Itália – Sentimentos de uma expatriada

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Numa roda de amigos brasileiros, de quando em quando a gente escuta que o brasileiro “só falta jogar o tapete vermelho ou tirar as cuecas para um estrangeiro passar por cima”, traduzindo:  sabemos que tratamos muito bem quem vem visitar nosso país e o mesmo não acontece conosco quando chegamos em terras estrangeiras. Talvez culpa da própria globalização ou mesmo do preconceito de alguns povos ainda parados no tempo. E essa frieza traz como consequência um sentimento ruim que pode durar alguns segundos ou decidir o resto de nossas vidas: preparar nossas malas e retornar ao nosso país de origem.

Nesses poucos anos de Europa foram poucas as vezes que me senti assim, e por estar num relacionamento equilibrado e feliz também com a escolha da minha vida, não senti ainda necessidade de retornar por esse motivo ao Brasil.

Para quem vem de um ambiente caloroso – e não no sentido climático da coisa – de união familiar e muitos amigos, a tal saudade aperta muitas vezes, principalmente em datas especiais ou momentos difíceis. Tratando-se de mim, sou muito ligada à minha familia e o lado difícil de viver longe das nossas origens são eles, nossos parentes e amigos.

Esses dias, pela primeira vez, meu irmão veio conhecer junto à sua esposa a Bella Italia e visitaram a minha cidade e minha casa. Matei um pouco daquela saudade,  retornei ao velho lar por alguns dias e ri demais em alguns momentos. O duro foi o dia seguinte em que foram embora…

Aprender a conviver com a falta das pessoas que por anos faziam parte do seu dia a dia não é tarefa fácil e requer maturidade; é necessàrio que sejamos livres de espírito, cidadãos do mundo.

Faz algum tempo que não vou de férias ao Brasil e hoje eu nem digo mais que tenho saudade da minha terrinha, eu já dramatizo mesmo e digo que estou necessitada do nosso Brasilzão. Tem vezes que fecho os olhos e imagino algumas cenas: o barulho da chuva e o cheiro que levanta do cimento da cidade, o som do mar e a falação das pessoas na praia; consigo quase sentir o vento batendo no meu rosto. Eu acredito que retornar, mesmo que de férias para o Brasil, me recarregue as energias para continuar enfrentando a falta das pessoas que ficam longe de mim no resto do ano.

Tenho consciência de que retornando hoje ao Brasil encontrarei uma realidade muito diferente daquela que ficou registrada até a minha saída de lá e isso poderia deixar uma nostalgia ainda maior no meu coração, pois a parte que sinto falta, as emoções e recordações fazem parte da minha juventude. Hoje a realidade é outra e não sei como seria uma readaptação. Certamente faço as suposições de que conviveria menos com meus amigos e familiares, estaria a mil trabalhando fora ou talvez não valorizaria algumas pessoas como valorizo graças à distância que nos separa.

Enfim, um turbilhão de sentimentos que de tanto em tanto precisam de uma válvula de escape!

 

6 Comentários

  1. Oi Daph! Adorei seu texto e sei exatamente do que você está falando.
    Ir para o Brasil de visita é ótimo, mas a gente tem umas decepcões sim. Muita gente que a gente acha que é super importante e que se importa muito com a gente, nem vai aparecer (espero que com você seja diferente), a gente está de férias por lá, mas todos continuam a vida e estamos meio por fora dos planos dos outros, é preciso entender isso.
    Certa vez, uns 5 anos atrás, eu tentei voltar a morar lá… tentamos fazer nossa vida lá e eu me decepcionei como nunca. 8 meses lá e menos gente veio me visitar do que quando passo 2 meses, porque todos pensavam que eu estaria lá para sempre mesmo, pra que se apressar em visitar? Fora que não sabia me virar com nada, parecia uma criança que pedia ajuda pra tudo. Minha vida no Brasil sempre tinha sido vida de criança e adolecente, eu vim pra Hungria com 22 e fiz aqui minha maturidade, aprendi aqui sobre como ir ao médico, como pagar contas, como arrumar documentos… Enfim, o Brasil não era o mesmo, minha vida não era a mesma.
    Mas também acho que se tivesse ficado mais tempo (depois voltei pra Hungria pra ficar), talvez eu tivesse me readaptado. Creio que a adaptação teria sido tão dificil quanto a de lá para cá, mas ela é possível.
    Viajar para o Brasil é sempre maravilhoso e aprendi a não me decepcionar com as pessoas, cada um tem sua vida e sair da rotina não é fácil pra nenhum de nós. Saber levar numa boa a amiga que demora pra te procurar, os parentes que não aparecem e as espectativas que não se realizam é importante para poder curtir todo o resto que você ganha indo pra lá.
    Continua existindo churrasco e gente boa, família barulhenta e criançada correndo, chuva fina e cheiro de mar… É só prestar atenção nisso. 🙂
    Boa viagem!!!!
    Beijos!
    Ps- desculpa pelo comentário enorme. Não sei escrever pouco, vc sabe… rsrsrs

