Mudar de país em 4 etapas – Parte 2

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Primeiro destino. Galway, Irlanda
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Em Agosto escrevi a Parte 1 deste tema detalhando as primeiras fases da nossa mudança : decisão e planejamento. Falei sobre o que eu e meu marido consideramos importante ao escolher a Irlanda como nosso destino em 2015, e como um ano antes da mudança iniciamos nosso plano para garantir o máximo de segurança e conforto para nossa família.

Agora vou falar sobre como foram as fases de desapegar de tudo no Brasil, e começar de novo num outro país com nossos filhos.

Desapegando 

Depois de um mês que meu marido aceitou a proposta de emprego, ele viajou para Galway, Irlanda, para começar a trabalhar em 2 semanas. Levou pouca roupa, muito frio na barriga, e me deixou com os meninos e a árdua tarefa de vender, doar ou guardar tudo que é móvel, e alugar o imóvel, para nos juntarmos a ele em 3 meses. Enquanto eu cuidava do desapego no Brasil, ele cuidava de encontrar um novo lar pra nós na Irlanda. Neste post no Linkedin ele conta um pouco sobre o processo de empacotamento no Brasil, e de começo na Irlanda.

No Brasil, tinha uma casa nova e grande que montamos com a intenção de viver nela para sempre, portanto tinha muitas coisas que escolhemos com cuidado e carinho, e que doeu muito para desapegar mas… escolhi as mais ‘doloridas’ para guardar no apartamento do meu irmão, dei muita coisa para pessoas queridas, vendi uma boa parte através do boca-a-boca e de um grupo de amigos no whatsapp, e fizemos somente 2 malas para cada um com poucas roupas e alguns objetos pessoais.

Vendi os 2 carros para conhecidos, e a casa eu coloquei para alugar através de uma imobiliária. Eu e meu marido fizemos procurações separadas dando amplos poderes para pessoas de confiança nos representarem na assinatura do contrato de aluguel, e em várias outras situações. 

Durante este período meu filho mais velho já tinha deixado o primeiro ano do Ensino Médio, e estava fazendo aulas de Inglês particular em casa; e meu filho mais novo continuou no Ensino Fundamental e na Escola de Inglês até um mês antes da nossa partida. O impacto desta mudança na vida dos meus filhos é um assunto para um outro post, mas de uma forma geral eles encararam de uma forma bem positiva e tranquila, certos de que estávamos buscando o melhor para a nossa família.

Gastei bastante tempo e dinheiro também com documentação para levar e para deixar no Brasil : copiar, autenticar, reconhecer firma, legalizar na embaixada… certidões, certificados, históricos escolares, RG, passaporte, procurações… Mas nestes 2 anos o único documento que usamos no Brasil foi procuração, e fora do Brasil foi passaporte. Nas escolas dos meus filhos, tanto na Irlanda quanto na Escócia, nunca pediram nenhum documento das escolas do Brasil. Eles foram matriculados no nível correspondente à idade deles, independente do histórico escolar.

Os 3 meses desde a ida do meu marido para a Irlanda passaram bem rápido, pelo menos pra mim no Brasil. Resolvi tudo, comemorei o último aniversário do meu pai com minha família, chorei em muitas festas de despedidas, juntei os trapos e embarquei com meus príncipes rumo ao Velho Mundo, e à Nova Vida.

Começando de Novo

Depois da dor da despedida no Brasil, veio a insegurança sobre a entrada na Irlanda. Levei uma pasta cheia de documentos para responder a qualquer pergunta da Imigração na conexão em Londres,  e na entrada na Irlanda. Mesmo assim tive muito medo da Imigração no aeroporto acabar com nosso sonho de mudar de vida.

Chegamos em Galway no dia 12 de Junho de 2015. Dia nublado, cinza, mas iluminado pela emoção do nosso reencontro depois de 3 intensos meses.

Meu marido com a ajuda dos queridos donos do pequeno hotel em que ele ficou por um mês, alugou uma casa mobiliada, comprou os itens básicos de cama, mesa e banho; e quando chegamos a nossa casa estava montada com todo o conforto. Antes de chegarmos ele também buscou informações nos sites do governo e com os novos amigos irlandeses, sobre as melhores escolas públicas para os meninos. Quando chegamos eles já estavam matriculados; mas como chegamos em Junho, as aulas estavam terminando, e os meninos só começariam a estudar em Setembro.

Aproveitamos os meses de férias para viajar bastante pela Irlanda, melhorar o Inglês, e nos acostumar com o nada agradável clima irlandês : chuva, frio e vento forte quase o tempo todo. 

