Hungria – Custo de vida em Budapeste: Parte 1

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No começo de novembro de 2016 escrevi um artigo sobre oportunidades de trabalho em Budapeste, uma cidade que atrai profissionais de toda parte do globo em razão do grande número de Centro de Serviços Compartilhados, ou SSC, na sigla em inglês. Alguns leitores me perguntaram sobre o custo de vida em Budapeste e o quão razoável seria uma mudança para a capital húngara, já que o país não adotou o euro.  

Particularmente, acredito que mudanças sempre somam em nossas vidas. Claro que precisamos ser estratégicos ao pensar em qualquer mudança e nas suas consequências, principalmente quando essas envolvem um emprego novo em um pais.

Apesar de ser um país europeu, o fato da Hungria ter tido o ditador Janos Kadar por 30 anos no poder faz com que o país ainda sofra os efeitos do período comunista, que teve fim somente em 1989, quando a Hungria iniciou o processo de abertura de fronteiras.

Por conta de sua história, a Hungria tem características políticas, econômicas e sociais que refletem no custo de vida do país como um todo.

O salário mínimo da Hungria equivale a 412,00 euros ou 127.500,00 forint húngaros (HUF). Apesar do valor ser baixo, multinacionais que se instalam na Hungria pagam um valor diferente do mínimo nacional, principalmente porque precisam atrair profissionais de outras nacionalidades para atender o mercado.

Ocorre que, mesmo oferecendo um valor superior, os salários pagos na Hungria ainda são menores que os valores pagos em países situados na zona do euro. No entanto, é preciso ter em mente que quando se ganha mais, se gasta mais. Ou seja, o valor médio pago no mercado de trabalho húngaro é viável para a realidade local, mesmo após o desconto referente a impostos mensais de 34% sob o salário bruto.

As empresas, na sua maioria, oferecem pacotes de benefícios. O valor não é alto, mas ajuda quem vive por lá. Esses benefícios, chamados de cafeteria, são ofertados em cartões e cabe ao empregado, dentro do limite legal, direcionar como os usará.

Por exemplo, uma empresa paga ao empregador uma média de 35.000 HUF mensais bruto, que descontados os impostos vai para 23.000 HUF líquidos mensais, a ser distribuído entre os benefícios ofertados: vale refeição, vale mercado, saúde privada, transporte entre outros. Casa empresa estipula um valor a ser pago e escolhe – ou não – agregar benefícios como bonificação por desempenho, passagens aéreas a seu país de origem, entre outros.

É difícil afirmar qual o valor médio pago por uma multinacional, já que o cálculo do salário é, na maioria das vezes, pago de acordo com anos de relevante experiência e o idioma a ser usado para o desempenho de suas atividades laborais. 

Moradia

Eu me mudei para a capital da Hungria no início de 2014, quando os preços de aluguel eram consideravelmente inferiores aos praticados hoje, em 2017. A razão do significativo aumento se dá pelo seguinte fator: estrangeiros vivendo em Budapeste.

A Hungria atrai muitos estudantes internacionais e profissionais estrangeiros. Muitas universidades húngaras recebem os famosos Erasmus, estudantes de graduação, mestrado e doutorado que fazem seu intercâmbio estudantil por aqui; boa parte deles vem de países que possuem como moeda o euro, três vezes mais forte que o forint húngaro, para a alegria dos donos de imóveis locais que, espertos, tentam usar esta situação em benefício próprio.

A realidade acima vem afetando muitos “meros mortais” que recebem o seu salário em moeda local. Acredite, o mercado fez um “bum” e os preços estão lá no alto. Muitos proprietários inclusive cobram o aluguel em euro, o que dificulta ainda mais encontrar um imóvel com bom preço e qualidade.

Um exemplo: o apartamento em que eu morava teve um aumento de 35% em meados de 2016. O proprietário apenas informou o novo valor e coube a mim me posicionar em relação a isso. Infelizmente, não existe um limite de aumento a ser cobrado pelos locadores, como no Brasil. Portanto, se negociar entre particulares, inclua uma cláusula no seu contrato estipulando o máximo a ser praticado em caso de aumento, se houver.

