EUA – Festa infantil: a forma americana de comemorar

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Quando nos mudamos de país, sempre temos muitas dúvidas e muitas são culturais. Morar nos EUA não é uma tarefa difícil, afinal temos muito contato com o país no Brasil, principalmente através de filmes e séries de TV, que acabam retratando a vida americana.

Então, hoje vou contar um pouco da minha experiência em relação às festas infantis. A querida Ana, colaboradora da Áustria, nos contou como são essas comemorações por lá, você pode reler aqui.

A forma americana de comemorar é bastante diferente da forma brasileira. Não quero de forma alguma rotular nenhuma das duas culturas como certa ou errada, gostaria apenas de pontuar como são feitas aqui.

As festas americanas têm tempo de duração, diferente do Brasil, e geralmente são de 1h30min, 2 horas, ou, no máximo, por raras vezes, de 3 horas. Sendo que, sempre há no mínimo 1 hora para as brincadeiras e meia hora para as crianças comerem. O objetivo da festa é divertir a garotada, que geralmente está de roupa confortável, nada de super produção. Os pais são meros observadores, não tem buffet, garçom, bebida alcoólica.

Os locais são diversos, mas a grande maioria é feita em locais de ginástica para crianças, trampolins, brinquedos infláveis. Há, porém, opções como zoológicos, museus e parques públicos. Dito isso, outra dúvida é o que servir. Como citei anteriormente, as festas têm pouca duração e as crianças não comem nada durante as brincadeiras, apenas na hora dedicada ao lanche. Geralmente, a comida é pizza com suco ou água e, na parte doce, o próprio bolo ou, no máximo, bolo e cupcakes.

Algumas curiosidades: na hora dos “parabéns” não se bate palmas, só se canta. Os pais dificilmente comem alguma coisa, mesmo que tenha uma infinidade de pizzas, eles agradecem e no máximo bebem uma água.

Para saber quantas crianças convidar, o cálculo é simples: a idade da criança mais 1. Porém, muitas famílias, americanas ou não, convidam a sala toda da escola, pois são no máximo 20 alunos – os pacotes desses locais que citei costumar ser de até 20 crianças.

Outra particularidade: até uns 7 anos, os pais acompanham as crianças, mas apenas um deles; é quase impossível ver pai e mãe de um convidado na festa. Geralmente, aos oito anos as crianças já ficam sozinhas. Os pais não levam os irmãos, a não ser que mencionado no convite que eles são bem vindos, e isso vale para os pais também. Para muitos brasileiros, isso pode soar deselegante, mas aqui é bastante comum e ninguém se ofende.

Confirmar presença é de praxe. Um cartão de agradecimento depois do evento, também. Presentes em torno de 20/25 dólares, em média, e os gifts cards (cartão de presente) são as formas de presentear o aniversariante. Os horários para as festas vão no máximo até seis hora da tarde, podendo também acontecer pela manhã.

A comemoração de 1 ano é bem tradicional, mas só envolve o aniversariante, os pais e, no máximo, uma família amiga com crianças na mesma idade, é o famoso “smashing the cake” (esmagando o bolo, em Português).

Os pais compram um bolo com bastante cobertura, o aniversariante veste apenas a parte de baixo da roupa, que geralmente é decorada, escrito o nome da criança e o número 1. Então, o bolo é colocado em frente à criança e os pais esperam que ela se lambuze: quanto mais lambuzada, mais feliz todos ficam. A criança se diverte a valer: elas enfiam o rosto, mão, pé; uma forma descomplicada e diferente de se comemorar esse primeiro ano de vida.

Como sempre faço, depois dessas informações e curiosidades, gosto de contar da minha experiência, do que já vi e vivi por aqui.

No primeiro ano da Maria Antônia, fizemos uma festinha para alguns poucos amigos em casa, havia exatamente 3 crianças. Tudo muito simples: comprei alguns enfeites próprios para festa de 1 ano em uma loja de festas que já tem todos esses “kits”prontos. Ela se lambuzou e aproveitou.

Na época do segundo aniversário, ela fazia aulas de ginástica para crianças uma vez por semana, e resolvi comemorar por lá. Convidamos toda a turminha da creche e os amiguinhos da turma da ginástica. Nesse ano é que eu fui descobrindo tudo sobre esse universo infantil.

Nesse local, a festa durava 1 hora e meia, sendo: 1 hora de brincadeira e 30 minutos para o lanche. Recebi confirmação de todos os pais, os que iam e os que não poderiam comparecer. Achei muito positivo, pois tinha certeza de quantas crianças estariam presentes e como calcular a comida. Para essa idade, se calcula uma fatia de pizza e um suco/água por criança.

Como boa brasileira e festeira, calculei o número de crianças, os pais, os instrutores, comprei água, vários sucos, refrigerantes para os pais, bolo e cupcake. Qual não foi minha surpresa quando nenhum pai sequer chegou perto da comida, mas não me fiz de rogada e ofereci a cada um uma fatia de pizza, e não é que eles comeram e ficaram felizes? Adoraram a festa e ficaram enlouquecidos com o parabéns super animado com muitas palmas e direito a “é big, é big, é hora…” (ok, “é pic, é pic” para quem é de SP).

E assim fui aprendendo que, muitas vezes, o menos é mais, que o que vale é a alegria da criança. Até que me mudei para os Emirados Árabes Unidos, onde festa infantil ganhou uma nova dimensão, mas essa experiência eu deixo para a Polly, colaboradora e amiga de Abu Dhabi, contar.

De volta a Houston, onde o importante não é o quanto se gasta, mas sim o quanto se diverte, esse ano arriscamos uma nova experiência, que é uma tendência para crianças na faixa de 8-10 anos: os famosos “trucks” (caminhões). Tem o spa truck, game truck, entre outros. Maria escolheu o game truck, pois queria uma festa mista, com meninas e meninos. Você contrata esse caminhão, que fica na frente da sua casa por duas horas, e as crianças praticamente são abduzidas por ele.

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Foto: arquivo pessoal por Paula Ruiz

O que seria a carroceria do caminhão, na verdade, parece um corredor largo: de um lado, uma parede revestida por telas enormes; do outro, sofás coloridos, luzes, um clima tecnológico que a garotada adora.

Depois das duas horas se divertindo a valer, a hora do lanche: teve cachorro quente, mas também coxinha; e o parabéns com direito a brigadeiro e palmas. Convidei os pais a ficarem, assim como os irmãos. Foi uma festa deliciosa, com muita conversa, diversão e alegria. Não tinha uma super produção, mas muito carinho.

E quanto custa tudo isso? Em locais de ginástica e trampolim, o pacote básico custa em torno de 150-200 dólares, você precisa levar a comida e bebida. No zoológico e museu, em torno de 350 a 500 dólares, dependendo do pacote. Os caminhões, uma base de 400 dólares.

O que aprendi depois desses anos? Que a decoração, a papelaria, o cabelo escovado acabam junto com a festa, e o que vale foi o que ficou para a criança: a festa animada e o sonho realizado, brincar como se o dia não tivesse fim.

E você, tem alguma experiência parecida? Tem dúvidas de onde comemorar ou o que fazer para esse dia ser especial? Deixe seu comentário.

See you soon!

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