10 práticas europeias estranhas para os brasileiros

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Fonte: Pixabay

Uma das grandes vantagens da minha jornada pelo mundo é poder vivenciar hábitos e culturas diferentes e, muitas das vezes, estranhas para os brasileiros.

Como um dos focos do meu projeto pessoal é a sustentabilidade, tenho me hospedado em ecovilas, comunidades intencionais com foco no desenvolvimento local sustentável que, geralmente, ficam situadas fora dos grandes centros urbanos (ressalto este ponto porque o contexto das capitais ou outros ambientes fora das ecovilas pode ser bem diferente).

As dez práticas listadas abaixo foram vivenciadas durante o meu primeiro semestre de viagem pelo continente europeu. Confesso que a minha primeira reação foi arregalar os olhos, franzir a testa e fazer cara de alguém que acabou de aprender uma lição nova mas não compreendeu muito bem. Provavelmente, você leitor brasileiro também terá uma dessas reações. Compreensível! Afinal, desde a infância recebemos mensagens de diferentes emissores sobre o que é comum, tradição, “certo” ou “errado” em nossa cultura.

1Não tomar banho todos os dias

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Esta prática dos europeus é bem conhecida pelos brasileiros. A grande maioria deduz que eles não tomam banho todos os dias devido ao clima frio. Engano nosso! Vivi a primavera e o verão no velho continente e encontrei diversas pessoas que só tomam banho uma vez por semana, mesmo nas estações quentes. Arregalou os olhos? Relaxa! Eu passei dois dias sem tomar banho e não morri por isso, muito menos ganhei o troféu Cascão.

2Usar a mesma roupa durante a semana

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É muito comum, pelo menos nos ambientes em que convivi, as pessoas usarem a mesma roupa durante a semana. Isso no Brasil já seria motivo de vaquinha para ajudar o pobre coitado do amigo a comprar roupas novas. Gente, eles têm outras peças, só não veem necessidade de trocar todos os dias. Também não se importam com o que os outros vão achar, até porque poucos reparam nisto. Eu usei a mesma roupa durante uma semana e percebi que, com essa simples prática, eu podia eliminar vários quilos da minha mochila. É libertador!

3Trocar de roupa em público na praia

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Eu via muito gringo trocando a roupa íntima molhada pela seca nas praias do Rio de Janeiro, mas como lá a nudez em espaço público não é permitida, eles usam uma toalha ou canga como cabaninha. Ao contrário de nós cariocas que saímos da praia com a roupa de banho molhada, aqui eles ficam peladões em público para colocar a roupa seca. Fiz isso também, timidamente é claro, e não é que gostei da ideia? Biquíni ou maiô molhado pós-praia nunca mais!

4Tomar banho de mar calçado

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Salvo algumas exceções, a grande maioria das praias brasileiras é formada por areia. Chego eu na Croácia, deslumbrada com o mar cristalino, tirei a roupa e as sandálias e corri entusiasmada para dar o meu primeiro mergulho no mar Adriático. Não dei três passos! Voltei de gatinho (quatro apoios) para calçar as sandálias. Era impossível andar. Achei que estivesse nas praias cariocas de areia fina e não percebi que a praia era de pedras. Quando parei para observar os banhistas locais, estavam todos calçados. Esta prática não foi tão libertadora…

5Dormir com água salgada no corpo

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Pense num dia típico de verão brasileiro com vários mergulhos na sua praia favorita. A primeira coisa que você quer fazer quando chega em casa é tomar uma boa chuveirada para tirar o sal do corpo, não é mesmo? Às vezes a gente nem aguenta chegar em casa e já toma aquele banho de água “doce” no caminho. Os europeus que convivi na Croácia não. Para eles, o mergulho no mar pode ser considerado o banho do dia. E não é que entrei na onda e dormi com água salgada no corpo?! Não vou dizer que foi o sono mais leve da minha vida, mas também não deixei de dormir por isso.

