Itália – Italiani, brava gente?

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Muita gente, principalmente brasileiro, cresce pensando que a Itália se resume a macarrão, música tarantela e uma mesa reunida de parentes que caem na risada, felizes da vida!

A verdade é que em qualquer lugar do mundo iremos encontrar pessoas educadas, ranzinzas, abertas, discretas, felizes, passando por alguma situação difícil e às vezes “descontando” antipatia e falta de calor humano nas pessoas à sua volta. Problemas existem em qualquer parte do mundo. É bom ter isso em mente ao pensar em se mudar de país.

Eu estou no norte da Itália, em uma cidade de interior e, talvez por esse motivo, percebo as pessoas mais fechadas nessa região; isso não quer dizer mal educadas: simplesmente a cultura e o modo de crescer é diferente do nosso país.

Acredito que em uma cidade grande como Milão, onde o movimento de pessoas e nacionalidades é muito maior, as pessoas não se importem como a outra se veste ou o que tipo de vida leva na própria intimidade. Entretanto, em cidades pequenas – seja onde for – há uma tendência a que as pessoas se importem mais com o comportamento alheio.

Na Itália encontramos muitos africanos que desembarcam de navios provenientes de viagens feitas clandestinamente, que vêm deixando tudo para trás em sua terra natal para buscar uma vida melhor; muitos deles formam família, aqui e, assim, a criança de pais africanos que nasce na Itália se mistura às tradições e estilo de vida italiano. Essa mistura me leva a pensar que. daqui a alguns anos, o preconceito possa diminuir ou mesmo desaparecer na nossa sociedade. E já que toquei no argumento de preconceito, atualmente ainda tem muito por aqui. Mas e no Brasil? O que não falta é brasileiro se referindo à pessoas negras de forma ofensiva ou o tema que está em alta no momento, a homofobia.

Voltando à Itália, aqui encontramos também muitos árabes e muçulmanos e essa mistura de cultura algumas vezes pode incomodar o italiano, mas normalmente acontece se o estrangeiro tentar impor suas condições aos costumes italianos. Globalização, sim; falta de respeito, não!

Tem muito brasileiro morando na Europa que não está satisfeito e detona com o local e pessoas que o acolhem. Isso não me parece lá muito simpático. É preciso fazer um esforço para se adaptar, ainda que a adaptação pareça uma dura tarefa. Ou então, se for tão insuportável, a pessoa pode tentar voltar ao Brasil.

Morar fora do seu país, principalmente depois que você vem crescido, não é tarefa fácil! Pelo contrário, é difícil se destacar de nossos costumes e reaprendermos a nos colocar numa nova sociedade, aceitando o desconhecido; e se a pessoa não for aberta a mudanças, nunca se sentirá completamente feliz.

Para finalizar – essa fica para um próximo post -, ainda tem o problema do brasileiro que retorna ao Brasil: readaptar-se, após longos anos morando no exterior, é mais complicado do que se possa imaginar. Dizem as pesquisas que voltamos com olhares críticos e muitas vezes sentimos falta do que ficou para trás no país onde vivemos por alguns anos de nossas vidas.

Eu acredito que em qualquer lugar do mundo você poderá, por exemplo, entrar no mesmo restaurante por mais de uma vez e ser bem ou mal atendido, dependendo da noite ou da pessoa que você encontre pela frente.

Então meu conselho é : não crie ilusões ou faça julgamentos antes de sair do seu próprio país. Mantenha os pés firmes e seja sempre você mesmo, em qualquer parte do mundo para onde for. O modo como você irá se comportar é que resultará no comportamente das pessoas que estarão à sua frente, sejam elas educadas ou não, alegres ou insatisfeitas. Confie na lei da reciprocidade e dê sempre aquilo que deseja receber. Não há nada a perder e no mínimo, você plantará uma semente.  Que tal tentar?