Entre passeios e crises de saudades do Brasil, fomos descobrindo a Irlanda : país lindíssimo, cheio de história, paisagens verdes a perder de vista (não é a toa que é chamada de ‘Ilha Esmeralda’), e um povo muito alegre e simpático. No trabalho, na escola, na rua, nos eventos, encontramos sempre pessoas sorridentes e solícitas. Neste post no Linkedin meu marido fala sobre as nossas primeiras impressões da Irlanda.

Enquanto meu marido trabalhava, eu estive muito ocupada em ajudar os meus filhos a se adaptarem. Não foi nada fácil para eles começar de novo : língua, amigos, cultura, clima, comida, falta da família, cidade pequena. Foram muitos desafios que nos uniram muito, nos fortaleceram, e nos prepararam para outras mudanças que viriam. A experiência de morar fora do seu país é extremamente enriquecedora e dolorosa como já contei aqui . É muito importante que todos os envolvidos estejam muito conscientes e unidos para alcançarem os objetivos. Graças a Deus, nossa família foi muito iluminada e forte para encarar e vencer os perrengues.

Depois de uns 4 meses morando na Irlanda, meu marido começou a receber propostas de trabalho melhores em vários países. Como ainda estávamos em processo de adaptação, e ainda não tínhamos certeza de que Galway era o melhor lugar para nós, começamos a considerar a possibilidade. Galway é uma cidade de cerca de 90.000 habitantes, muito linda, limpa, turística, com um povo muito alegre, mas com as limitações de uma cidade pequena em relação a emprego, moradia, lazer, escola. Achamos que seria melhor morar numa cidade maior com mais oportunidades, sem abrir mão da qualidade de vida européia.

Foi então que surgiu a oportunidade em Glasgow, e depois de muita pesquisa,conversas, comparações, dúvidas, medos …decidimos que valia a pena arriscar. A preocupação maior eram os meninos : o mais novo já estava bem adaptado na Irlanda, e o mais velho ainda tinha muita dificuldade para se relacionar e para esquecer o Brasil. Ficamos com medo de mexer com eles de novo, mas de novo eles foram o motivo principal da mudança. Uma cidade maior no Reino Unido traria muito mais futuro para eles.

E assim a nossa família se preparou para mudar de novo : desapego, mudança, e recomeço em outro país. Foi mais fácil desta vez porque não deixamos família na Irlanda, e não deu tempo de criar laços mais profundos com os amigos que fizemos. Além disso já estávamos mais acostumados com a língua, a cultura, o clima, a comida, que são muito parecidos com os da Escócia. O povo também é muito parecido porque muitos irlandeses migraram para a Escócia no passado, e quase todo escocês tem um parente irlandês. 

Glasgow tem todas as facilidades e vantagens de ser a terceira maior cidade do Reino Unido, e oferece a qualidade de vida esperada de uma cidade que é considerada também a segunda mais verde. Por tudo isso, hoje, um ano e meio depois de chegarmos em Glasgow, estamos muito felizes com nossa escolha, e não pretendemos nos mudar de novo tão cedo.

Espero que estes 2 posts tenham sido úteis para quem pensa em morar fora do Brasil, mas se tiver alguma dúvida específica pode escrever nos comentários que eu respondo com o maior prazer.

Leia mais sobre o whisky escocês!

8 Comentários

  1. Esperei ansiosamente pela segunda parte do seu relato! Muito obrigada por compartilhar conosco esse momento tao dificil e ao mesmo tempo especial na vida de vcs. Aqui estamos comecando as pesquisas, e um sonho q eu sempre tive (de morar fora) agora se aliou a necessidade de assegurar que minha familia tenha acesso a educacao e principalmente, seguranca de qualidade. Estamos planejando ir daqui a uns 2 anos, meu esposo esta a concluir a segunda graduacao na area de TI, meu receio esta pelo fato de que nao temos nenhuma cidadania que facilite nossa entrada na Europa. Mas vamos com fe, ninguem disse que seria facil ne?

    Beijos!

    • Oi Livia. Fico feliz que nossa experiência possa ajudar nas suas pesquisas. Para nós também assegurar educação e qualidade de vida para nossa família foi o motivo decisivo. Aproveite o tempo que vocês têm para planejar com calma. A área de TI é globalizada, e tem muita vaga para estrangeiros. A cidadania europeia aqui facilitou muito, mas conhecemos brasileiros que trabalham em TI aqui com a cidadania patrocinada pela empresa que contratou. Isso depende da necessidade da empresa x o perfil do candidato. A Cristiane Leme falou aqui no BPM noutro dia sobre a grande procura por profissionais de TI na Dinamarca (http://www.brasileiraspelomundo.com/procura-se-profissionais-de-ti-na-dinamarca-041455072 ), e Portugal também está ampliando bastante as oportunidades para tecnologia. Fique atenta, e corra atrás do seu sonho. Boa sorte, e obrigada pelo comentário.