  2. Daphne querida,
    Nao sei quanto tempo voce esta na Italia, nem conheço bem seu estilo de vida, mas imagino que voce dedique a maior parte dele a sua familia e em casa.

    Eu quando vim pra Europa, pensava so em passar 2 anos estudando e experenciando diferentes culturas, era ininmaginavel pra mim morar fora de Minas, quanto mais morar fora do Brasil….. embora sempre tivesse tido muito contato com estrangeitos e crescido em um meio muito de gringos kkkk em Minas.

    Meus primeiros 5 anos de Europa era uma saudade so… so pensava em mudar de volta pro Brasil com meu marido, que é alemao, mas apos ter me formado em comercio exterior e começar a trabalhar e a dar evasao aos meus hobbies e interesses, encontrei amigos do mundo inteiro, atraves do meio emprego, que era muito internacional e me levava a viajar muito, comecei a me sentir uma cidadan do mundo.

    Agora apos mais de 20 anos morando fora do Brasil, ainda morro de saudades do Brasil, especialmente de Minas, que representa pra mim a mesma coisa que voce tao bem descreveu aqui, o cheiro da terra, o orvalho da manha, as noites de lua, o ceu estrelado, as serestas, a comida, o sotaque delicioso daquele meu povo que é um “doce d’oce” uai! Bao dimais soh!!!!!!!o carinho o senso de humor….. enfim…. Mas também hoje sinto que o Brasil esta dentro de mim, e levo Minas pro mundo……. Como disse minha querida Paulinha….

    Eu nasci no celeiro da arte
No berço mineiro
Sou do campo da serra
Onde impera o minério de ferro
    Eu carrego comigo no sangue
Um dom verdadeiro
De cantar melodias de Minas
No Brasil inteiro ( nos cantamos no mndo inteiro…. kkkkk)
    Sou das Minas de ouro
Das montanhas Gerais
Eu sou filha dos montes
Das estradas reais
    Meu caminho primeiro
Vi brotar dessa fonte
Sou do seio de Minas
Nesse estado um diamante.

    Me organizei hoje de forma que tenho negocios com o Brasil assim consigo criar um meio de ir pelo menos 2 vezes por ano e ficar algumas semanas, me sinto 20 anos mais nova quando retorno a Suiça, mas sempre digo sao duas alegrias, a de ir pro Brasil e a de voltar…kkkkk Gosto muito da qualidade de vida que conquistei aqui, e amigos e familia amo a todos, mas agora também sou parte de uma familia cosmopolita e agradeço a Deus todos os dias por esta oportunidade unica de ter vivido e construido a vida que tenho, de ter este conhecimento e esta perspectiva, compreensao muito maior do mundo.

    Bem as saudades as gente vai matando como pode, skype ajuda e muito. As ferias,o fato de trabalhar com o Brasil, algumas amigas brasileiras aqui, a rede globo agora online pra ver as novelas e series, kkkkk sou noveleira kkkkkk filmes e musica no youtube! E agora voces minhas queridas brasileiras pelo mundo…….

