EUA – Contatando e selecionando orientadores nos Estados Unidos

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Fonte: acervo pessoal
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Na busca por um programa de pós-graduação nos Estados Unidos, seja mestrado ou doutorado, é bastante vantajoso já ter o contato de um professor – mesmo que o programa use o sistema de rotações, como explico aqui. Caso possua a indicação de um(a) orientador(a), ou se tem várias pessoas que são possíveis futuros orientadores nos EUA, você pode ir além do contato inicial com o professor e investigar como o laboratório funciona e como o professor é.

Preciso ser sincera neste ponto e avisar que, nos EUA, geralmente trabalha-se muito, bem mais do que no Brasil. Em muitos laboratórios trabalha-se 10 horas por dia, além dos finais de semana. Alguns orientadores nunca estão presentes, outros monitoram de perto até mesmo as suas atividades diárias, enquanto tantos são algum meio-termo. Alguns orientadores são excelentes, enquanto outros tratam mal seus alunos – ainda que existam sistemas de denúncia e casos de abuso sejam levados a sério aqui, infelizmente, isso ainda acontece.

Portanto, sugiro que você contate os estudantes do professor no qual tem interesse e pergunte explicitamente como as coisas funcionam. Nomes e emails de alunos estão geralmente no site do professor. Você pode se apresentar, dizer que tem interesse em fazer parte do grupo de pesquisa daquele professor(a) e perguntar como é a rotina da pessoa, que horas ela costuma chegar e sair, quão frequentemente a pessoa e o orientador se encontram para conversar sobre o progresso do aluno, se a pessoa recomenda o próprio grupo de pesquisa para novos estudantes e qualquer coisa mais que você queira saber. Você pode se surpreender com a sinceridade dos estudantes!

Se você não tem contatos, precisará encontrá-los e mandar emails para professores. Já dei algumas dicas sobre como encontrar professores aqui, por isso, neste texto, vou me deter a como contatá-los.

Fonte: acervo pessoal
Fonte: acervo pessoal

A melhor maneira de contatar um professor é escrever em inglês gramaticalmente correto, ser muito claro e educado e, evidentemente, focar no trabalho da pessoa e no seu interesse em fazer parte do grupo de pesquisa. Antes de escrever este email, leia algumas das últimas publicações do(a) professor(a) e tudo o que estiver disponível no site do laboratório ou grupo de pesquisa (vou deixar aqui o site do meu laboratório como exemplo).

Se você é estudante de graduação, uma ideia de email inicial é a seguinte:

“Dear Dr. Smith,

I would like to express my interest in joining your lab in the future. My name is Viviane, and I am an undergraduate student majoring in Chemistry at Federal University of Rio de Janeiro in Brazil. I am contacting you because I found your work with nanoparticles for drug delivery fascinating and, given that I have been involved in undergraduate research on this specific topic for the past two years, I got very interested in your lab. Would you be accepting new master’s degree students in the fall semester of 2018? I am sending you my CV (attached). If you have any questions or comments, please, let me know. I am looking forward to hearing from you

Thank you very much for your time.

Best regards,

Viviane Silva.”

Se você é estudante de mestrado buscando um doutorado, ou um doutorando em busca de um pós-doutorado, uma ideia para um email inicial é a seguinte:

“Dear Dr. Wright,

I am contacting you because I admire your research and would be really happy to work with you in the future. I’m Karen, an Earth Sciences PhD candidate in Brazil at University of São Paulo (my CV is attached). I have talked to my current advisor, Dr. Ferreira, about my idea of doing a post-doc in your lab, and she was very pleased and fully supported me. I will graduate in 2018, so I still have about a year here in Brazil.

I work on … (Escreva um parágrafo descrevendo sua pesquisa e falando sobre como o trabalho da pessoa fecha com o seu trabalho atual, ou sobre o quanto você tem interesse em trabalhar na área da pessoa. Se você tem projetos específicos da pessoa em mente, mencione e elogie.)

Please, let me know if you would be interested in talking more to me about the possibility of future work together. I would be really glad to know which projects you have in mind and if I could fit in any of them. Feel free to contact me via email, and we can also schedule a phone call whenever you are available if you would prefer that.

Thank you for your time and best regards,

Karen da Costa Rodrigues.”

Por fim, deixo para vocês o conselho que recebi (e, muito felizmente, segui!) do chefe do meu departamento quando comecei meu doutorado: busque um orientador com quem você se dê bem acima de tudo. Do trabalho, da pesquisa, aprende-se a gostar, por mais que o sujeito de pesquisa não seja exatamente o que você tinha em mente. Contudo, nem sempre é possível se dar bem com certos orientadores, e você vai passar muitos anos trabalhando com essa pessoa. No final, você vai depender dessa orientadora para ter cartas de recomendação e para conseguir seu primeiro emprego – na verdade, talvez você precise diversas vezes dessa pessoa no seu futuro profissional. Logo, faça o que puder para selecionar um bom orientador com quem você possa trabalhar bem.

(Para informações sobre o processo de inscrição para pós-graduação nos EUA, clique aqui.)

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Paula é gaúcha de Cruz Alta, ativista vegana e feminista. Bacharel em Biomedicina e mestre em Microbiologia pela UFRGS, Paula mora com o marido desde 2013 em Columbus, Ohio, nos EUA, onde faz doutorado em Microbiologia na Ohio State University (OSU). Paula estuda aquecimento global, ciclo do enxofre e metanogênese através de metagenômica, espectrometria de massa, ressonância magnética e análises geoquímicas. Através deste blog, Paula presta serviço voluntário de ajudar pessoas a estudar nos EUA - principalmente na OSU. Dúvidas gerais podem ser tiradas nos comentários de textos neste blog; dúvidas particulares podem ser enviadas para [email protected]

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