Onde menos é mais

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Quando eu e meu marido decidimos nos mudar do Brasil, nosso maior objetivo era ter mais qualidade de vida. Hoje depois de mais de um ano que deixamos para trás o Brasil com nossa família e amigos queridos, para vir morar na Escócia, eu vejo que nós conseguimos muito mais do que tínhamos por muito menos do que o Brasil nos exigia.

Segurança

A gota d´agua para nossa decisão de sair do Brasil foi um assalto que meu marido sofreu em 2014 perto de casa quando voltava de carro da academia por volta das 21h. Em São Paulo morávamos em uma casa com cerca elétrica, câmeras, alarme, cachorro e seguro residencial. Tínhamos um custo fixo anual altíssimo de seguro dos carros. E vivíamos sempre em alerta e com medo de sermos as próximas vítimas da violência urbana. Hoje vivemos em Glasgow, a terceira maior cidade do Reino Unido, moramos a 10 minutos de trem do centro da cidade, e vivemos sem medo e sem todos aqueles custos. Essa sensação é muito difícil de imaginar quando se mora no Brasil. Quando amigos que moravam no exterior falavam sobre isso, eu achava que era exagero. Mas hoje eu acho que só morando fora mesmo para você acreditar que isso é possível.

Transporte

São Paulo é muito grande, tudo é longe, o transporte público é perigoso e insuficiente, então sempre tivemos 2 carros para nos locomover para trabalho, escolas, médicos, família, etc. Hoje ainda não temos carro aqui porque precisamos de uma nova habilitação, mas após 8 meses morando em Glasgow (moramos na Irlanda quando viemos do Brasil), vemos que ter carro vai nos dar mais mobilidade e facilidade, mas não ter carro é muito mais seguro, confortável e acessível do que em São Paulo. Todas as classes sociais usam o transporte público que funciona muito bem através de trens, que é o meu preferido, ônibus, metrô que é bem restrito e os táxis que não custam o olho da cara como no Brasil.

Escola

Meus filhos sempre estudaram em escola particular no Brasil. Todo início de ano o orçamento estourava devido aos custos com anuidade, material, uniformes, escola de Inglês. Não cursavam as consideradas melhores escolas de São Paulo, mas sempre nos preocupamos em escolher escolas com boas referências e bem classificadas no ranking. Tiveram uma boa formação escolar, mas limitada também pelo currículo escolar obrigatório do MEC que precisa urgentemente ser modificado : menos quantidade e mais qualidade. Hoje na Escócia, eles estão estudando em escolas públicas onde o material também é fornecido pela escola, todos os alunos usam uniforme e o sistema de ensino é considerado um dos melhores do mundo. E além de tudo isso, não precisamos mais pagar escola de Inglês!

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Saúde

Como grande parte da população brasileira, nós também pagávamos convênio para não depender do SUS. Pagávamos um convênio caro para manter o padrão que sempre tivemos trabalhando em grandes empresas e tínhamos um atendimento muito bom, mas totalmente privado. Hoje na Escócia usamos o serviço público (NHS – National Health Service) e já tivemos experiência em clínicas e em hospital, e o atendimento foi no mesmo padrão que tínhamos em São Paulo, com o bônus de ter todos os remédios também fornecidos pelo governo.

Consumo

Aqui ninguém vai te olhar diferente se você vestir a mesma roupa do verão passado, ou não combinar o vestido com o sapato, ou não tingir os fios brancos. Enfim você se sente à vontade para se vestir como quiser porque todos fazem o mesmo e você não vai se sentir diferente nem chamar a atenção. Por aqui é muito comum comprar tudo, inclusive roupas, em lojas de segunda mão, o que mais uma vez faz com que você gaste menos sem se sentir pior por isso. Essa falta de ostentação se aplica a tudo : carros, casas, móveis. As casas normalmente são muito parecidas o que faz com que você não identifique se a pessoa é rica ou não pela aparência da casa. A prioridade na vida dos escoceses é : educação, cultura, natureza e viagens.

Lazer

As pessoas aqui se divertem muito com muito menos do que no Brasil. Muitas vezes desistimos de ir a algum evento em São Paulo porque não conseguíamos estacionar o carro ou tinha filas intermináveis para chegar ao evento ou para aproveitar as atrações. Já fomos a vários eventos aqui e além de ser muito organizado, é muito simples com pouca atrações, poucas barracas de comida e souvenirs, mas com muitas famílias, muita atividade relacionada à cultura do país e muita alegria e orgulho nacional. Até mesmo no show do Coldplay em Glasgow, foi tudo muito organizado, sem ter que dormir na fila por um bom lugar na pista nem enfrentar trânsito para chegar ao local.

As festas de aniversário de crianças aqui também são totalmente diferentes do Brasil. Nada de buffets para 100 pessoas por 4 horas. As festinhas não duram mais que 2 horas em pequenos espaços de lazer em shopping e não têm mais do que 10 crianças convidadas.

Menos por mais também se reflete na forma como eles viajam : fazem caminhadas pelo país, viajam de bicicleta, viajam de trailer, hospedam-se em caravan parks ( parques de lazer com bangalôs de madeira por todo o país).

