Inglaterra – O que aprendi em cinco anos de Londres

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Nunca gostei de falar muito de mim. Acho que é um exercício que vem da profissão de jornalista – olhar para um texto e ver se tem muito “eu”. Mas, às vezes, a gente tem que falar um pouco da gente – e quando digo isso, me refiro às nossas experiências – para transmitir de verdade aquilo o que quer passar.

Falar sobre cinco anos de Londres é uma dessas circunstâncias que pedem para a gente deixar o lado particular um pouco de lado e compartilhar, de verdade, essa “vida loka” que é a vida de expatriada. Hoje vou falar um pouco sobre o que aprendi (ou o que acho que aprendi) quando olho para trás, mais precisamente em 2012, e lembro da intercambista deslumbrada que nunca tinha saído do país e que veio parar logo em Londres. Por que “logo em Londres”? Bom, já entrando no âmbito pessoal, porque Londres é a melhor cidade do planeta para mim.

Morar em Londres
Foto: arquivo pessoal

Não pelas razões óbvias: por ter uma arquitetura incrível, por respirar cultura, por ser tão cosmopolita que parece mesmo o centro do mundo, por isso e por aquilo… não são apenas essas características, que no meu caso, fazem de Londres o melhor lugar. Mas sim porque foi aqui que testei limites que jamais pensei que seriam testados, conheci pessoas com as quais nunca imaginei que teria amizade, cresci e aprendi muito. Um pouquinho desse aprendizado será compartilhado aqui com vocês:

Longe de ser perfeito
O mais engraçado de tudo isso é que eu nunca quis vir pra Londres. Nunquinha. Meu sonho sempre foi alguma cidade dos EUA, Nova Iorque, Boston ou, sei lá. Pensei no Canadá também. Londres era a última opção (mentira, também não queria a Austrália porque era muito longe!). O que eu concluo com isso é que, às vezes, a gente fica tão preocupado que o intercâmbio tem que ser naquela cidade e tudo tem que sair tão perfeito, que esquece de levar em conta que não importa para onde você vá, aprenderá muito mais do que o idioma! Quando a gente faz um intercâmbio o idioma é apenas um souvenir, tamanha a bagagem que a gente carrega quando volta para casa.

Destino saudade
Uma coisa muito doida, aliás, é que quando eu cheguei aqui, vivia pensando na hora de ir embora. Não queria que o tempo passasse, porque queria aproveitar. Por outro lado, não via a hora de rever a família. Mesmo depois de cinco anos, ainda não aprendi a me sentir diferente. Não sei quando foi, mas teve uma hora em que eu estava morando fora do Brasil há tempo suficiente para saber que seria difícil estar completa em um só lugar. A saudade vai sempre existir na vida de quem se aventura por aí. Pode ser de um restaurante, do seu parque favorito, de momentos e das pessoas que você acaba conhecendo no seu novo lar. Claro que quando estou no Brasil de visita, eu nem penso muito em Londres, porque sei que vou voltar, mas já tive a chance de passar seis meses no Brasil depois de morar fora por quase dois anos e só pensava no dia em que eu voltaria pra cá. A gente cria vínculos e tem coisa que sempre vai fazer falta.

O pouco vira muito
Mas, claro, não tem falta maior do que nossa família perto da gente. E como a gente aprende a dar valor a isso. Sempre fui muito observadora, mas é impressionante como toda chance que eu tenho de estar perto da minha família, é também quando aproveito para guardar na mente momentos pequenos, por mais simples que sejam, mas que me fazem feliz. Coisas do cotidiano viram luxo para quem mora longe. Café da manhã com pão fresquinho da padaria, um sorvete no parque, uma tarde jogando conversa fora. Dessa última vez fui no shopping com a minha mãe comprar sapatos, acho que foi um dos melhores momentos em três semanas de viagem! Aqui fora a gente acaba aprendendo a ficar mais forte, mesmo sem ter perto da gente as pessoas que nos dão força no dia a dia. Conviver bem com a saudade é o mandamento número um para termos uma vida boa quando moramos longe de casa. Nem sempre é fácil, acho que o primeiro ano é o mais difícil por todas as dificuldades e diferença cultural, mas a gente chega lá.

100% Brasil
Outro aprendizado que tive, logo no primeiro mês, foi não ter medo de ter amizade com brasileiros. Fiquei um pouco decepcionada quando, já estando aqui em Londres, fiquei sabendo que moraria em uma casa só com estudantes brasileiros. Sim, eu tinha vindo para ficar dois meses e queria aprender inglês. Mas ouso dizer que se não tivesse conhecido aquelas pessoas, talvez não estivesse aqui hoje. Foram elas que me deram dicas de como me virar, de como eu podia encontrar escolas mais baratas para estudar, de quartos em casas melhores, de onde vender meu notebook quebrado para não ficar tão no prejuízo. Claro, a gente acaba aprendendo de uma forma ou outra, mas hoje em dia, mesmo sabendo me virar bem aqui, as amizades brasileiras continuam sendo super valiosas. Bater papo na sua língua, de vez em quando, não tem preço!

Bem, comecei esse post achando que falaria mais de assuntos práticos, como emprego, casa, etc. mas acabei indo mais para o lado emocional e de sentimentos (acho que faço até bem em não escrever textos muitos pessoais!) mas, de verdade, acho que isso faz sentido. Se a gente estiver bem nessa parte, dá para encarar qualquer coisa não é mesmo? Espero ter conseguido compartilhar pelo menos algo de útil com quem também tem esse sonho de morar fora ou está no mesmo barco que eu. Escreva para mim nos comentários, vou adorar saber!

2 Comentários

  1. Curti muito o relato! Eu e meu esposo estamos planejamento morar fora a algum tempo e Londres é umas das opções mais cotadas, mas sempre penso também em como vai ser difícil se afastar das pequenas (e grandes coisas, como a linda praia da nossa cidade) e a saudade que vai dar a família. Porém, apesar disso, a vontade de viver uma nova experiência ainda é muito maior!

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