Profissões Pelo Mundo – Advogada em Londres

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Vitória e uma parte do time de advogados do seu escritório
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Hoje o BPM entrevista a Vitória Nabas, advogada de renome no Reino Unido. Dentre os seus diversos projetos, Vitória trabalha junto com a Casa do Brasil em Londres, dando apoio jurídico aos brasileiros. Ela conta mais:

BPM – Fale sobre a sua trajetória: de onde é, quanto tempo mora fora, onde estudou e o que faz.

Vitória – Sou nascida em Santos e criada desde bebê em Presidente Prudente, que é minha cidade do coração onde tenho meus país e avó ainda viva. Formei-me pela Universidade de São Paulo – SP, Largo São Francisco na turma de 1993. Fui a primeira pessoa formada em Direito a se formar num MBA em Finanças no IBMEC em 1996 e sempre me dediquei a direito corporativo, comercial, mercado financeiro e de capitais. Em 2000 fui trabalhar como advogada em Nova Iorque e depois vim para Londres em meados de 2002.

BPM – Você é umas das advogadas brasileiras mais conhecidas e respeitadas na Inglaterra, fazendo trabalhos com a Casa do Brasil em Londres e o Home Office/Ministério do Interior. Como foi chegar até aqui na carreira, fora do Brasil?

Vitória –  Eu comecei minha carreira internacional em Nova Iorque e depois aqui. São cidades bem diferentes e carreiras distintas. Em Londres não fui trabalhar em um escritório de advocacia, mas sim em uma instituição de caridade exercendo como Assistente de uma advogada enquanto me qualificava na Inglaterra. Já em Nova Iorque fui contratada por um escritório muito gigante americano, porém não gostei do trabalho e logo que pude arrumei outro emprego no Unibanco Securities, como Sales Trader de Equity/Negociadora de Ações em Bolsa.

Palestrando no II Encontro das Brasileiras Pelo Mundo, em Londres
Palestrando no II Encontro das Brasileiras Pelo Mundo, em Londres

BPM – Você acabou de unir o seu escritório a outro de advocacia inglês.  Você ainda irá atender a comunidade brasileira?

Vitória – Sempre. Isto faz parte do nosso “negócio principal”. Teremos 2 áreas bem distintas que atenderão empresas e pessoas físicas. A Comunidade brasileira será atendida por uma destas áreas de acordo com a especificação necessária.

BPM – Você fez algum curso de especialização aqui na Inglaterra? Se sim, que cursos recomendaria para as advogadas que queiram fazer carreira no país?

Vitória –  Fiz milhares de cursos de imigração, contratos, etc, tanto no Brasil, EUA, como aqui. Sou viciada em ler e estudar é um prazer. Qualquer pessoa que queira ser bom na sua área de atuação tem que estudar sempre, não parar nunca, pois nunca sabemos tudo e temos que estar sempre nos atualizando.

BPM – Como foi para validar o seu diploma na Inglaterra? Nos dias atuais é fácil fazê-lo?

Vitória – Há diversas formas de se qualificar aqui porém a mais corriqueira que era via Registered European Lawyer deverá ter as portas fechadas em breve com o Brexit. Advogados brasileiros podem atuar como Registered Foreign Lawyers e fazerem trabalhos diferentes na Inglaterra porém sempre debaixo de um escritório registrado aqui, isto é, não podem atuar sozinhos ou podem fazer as provas e se qualificarem como Solicitors.

BPM – Você acha que teria as mesmas chances na carreira se estivesse no Brasil, ou o fato de morar na Inglaterra influenciou o seu sucesso?

Vitória –  Acredito que todos precisamos de um pouquinho de sorte e muito suor. Eu estudei e trabalhei muito, também chorei muito de cansaço e frustração às vezes para chegar onde estou, mas tive também muita sorte de chegar no Reino Unido no momento em que a imigração brasileira e latino-americana teve um aumento significativo. Isto ajudou, mas claro não é tudo. Se fosse incompetente e irresponsável, não teria conseguido estar onde estou.

BPM – Você sente alguma discriminação, na sua área, por ser mulher?

Vitória –  Não agora, mas já senti no passado, principalmente no Brasil. Aqui não me sinto discriminada pois há leis que funcionam e as pessoas  sabem que sofrerão consequências.

BPM – Você faz vários trabalhos voluntários, incluindo na Casa do Brasil em Londres, no setor de retorno voluntário. Como é a sua rotina de advogada em Londres?

Vitória –  Além de trabalhar de 2a a 6a feira no meu escritório, que agora com a fusão terá 2 sedes, também faço muito trabalho voluntário pois acho que se somos privilegiados com o conhecimento, temos que difundi-lo. Atendo na Casa do Brasil, sou supervisora de estudantes de direito da Queen Mary University que atendem pessoas carentes, participo de grupos de pesquisa de violência doméstica e violência contra a mulher, dou seminários em comunidades e também atendo eventos comunitários e dou aconselhamento gratuito. Sou apaixonada e acredito no que faço. Assim faço com prazer. Canso sim e tem finais de semana que estou um trapinho, mas vale a pena.

BPM – Mande um recado para as leitoras do BPM, que possam estar lendo e apenas sonhando em ter uma carreira fora do Brasil.

Vitória –  Vá! Se é um sonho, corra atrás dele e não espere cair do céu. Eu sempre quis sair do Brasil pois sentia que me faltava algo em termos profissionais. Demorou pois eu atuei no Brasil por anos antes de ir a Nova Iorque,  porém nunca deixei de procurar uma oportunidade, mandar currículos, etc. Quando apareceu a oportunidade, não perdi tempo e nem pensei duas vezes. Troquei o certo pelo incerto, o fácil pelo difícil e desafiador, o calor pela neve de Nova Iorque em janeiro, a família pela solidão mas tudo se acerta com o tempo e não me arrependo de nada da minha jornada.

Contato do escritório:

1 COMMENT

  1. Excelente entrevista! Gostaria de saber o que conta mais para uma possível carreira de advocacia no exterior: experiência ou cursos? Possuo diversos cursos (inclusive internacionais), mas pouca experiência em grandes escritórios. Isso pode ser um empecilho?

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