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Professora de dança do ventre em Abu Dhabi

Professora de dança do ventre em Abu Dhabi

A dança do ventre, ou belly dance, é a sensual e encantadora dança relacionada ao Oriente Médio. Acredita-se que essa dança possa ter surgido há mais de 7 mil anos, tendo sido registrada no Egito Antigo, Babilônia, Mesopotâmia, Grécia e Pérsia. Hoje, é possível ver apresentações de dança do ventre por todo o globo, inclusive, claro, no Brasil e na própria terra das Arábias.

Para quem deseja ir além nessa arte que é capaz de deixar qualquer pessoa hipnotizada pela beleza de seus movimentos, é possível fazer aulas de dança do ventre, se beneficiando não só da atividade física que ela proporciona, mas também da sua habilidade em resgatar a autoestima de quem a pratica. Não é à toa que a dança do ventre é tão procurada por mulheres de todas as idades e em diferentes partes do mundo.

Nos Emirados Árabes, temos várias professoras de dança de ventre… Brasileiras! Isso mesmo: o gingado brasuca se encontrou com o requebrado oriental e diversas compatriotas atravessaram o Oceano para vir dar aulas de dança do ventre na região onde é atribuída a sua origem. Para mim, foi uma grande surpresa chegar a Abu Dhabi e descobrir que, se eu quisesse fazer aulas de dança do ventre, minhas professoras seriam brasileiras!

Pensando que mais pessoas poderiam ficar curiosas com esse assunto, resolvi conversar com a querida Sirlei Reis, gaúcha, bailarina e professora de dança do ventre que mora em Abu Dhabi há 6 anos e nos conta mais como é dar aulas de dança do ventre nos Emirados Árabes para alunas brasileiras, árabes e de várias outras nacionalidades.

Sirlei Reis. Foto: arquivo pessoal de Sirlei Reis

BPM – Onde ocorreu a sua formação como professora de dança do ventre? Já imaginava que daria aula nos Emirados Árabes?

Sirlei – Meu primeiro contato com a dança do ventre foi em 2003, na escola Rakaça Templo de Danças, com a minha querida e amada Professora Michele Trentin. Aprendi com ela vários tipos de danças (clássicas, cigana, tribal, folclórica…). Ao decorrer dos anos, participei de vários workshops, cursos e apresentações com a escola. Sempre amei dançar, mas nunca havia imaginado ensinar alguém a dançar. Então, em 2011, meu marido recebeu uma proposta de trabalho em Abu Dhabi e comecei a me preparar para esse novo desafio antes de embarcar nessa nova trajetória.

BPM – Você teve alguma dificuldade em entrar no mercado de trabalho daqui com a sua formação? Qual foi a maior facilidade e o maior desafio na hora de arrumar emprego como professora de dança do ventre em Abu Dhabi?

Sirlei – Não tive dificuldade em conseguir uma oportunidade de trabalho nesta área. Facilidade: como tive uma “QI” [quem indica], foi fácil conseguir a vaga. Dificuldade: a língua inglesa e árabe.

BPM – Você acredita que ser brasileira ajudou, atrapalhou ou foi um fator neutro na hora de conseguir emprego como professora de dança do ventre nos Emirados Árabes?

Sirlei – Ajudou. Minha professora Michele me passou alguns contatos de brasileiras que moravam nos Emirados, e foi com um desses contatos que consegui a oportunidade de mostrar meu trabalho e conseguir uma vaga.

BPM – Em quais áreas você atua atualmente? Dá aula em academia, particular ou eventos?

Sirlei – Já trabalhei nos 3 ao mesmo tempo. Em eventos, participei de festas particulares, festas de final de ano e casamentos. Cada evento foi uma experiência única e muito gratificante. Tudo na vida são escolhas, e decidi pensar mais em mim e na minha família. Atualmente, estou trabalhando em academias e aulas particulares (individuais ou em grupo).