    Quando a saudade apertar demais grita que a gente te abraça! Nao muda tudo, mas voce nao esta sozinha…….! Um abraço brasileiro apertado , um suspiro dobrado e amor sem fim…..querida Daphne!!!!!!

  3. Oi Daphne! Embora eu viva fora do Brasil há pouco mais de cinco anos, também sinto saudades. Acho que quando escolhemos morar no exterior, desenvolvemos (e entendemos) a sensação de desapego. Existem dias, que eu quero chorar de saudades da minha família, dos meus amigos ou mesmo de um pão de queijo que eu compraria na Casa do Pão de Queijo a caminho do trabalho. Eu chamo isso de saudosismo, porque acredito que embora sinta saudades do Brasil, todas as lembranças que eu tenho são muito romantizadas porque estou tão longe.

    Tenho a necessidade física de voltar para visitá-los a cada 1 ano e meio. Isso acontece porque, depois desse tempo, começo a surtar e a dizer que eu vou embora para sempre porque o exterior não é para mim. Então eu começo a me lembrar só das coisas boas e me esqueço de tudo que existia de mal. A distância e a saudades minimizam defeitos e ampliam as qualidades. Quando chego lá, depois de duas semanas em um trânsito infinito e com medo da minha sombra, quero voltar para o lugar de onde parti (era a Europa… Agora vamos ver como me sinto já que eu vivo nas Filipinas).

    Bem, só para compartilhar o sentimento! Um beijo!

  4. Já não tenho familia por lá no Rio de Janeiro… Minha mãe faleceu há 3 anos e meio, e meu pai retornou a Portugal (sua terra) onde eu morava na época e onde meus irmãos continuam a viver. No Brasil só a minha sogra e meu cunhado que tenho a possibilidade de ver todos os anos… não dá tempo de morrer de saudades 🙂 MAS, morro de saudades dos meus amigos.
    Este ano estive no Rio em Julho, tive a oportunidade de ficar lá por 45 dias e foram os 45 dias mais felizes da minha vida nos ultimos 8 anos 🙂 Diferente do comentário da Carol aí em cima, vi e revi TODOS os meus amigos, saimos, comemoramos, bebemos, nos divertimos, comemoramos 40 anos de amizade. O mesmo grupo, com seus conjugues claro, ainda somos amigos-irmãos. Foi muito dificil entrar naquele avião e voltar, mas ia passar em Lisboas antes de vir pra Londres e isso fazia toda a diferença.
    Vivi em Lisboa por 5 anos antes de vir para Londres. Tenho que admitir que me sentia em casa, não tive problemas com o estilo português de ser (frio algumas vezes), nunca me senti estrangeira por lá. Fiz alguns amigos, que visito todos os anos no verão, quando vou de férias por uns poucos dias… é sempre da mesma forma, como se eu ainda estivesse lá, vendo-os todos os dias… mas eu atribuo essa “convivencia” ao computador, skype… não deixamos que nos esqueçam, e não esquecemos ninguém… o nível de intimidade se mantém ou não, de acordo com o tamanho da amizade 🙂
    Entendo perfeitamente o que você quis dizer com as saudades, e a necessidade de voltar… acho que as férias no Brasil é como voltar a infância: só traz boas lembranças, bons momentos. Eu estou em Londres a pouco mais de 2 anos, e ainda sinto muita vontade de voltar à Lisboa. Aqui ainda me sinto estrangeira (e acho que vou me sentir pra sempre), não tenho amigos, vivo uma vida sozinha com meus filhos e marido. Neste momento, sinto saudades dos meus amigos. Acho que uma vida sem amigos é uma vida apagada… Estou lutando contra mim mesma, contra a minha insegurança e minha timidez para tentar fazer amigos por aqui…
    Parabéns pelo belo texto!
    Bj
    Rita

