Comprar ou alugar imóvel nos subúrbios de Washington

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Já estamos na Primavera de 2017 e é impossível resistir ao clichê: nossa como o tempo voa! Pois é, já está fazendo quase três anos desde o dia em que me mudei do Brasil para os EUA. Infinitas coisas aconteceram nesse meio tempo, tristezas, surpresas, decepções, aprendizado, amadurecimento e também alegrias. Gosto muito de compartilhar essas experiências no meu blog pessoal que você também pode seguir aqui.

Agora estamos começando um novo capítulo, pois desistimos do sofrimento de uma vida de aluguel e iremos embarcar no sonho de ter nossa própria casa. Para quem não me conhece, estou morando com minha família na região norte do estado da Virginia, subúrbio de Washington D.C.

Mais especificamente, vivemos em Fairfax County, uma região lindíssima, com estações bem definidas, inúmeros parques, lagos e montanhas, vinícolas cinematográficas e uma oferta invejável de compras, restaurantes, cultura e entretenimento. Para arrematar, ainda se trata de um condado com um dos melhores sistemas de educação do país. Que maravilha não? Bem, nem tanto. Paga-se caro – e muito, para viver aqui.

Toda a região da capital norte-americana, que envolve os estados de Maryland , Virgínia e Distrito de Colúmbia, conhecida como DC metro, é famosa pela sua alta empregabilidade. Embaixadas de todo o planeta e órgãos internacionais, propiciam uma alta rotatividade de empregos e oportunidades. Há também um crescente e rico mercado tecnológico, fazendo a região ser conhecida como o mercado do silício da costa leste. Todo esse caldo faz com que que essa área navegue imune às crises financeiras, que vez ou outra arrasam os mercados. O resultado disso é um custo de vida altíssimo.

Vamos à matemática! Um aluguel na região da Virgínia, de um imóvel mediano para uma família com filhos, não sairá por menos de U$2.500,00 mensais, podendo facilmente chegar aos U$ 4.000,00. Os contratos de locação, para imigrantes recém-chegados e desprovidos de crédito, (esse assunto já foi abordado aqui no blog) exigem sempre um depósito de segurança, onde você paga inicialmente dois aluguéis adiantados. No final do contrato, se não houver danos no imóvel, você poderá ter esse valor reembolsado.

Além disso é preciso pagar depósitos de segurança em todas as contas. Desde a tarifa de água e luz, à de TV a cabo e telefone. Ou seja, o início é muito difícil, principalmente se você chega por aqui desavisado de todos os custos escondidos. Uma reserva financeira inicial é fundamental.

O aluguel não lhe dá o direito de abatimento no imposto de renda, que também é um dos mais altos do país, então a grande maioria opta pela compra, onde as parcelas mensais serão muitas vezes, menores que um aluguel.

Fairfax County é também um local histórico dentro dos EUA, então junto com o charme das pequenas cidades antigas existe o lado ruim  de se encontrar casas muito antigas e caras. A média de preço de uma casa familiar aqui está em torno dos U$600 mil e dependendo das renovações do imóvel, esse número passa facilmente de U$ 1 milhão.  A única saída é entrar em um plano de financiamento, ou “mortgage”, muito familiar aos americanos.

Os juros bancários são mais baixos que no Brasil, porém para se qualificar para um empréstimo as exigências são enormes. Antes de tudo é preciso que você tenha um social security number e comprovação de renda e estabilidade de emprego. Ou seja, sua situação migratória tem que estar impecável. Depois vêm uma série infinita de burocracias, que fazem até os cartórios brasileiros morrerem de inveja.

O processo é cansativo, com idas e vindas, até que se consiga aprovação. Então é preciso decidir, em qual região especificamente morar. Para quem tem filhos, essa é a parte mais complicada, pois as escolas públicas são designadas conforme o endereço residencial. No meu caso, que já passei dois anos alugando em um determinado endereço, terei que procurar nos mesmos limites, para que as minhas filhas não sofram mais uma mudança de escola.

Entenderam como se trata de um quebra-cabeça? Alinhar escola, localização, distância do trabalho e orçamento é uma tarefa cansativa, mas não impossível.

Viemos de uma situação confortável de São Paulo, vivíamos em um bairro seguro, uma casa confortável e que acomodava todas as nossas necessidades. Agora precisamos escolher. É quase impossível termos tudo em um só pacote! Ou abrimos mão da localização – e escola que gostamos, ou abrimos mão de uma casa nova e bonita.

Hoje percebo que a vida de imigrante, sobretudo nos EUA, resume-se sempre a dar alguns passos para trás. Principalmente no quesito estilo de vida. Para uma paulistana como eu, é complicado ter que se sujeitar a abrir mão de certos confortos, que antes eram essenciais. Muitas vezes bate o desespero e me pergunto: está valendo a pena?

Mas olho para a rica oportunidade de criar minhas filhas dentro de uma sociedade muito mais diversificada, com pessoas de todos os continentes do planeta.  Aquela cozinha de revista não é fundamental para reunir uma família em volta de uma mesa de jantar cheia de alegrias e histórias e muitas vezes a falta de espaço pode ser compensada com uma caminhada no parque do bairro, onde encontramos os vizinhos.

Viver sempre é escolher. Hoje vemos que valores tão valorizados dentro da sociedade brasileira, podem ser facilmente substituídos por outros, que enriquecerão de verdade essa nossa caminhada pela vida.

Primavera é tempo de renovar as folhas e abrir espaço para o novo. Estamos, literalmente, nesse processo! No verão mais um capítulo se reiniciará e espero voltar aqui para contar as novidades. Compartilhar essas experiências tem sido um grande prazer na minha vida, mesmo porque, quando estava em processo de mudança me senti absolutamente carente de informações.

Assim, seja bem-vindo e participe, estarei disponível para ajudar no que estiver ao meu alcance. Até a próxima!

Ps.: Se tiver curiosidade sobre o mercado imobiliário americano, navegue por esse site (www.redfin.com), onde as informações são bem precisas.

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