Finlândia – Um pulinho até Tallinn

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Arquivo Pessoal
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O legal de morar na Europa é que o tempo que eu levava para ir até a casa da minha avó no Brasil, por exemplo, hoje eu consigo ir até outro país. A Estônia é quase um quintal para os finlandeses e alguns até chamam Tallinn de a cidade mais legal da Finlândia!

O país, além de ser lindo e um ótimo destino turístico, é um dos maiores provedores de cigarro e bebida alcoólica para os consumidores destes produtos aqui. Muitos finlandeses e estrangeiros atravessam o Báltico de balsa apenas para comprá-los, já que, na maioria das vezes, o preço deles cai pela metade ao que é cobrado na Finlândia!

Minha primeira vez em Tallinn foi em setembro. Aproveitando que meu pai veio nos visitar, resolvemos ir juntos passar um domingo por lá. Existem algumas empresas que fazem o trajeto e os navios são ótimos e confortáveis para as duas horas de viagem. Como tínhamos apenas um dia, escolhemos a empresa pelos horários disponíveis e não exatamente por ser a melhor ou não.

Nos recomendaram viajar pela VikingLine, disseram que o buffet dela era ótimo e o navio também, porém eles têm apenas dois horários por dia para Tallinn e não daria para aproveitar, indo com eles. Por isso, optamos em ir pela Tallink que tem vários horários tanto para ir, quanto para voltar!

Compramos para o primeiro horário, logo as 7h30 da manhã. Dependendo do horário as tarifas mudam, mas o mais legal foi descobrir que, ao comprar o passe da ida e volta para o mesmo dia, você paga o preço de apenas uma passagem! Nosso navio da ida era o Super Star e saía do West Terminal de Helsinki. Nós erramos o terminal, pois a Tallink opera em mais de um e tivemos que correr para encontrar um táxi que nos levasse até lá a tempo. Tínhamos ainda uns 40 minutos para a partida, mas chegamos em cima da hora de fecharem o embarque! Eles dizem para chegar com 30 minutos de antecedência, mas eu aconselho chegar com pelo menos 45 minutos, pois no nosso caso, eles encerraram o embarque antes e também partimos antes do horário previsto.

A viagem foi tranquila, havia vários lugares para sentar e o navio era ótimo! Durante o trajeto, cruzamos com muitas pessoas que viajavam com suas malas, de todos os tamanhos, e algumas até enormes – dessas que nós brasileiros costumamos levar nossos 32 kg – para voltar com suas bebidas. Procurando informações, encontrei este site da alfândega com as quantidades permitidas. Sinceramente, me assustei com a quantidade alta de álcool que podemos trazer. Comprando dentro da Comunidade Europeia e utilizando o mesmo meio de transporte é permitido:

  • 110 litros de cerveja (acima de 0,5% de álcool);
  • 20 litros de produtos intermediários (chamam assim bebidas com até 22% de álcool);
  • 90 litros de vinho, sendo no máximo 60 litros de espumantes (incluindo cidras ou outras bebidas derivadas de fermentação);
  • 10 litros de outras bebidas alcoólicas que tenham mais de 1.2% de álcool.

Todas essas quantidade são apenas para consumo próprio, não podendo haver comercialização e se, por exemplo, você quiser trazer ainda mais, também é possível. Basta apresentar provas na alfândega e são casos como para consumo em casamentos ou aniversários.

Tallinn é uma cidade linda, em estilo medieval, como se tivesse saído de um conto de fadas. Nós passeamos pela cidade antiga, que é toda murada e muito bem conservada para o turismo e para as muitas pessoas que ainda moram ali. Fomos direto até o posto de informações turísticas e descobrimos que havia os free walking tours da EstAdventures, que são tours guiados que você paga o quanto achar que valeu a experiência. Nossa guia era ótima e nos levou por todos os lados, explicando a história de cada local, dando várias dicas de onde comprar lembrancinhas típicas e também de onde almoçar; e o passeio durou em torno de duas horas.

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Vista de um dos mirantes – Foto: Arquivo Pessoal

Contando um pouco do que aprendemos naquele domingo, Tallinn é considerada a capital mais antiga do norte da Europa e a cidade velha é tombada pela UNESCO World Heritage Site. É uma cidade que apesar de ter sido dominada por diferentes civilizações durante a história, por ser um porto importante entre a Rússia e a Escandinávia e ainda ter feito parte do regime soviético, conseguiu manter seu idioma, cuja as raízes são as mesmas do finlandês: a Fino-Úgrica.