  5. Oi Carol! Nem fale…essas decepçoes acontecem mesmo e ainda acontece via internet, imagine pessoalmente! Eu nao sei vcs, meninas, mas no Brasil parece uma selva de pedra, o pessoal vive uma vida mto intensa e acaba deixando “para depois” o relacionamento humano. Aqui aprendi a valorizar mais as coisas simples da vida. O bom de ir e voltar é o equilibrio que adquirimos entre a calmaria e a bagunça, hehe!
    Ana Cristina, obrigada pelo carinho em suas palavras! Me senti abraçada! Sim, minha vida é mais familiar que profissional. E essa mudança tbm foi bem complicada ,pois vivia de là pra cà num corre corre que sò quem é brasileiro sabe do que estou falando, hehe. Hoje aprendi a dosar a saudade e também a separar quando ela é aquela que machuca ou aquela que faz bem. Obrigada pela amizade!ah! desde 2005 estou na Italia!
    Oi Tati, bem por aì! Meu tempo record foram 3 anos, enlouqueci e foi bom, pois percebi que o que me prende por là, mais do que costumes e cheiros, é a familia. Saciando aquele aconchego vejo o quanto sou feliz e sortuda em viver aonde hoje vivo. Espero sò que com a crise as coisas nao se igualem em aspecto de violencia e desemprego, que infelizmente jà està acontecendo.
    Oi Rita, obrigada pelas palavras! Sim, o inicio é assim mesmo, logo voce terà novos e bons amigos. Temos que pensar em quantos anos levamos para construir amizades sòlidas com nossos amigos no Brasil..demorou né?Entao..logo chega a sua vez e certamente te sentirà em casa. Fui a Portugal à passeio e adorei os portugueses, nao os achei frios como vc falou, mas eu era turista, hehe.
    A nostalgia que eu sinto dòi quando estou muito tempo longe, preciso recarregar as energias indo ao Brasil pelo menos a cada 2 anos, rs.
    Meninas, se eu retornasse ao Brasil um dia, obviamente a gente aprende e se readapta, mas nao acho que o aceitaria como quem nunca o deixou. Nao tem jeito, tendo a experiencia de morar fora voce acaba comparando estilo e qualidade de vida e, infelizmente, o Brasil sairia perdendo por enquanto. Outra coisa, e um ponto que toquei no meu texto, é que deixei um Brasil completamente diferente daquele que é a realidade atual. Pode ser decepcionante(ou nao!) reencontrar novas gìrias ou modo de viver, pois na tua memòria tudo parou naquele ano, naquela fase da tua vida.
    Enfim, foi um desabafo e acabou sendo prazeroso receber comentàrios e palavras amigas, obrigada!

  6. Ola meninas!!! Adorei esse bate-papo! Eu acho que sou um extra terrestre, pq sou uma das poucas pessoas que nao sente saudades do Brasil. Eu vivo fora do Brasil um pouco mais de 6 anos ( Italia, Suiça agora em Irlanda e depois volto pra Suiça ) Adoro minha familia, amigos e tenho otimas lembranças do Parana (minha terrinha),mas acho que a razao por nao sentir essa saudade é devido ao fato que tenho focus naquilo que estou vivendo. Me deliciando com todas as experiencias, sejam boas ou ruins pq aprendi muito com elas tbem. Aprendi que meus melhores amigos no Brasil depois de alguns anos, a distancia fez uma brincadeira de mal gosto e eles acabaram perdendo esse titulo, mas dando o lugar deles a outros. Adoro a comida brasileira, mas eu tbem adoro a comida italiana, suiça e irlandesa. Adoro as praias do Brasil, mas tbem adoro os lagos naa Italia, as montanhas da Suiça e a paisagem na Irlanda. As pessoas sao diferentes em cada pais, mas nao sao melhores nem piores que as outras. Acho que a chave pra tudo isso se chama adaptaçao, nao querer ter a mesma vida que levava no Brasil, mas saborear a oportunidade que temos de criar uma nova vida, melhor doque aquela que tinhamos. Conhecer pessoas, experimentar gostos, cheiros e experiencias diferentes. Construir algo novo! Viver e ser feliz hoje! Nao cair na ilusao de que tudo era melhor antes! Porque podemos nos decepcionar. Sou da ideia que nao importa o pais onde vc vive mas sim como vc decide de viver nele è que faz a diferença! Um bjao a todas!!! E un bacione grosso a te Daphne!! 🙂 😉

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