Hábitos Alimentares alemães

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Alimentos de produtores regionais são a grande tendência na Alemanha. (Fonte: unsplash.com)
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A culinária alemã não é apenas chucrute e salsicha, mas podemos dizer que é sazonal. Como a Alemanha é um país com as quatro estações do ano muito definidas, os alimentos são vendidos de acordo com a sua temporada de colheita. Claro que é possível encontrar produtos importados em outras ocasiões, mas não serão tão frescos e baratos devido ao transporte e amadurecimento. Os alemães compram de acordo com as estações e dão preferência aos produtos regionais, cultivados pelos fazendeiros da localidade.

Segundo uma pesquisa, 92% dos alemães não compram morangos em meses frios, por exemplo. O mesmo vale para os aspargos. A temporada de colheita destes alimentos é na primavera e, nesta época, os alemães costumam comprar nas feiras e fazendas vários para fazer os deliciosos bolos, tortas e geleias (que se embalada a vácuo dura meses). Eu compro sempre os aspargos em uma fazenda da minha região. Se você mora ou quer morar neste país, é bom atentar ao período de colheita dos alimentos para poder desfrutá-los bem frescos e com bons preços.

Os supermercados normalmente entregam nas casas prospectos com as ofertas semanais. Os alemães costumam analisá-los e fazer as compras de acordo com os alimentos disponíveis na estação com preços reduzidos. Realmente há bastante consciência neste aspecto. Isto foi algo que aprendi durante estes quase seis anos vivendo aqui. Toda semana olho os prospectos, faço a lista de compras e levo a quantidade suficiente para o meu planejamento da semana. Desta maneira evitamos o desperdício na geladeira e no bolso.

Os produtos regionais são a moda no momento e vem ganhando cada vez mais espaço. Seu maior concorrente é o produto bio (que não tem uso de pesticida, hormônio, antibiótico e fertilizante). A produção de alimentos bio ocupa atualmente a área de 1 milhão de hectares no país, mas é apenas 6% da produção total do setor agrícola. A maioria dos cidadãos concorda com uma proibição do uso de toxinas na produção dos alimentos, mas poucos pagariam um preço mais alto por isto.

Os alemães são verdadeiros fãs de carne, salame, presunto e patê. Muitos não conseguem imaginar um dia sem comer um destes produtos. De acordo com a Sociedade Alemã da Alimentação (Deutsche Gesellschaft für Ernährung), um alemão come durante a sua vida em média 4 vacas, 4 cordeiros, 12 gansos, 37 patos, 46 perus, 46 porcos e 945 frangos. Um alemão consume diariamente em média 103g de carne, salame e afins, enquanto a alemã consome 53g. Apenas 10% da população é vegetariana e 1,1% é vegana. Por causa do alto consumo de animais, o Partido Verde tentou em 2013 pressionar o governo a proibir carne/salames/afins durante um dia por semana nas cantinas e refeitórios das fábricas e empresas. Este foi um tema de muita discussão e não vingou como se desejava.

O salame é uma das comidas mais apreciadas na Alemanha. (Fonte: unsplash.com)

É possível fazer uma relação da alimentação dos alemães com a sua classe social. Normalmente pessoas com menor salário preferem comer fast food e têm mais incidência de sobrepeso. Pessoas com maior salário consomem mais legumes, verduras, frutas e peixes. Aproximadamente 70% dos alemães e 50% das alemãs têm sobrepeso. Uma a cada cinco pessoa tem obesidade (IMC maior que 30). A tendência é aumentar. O que causa maior preocupação são as crianças, das quais 7 a 8% são obesas. O diabetes era uma doença que surgia após os 65 anos, mas atualmente há crianças com a doença.

Mas qual é o prato preferido dos alemães? De acordo com o relatório sobre alimentação divulgado em 2016 pelo Ministério da Alimentação e Agricultura, o primeiro lugar ficou com o espaguete à bolonhesa, com 35% dos votos e foi seguido então por pratos feitos com batata. O famoso escalope (Schnitzel) ficou com apenas 11%. Até a salada teve mais com 15% dos votos.

Um tópico muito discutido é o desperdício de alimento. Todo ano são jogadas fora 11 milhões de toneladas de comida. Na União Europeia este número aumenta para 88 milhões de toneladas. A UE quer reduzir pela metade esta quantidade até 2030. Para evitar desperdícios, os fabricantes indicam na validade de seus produtos o termo “válido pelo menos até…”. Com isso garantem que o produto estará válido até a data mencionada, mas também pode durar mais. O dono de um restaurante em Berlim criou um aplicativo (MealSaver) para o celular, onde é possível localizar os restaurantes com comidas que seriam desperdiçadas e comprá-las por 1,50 euro até 4,50 euros. São 160 restaurantes em Berlim que participam do aplicativo.

Também é claro que aqui os filhos de imigrantes comem mais legumes, verduras, frutas e peixes do que os nativos, mas também comem mais açúcar e tomam refrigerantes com mais frequência. O número de crianças de pais imigrantes com sobrepeso é o dobro das alemãs, por diversos motivos, seja cultura, comer por estresse ou pouco esporte.

Bem, de qualquer maneira, quando pensar em comida na Alemanha lembre-se de que os restaurantes (com poucas exceções) ficam fechados em um dia da semana por questões de impostos e alguns costumam fazer pausa entre o almoço e jantar. Não são todos que fazem entregas o dia inteiro, mas só à noite, por exemplo. Melhor sempre levar dinheiro, porque alguns não aceitam cartões de débito ou crédito. Já os supermercados não abrem as portas aos domingos.

Na Alemanha há três refeições: café da manhã, almoço e lanche. Eu vim do Rio de Janeiro e minha família costuma comer um lanche à noite, como aqui. Se você está acostumado a jantar, pode ter que se adaptar ao viver com alemães. Eles normalmente almoçam ou jantam, mas não os dois. Aos domingos, por volta das 15h, as famílias alemãs gostam da tradição de comer um bolo e tomar café.

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