6Cozinhar arroz e feijão juntos

Fonte: Arquivo pessoal Vanessa Tenório (www.voenessa.blog.br)

Em alguns países que visitei como Portugal, Suécia, Dinamarca e Croácia, eles serviram o arroz e o feijão cozidos juntos. Primeiro cozinham o feijão e, quando está quase pronto, adicionam o arroz. Tudo junto e misturado na mesma panela! Tirando o típico prato nordestino baião de dois, eu nunca tinha experimentado esse diferente preparo dos dois ingredientes que formam a base das refeições brasileiras.

7Comer comida fria no almoço

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Durante a minha primeira semana na Dinamarca, com temperatura média de 15° em pleno verão, tomei um susto quando a minha anfitriã serviu gelado para o almoço o peixe assado na noite anterior. Com as crianças na escola e os adultos no trabalho, os dinamarqueses têm o hábito de preparar algo rápido para o almoço. Preferencialmente, algo que não seja necessário cozinhar como pães, queijos, vegetais crus, embutidos e enlatados. Comida quente só no jantar que, normalmente, é servido às 18h.

8Comer sem talheres

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Outra prática que tive que me adaptar: comer com as mãos. O almoço dinamarquês referenciado no item 7, por exemplo, é servido na maioria das vezes sem talheres. A pizza, que nós brasileiros costumamos comer usando garfo e faca, é servida aqui na Europa no máximo com alguns guardanapos.

9Beber água da torneira

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Está aí um item que economizei bastante. Se comprei duas ou três garrafinhas de água durante um semestre de viagem, foi muito. A qualidade da água aqui é tão boa que os europeus bebem direto da torneira, sem filtro. Tenho bebido também, óbvio!

10Tomar café sem filtrar

Fonte: Arquivo pessoal Vanessa Tenório (www.voenessa.blog.br)

O café bósnio, assim como o turco, não é coado. Nos lugares em que me hospedei na Croácia, eles também preparam da mesma forma: fervem a água, acrescentam o pó e mexem até que o mesmo desça ao fundo. Também é adicionada um pouco de água fria na hora de servir para que o pó desça mais rápido. O último gole não deve ser tomado ou sua boca vai ser puro pó.

Sabemos que a diferença cultural entre os dois continentes é enorme. Neste texto, compartilhei apenas simples práticas do cotidiano que foram inicialmente estranhas para mim, uma brasileira carioca em sua primeira visita ao continente europeu.

Sigo desconstruindo padrões e aprendendo a respeitar e a conviver com a diversidade. Minha maior conquista de 2017!

Para conhecer um pouco mais da minha jornada de cinco anos em benefício da educação e da sustentabilidade, acompanhe os meus voos no blog Voe Nessa.

6 Comentários

  1. Olá Vanessa, primeiramente um 2018 cheio de realizações!
    Amei seu texto e minha paixão é ler sobre como é a cultura em diversos países.
    Quanto tempo você se planejou para viajar pelos 5 continentes?

    • Olá, Linda! Gratidão por sua mensagem carinhosa. Também desejo um ano de muita luz para você.
      Eu levei dois anos num processo de autoconhecimento tentando descobrir o meu propósito de vida. Quando descobri, o único planejamento que fiz foi de explorar um continente por ano. Como já tinha 10 anos de experiência viajando sozinha pela América do Sul, não me preocupei muito com o roteiro. Vou montando durante a jornada. 😉 Compartilho um link onde eu explico melhor esse processo: http://oviajante.uol.com.br/dois-sonhos/.

      No meu blog, você também encontra tudo sobre a minha viagem: http://voenessa.blog.br/

      Um forte abraço.

  2. Esse post aumentou muito minha alegria e orgulho de ser brasileira. Obrigada, meu Deus. Hahahhahaha

    Eu não troco minha roupa lavada e minha pele limpinha por isso não!

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