Manias e hábitos alemães que eu adquiri

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A louca do supermercado, à espera do apocalipse zumbie todos os domingos.
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Quando a gente chega em outro país, com uma cultura totalmente diferente, costumes, manias, jeitos de ver e viver a vida, a primeira coisa que acontece com a cabeça da gente é o chamado: choque cultural. Chega a dar um nó no cérebro – além da língua, obviamente – pois tudo que conhecíamos e estávamos acostumados por toda a nossa vida no Brasil se vai pelo ralo; é tudo diferente, e agora?

Ao mesmo tempo que isso dá um tremendo medo e assusta, é uma das partes mais legais que vivemos quando nos mudamos para outro país e, hoje, eu posso dizer que adoro, pois é um crescimento e aprendizado instantâneo, mesmo que a gente não queira.

Quando cheguei aqui em Hamburgo, há 1 ano e meio (sei que não é muito tempo, mas para mim o suficiente para aprender MUITO), eu vi de cara um MONTE de manias e costumes super estranhos dos alemães que, para mim, como brasileira, não faziam sentido. E como boa julgadora cultural que sou (todas nós somos um pouco, admitam!), eu torcia o nariz e dizia para mim mesma: “até parece que um dia farei isso, que coisa de gente doida, esses alemães são todos loucos, nunca vou pegar essa mania.

Pois bem, estou eu aqui, 1 ano e meio depois, despida de julgamentos, sem vergonha nenhuma de admitir e assumir que peguei MUITAS manias e costumes deles que antes eu achava bizarro e que, hoje, alguns eu amo e não vivo sem.

É sobre eles que falarei nesse texto, vamos lá!

A primeira mania, ou costume, como prefiram chamar, que eu de cara observei que o povo aqui tem é de tirar os sapatos para entrar dentro de casa, seja na sua própria ou de qualquer outra pessoa. Quando eu ainda morava no Brasil e lia em blogs e matérias sobre a vida na Alemanha e citavam isso, eu já falava: “sério, que frescura tirar os sapatos pra entrar em casa, onde já se viu, pra quê isso?” Pois bem, o motivo, pelo que pesquisei e conversei com alguns alemães a respeito é muito pela higiene mesmo, pois os sapatos trazem sujeiras da rua e eles não gostam disso dentro das suas casas. Hoje vocês me perguntam: “E ai Mah, pra entrar na tua casa precisa tirar o sapato?” E eu respondo com todas as letras: “S-I-M!” As coisas mudam, não é mesmo!? Eu peguei esse hábito e hoje acho maravilhoso, não entendo como as pessoas entram dentro de casa com sapatos, e quando vejo alguém fazendo isso, me dá até aflição, pra vocês verem o quão eu me adaptei e amei esse hábito.

Mania ou costume número dois: Essa não é mania, e sim mais um hábito mesmo, que é a coisa mais linda e maravilhosa que eu acho nessa vida: jogar o papel dentro do vaso! Sério gente, não ter papel sujo dentro do lixo do banheiro trás uma leveza para o ambiente, tirando que melhora até a limpeza, o cheiro e tudo! Isso eu sei que é um hábito, pois aqui a maioria dos banheiros tem estrutura e são feitos para isso, o encanamento funciona, etc. No nosso Brasil, em alguns lugares, isso não teria como acontecer e talvez por isso temos a mania de colocar papel dentro do lixo, não é culpa nossa, e sim dos malditos canos!

Outra mania da galera aqui é fazer um rancho no supermercado no sábado, pois como algumas já sabem, aqui na Alemanha, tudo fecha aos domingos, tudo mesmo, supermercados, farmácias, padarias, shoppings… É o dia de descanso, como eles costumam falar, e com isso, um dia antes, no sábado, o povo vai ao supermercado e compra GERAL, como se estivesse prestes a acontecer o apocalipse zumbi (sem exageros!). Eu, como antiga julgadora cultural, (pois hoje não julgo mais NADA, apenas aceito) achava muito louco e engraçado, as pessoas desesperadas comprando tudo que viam pela frente sendo que é só um dia de supermercado fechado, sabe? Então vocês me perguntam: “E ai Mah, como tu faz no sábado? Compra muito no super?” E eu respondo: “SAI DA FRENTE QUE A LOCA DAS COMPRAS CHEGOU, O APOCALIPSE ZUMBI ESTÁ CHEGANDO!” Brincadeiras a parte, mulherada, sim, eu hoje fico igual ou pior que eles, preciso ir ao mercado e encher o carrinho no sábado para não passar fome no domingo, mais ou menos por ai.

Outra mania que eu peguei com tudo da galera daqui – e para mim é muito boa – e no fundo acredito que eu já tinha ela guardada dentro de mim lá no Brasil, é a mania de levar lanche e marmitas para todo lugar. Aqui se olhar o povo na rua eles tão sempre comendo, seja um pão (como comentei no meu texto sobre os doces aqui) ou sua própria comidinha. Eu AMO essa mania, acho ela saudável, prática, econômica e divertida, pois parece que sempre estamos fazendo um piquenique, seja para irmos viajar, ou apenas para sair para o trabalho. Organizar um lanchinho para sair de casa virou um hobby para mim, e agradeço aos alemães a me incentivarem a isso.

Eu poderia seguir citando mais um monte de manias, costumes e hábitos que eu adquiri ao longo desse tempo aqui, mas acredito que esses são os mais diários mesmo, que eu queria compartilhar com vocês.

E a melhor coisa nessa história toda de adquirir hábitos de outras culturas é que isso nos torna cada vez mais cidadãos do mundo, sabe?

