EUA – Mitos e verdades sobre divisão de tarefa doméstica

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fonte: pixabay
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Sabemos que a mão de obra nos Estados Unidos é cara. Isto inclui o serviço doméstico.

Vamos desmistificar alguns fatos.

1. As casas são maiores e menos pessoas residem nelas nos Estados Unidos. É verdade.

2. Americanos não se importam com a limpeza? Mito. Americanos gostam de limpeza, mas não são obcecados por ela. Devido ao custo, este serviço precisa se enquadrar no orçamento. Por quê? As empresas de limpeza de escritórios e residências, assim como os indivíduos, cobram de acordo com o tamanho das casas. Cobra-se separadamente para limpar as janelas, vidros, pratarias. Passar roupa também é cobrado à parte.

3. As residências são bem equipadas? Verdade. Todas as casas ou apartamentos comprados ou alugados já vem com lavadora e sacadora de roupa, lava-louça, fogão, geladeira e as vezes até com microondas. Isto é parte do acordo de compra e venda. Obviamente, há exceções a regra.

4. O marido sempre ajuda a esposa nos afazeres da casa e sua mão nunca caiu. Verdade.

Quero fazer uma pausa no número 4. Lembre-se que a cultura norte-americana valoriza muito a independência do indivíduo. Para validar esta tese, conversei sobre isto com algumas brasileiras casadas com americanos, persa, venezuelano, noiva de um nicaraguense e outras casadas com brasileiros. Todos os cônjuges são profissionais como engenheiros de software, empresários, médicos, advogados, cabeleireiros. Os nomes abaixo são nomes falsos a fim de preservar as identidade. Separei-os em dois grupos. Grupo A: aqueles que assimilaram a cultura americana e grupo B para não assimilados.

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Foto: Pixabay.com

Grupo A

Maria

Segundo Maria, seu esposo Sam sempre ajudou nas tarefas domésticas sem que ela precisasse pedir desde o começo de seu casamento. Depois da gravidez ela parou de trabalhar e passou a fazer quase todas as tarefas sozinha. Porém, ele sempre ajuda a cuidar das crianças preparando as refeições ou trocando fralda.

Bianca

Seu esposo Mohamed, de origem Persa, cresceu nos Estados Unidos e sempre participou das tarefas domésticas. “Quando meus filhos eram pequenos, meu marido fazia até a papinha deles” disse Bianca.

Helena

Contou que seu noivo  Juan e ela trabalham muito, são super ocupados. Então, quem chega primeiro em casa faz o que tem que ser feito. Como eles também são preocupados em manter uma alimentação saudável, sempre cozinham juntos fazendo uma fusão de suas culturas brasileira e nicaraguense.

Monica

Mora com seu namorado há 10 anos. Segundo ela, ele adora consertar coisas na casa e, de vez em quando, prepara seu barbeque ou uma macarronada à moda americana. Ele não gosta de participar na limpeza, mas colabora nos afazeres sempre que trazem convidados para jantar.

Valentina

É casada com Michael há aproximadamente 15 anos. Eles nunca tiveram que falar sobre divisão de tarefas, pois eles sempre fizeram o que é preciso. Dobrar uma roupa, trocar uma lâmpada, colocar a louça na máquina nunca foi motivo de discussão. “Quando ele não sabe como consertar alguma coisa ele pesquisa na internet e faz”, disse ela.

Anna

“Meu marido adora trabalhar no jardim, na primavera ele trata de comprar as plantas, vê qual o melhor gramado, poda as árvores. Meu jardim está sempre bem cuidado”, disse Anna.

 

Grupo B

Fernanda

Disse-me que trabalha em dois empregos porque seu esposo está desempregado há 4 meses. Eles vieram do Brasil há aproximadamente 2 anos. Segundo Fernanda, sua jornada é tripla porque após o trabalho, ela ainda precisa fazer o jantar para a família. Ela limpa a casa nos fins de semana porque este serviço se acumula durante a semana.

Patricia

Tem dois filhos pequenos. Seu marido, embora brasileiro, já morava aqui há muitos anos. Quando eles se casaram, ela veio para os Estados Unidos. Quando ela pede, ele pega as crianças na escolinha. Segundo ela, o marido não participa mais nas atividades porque eles contrataram uma empresa que limpa sua casa uma vez por semana.

Marilu

Seu esposo é da Venezuela e moram há 12 anos, são advogados e tem dois filhos adolescentes. Os filhos colaboram nas tarefas doméstica mas o marido ainda hesita em ajudá-los.

Sofia

Ajuda seu marido com as atividades de seus negócios entre Brasil e Estados Unidos e tem emprego de período integral. Em casa ela toma conta de tudo desde que moravam no Brasil.  Cuida dos filhos adolescentes à preparação do jantar.

 

Se após ler o que essas mulheres lindas dividiram comigo, você pensar que uma cultura justifica todo comportamento, isto é mito. O que faz com que esses homens participem ativamente nas atividades familiares é o sentimento de solidariedade e compreensão. Aqui vê-se muitas mulheres bem-sucedidas, cujos maridos trabalham de casa para o bem de todos. Aqui também vemos muitos pais solteiros, que passam pelas mesmas dificuldades de uma mãe solteira.

Ao buscar por reportagens sobre o assunto, somente uma sobressaltou. Dizia que, os casais que se ajudam em casa são mais felizes no sexo. Isto é tão óbvio que não precisa de pesquisa científica para validar. Casais menos sobrecarregados têm mais tempo para respirar e ter prazer.

Ajudar a mulher nas suas atividades domésticas nunca fez um homem perder a mão.

1 COMMENT

  1. Toda a evolução é bem-vinda, mas a mim nem sequer me faz sentido falarmos em ajuda doméstica. Os dois vivem juntos em uma casa, logo os dois cuidam igualmente das tarefas. Ajudar alguém já mostra que há uma pessoa que faz mais do que a outra. As mulheres tem que se consciencializar de uma vez por todas que não são empregadas dos maridos/namorados/companheiros. E se eles não fazem bem uma determinada tarefa, tem que fazê-la várias vezes até aprenderem. Ninguém nasce a saber cozinhar, passar, limpar. Muitas vezes as mulheres erram ao inferiorizar os homens, dizendo que eles não sabem fazer tão bem ou que estragam, que fica mal feito etc. Eles aproveitam-se dessa ideia generalizada de que as mulheres são mais capazes nas tarefas domésticas para fazer o mínimo ou até mesmo nada. E depois quando fazem alguma coisa, há reacções exageradas de apreço, quando deveria ser uma coisa normal (claro que elogios de parte a parte não fazem mal nenhum).

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