Jardim-de-infância Waldorf na Alemanha

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Imagine um espaço criado com muito cuidado e atenção aos diferentes sentidos e âmbitos do desenvolvimento da criança. O jardim-de-infância Waldorf busca abranger esta integralidade e oferecer às crianças uma atmosfera cheia de arte e fantasia. Até mesmo um adulto que esteja ali só de passagem será acolhido pelo ambiente com paredes de pintura suave em tons pasteis, cheiro de cera de abelha no ar e músicas ao som de um cântele. Uma breve espiadinha já é suficiente para perceber que há algo “diferente” neste espaço.

O primeiro jardim Waldorf foi fundado em 1926 na Alemanha. E hoje, quase 100 anos mais tarde, por volta de 550 dessas iniciativas podem ser encontradas em todo país. Pelo mundo são mais de 2000 espalhados em 60 países.

A maioria dos jardins Waldorf está ligada a uma escola Waldorf, o que permite que a transição para o primeiro ano da escola seja mais harmônica para as crianças. Todas essas iniciativas Waldorf, sejam jardins ou escolas, são mantidas por uma associação de professores e pais. É fundamental o trabalho ativo desta “comunidade” na execução das tarefas que mantêm o funcionamento das instituições. Os grupos de pais são responsáveis  por cuidar da jardinagem (roçar grama, tirar o mato dos canteiros), por exemplo, ou até mesmo fazer a contabilidade da associação. Os jardins e escolas Waldorf não são públicos nem privados, são associativos.

A pedagogia Waldorf tem como base a antroposofia, ciência espiritual criada por Rudolf Steiner (1861-1925). Além do braço educacional, também desmembram da antroposofia a agricultura biodinâmica, a terapia artística, a medicina antroposófica e uma vasta literatura filosófica e esotérica. Steiner, ao desenvolver as bases da pedagogia Waldorf, leva em conta o ser humano na sua complexidade e cosmovisão. O desenvolvimento da criança (ou do ser humano em geral) é divido em setênios, ou seja, fases de 7 anos. Cada setênio tem suas características, desafios e momento específico. Essa base teórica é responsável pelas diretrizes e práticas da pedagogia Waldorf. Por exemplo: no primeiro setênio a criança manifesta seu processo de enraizamento aqui na Terra. Suas capacidades motoras e físicas vão se aprimorando – por isso a importância do livre brincar, de subir em árvores e ter diferentes experiências sensoriais com areia, terra, água etc. Essa fase é a base para o futuro desenvolvimento cognitivo da criança. O que significa que na pedagogia Waldorf a alfabetização (uma atividade que exige muita força racional e de pensamento abstrato) acontece somente em idade escolar e não pré-escolar.

Alguns dos princípios do jardim Waldorf:

·        Imitação

É observando, interagindo e imitando os mais velhos que a criança pequena aprende a falar e a fazer diferentes coisas. Nesse sentido, o adulto tem o papel de servir como exemplo da criança.

·        Brincar livre

Com brinquedos e objetos naturais, as crianças têm a possibilidade de criar e se expressar das mais diferentes maneiras. Neste espaço elas encontrarão toquinhos de madeira, tecidos de algodão, novelinhos de lã, bonecas de pano e outros objetos de origem natural que lhe permitem fantasiar e brincar. A atenção dada a qualidade dos brinquedos é uma marca forte tanto do jardim quanto das escolas Waldorf. O que é vivo tem espaço lá dentro. O plástico, por não ser matéria-prima natural, não entra num jardim Waldorf.

Brincar de casinha, com bonecas, construir castelos e torres, brincar com animais de madeira ou tricotados, subir em árvores… inúmeras são as possibilidades para expressar o lúdico, a fantasia e a imaginação – base para a futura formação do pensar racional.

 ·        Celebração de festas anuais

Uma boa oportunidade para se conhecer um jardim Waldorf é participar das suas diferentes festas anuais: Festa de Verão, Festa da Lanterna (dia 11 de novembro), Festa de Advento ou Natal… São festejos preparados através da noção de unidade e pertencimento aos processos que acontecem na natureza. Através destes rituais a criança tem a oportunidade de vivenciar e perceber-se parte do todo, do macro, da natureza. 

·        Jardim-de-infância como extensão do lar

A atmosfera criada no jardim Waldorf muito se assemelha a uma casa. Com um fogão e pia dentro da sala, as crianças vivenciam a rotina da professora neste ambiente quase caseiro, onde ela, junto com os pequenos, assa pão, faz tricô, jardinagem, etc.

As turmas no jardim Waldorf não são divididas por idade. Na verdade, a maioria dos jardins da Alemanha tem grupos mistos de crianças entre três e seis anos, o que permite uma interação natural com crianças de diferentes idades, assim como acontece na vida familiar e social.

 ·        Conceito holístico

O jardim Waldorf, diferentemente de outros métodos, não tem como objetivo o cumprimento de metas educacionais para todas as crianças. O foco não é a educação formal, porém, oferecer para as crianças um espaço de acolhimento onde possam se desenvolver nas suas diferentes facetas e individualidades.

 ·        Rotina bem estruturada

O ritmo diário, semanal e anual das atividades do jardim Waldorf é bem marcado. Com o intuito de oferecer uma segurança através da frequente repetição da rotina, as atividades alternam-se entre movimentos de expansão (por exemplo brincar na rua) com de interiorização (por exemplo sentar e escutar uma história). A alternância destes dois elementos oferece um equilíbrio destas duas polaridades anímicas.

 ·        Arte

O sentido artístico permeia toda a experiência de escola e jardim Waldorf. Fora o ambiente que é criado com todo um propósito que tocar o sentido artístico, a qualidade do belo, os pequenos têm a possibilidade de pintar aquarela, fazer trabalhos manuais, euritimia e mergulhar no mundo dos contos e da música.

Mesmo sendo financiadas parcialmente pelo governo, os pais precisam contribuir com uma mensalidade. Esta é calculada a partir da renda mensal da família.

Mais informações aqui.

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