BPM – Você já sentiu alguma forma de preconceito pela sua profissão, por ser mulher ou por ser brasileira?

Sirlei – De uma certa forma, sim, pela profissão. Tenho algumas alunas árabes cujos maridos não gostariam que elas fizessem aulas de dança do ventre, por acharem que teria homens nas aulas (assistindo ou participando) e/ou por não verem a dança do ventre com bons olhos. Mas elas explicam como são as aulas: somente mulheres, num ambiente fechado e de respeito, daí geralmente eles acabam aceitando numa boa.

BPM – Sobre as suas alunas, são de diferentes nacionalidades ou a maioria é brasileira? Como é sua relação com elas, especialmente as árabes?

Sirlei – Minhas alunas são de diversas nacionalidades, em torno de 65% são árabes. Infelizmente, tenho poucas alunas brasileiras. De uma forma geral, considero minha relação com elas ser muito boa.

BPM – Existe alguma diferença na aula que você daria no Brasil e que dá aqui? Quais?

Sirlei – No Brasil, por eu ter estudado/dançado em escola de danças, nós aprendemos a fazer o movimento, observando e sentindo como ele está se desenvolvendo no corpo. Existe estudo, técnica e prática. Gosto muito de ensinar como o movimento é feito (início, meio, fim e dar dicas de como fazer o movimento), mas infelizmente por aqui as mulheres querem aulas fitness, queimar calorias. Mesmo assim, sempre procuro ensinar técnicas durante minhas aulas, pois acredito que quando você pratica sem entender como realmente o movimento é feito, isso poderá te limitar quando precisar aprimorar o movimento.

BPM – Você se sente realizada profissionalmente aqui nos Emirados Árabes? O que acha que poderia ser melhor?

Sirlei – Sim, me sinto realizada. Acredito que seria melhor se a dança do ventre fosse vista como uma arte, onde a bailarina expressa em seu corpo a linguagem da sua alma.

BPM – Você recomendaria a outra brasileiras que viessem ser professoras de dança do ventre aqui nos Emirados Árabes?

Sirlei – Sim, recomendaria. É uma excelente oportunidade de crescimento pessoal e profissional.

BPM – Você gostaria de acrescentar alguma informação às pessoas que desejam fazer aulas de dança do ventre ou que queiram trabalhar com a dança, seja dando aulas ou se apresentando em eventos?

Sirlei – Quando me perguntam se é fácil dançar, ou, será que consigo? Eu logo respondo: Você gosta de dançar? Se a resposta for sim, você consegue! No início será um pouco confuso e até difícil, mas quando aprendemos coisas novas, geralmente temos aquela relutância interior nos bloqueando. E o que devemos tentar fazer é acreditar mais em nós mesmas, pois todas somos capazes. Tenho amigas com mais de 60 anos dançando dança do ventre, gordinhas ou magrinhas, não importa seu corpo, se você gosta ou ama dançar, não tenha medo de ser feliz! Simplesmente dance!

Para as mulheres que desejam trabalhar aqui nos Emirados (dando aulas ou trabalhando em eventos/hotéis) primeiramente você precisará  de um sponsor (patrocinador do visto) que irá responder por você e lhe providenciar visto, acomodação etc. Para trabalhar em hotéis, o Governo não autoriza mais que housewife (dona de casa, como o meu caso) trabalhe fazendo shows em hotéis. Mas já trabalhei em casamentos sem problema algum. Nas academias, para dar aulas, você precisa de toda sua documentação: cópia de visto, passaporte, ID, insurance, NOC (No Objection Certificate), bem como seus diplomas, certificados de cursos e workshops de dança do ventre.

***

Nós gostaríamos de agradecer a disponibilidade da Sirlei Reis em nos conceder essa entrevista. Desejamos a ela muito sucesso e uma vida cheia de felicidades. 

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1 comentário

Professora de dança do ventre em AD - Brasileiras pelo Mundo - Diário de Polly Janeiro 15, 2018 at 11:12 am

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