Hong Kong – Como é morar em Hong Kong?

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“E aí, como é morar em Hong Kong?” Pergunta frequente desde que vim morar aqui, talvez por ser um lugar menos usual para uma brasileira viver. Apesar de acreditar que o que faz a gente gostar ou não de um lugar é relativo e depende muito das experiências pessoais, compartilho alguns aspectos objetivos da vida aqui, organizados em vantagens e desvantagens.

Não incluo os fatores que podem existir quando se mora em qualquer lugar como saudades e perder eventos marcantes na vida da família e amigos. Foco somente nas características específicas de Hong Kong.

Vantagens:

Segurança:

Hong Kong é uma das cidades mais seguras do mundo. Há alguns cartazes no centrão, dizendo para tomar cuidado com furtos, mas nunca conheci alguém que tenha sido roubado, muito menos assaltado. Não se houve falar nesse tipo de crime. As pessoas são tão relaxadas que andam na rua olhando no celular, colocam o telefone no bolso de trás da calça (que algumas vezes cai e as pessoas correm para avisar o dono) e deixam bolsas sozinhas enquanto vão resolver algo rápido, como fazer o pedido numa praça de alimentação.

Mulheres andam sozinhas à noite em ruas desertas sem preocupação e nem olham para trás quando escutam passos se aproximando. Eu já deixei uma echarpe numa lanchonete e quando voltei a tinham entregue no caixa. Meu esposo perdeu 3 vezes o guarda-chuva, inclusive voltando dias depois e sempre o encontrou.

Hong Kong é infinitamente mais segura que Europa e Estados Unidos. Essa segurança impacta profundamente a qualidade de vida.

Transporte público:

Um bom sistema de transporte público também impacta positivamente a qualidade de vida. Há plataformas elevadas e cobertas interligando edifícios e escadas rolante nas ladeiras. O metrô é frequente, eficiente e cobre grande parte da cidade- e estão sendo feitas várias extensões. O sistema cross-platform está presente na maioria das estações com mais de uma linha e agiliza a troca: basta dar alguns passos atravessando a plataforma para pegar a outra linha. Outra vantagem é o cartão Octopus 1 , que é usado não só para transporte, mas pode-se comprar praticamente tudo pela cidade e evita o uso de moedas e a famosa falta de troco. Leia mais aqui.

Bens baratos:

Hong Kong está na China e isso significa que vários bens são fabricados aqui, o que os torna muito mais baratos que no Brasil ou Europa, principalmente eletrônicos. As taxas de importação também são baixas e alguns produtos, como livros, são isentos. Não bastasse isso, temos um equivalente da amazon.com: o taobao.com. Os produtos são ridiculamente baratos, mas o site está só em chinês e para usá-lo conto com a ajuda de amigos locais.

Internet:

A internet é rápida (o mínimo de velocidade para contratar internet em casa é de 300 mps), barata e existe em praticamente todo lugar. Inclusive em cada estação de metrô, há um lugar específico em que se tem wifi grátis por 15 minutos. É possível pagar um pacote mensal para ter acesso a milhares de pontos wifi espalhados por Hong Kong. Os smartphones possuem 4G, uma velocidade que faz com que seja cena comum ver alguém no metrô falando por Skype.

Comunidade de Expatriados:

Hong Kong é cosmopolita: há gente do mundo todo morando aqui. Por questões históricas, a maioria é inglesa e há muitos europeus e vizinhos asiáticos. As empresas financeiras e as escolas internacionais atraem muitos trabalhadores estrangeiros. Latino-americanos são mais raros e somos cerca de 300 brasileiros.

Há sites e grupos de expatriados, pelos quais se pode conhecer gente e fazer perguntas que ajudem na adaptação e facilitam o dia a dia, como: “onde eu acho tal ingrediente? Quem indica um pediatra que fale francês?” Dá para fazer contato com gente do mundo inteiro e minimizar as saudades de casa.