Os imóveis em Budapeste são bastante antigos e em muitos edifícios se vê a data de construção do prédio – 1890, 1920 e assim vai. Alguns não têm elevador e as escadas são enormes, nada muito moderno como no Brasil. Evidentemente que você encontra prédios novos e muitos imóveis reformados. Sabendo da alta no mercado, o valor do aluguel desses é um pouco mais alto.  

Analisando o mercado hoje, acredito que o aluguel de um estúdio – quarto ou galeria, alguns com sala, cozinha e banheiro está em torno de 120.000 HUF (400 euros), mais as despesas de calefação, água, luz e Internet, que provavelmente giram em torno de 30.000 HUF (cerca de 100 euros).  

Se você busca um imóvel em Budapeste, recomendo consultar grupos no Facebook e sites como o Ingatlanok.

Transporte

Considerando qualidade e mobilidade, o transporte em Budapeste é barato. O valor aproximado de 10.000 HUF (32 euros) dá direito ao uso de todas as linhas de metrô, ônibus e tram. O transporte é excelente e você consegue se conectar com todas as partes de cidade de forma rápida. Já o bilhete único custa 350HUF (1,12 euro) e deve ser validado na hora de usar o transporte público.

Caso você queira arriscar e usar o transporte sem o tíquete, saiba que os fiscais geralmente se identificam apresentando uma crachá da empresa fiscalizadora. A multa para o usuário sem o tíquete de transporte é de 8.000 HUF (cerca de 30 euros), desde que o pagamento seja feito durante a apreensão: você precisa realizar o pagamento no ato, em efetivo e de 16.000 HUF (cerca de 60 euros) caso o usuário não realize o pagamento no ato. Acredite, os fiscais tiram você do trem e com o seu documento em mãos, conseguem localizar seu endereço e logo, você receberá uma multa pelo correio.

Trataremos sobre saúde, alimentação, lazer e viagens na parte dois do artigo sobre custo de vida em Budapeste.

 Até o mês que vem!

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Rafaela é natural do interior do Paraná, mas em Curitiba graduou-se em Direito e cursou sua pós graduação em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas. Trabalhando em empresas, na área jurídica e Compliance, optou por atuar na área de Recursos Humanos por acreditar no grande potencial estratégico e de mudança dessa área. Apaixonada pelo ambiente corporativo, pela área de recursos humanos e por Budapeste, ainda quer trabalhar em outros países para aprender (na prática) sobre gestão de pessoas em ambientes multiculturais. Curiosa pelo mundo, adora viajar e conhecer culturas diferentes. Cheia de planos e sonhos, espera viver boas experiências, crescer como profissional e pessoa e claro, ter muitas histórias a compartilhar.

7 Comentários

  1. Olá Rafaela! Informações muito boas parabéns, já acompanhei o artigo da Carol Szabadkai e agora favoritei o seu tbm! Se me permite, além de Budapest, gostaria de saber se em outras cidades o desenvolvimento e oportunidade de trabalho são tão acessíveis quanto na capital? E se for, quais as cidades você recomendaria?
    Em casos como o meu, que sonho em levar a família após um certo nível de estabilidade no país, existe algum diferencial estratégico?
    Um grande abraço, mais uma vez parabéns pelo artigo e espero o próximo para compartilhar com os paulistas e meus familiares!

    • Oi Thiago, tudo certo por aí? Obrigada pelo comentário. A parte dois do artigo sai mês que vem e você vai encontrar mais informações por lá, em especial sobre saúde, alimentação, lazer e viagens!
      Em relação a sua pergunta: em Budapest você encontra um maior número de oportunidades. Pessoalmente, acredito que como estrangeiro, é o melhor lugar na Hungria, principalmente por conta do idioma. Eu não sei qual a sua área de trabalho, mas perto de Budapeste você também encontra indústrias. Tenho colegas que trabalham em Pecs e Debrecen, mas o número de estrangeiros por lá, se comparar com a capital, é bem menor.
      Se você busca oportunidades de trabalho na Hungria, dá uma olhada no LinkedIn e no site http://www.profession.hu. Eu também escrevi um artigo sobre o mercado de trabalho em Budapest (o link está no artigo :))
      Boa sorte!