 

 

 

 

12 Comentários

  1. Eu sou a favor da moldagem sem perder a forma principal, quero dizer, ja que a pessoa resolveu morar fora, ir para outro pais com outra cultura, se molde a ela oras. Os italianos estao certissimos em nao deixar certos imigrantes tomarem conta impondo certos habitos. Se a Inglaterra tivesse feito isso decadas atras, nao estariamos vendo certas atitudes hoje em dia. Uma vez me falaram, se deixarem todos os que chegam impor certas vontades, entao vamos nos brasileiros, exigir caipirinha, musiquinha e churrasco direto (apenas uma comparacao). Imagina a bagunca que nao iria ser. Vamos sim, manter a nossa cultura viva, passando valores e a nossa lingua para os nossos filhos, mas, nunca esquecendo, de como ja dizia minha saudosa vo, “dancar conforme a musica’. Fica a dica 🙂

  2. Nossa, verdade Daphne!

    A gente tem que tentar ser feliz com a nossa realidade aonde quer que estejamos, pois não há país perfeito e pessoas perfeitas. Se você muda de país pensando encontrar A FELICIDADE pode quebrar a cara e feio. Agora as pessoas felizes no Brasil com certeza serão felizes no exterior, pois carregam a felicidade dentro de si! Moro na Holanda, vou checar seu blog! Abç! http://www.closetdeirmas.blogspot.nl

  3. Oi Daphne! Seu texto é bastante interessante porque retrata o que eu penso (mas, muitas vezes, não faço). Quero dizer, quando escolhemos outro país como lar, temos, como obrigação, adaptar-nos às suas tradições e costume e não o contrário. Acho que abrimos nossa cabeça porque, no final, descobrimos que o mundo não tem que se adaptar a nós, mas o revés. Conheci muitos brasileiros que reclamam da Europa (odiavam o clima da Irlanda, por exemplo) e eu mesma reclamo das Filipinas (cada vez com menos freqüência). Fico louca quando escuto alguém que diz “mas no meu país não é assim…” embora eu fale isso da maionese local, por exemplo, que é doce (sim, tem açúcar…). Bom, contradições nossas de cada dia…

    Decidi que não reclamaria mais. Porque isso traz muita energia negativa! 😉 Vamos ver o que acontece!

    Um beijo!

  4. Daph, que legal, você falou de um tema bem próximo do texto que escrevi para esse mês, depois vc vai ver… É bem isso mesmo. Tanto faz o país, ou como são as pessoas, sempre terá os legais e os mal humorados e tem os brasileiros que vêem tudo como novo e que acrescenta e tem os que vão criticar TUDO do novo país… O meio, na verdade, é você quem faz e se quer se sentir feliz, vai, se não quer gostar, nunca vai gostar.
    Quanto a voltar ao Brasil, bem, eu passei um pouco disso quando tentamos em 2009 viver lá. Creio que eu teria me acostumado se ficasse mais tempo, mas o marido ganhou proposta de emprego na Hungria e voltamos, porém não foi nada fácil viver os primeiros meses no Brasil. Tudo diferente do que eu lembrava da infância e adolecencia, eu agora estava vivendo a vida adulta no Brasil, coisa que eu não havia feito, pois mudei-me com 21 pra Hungria. Foi uma experiência interessante, senti muita falta da Hungria e de coisas que eu nem sabia que gostava… E olha que sou uma pessoa positiva e mudei-me pensando que aceitaria as diferenças…. A adaptação sempre existe, mesmo sendo a adaptação na terra natal.
    Adorei seu texto!
    Um beijão!!!

  5. Parabéns pelo texto Daphne! e é exatamente isso. Quando saimosdo nosso país ‘crescidos’ como vc disse, fomos por que quisemos, então não perca seu tempo e sua energis (bem lembrado, Tati…rs), falando mal da cultura alheia e, principalmente se vc está vivendo (por livre escolha) dentro da mesma. Aqui na China isso é a coisa que mais acontece, o que me deixa louca. Por que se não está bom aqui, volte para casa, Simples assim, mesmo!!!!
    Um dia uma pessoa, numa discussão dessas comigo (vivo arrumando confusão…hehehe) me disse que estava aqui obrigada sim, que não gostava e nunca iria gostar desse pais. Ai perguntei porque não ia embora, já que ia acabar com um cancer desse jeito. Ela me responde que é pq seu marido não teria emprego no seu país. Bom, imagina meu discurso, né? Eles não eram OBRIGADOS a ficar, mas QUERIAM ficar pelas oportunidades que não tinham no seu pais. Aí piorou né? É cuspir no prato que comeu (mais uma de avó!)… beijo.