Para mim e minha família esta troca está sendo muito rica em qualidade de vida, cultura, oportunidades e crescimento pessoal.

18 Comentários

  1. Adorei seu otimismo e a forma como descreveu os comparativos dos paises, de onde somos e onde estamos. Moro ha muitos anos na Inglaterra e sempre enxerguei o estilo de vida e as prioridades britanica como voce Narister. Meu marido ria de mim, pq ele adorava o clima Brasileiro e nao se importava com as diferencas e sempre dizia que eu tinha um patamar de exigencia britanica. Enfim, voce me maravilhou com a sua exaltacao e por considerar um privilegio residir na Escocia.

    • Obrigada Juraci. Eu realmente me sinto privilegiada por recomeçar com minha família aqui na Escócia. Estamos aprendendo muito com o ‘british way of life’.
      .

  2. Sempre admirei esse país, o clima me encanta (amo aquele tempo nublado e chuva) o inglês escocês é lindo, apesar deu ainda não saber inglês mas ouvindo musica,assistindo filmes/séries legendada tenho uma noção da ‘diferença’ emfim, são pouco os sites/canais no youtube onde mostra a vida na Escócia, então nunca consegui saciar minhas duvidas, só é possível morar por ai com visto de trabalho ? ficar os meses do turismo e continuar sem status como muitos fazem nos U.S é mais difícil ??

    • Gabriel, você tem razão. A Escócia é um país encantador apesar do clima frio (agora está nevando lá fora), e o povo com seu sotaque peculiar também é muito caloroso e divertido. Sobre as condições de trabalho aqui eu pretendo escrever futuramente aqui no blog, mas já te adianto que por enquando a melhor forma de vir trabalhar aqui é tendo a cidadania europeia mas isso também pode mudar no futuro quando o Reino Unido sair da Comunidade Européia. Ficar aqui sem visto de trabalho eu não seí se é mais do que nos EUA mas com certeza não é fácil. Ainda mais agora que o Reino Unido optou por sair da Comunidade Europeia. Tem um post que a nossa colunista Daniela Madureira escreveu sobre emprego na Escócia. Dá uma olhada http://www.brasileiraspelomundo.com/escocia-a-procura-de-emprego-50129412.

  3. Legal! Embora conheça a Europa, EUA e alguma coisa da África, minha esposa e eu optamos por morar em nossa propriedade rural no interior de minas gerais. Achamos, no entanto, que a experiência de moradia fora do país deve ser extraordinária. Seria bom relatarem sobre trabalho. Abraço.

  4. Minha esposa e eu estamos em uma trajetória muito similar a da Narister. Apesar de estarmos na Escócia a pouco tempo, compartilho as impressões e sentimentos dela.

    Glasgow não é tão popular no mapa de brasileiros como Londres, Dublin, Paris, Miami e afins, o que é uma pena. Se existe um tamanho ideal para uma cidade Glasgow atingiu a marca.

    Um único adendo (e perdão se isso soar áspero): Essas são as impressões de famílias que entraram no país legalmente, devidamente empregadas e assessoradas. Existem canais para isso, com ou sem cidadania européia. Vir para cá ilegalmente te coloca em outra realidade (de subsistência) que eu definitivamente não recomendaria para ninguém.

  5. A parte do transporte, segurança e etc são interessantes mesmo, ainda mais comparando com a realidade de SP. SP é absurda nesse ponto, acho que nem é questão de ser Brasil, pq existem capitais menores e com mais mobilidade e segurança, e sim por ser GIGANTESCA e densamente povoada. É pesado mesmo e gostaria MUITO de sair daqui também hahahahah

    Quanto à escola, eu devo discordar porque acho que não podemos/devemos generalizar. Sempre estudei em escolas públicas e tive uma educaçao muito boa. No Brasil a classe média é fissurada pelo ensino particular, algumas vezes por medo ou ignorância. Quem vive em bairros bons (como Pinheiros ou Vila Madalena, em SP) não deveria temer colocar os filhos numa escola estadual do bairro. Cada caso é um caso, então acho complicado falar como se o custo com educação no Brasil fosse algo 100% imposto e do qual não dá pra se desvencilhar, como é o caso dos custos com mobilidade.

    • Olá Carolina. Obrigada pelo comentário. Acho que você tem razão a respeito de melhores condições de transporte em cidades menores, mas a questão de segurança eu acho que é generalizada. Tenho amigos que moram em cidades bem menores no interior do Brasil, e também vivem com medo.
      Eu também estudei em boas escolas públicas até o segundo grau, e hoje vejo que na minha época eram melhores. Tenho certeza de que ainda existem boas escolas públicas no Brasil, mas acredito que não sejam a regra, infelizmente. Mas como você disse, cada caso é um caso.

    • Olá Gabriel. Pelo que vi neste um ano e meio aqui na Escócia, e pelas experiências e notícias de que tenho conhecimento o povo escocês não é racista. Aqui tem muito imigrante (menos que na Inglaterra) e eu vejo o povo convivendo muito bem com eles. Na escola do meu filho por exemplo tem crianças de mais de 15 nacionalidades diferentes, e diferentes religiões também, e convivem muito bem.

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