A cidade tem uma arquitetura linda. Construída de pedra e madeira que era o que tinham na época e, posteriormente também com concreto, ela tem uma mistura gótica de influências germânicas e escandinavas; e barroca, rococó e ortodoxa da influência do império russo de Pedro, o Grande. Essas ocupações se iniciaram no século XII com os dinamarqueses e germânicos, depois com os suecos no século XVI e o império russo no século XVIII. Os estonianos acreditam que todas estas ocupações foram de grande valia para a história, pois trouxeram desenvolvimento para o país. Ao mesmo tempo, notei que eles têm ressentimento da ocupação soviética, pós Segunda Guerra Mundial.

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Praça central de Tallinn – Foto: Arquivo Pessoal

Cada cantinho vale uma foto e é impossível não querer desfrutar da diferença cultural que preservam. Fazendo tudo a pé, é possível se deslumbrar com a Catedral Ortodoxa de Alexandre Nevski e com o parlamento a sua frente. Mais adiante, com a Catedral Luterana da Santa Virgem Maria, assim como a Igreja de St Olaf, a muralha em torno da cidade, a praça central e as diversas outras construções dali.

A igreja ortodoxa foi construída entre 1894 e 1900 e é declarada patrimônio da humanidade pela UNESCO. É considerada até hoje como um monumento do império russo e, após a libertação do regime soviético, ordenaram que fosse demolida. No entanto, decidiram não fazê-lo pela beleza que tem e pela importância religiosa às várias famílias de descendência russa.

Já a luterana foi construída pelos dinamarqueses no século XII e foi dedicada a Santa Virgem Maria, razão pela qual o país ainda é conhecido como Maarjamaa ou Terra de Maria. Ela foi inicialmente construída pela igreja católica e se tornou luterana depois da reforma na Estônia, em 1561. Ela é conhecida também pelos enormes brasões de madeira que adornam as paredes internas. Os nobres costumavam colocá-los em homenagem aos falecidos de suas famílias. O órgão da catedral é um Ladegast-Sauer com 71 tubos e foi construído em 1914. É um órgão enorme e lindo que foi restaurado em 1998.

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Órgão e altar da Catedral Luterana da Santa Virgem Maria – Foto: Arquivo Pessoal

Para o almoço, degustamos a culinária local no restaurante Von Krahli Aed que, além do cardápio tradicional, naquela semana tinha um menu especial devido ao festival dos cogumelos. Também fizemos uma pausa no meio da tarde para saborear os tradicionais marzipãs no café mais antigo do país, o Café Maiasmokk, que foi inaugurado em 1864. Outra curiosidade é que em Tallinn fica a farmácia mais antiga da Europa ainda em funcionamento, a Raeapteek que não se sabe ao certo quando foi aberta, mas consta nos documentos da cidade que em 1422 já havia trocado de dono três vezes.

Café Maiasmokk - Arquivo Pessoal
Café Maiasmokk – Foto: Arquivo Pessoal

O passeio foi bastante rico em cultura. É interessante ver que em um local tão pequeno é possível haver tanta história. Voltamos para Helsinki na balsa das 19h30, que estava lotada e, como já era de se esperar, durante todo o trajeto da volta, diversos finlandeses já aproveitavam as cervejas que haviam comprado. Dizem inclusive que compram um fardinho apenas para tomar na volta!

Apesar de cansados de tanto andar, chegamos em casa felizes pela oportunidade de conhecer mais um lugar lindo e com muitas histórias na memória! Além, claro, de termos economizado e garantido o nosso pequeno estoque, que cá entre nós, nem de longe chegou ao total das quantidades permitidas!

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Elisa é nascida no Peru, filha de pai peruano e mãe brasileira. Mudou-se para Campinas, interior de São Paulo quando tinha 4 anos. É formada em Hotelaria pelo Centro Universitário Senac, já trabalhou na Disney, viajou o mundo como comissária de bordo enquanto morava em Dubai e se especializou em confeitaria abrindo seu próprio ateliê quando retornou ao Brasil. Hoje mora na Finlândia com o marido, ama escrever, ver séries, curtir a natureza, mexer no jardim, viajar e experimentar comidas novas. Adora assuntos relacionados a beleza, bem estar e sempre busca maneiras de melhorar e ver a vida positivamente!

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