    • Putz… Adoro essas vítimas do mundo, Cris! #NOT! Essas pessoas que são vítimas nunca são responsáveis por nada, eternos bebês… Em outro contexto, conheci um cara assim por aqui… Ele é bem sanguessuga e não gosta de trabalhar. Um dia, ele disse ao meu marido “as pessoas falam para eu mudar, mas não fazem nada para isso!”. Ele olhou para o cara, com os olhos arregalados, e disse “você quer que elas PAGUEM para que você mude? Elas já fazem mais que a obrigação delas em dar dicas!!!”… Pois é… =/

  6. Muito interessante Daphne, falávamos justamente deste assunto outro dia, você tem razão quando diz que devemos nos adaptar ao lugar. No meu caso as mudanças foram bem grandes, e talvez por este motivo tenho uma certa resistência em me adaptar, sempre digo que o problema sou eu e não o lugar, estava mal acostumada…
    Mas tem uma coisa que não consigo fazer, falar mal do Brasil, como muitos fazem. Acho fantástico quando vou fazer compras aqui e escuto a frase ” é produto italiano” falam com orgulho, e eu os admiro muito por isso. Beijos

  7. Daphne, lindo texto e mensagem super importante, eu como cidada do mundo aprendi a valorizar minhas raizes ainda mais no Brasil, como parte da minha identidade, o cheiro da terra de Minas me faz falta as vezes, o carinho e simplicidade do povo, as comidas que sao amor puro, mas amo ter tido a oportunidade de ter conhecido outras culturas ter tido a honra de ser apreciada e bem vinda por todas elas, é isto aih, pessoas de todo jeito estao em todos lugares, se vc tem problema no Brasil, eles virao com vc pra onde quer que vc va! Gosto muito do ditado popular ” a gente pode tirar uma pessoa de um lugar, mas nao pode tirar o lugar de entro da pessoa” e que bom isto, pois assim nao perdemos nossa riqueza cultural que é se torna tao importante em tempos de globalizaçao. E aos reclamoes, e sem educaçao, afinal estao vivendo na casa do outros, como visita nao devemos reclamar, ou vc gosta de visita pra quem vc abre a porta da sua casa e eles reclamam e falam mal de vc? Pis é assim como moramos em outros paises, tudo tem os dois lados da moeda, se nao pode apreciar… receio que nao posa apreciar a vida e vc mesmo, pois tudo ao nosso redor é espelho, Narciso! rsrsrsrsrrs Lindo texto! Parabens

  8. Ola meninas!
    Nossa, nao imaginei que daria tanto o que falar sobre esse tema! Mas é uma situaçao que acontece diariamente apenas saimos de casa…muito boa essa troca de idéias e opinoes, obrigada pelos comentàrios e vamos tentar nos adaptar, devagarzinho a gente chega là, nao è fàcil pra ninguem! “Piano Piano se va lontano”! rs.
    bjs!

  9. Ola Daphne,
    sei que o texto foi publicado ha algum tempo, mas veio a calhar para mim. Muito interessante, pois concordo plenamente. Moro na Italia ha pouco tempo numa cidade do interior ao norte. Casei com um italiano da gema que conheci durante meu estagio nos EUA. Concordo com a filosofia de que ninguem te obrigou a mudar de pais, mas devo desabafar que nao tem sido facil. Estou ainda penando com a adaptacao. Sou descendente de japoneses e morava em Sao Paulo. Aqui, esbarro o tempo todo com o preconceito contra os imigrantes. Quando estou com meu marido, tudo vai bem, mas quando caminho sozinha, sao olhares tortos e de nojo, pois sempre acham que sou chinesa. Para mim é uma experiencia novissima. Talvez pq sempre tive a sorte de ter uma familia estilo “Mulino Bianco” e nunca tinha sofrido na pele qualquer tipo de discriminaçao pelo meu aspecto fisico. Cresci estudando e frequentando lugares de todas as cores, raçasm sexo… Sempre amei o Brasil pela nossa capacidade incrivel de miscigenacao, mesmo que ainda com um racismo muito forte e presente.
    Entendo o porque dos italianos terem um preconceito, mas tambem nao sou de acordo com a politica pacifista e “ursinhos carinhosos” que eles pregam na midia. Dizem que sao abertos a imigrantes, mas so quem vai a Questura (e tem um perfil caracteristico de imigrante) sabe como é ser tratado com desprezo. No fim, é sempre “os bonzinhos pagam pelos malvados”.
    De qualquer forma, é um sonho que ainda estou longe de abrir -mao, pois tirando esse preconceito que enfrento todos os dias, morar na Italia é maravilhoso. Ja morei nos EUA e confesso ter um perfil ainda consumista, mas estou amando o estilo europeu e aprendendo pouco a pouco. Sempre digo a mesma frase: piano, piano se va lontano.
    Abraços!

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