Peru – Trabalhar no Peru

8
807
Advertisement

Quando me mudei para o Peru, mais precisamente para Arequipa, deixei tudo no Brasil, inclusive, meu trabalho e a vida cansativa de sair cedo e chegar tarde em casa. Recém-casada, resolvi não trabalhar, até porque achava impossível conseguir um trabalho aqui principalmente pela insegurança por não falar o idioma. Então, comecei a me dedicar a vida de casada e achava sensacional minhas férias prolongadas. Meu esposo saia cedo para trabalhar e eu aproveitava para dormir até meio dia, acordava, comia alguma coisa, e? Assistia TV, dormia de novo e no fim da tarde quando meu esposo chegava e eu já tinha cozinhado algo para ele.

Essa sempre foi a vida que eu queria. Quando estava no Brasil, me lembro que em dias de muito estresse no trabalho, eu falava, “ Que bom seria casar, não trabalhar, poder acordar tarde, etc.”

Até que meu sonho se tornou realidade. Passou um mês, dois meses e a rotina era a mesma. Não conhecia muita gente, não conhecia a cidade, não sabia como tomar um ônibus e sair. Logo, isso começou a me incomodar e eu já não tinha mais o desejo de ficar só em casa apenas limpando e cozinhando. Na verdade, já estava cansada dessa monotonia.

Aos poucos, meu esposo me falava dos lugares para onde íamos, que ônibus tomar, me ensinava a chegar nos principais lugares que sempre costumávamos ir, mas eu tinha medo e meu esposo também. Ele achava perigoso eu sair sozinha por ser estrangeira e pensava que podiam me roubar, sequestrar, me perder e muitas outras coisas.

Passaram-se mais alguns meses e meu medo de sair sozinha foi diminuindo. Na verdade, sair sozinha tornou-se uma necessidade, porque eu comecei a ficar estressada por ficar muito tempo em casa. Comecei saindo até a padaria, até a casa da sogra, depois até o mercadinho do bairro mas, muitas pessoas às vezes não me entendiam, eu ficava frustrada e voltava para casa. Depois disso, comecei a ter mais confiança e a deixar de me importar se eu falasse algo errado, e assim, as pessoas começaram a falar comigo, perguntavam porque eu estava no Peru, querendo saber um pouco da minha história.

Me recordo de um dia, em que eu e meu esposo discutimos por algo bobo e nesta situação, tomei a atitude de sair sozinha e tomar um ônibus. Senti medo, mas deu tudo certo.

Fui aos lugares que já conhecia, voltei para casa depois de algumas horas bem e feliz. Depois desse dia, já saia para outros lugares enquanto meu esposo trabalhava. Ele também já estava ficando mais tranquilo e perdendo o medo.

Trabalho

Estando mais segura, decidi buscar um trabalho para fazer qualquer coisa, para fazer amizades, melhorar o idioma e ganhar uma grana.

Comecei a buscar e nada. Sabia que não conseguiria arrumar algo na minha profissão, por vários fatores que incluem escrever e falar bem o espanhol. Até que acabei encontrando um trabalho que aceitavam estrangeiros. Na verdade, só depois descobri que eles aceitavam qualquer um, porque era uma verdadeira exploração. Eu saia cedinho de casa e tinha que passar o dia inteiro caminhando vendendo uns catálogos, era um trabalho de venda porta a porta. Chegava em casa só a noite e exausta, tudo o que eu queria era minha cama. Aguentei 15 dias.  Já não conseguia cuidar do meu marido, da casa e de mim que voltava morta e com muitos calos nos pés.

Descansei um mês e voltei a buscar trabalho, algo que fosse mais tranquilo. Então, comecei a ir em lojas para trabalhar vendendo roupas ou o que fosse. Vi um anúncio em uma loja de suplementos para quem faz academia, esses suplementos para desenvolver músculos. Deixei um currículo e me chamaram no outro dia. Logo comecei a trabalhar e a cada dia que passava eu gostava mais. Fiz muitas amizades, aprendi tudo sobre os suplementos e como eu trabalhava nessa loja, tinha o benefício de fazer academia grátis.

