Inglaterra – Londres, a primeira impressão é a que fica

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Nem tudo são flores num momento de mudança para outro país. Existem as dificuldades como a barreira cultural, a língua, a adaptação ao clima, à comida e ao modo de ser das pessoas. No entanto, mudar para Londres em pleno verão de 2014 foi crucial para construir uma boa impressão sobre a cidade e também para me adaptar melhor, pois a cidade parece ter mais vida nesta época.

A cidade no verão – Cheguei num dia ensolarado portanto, bem diferente daquela fama de “cinzenta” que a cidade tem! No verão a capital inglesa é repleta de flores e tem um clima alegre! Parques cheios, pessoas tomando sol nos gramados, varandas floridas e bem cuidadas… Isto me causou uma boa sensação, um sentimento de que existe um agradecimento à natureza por esse clima. As pessoas parecem reverenciar a estação e é assim todos os anos. A cidade fica com um clima leve e os ingleses fazem de tudo para aproveitar cada raio de sol! Vale até mesmo se estirar em um gramado sintético e ler um livro sossegadamente. Os pubs e mercados também ficam lotados no fim da tarde e a (ótima) cerveja fecha o “dia quente” do londrino, que pode variar entre 20 e 37 graus – já presenciei todas estas temperaturas.

Tube O metrô foi algo que me chamou atenção por vários motivos: são muitas linhas, bastante gente, algumas estações bem antigas, outras mais modernas e enormes. Mesmo sendo sempre cheio, existe uma organização interessante e uma “etiqueta consensual” na qual quem está entrando no vagão espera educadamente quem está descendo, nada de “empurra-empurra” e assim tudo flui, sem confusão. Na escada rolante não existe amontoado, todos saltam um degrau em relação à próxima pessoa e se mantêm do lado direito, pois o lado esquerdo é para aqueles que estão com mais pressa. Nas primeiras vezes confesso ter ficado bastante confusa, com tantas linhas, baldeações e informações. Achava que nunca iria me situar, hoje já tiro de letra…Ufa!

Os ingleses Na minha opinião são educados, solícitos, pontuais (claro!) e trabalhadores, porém sabem conciliar trabalho, família e lazer! Não vivem fazendo hora extra adoidado e ao acabar o expediente já correm para um pub – sempre lotado, parque ou para casa para fazer sua principal refeição que é o jantar. Eles têm realmente um humor diferente do brasileiro, mas não os considero mal humorados. Nada de piadinhas ou perguntas muito íntimas se você não é muito próximo da pessoa.

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Moradia – Procurar o seu canto aqui é uma saga e ao mesmo tempo tudo é muito rápido. É possível visitar prontamente o imóvel (muitas vezes ainda com morador). Caso você goste é importante decidir com agilidade, pois são alugados muito rapidamente. Os apartamentos são mais compactos e cada cantinho é bem aproveitado. Como a maioria possui carpete, um ótimo costume é o de tirar os sapatos ao entrar. Mesmo na casa dos amigos todo mundo já chega tirando os sapatos, assim, o ambiente fica mais limpo e nossa saúde agradece. Já as casas são bem simpáticas e em geral têm sempre um jardim na frente e um quintal atrás. Uma curiosidade é que muitos imigrantes começaram a concretar os jardins e a cidade foi obrigada a criar uma lei que proibisse este tipo de intervenção, já que Londres pretende manter seu título de cidade verde. Por isto qualquer gramado é muito valorizado. Adoro isto!

Eles também turistam – Os pontos turísticos e de lazer estão sempre cheios. E não só de estrangeiros, mas também os ingleses usufruem do próprio patrimônio. Os entornos possuem restaurantes para todos os gostos e bolsos além de estarem sempre movimentados. As opções são bem variadas, com cozinha do mundo todo. Para mim, que tenho o paladar bem eclético, é ótimo poder variar! A forma como o inglês (e o europeu) em geral curte a cidade é algo que sempre me chamou atenção e este foi até um ponto importante para escolher Londres como destino: vivenciar bem a cidade! Aqui a gente anda bastante à pé. Geralmente, é possível resolver tudo em seu próprio bairro, que conta com um comércio variado, além de mercados e feiras locais. Almoçar num mercado ou passear por uma feira de flores é um ótimo programa! Sem contar que a maioria dos museus, eventos e exposições são gratuitos e estão sempre lotados.

Portanto, ao meu ver a cidade tem muita vida e é muito bom poder caminhar tranquilamente. Claro que existem exceções, pois estamos falando de uma capital. Porém, é possível sair sem ter todos aqueles medos em relação à segurança. Isto realmente acho incrível e é muito diferente da realidade brasileira. Eu ainda me pego olhando para os lados, mas por costume mesmo.

Londres faz jus a fama de cidade cosmopolita e a diversidade e a inclusão, me chamam muita atenção. Numa viagem de ônibus é possível ouvir 5 línguas diferentes ao seu redor. Em toda cidade há pessoas do mundo todo, usando seus trajes típicos, falando em suas línguas ou arriscando o inglês… Assim tudo flui pacificamente. (Não vou entrar aqui na questão da xenofobia, que existe sim em muitos países. Estou citando minha impressão pessoal e generalizada de como tenho observado a cidade e a sociedade até hoje). E ao meu ver ela é sim pacífica, diversificada, respeitosa e democrática! É muito bom conviver com isto, abrir a mente, conhecer pessoas do mundo todo, adquirir conhecimento… Enfim, viver aqui é uma experiência multicultural ilimitada e enriquecedora! Tirar proveito disto só depende de você e de sua disposição para encarar o novo ou o inusitado como algo positivo!

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Natália é mineira, arquiteta e apaixonada por história, viagens, design, cinema e uma boa leitura. Tomou a difícil decisão de se mudar para Inglaterra acompanhando o marido em um novo desafio profissional. Gosta também de escrever e se manter informada e por isto, viu no BPM uma boa oportunidade em colaborar. Foi estudando um pouco mais de inglês e voluntariando numa instituição que fez amigos de várias partes do mundo. Mãe de primeira viagem, continua com o espírito explorador e curioso, tendo sempre a filha como companheira. Pretende continuar os estudos, os projetos, o voluntariado e fazer uma especialização na Inglaterra.

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