      • Olá Rafaela, pode deixar que já verifiquei o artigo recomendado! 😉 Minha área é TI, especificamente na área de segurança. Eu falo um pouco de Magyarul e atualmente estou cursando a língua, estou me apegando muito em algo que vocês recomendaram antes de sair do país “planejamento e estratégia”. Você pode até não ter uma certa noção, mas seus artigos, bem como de outras brasileiras que os publicam, impactam de forma muito positiva nos planos de muitas pessoas!
        E para ser mais claro… rsss lá vai… busco retornar ao país dos meus avós e levar minha família também. Porém observo que muitos “solteiros” e estudantes é que predominam por ai, estou errado??

        • Oi Thiago, bom nao sei se Rafaela me deixa colocar um comentario aqui, se não, é so apagar, Rafaela. Morei 8-9 anos em Budapest, meu marido é húngaro e da area de IT tb. Os húngaros são top de linha nessa area, nem preciso falar que são mto bons nisso. Hj em dia tem muito mais estrangeiros do que na época em que morei la o que faz de budapest bem mais “morável” se vc não fala húngaro (ainda assim o pessoal mais antigo não tem muita paciência com quem não fala). O mercado de trabalho tà um pouco em recessão por causa do “novo” gverno mas acho que se vc tem um bom background e querer é poder vc pode arranjar um bom emprego. QTo a levar a família, as escolas particulares são um pouco caro, seus filhos (se vc tem), falam húngaro? é verdade que tem algumas escolas publicas q ensinam em inglês/frances e húngaro, mas acho q são mais difíceis de conseguir vagas nela.

          • Oi Ana Paula! Obrigado pelas informações!! Bom Meus filhos não falam Húngaro, são muito novinhos ainda (Um de 4 anos e o mais novinho com 1 ano e meio), mas tento passar “egy kis” hehe! Você levantou um ponto muito interessante sobre escola. Ainda mais as públicas, onde não temos muitas informações e vou me aprofundar mais sobre 😉 Vamos manter contato Ana!! Ainda me restam 2 anos antes de me jogar! Abçs!

  2. Gostei do artigo! Aqui são as minhas experiências rodando o país todo, no ano passado.

    Comidas e bebidas na Hungria:
    1) Restaurantes – aqueles que abrem só para almoço – é mais o menos o mesmo preço que pago em Minas. Porções são grandes, mesmo pedindo a pequena. Paguei entre R$10 a R$15 por cada prato.
    2) Cerveja – quase METADE do preço mas vem na garrafa de 500 ml.Tb tem latas. Qualidade excelente!
    3) Pálinka (cachaça Húngara) – dose “grande” = em torno de 400 Forints, dá R$ 4,33. Gostei muito da pálinka.. mas do que cachaça ou whiskey.
    4) Carne de boi – MAIS caro. Churrascaria fora de Budapest, não achei.

    * Quem fuma, 1 maço custa (custou) em torno de 1100 HUF = R$ 12.

    * Eles usam de dekas. Então, para pedir 200 gramas de presunto, você tem que falar “20 dekas”

    Para ver mais preços, recomendo ver as ofertas de uma rede de supermercados de lá: http://ajanlatok.spar.hu/index
    Basta clicar no “SPAR akciós újság”

    • Obrigada!
      A parte dois do artigo sai mês que vem e você vai encontrar mais informações por lá, em especial sobre saúde, alimentação, lazer e viagens!
      Também comento sobre o custo em restaurantes e claro, da tão barata cerveja húngara!
      Espero que você tenha aproveitado Budapeste!
      Um abraço,

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