A gente pega um hábito bom daqui, junta com um antigo bom dali, tira os hábitos que achamos ruins e não se adaptam mais a nossa rotina, e seguimos na construção de cidadãos mais completos e cheios de cultura. Quer coisa melhor que isso? Que venham novos hábitos e manias, que eu tô prontinha para adquiri mais uns novos e bacanas por aí.

E vocês, quais foram os hábitos que adquiriram no país onde moram ou já moraram?

Leia sobre o Norte da Alemanha e suas peculiaridades

13 Comentários

  1. Tudo uma questao cultural mesmo. Sem sapatos dentro de casa, achei que era só coisa de japonês. Hum….não sei se concordo. Agora aqui, temos um péssimo hábito que eu sempre critiquei que é guardar os sapatos dentro de armários, perto das roupas e quase sempre tudo isso fica no quarto de dormir. Fazer compras aos sábados acho que é pq em muitos países o pagamento de salários é semanal.

  2. Adorei a mania de tirar os sapatos pra entrar em casa. Achava que isso acontecia só no Japão e na Índia.
    Sinceramente, acho muito higiênico. Trazemos nas solas dos sapatos todo tipo de resíduos sujeira das ruas. Aqui no Brasil isso só acontece em casas de lugares mais rústicos, como área rural e vilas praianas, para evitar a terra ou areia no piso das casas e não exatamente por causa da imundice invisível das solas dos calçados.

  3. Meu hábito adotado na Alemanha? Andar pelada na praia! Tanto faz se for na Alemanha ou na Espanha. Meu corpo não conheçe marquinha de biquíni faz anos!

  4. Morando em Hamburg, peguei hábitos que não largo. O primeiro ebmais marcante é o apreço pelo silêncio em casa. No Brasil sempre tem algum ruído o tempo todo. Em geral é a TV, mas pode ser um ventilador ou ar-condicionado onde é quente, e certamente o barulho da rua. Em toda casa brasileira ao menos a janelinha do banheito ta sempre aberta. Na Alemanha é tudo um silêncio tumular. Não tem tv o tempo todo, nem outros aparelhos ligados desnecessariamente. E da rua pouco se ouve por causa das janelas. Ouvir a propria respiração ao ler um livro é algo muito louco. E enquanto antes de me mudar pra Alemanha isso não me incomodava, esse barulho constante é fator fundamental quando procuro lugar pra morar no Brasil.
    Tem também a mania de separar lixo, mesmo q na cidade q moro não tenha coleta seletiva.
    Outra mania foi desapegar das marcas e sair procurando sempre o melhor preço. Virei um Schnäppchenjäger no melhor sentido. Isso pq na Alemanha os produtos genericos sempre foram mto bons, como me recomendaram colegas. Hoje mabtenho o hábito. Mesmo que no Brasil isso as vezes signifique fazer algumas experiências ruins. Mas aí basta riscar aquela marca das opções viáveis e continuar caçando produtos bons e em conta.
    Finalmente acho q uma mania boa foi de separar trabalho e lazer de forma bem definida. A cultura brasileira prima pelo relacionamento acima da coisa (Sache) o que faz com que muito tempo se perca na construção de um relacionamento a fim de conseguir uma coisa. Você “fica amigo” de caixa de mercado, frentista de posto, atendente de telemarketing etc, só pra conseguir pagar compras, abastecer um carro ou fechar um contrato de telefone. O alemão, pelo contrário, se.concentra na coisa q foi fazer e não perde tempo com um relacionamento inútil. Assim sobra mais tempo pra coisas úteis. No Brasil sofro ainda com essa.mudança, com essa objetividade. Sobretudo no trabalho, onde se marca uma reunião pra marcar a próxima reunião sobre um assunto. É muito desperdício de tempo.

  5. Eu morei em Colônia por quase um ano e meio e um hábito que adquiri com os alemães foi tomar muito chá. Seja antes ou depois das refeições. Outra coisa que aprendi com o jeito alemão objetivo de ser foi a dizer “não” sem muitos rodeios mesmo que isso soe às vezes grosso para muitos aqui no Brasil.

    • Oi Felício! Essa do chá eu não sabia! Adoro um chazinho tambémmm! Coisa boa! E essa do dizer não realmente é um pouco assustadora pra gente no começo, mas como você falou é uma boa mesmo ser um pouco mais direto que a gente, né mesmo? Obrigada por ler e comentar!
      Um beijo, Mah.

  6. Eu adoro tuas postagens!!!! São muito úteis para a gente programar as viagens!!! Sou brasileira descendente de Alemães. Moro no Rio Grande do Sul. Amo ir para a Alemanha pelo menos 1 x por ano! Este ano queremos conhecer Hamburgo!Aqui no sul consevamos muitos hábitos alemães!

    • Oi Eliane! Que bommm que gostas dos textos, fico muito feliz e linsogeada! 😉 Vão pra Hamburgo mesmo, é uma cidade linda, certeza que irão amar! Se quiser dicas me escreve comt teu e-mail que te passo alguns! Um beijo e obrigada por comentar

  7. Nunca tive o hábito de jogar papel higiênico sujo na lixeira. Aprendi desde criança que o certo é jogar no vaso sanitário. O problema é que as construções mais modernas aqui no Brasil já vêm com um encanamento podre, onde papel higiênico realmente pode causar entupimento e obstrução da água. Construções mais antigas não têm esse problema. Mas eu não me rendi: no prédio em que moro atualmente, que é novo, jogo um pedaço de papel e dou descarga por vez, e assim adiante. Não há necessidade de uma infraestrutura tão ruim, mesmo no Brasil.

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