  2. Ótimo teus relato.estou verificando o melhor local.sou enfermeira, tenho mestrado e um filho de 4 anos.quero muito ir para Escócia, porém tenho q verificar bem o melhor caminho pois com filho pequeno fica mais delicado.muito obrigada, sigo meu sonho.

    • Ola Simome. Obrigada pelo seu comentario. Como voce sabe o Reino Unido esta saindo da Comunidade Europeia e nao sabemos ainda como ficarao as regras para europeus e nao europeus, mas de qq forma e mais facil se voce tiver cidadania europeia. E quanto a sua profissao, se informe nos orgaos do Brasil e da Escocia sobre a validade do seu diploma de enfermagem e de seu mestrado. Va atras do seu sonho, e boa sorte.

  3. Adorei Narister, obrigada por compartilhar!

    Estamos com uma proposta de emprego para o meu marido em Glasgow, tenho uma filha de 7 anos, o que me deixa mais motivada e angustiada é justamente ela, contraditório né rs, sei que será maravilhoso pra ela e ao mesmo tempo penso na adaptação, gostaria muito de saber como são as escolas, ela fará 8 anos em dezembro, como seria recebida sem falar inglês fluentemente?

    • Oi Debora. Os filhos sao nossa maior motivacao e maior preocupacao mesmo, mas pela minha experiencia eu te digo que eles ‘tiram de letra’. Primeiro fui para a Irlanda, e meu filho mais novo chegou la com 7 anos, e falando nada de Ingles tb (apesar de que frequentava curso de ingles em SP). Saimos da Irlanda depois de 5 meses, e ele ja estava super enturmado e fluente no ingles com sotaque irlandes. Chegamos em Glasgow onde o sotaque e muito diferente, e ele com 8 anos teve que se adaptar, e em um mes estava fluente de novo. Todas as escolas aqui tem criancas de varias nacionalidades diferentes (na escola do meu filho tem mais de 15 nacionalidades ) e estao preparadas para receber criancas que nao falam ingles. Inclusive as criancas tambem estao acostumadas com isso, entao os estrangeiros sao bem recebidos e se adaptam facilmente. Conheco varios brasileiros com filhos aqui, e estao todos fluentes e bem adaptados. Quando as criancas se encontram so falam em Ingles. Espero que voces venham mesmo. Boa sorte. Obrigada pelo comentario.

  4. Olá boa noite. Sou Luiz Roberto. Gostei muito de viajar pelos seus posts, rsrsrs. Somos uma família de 4 pessoas, com 2 filhos um com 19 anos e uma menina de 14, e todos nós temos cidadania Portuguesa . O garoto já está em Dundee, na Escócia desde Maio/17. Estamos pensando em irmos morar lá com ele. Confesso que não tenho curso superior, sou motorista executivo na Câmara de vereadores de minha cidade, e tenho experiência de quase 20 anos na área de pintura automotiva, já minha esposa é formada em pedagogia, e é professora eventual no município. Meu filho fala muito bem o inglês e está se adaptando muito bem lá, diz que não voltaria por nada, minha filha estufa no fisk já a uns 3 anos e fala pouco o inglês , eu fala razoavelmente e tenho estudado diariamente para o melhorar e minha esposa não fala nada. Mas hoje o que mais me preocupa é o Brexit, o que vc poderia me dizer em relação á esse assunto tendo em vista que vcs são família da UE e vivem no UK ,país que se manifestou no sentido de deixar a UE. O que dizer ao certo de “assegurar os direitos aos cidadãos da UE” em concreto até o momento. Muitíssimo obrigado pela sua atenção e sucesso.

    • Ola Luiz Roberto. Obrigada pelo seu comentario. Que bom que seu filho esta gostando daqui ! Ter cidadania europeia ajuda muito, mas realmente essa decisao do Reino Unido de sair da UE nos deixa com muitas duvidas. Eu particularmente acho que nao vao mexer com quem ja esta aqui regularizado e cumprindo com os deveres, mas pode ser que dificultem para os novos imigrantes. Em concreto ate o momento nao tem nada. Hoje mesmo a Primeira Ministro fez pronunciamentos que nos deram a entender que nao avancaram nada nas negociacoes e que pode ser que nao haja acordo entre UK e UE, o que sera um caos para todos. Enfim…nao temos certeza de nada, e vamos vivendo um dia de cada vez e aproveitando ao maximo a experiencia. Desculpe nao ter nada de concreto pra te dizer sobre isso.

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