Me sentia muito feliz, vendia muito, todos compravam comigo, era muito legal nesse momento ser de outro país, ainda mais do Brasil que todos por aqui amam muito e desejam conhecer. Fiquei 6 meses nesse trabalho, até que um dia, meu telefone tocou, e uma porta de trabalho muito boa se abriu para mim.

Quando eu trabalhava vendendo produtos porta a porta, fiz muitos contatos. Naquela fase, teve um dia que fui a um colégio e pedi para falar com a diretora para vender esse catálogo. Conversando com ela, perguntei se gostariam de ensinar ballet ou português para as meninas e deixei um currículo pensando em uma oportunidade.

Essa oportunidade chegou muitos meses depois com o telefonema que recebi. A diretora me propôs trabalhar no colégio por ter feito dança. No início, me assustei porque eu ainda não falava 100% o idioma, mas aceitei.

Comecei 2 dias depois de ter recebido o telefonema, tempo para finalizar o trabalho na loja e me despedir do pessoal.

No primeiro dia de trabalho na escola eu estava muito nervosa, mas fui muito bem recebida por todos alunos e professores. Mais uma vez, me senti feliz por ser estrangeira e por matar a curiosidade de todos que queriam saber da minha história.

Passaram-se 8 meses e estou trabalhando nesse colégio que é particular e um dos melhores da cidade. Tenho que dizer que estou muito feliz e agora, estou preparando uma apresentação para o dia das mães, com uma dança brasileira, o nosso famoso samba e tanto eu quanto as alunas, estamos muito animadas.

Compartilhe
Texto anteriorTaiwan – Alugando um imóvel
Próximo textoNoivado e casamento: costumes e superstições americanas

Jéssica é paulista de São Vicente, litoral do estado. É formada em Jornalismo e Web Designer. Mora com o marido peruano desde 2015 na cidade de Arequipa, no Peru, onde desenvolvem trabalhos sociais através de uma comunidade cristiana chamada Bola de Nieve. Adora dançar, praticar esportes e viajar. É apaixonada pela natureza e pelos animais. Do Brasil, o que mais sente saudades é da sua família, do clima e das praias.

Meu Blog – https://vemcegonha.wordpress.com

8 Comentários

  1. Oi Jéssica, tudo bem? eu amo seus posts! eu tenho uma pergunta e duas sugestões. sendo vamos lá para você não perder muito tempo lendo:
    1: como vc se casou com um peruano sem saber Espanhol?
    2: você poderia fazer um canal no Youtube e compartilhar suas experiências e conhecimentos sobre o Perú com mais pessoas.
    3: você poderia falar sobre relacionamento intercultural? [não que eu queira me meter no seu relacionamento. eu só quero entender como é o relacionamento com um estrangeiro, quando digo isso me refiro a diferenças culturais e etc….] [eu sei que já tem um post falando sobre isso, mas é mais focado na Dinamarca. você poderia fazer a versão ´Peruana´ desse texto. já que não é um tema muito falado]

  2. Olá sou soldador. Queria ir para o Peru para trabalhar. Como soldador. Não sei ce vou ter êxito em arrumar uma vaga..ja apareceu uma oportunidade. Mas não poderia ir motivo familiar. Vcs tem alguma. Informações sobre metalúrgica. Respeito de trabalho.

    • Oiii, tenho um amigo que é soldador, e ele trabalha em uma mina.
      Aqui tem muitas minas que estão sendo exploradas e sempre tem oportunidade para quem tem uma especialidade, como engenharias, eletricidade, soldadura etc
      A questão é conhecer uma pessoa que te indique para esses trabalhos.
      Responder

  3. Boa Tarde, sou professora de educação infantil e tenho experiencia como secretaria, meu marido como motorista. vc sabe se tem oportunidade de emprego nessa area? obrigada

Deixe um comentário

Por favor inclua o seu comentário
Por favor escreve o seu nome aqui