Estou lendo suas postagens sobre a escócia! Sou estudante de medicina no Brasil e desde o começo, penso em sair do país, validar meu diploma e atuar em algum outro lugar. Estive lendo sobre o processo de revalidação do diploma e queria saber se é tão dificil de arrumar emprego na minha área por ai como parece ser nas demais áreas! Quanto tempo eu preciso morar ai para conseguir a cidadania? Obrigada pela atençao desde já!

  13. Oiiii, que legal poder contar com dicas tão valiosas e nada mentirosas. Às vezes vejo blogs e YouTubers que vendem uma vida que sinceramente, só sendo muito ingênua para acreditar.

    Bom, eu estive na Escócia há quase 2 anos, e desde então eu e meu marido nos planejamos para voltar. Tiramos a cidadania italiana e juntamos $ para morarmos por um pouco mais de 1 ano – caso dê tudo errado.
    Ainda assim tenho um pouco de receio sobre qual cidade escolher. Tenho um emprego remoto e meu marido é da área de TI, eu sei que é uma pergunta difícil, ‘mas você indicaria alguma cidade média por aí?
    Eu tenho uma filha de 11 anos.

    Abraços! <3

  14. Oi Daniela,
    Tenho uma dúvida que talvez você possa ajudar: eu trabalho online, sou terapeuta – logo, levaria meu trabalho comigo e só preciso de internet para fazê-lo.
    Porém, a lei não acompanha isso.
    Como seria possível, no meu caso, ir de forma legal?
    Obrigada!

  15. Olá tudo bom? Sou estudante de relações internacionais e gostaria de fazer minha pós na Escócia em negócios internacionais e/ou integração regional. Minha dúvida é: você poderia me dizer como se dá o processo das universidades? Eu estudo na universidade federal de Goiás e estive olhando os editais pra intercâmbio e não vi nenhum pra Escócia. Talvez com o novo programa do governo de intercâmbio pra pós graduação tenha alguma oportunidade, porém ainda não é certo. Caso vc saiba sobre isso e saiba também de algum site específico para eu olhar isso por favor compartilhe. Obrigada !

  16. Olá Daniela, muito obrigada pelo post !
    Recebi uma proposta de MBA na GCU em Glasgow porém gostaria de saber se tem informações de como funciona o mercado de trabalho lá, principalmente o financeiro e se acredito que com um MBA eu teria mais chance de ingressar mercado de trabalho.
    Estou pesquisando mais para entender se há algum déficit de profissionais na cidade, enfim, entender se valeria a pena escolher essa universidade.
    Por favor, conhece algum brasileiro que estudou/mora lá ?
    Muito obrigada

    • Olá Juliana,
      A Daniela Madureira parou de colaborar conosco, mas temos outras colunistas na Escócia que talvez possam te ajudar.
      Você pode entrar em contato com elas deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
      Obrigada,
      Edição BPM

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