Vida cultural:

Hong Kong tem uma diversidade de paisagens que vai muito além dos famosos arranha-céus. 60% do seu território são natureza (montanhas e parques), onde não é possível construir. Se contar as inúmeras praias e centenas de trilhas, pode-se levar anos para explorar tudo. É uma cidade bonita para quem gosta de montanha e para quem gosta de mar, pois tem as duas coisas. Além da natureza, a vida cultural inclui diversos museus (cuja entrada é barata e todos têm um dia de graça) e vida noturna para todos os gostos.

Impostos:

Hong Kong tem um sistema fiscal que está entre os mais favoráveis do mundo. O imposto sobre pessoa física, o nosso imposto de renda, é bem baixo comparado com diversos países: de 2 a 17%, dependendo do salário. Essa é umas das razões pelas quais a cidade atrai tantos estrangeiros.

Desvantagens:

Custo de vida:

Se eu tiver que escolher uma só desvantagem, escolho o custo de vida. Hong Kong está entre as 5 cidades mais caras do mundo para se viver. Isso se dá principalmente por causa do custo da moradia.

Moradia:

A falta de espaço para se construir faz com os preços de aluguel e compra de imóveis sejam absurdamente altos até para espaços ridiculamente pequenos. O preço médio de aluguel de um apartamento de 3 quartos é de 18 mil reais por mês. Na prática, mesmo um apartamento menor, de 1 ou 2 quartos, em um lugar mais central, não fica por menos da metade disso. Eu digo que aqui você só pode escolher 2 entre 3 alternativas: apartamento bom, boa localização ou preço razoável.

Comunicação:

Apesar do inglês ser língua oficial, por conta da colonização britânica, nem todos falam a língua de Shakespeare. As placas e toda comunicação oficial estão em chinês e inglês, o que facilita. No entanto, no dia a dia, comunicar-se pode ser um problema. Por exemplo, nem todos os restaurantes têm alguém que fale inglês ou possuem menus nesse idioma, principalmente os mais baratos. Isso faz com que os estrangeiros acabem indo aos restaurantes mais caros, onde podem entender o que vão comer.

Comida:

Esse aspecto é mais relativo, mas eu não consegui me acostumar com a comida daqui. Mesmo para quem gosta de comida chinesa, não tem nada a ver com a comida chinesa que conhecemos no Brasil. A textura, o cheiro, os ingredientes… tudo diferente e estranho. Além disso, eles não especificam todos os ingredientes de um prato. Uma vez pedi um arroz com vegetais e quando chegou era arroz com cogumelos, sem verduras.

Clima:

Outro fator também relativo é o clima. Para mim, o verão aqui é quase insuportável. Não só pelas altas temperaturas, mas também devido à umidade relativa do ar, que fica em 100% quase o tempo todo. Andar na rua é como estar dentro de uma sauna. Você sai de casa e automaticamente começa a suar. Para compensar, todos os lugares têm ar condicionado forte. Isso não é ruim só para aqueles que não gostam de ar condicionado (como eu que sempre carrego uma blusa para usar dentro do metrô): o choque térmico constante faz com que muita gente se resfrie em pleno verão.

Portanto, se você estiver pensando em vir trabalhar em Hong Kong, certifique-se que a empresa pague seu aluguel ou que o salário é alto o suficiente para cobrir as despesas (não compare com o Brasil).

Caso sim, venha e aproveite a boa qualidade de vida!

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Ana Clara é de Belo Horizonte, Minas Gerais. Formada em Comunicação Social (mais especificamente em audiovisual), foi professora e relações internacionais de uma faculdade em BH até 2015, quando foi para Hong Kong fazer Doutorado. Já morou nos EUA e em Barcelona e está sempre na Inglaterra, país do esposo. Ama viajar e em 2017 planeja chegar ao país número 50. Desde 2009 tem um blog, A Bordo do Mundo, no qual relata casos, dicas de viagem e curiosidades culturais.

13 Comentários

  1. Muito legal, Ana Clara! Parabéns pelo texto!

    Vale lembrar que ai em Hong Kong, é falado o cantonês, enquanto na china (em sua maior parte) fala-se mandarim!
    Então, nós, que moramos na china não conseguimos usar uma palavra do chinês falado em Hong Kong!

