Procurar acomodação em Berlim

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Se você tem vontade de morar em Berlim, prepare-se! Logo de cara você vai se deparar com um pequeno desafio: achar onde morar e procurar acomodação, mesmo que temporariamente. Em texto publicado anteriormente aqui no blog, da Allane, tivemos uma visão mais geral de como fazer na Alemanha, em que sites buscar, quais os documentos necessários e termos importantes em alemão. Mas essas dicas focam mais em quem vai alugar um imóvel do zero, sem dividir com alguém. Agora, vou compartilhar minha experiência ao alugar um quarto em Berlim, além de acrescentar alguns detalhes importantes mais específicos da cidade e alguns segredos, na hora da busca.

Quando comecei a planejar minha vinda, a maior preocupação sem dúvida era achar um teto. Já tinha amigos e conhecidos aqui, mas não queria atrapalhar e também não me agradava a ideia de chegar em um lugar e ter que mudar uns dias ou semanas depois. Queria um lugar onde pudesse ficar pelo menos os 3 meses que pretendia passar de início.

Um amigo foi de grande ajuda e me indicou uma empresa para a busca: Medici Living. A Medici aluga quartos em apartamentos divididos em diversos bairros da cidade e por valores não tão absurdos, apesar de um pouco mais caros do que se você alugar com um contrato mais longo, diretamente com os proprietários ou sublocando quartos com pessoas que alugam diretamente do dono. Sim, aqui o processo é bem complicado. Poucas pessoas são donas de fato dos apartamentos, mas mesmo quem aluga pode sublocar e alugar um outro apartamento para viver, como faz esse meu amigo, por exemplo.

A realidade de Berlim tem mudado bastante. A cidade, que já foi conhecida pelos baixos valores de aluguel, atraindo artistas e gente do mundo todo para viver aqui, cada dia tem preços mais altos nos quartos e apartamentos, além de ser uma verdadeira luta conseguir algo que valha a pena financeiramente. O esquema dessa empresa foi, portanto, ideal para mim, pois eles fazem contratos de, no mínimo, 3 meses e a pessoa não precisa fazer entrevista com os moradores atuais. Ou seja, tudo pode ser acertado à distância.

Bom, e qual é a desvantagem? Justamente por tudo ser feito à distância, temos que confiar nas fotos do apartamento que eles divulgam no site e também não conhecemos as pessoas com quem vamos morar até que nos mudemos. Como o contrato é de no mínimo 3 meses, não se pode trocar de apartamento até que esse período acabe. E bom, aí é contar com a sorte mesmo… Outro porém é ter que pagar logo de cara uma taxa de 150 euros (não retornáveis) e um depósito de 750, que será devolvido no final, caso tudo esteja em ordem.

Considerando tudo isso, se você conhece alguém na cidade que ofereça uma hospedagem interessante por um mês, pode ser mais vantajoso aceitar e fazer a busca já estando na cidade. Outra dica boa são as comunidades no Facebook. Há pelo menos umas 10 diferentes de gente buscando casa e gente oferecendo quartos e apartamentos para alugar. Inclusive, existe um grupo somente de brasileiros, o que pode ser bem útil para quem não se vira bem no inglês ou no alemão. Grande parte dos grupos e anúncios são em inglês, mas às vezes aparecem pessoas anunciando em alemão também. WG, ou Wohngemeinschaft, é um termo muito utilizado em todas as línguas e anúncios e significa dividir apartamento ou apartamento compartilhado.

Uma dica que deixo aqui é fazer um anúncio interessante e ser bem objetivo, colocar o que você procura, para quanto tempo, pagando de quanto até quanto. E falar também sobre você, se está estudando ou trabalhando, fazer uma gracinha, dar informações importantes e atraentes, a ideia é se vender um pouco mesmo. Muita gente, ao ver seu anúncio, pode entrar diretamente em contato com você para marcar uma entrevista e conhecer o apartamento.

Sobre a difícil arte de dividir apartamento ou morar em um WG

Bom, esse é um tópico à parte. Após morar 4 anos sozinha em Atenas, tendo meu próprio canto, tive que reaprender a dividir apartamento aqui em Berlim. Como mencionei no texto anterior, a diferença de valores de aluguel é razoavelmente grande e o que eu pagava em um flat apenas para mim (entre 400 e 500 euros), aqui só consigo dar conta de um quarto para dividir com outras pessoas.

E não vou mentir, não é nada fácil voltar a dividir. A gente se acostuma com nosso cantinho e, de repente, ter que lidar com intrigas sobre quem deixou de lavar os pratos ou quem não levou o lixo para a rua, é bem desafiador. Logo ao chegar, em novembro, nesse primeiro apartamento em que morei, estava dividindo com 3 meninos, todos estudantes de 20 e poucos anos. A minha vontade ao chegar logo no primeiro dia, era de sentar e chorar. O flat estava bem sujo e largado e eu quase desisti e voltei correndo pra Atenas de mala e cuia!

Mas fui forte e resisti. Dei um jeito na sujeira, conversei com os meninos e, mesmo não sendo a situação ideal, consegui viver por 6 meses lá e conviver tranquilamente com eles, mas que luta! Há umas semanas me mudei, também para dividir, mas consegui através de uma amiga um ap bem mais sossegado. Persistência: essa é a palavra-chave para quem quer viver em Berlim, e abrir mão de certas regalias para nos adaptarmos a novas realidades.

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