    A comida também: é muito regional! Moro numa cidade há duas horas de carro de Hong Kong, e a culinária chinesa daqui Eh completamente da culinária honkonesa (ou cantonesa)!

    Mas adorei teu texto! Eh exatamente assim!
    Beijocas!

      • Oi, Ana Clara! estamos bem pertinho sim! Quando quiser venha nos visitar! Tem onibus direto de HK pra ca!
        Sobre a comida…. acompanha meu proximo artigo fim desse mes… eh sobre restaurantes. Acho que vai te dar vontade de nos visitar aqui em Dongguan!
        Beijos

        • Oi Tati. Oh, obrigada. Será que posso ir aí com aquele visto de 72 horas válido para a região de Shenzhen?
          Sobre a comida, já estou curiosíssima com seu novo post. No entanto, eu tenho uma grande dificuldade a mais: sou vegetariana, quase vegana. Enquanto a vantagem é que o queijo e leite são a excessão aqui, a desvantagem é que até os pratos vegetarianos são feitos em sua maioria para parecer carne. 🙁 Beijos!

      • Sim, Paulo. Por isso comentei “em sua maioria” …. Moro em cantao ha mais de 10 anos e é dificil encontrar alguem que fale cantones. E os que falam, sabem tambem o mandarim, e no dia a dia usam mandarim. Engraçado que no estado de cantão nao fala-se (de modo geral) cantones. E o meu comentario foi justamente pelo fato de, quando vamos a hong kong, utilizarmos apenas ingles.
        Tenho amigos que moram mais de 20 anos em macau, e o caso é o mesmo: ele fala, lê e escreve fluentemente o cantones, mas aqui nao entende uma palavra.
        Abracos!

  2. Excelente explicação!
    Somente para questão de curiosidade, nos somos em torno de 600 brasileiros cadastrados na ABHK (Associacao Brasileira em Hong Kong) porem esse numero pode ser maior. Temos a comunidade dos jogadores de futebol e pilotos, por exemplo, que quase ninguém e cadastrado e sei que existem pelo menos 50 pessoas.
    Tem também muitos jovens que vem passar alguns meses em HK como experiência então nosso numero pode ser bem maior que 1000 brasileiros em HK. O ciclo muda muito todos os anos exatamente nessa época do ano então e difícil ter um numero certo. Na nossa comunidade de mulheres brasileira em HK somos em quase 300 (se você ainda esta nesse grupo me adiciona no Facebook que te adiciono no grupo).
    Infelizmente o consulado também não possui nenhum numero oficial. Mas pela distancia do Brasil para a Asia eu acho o numero alto ate. 🙂

      • sim na verdade o Macedo, que era o consul em HK ate inicio do ano, que ligava pra gente pra pedir esse numero porque eles não tem os números de brasileiros. Eu por exemplo, sou brasileira e americana e como entrei em hK com meu passaporte americano eu não estou cadastrada no consulado. Alias esse e o outro mito porque não existe mais cadastro no consulado desde que cheguei aqui. 🙁

        • Gente, como assim o consulado te consulta? Que situação engraçada! Sei que esses números são difíceis, como você explicou. Mas realmente estranho pois só naquele grupo do Facebook tem mais de 1000 brasileiros. O cadastro é só online agora. Te adicionei no Face. Obrigada!

  3. Gente, me ajuda. Não achei essa informação em nenhum lugar da internet. Existem casas de câmbio ou ATMs que troquem reais por dólar de Hong Kong?

    • Prezada Mei,
      Nunca vi nenhuma casa de câmbio em Hong Kong que troque real. Agora se seu banco brasileiro permitir saque no exterior, quando você sacar num ATM em HK, já vai vir em Hong Kong Dollars. Sei que tem alguns brasileiros em HK que trocam informalmente dinheiro. Tem um grupo no Facebook de brasileiros em HK e o pessoal é bem solícito para ajudar em dúvidas como essas: https://www.facebook.com/groups/brasileirosemhongkong/ Entre lá e lance a pergunta, quem sabe alguém nao troca para você? Boa sorte!

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