Sistema de saúde na Inglaterra: Público x Privado

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(Foto: Pixabay.com)
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Sistema de saúde na Inglaterra: Público x Privado.

O NHS, Serviço Nacional de Saúde, é o serviço público que utilizamos na Inglaterra. Como no Brasil, contribuímos com taxas para manter o NHS prestando serviço aos residentes do Reino Unido. Os países do Reino Unido como Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte têm seu próprio sistema, cujo funcionamento é independente. Seus governos são responsáveis por ele. Apesar de seu financiamento e sua administração serem separados, não há nenhuma discriminação quando um residente de um país do Reino Unido exige o tratamento em outro.

As consequências financeiras e administrativas são tratadas pelas organizações envolvidas, e nenhuma contribuição pessoal pelo paciente é exigida. Imigrantes legais também podem usufruir do serviço. Em 2017, o Royal College of General Practitioners declarou que, em comparação com os sistemas de saúde de outros 10 países (Austrália, Canadá, França, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Suécia, Suíça e os EUA), o NHS foi classificado como o melhor sistema em termos de eficiência administrativa, abrangência do Serviço, acesso ao serviço e bons resultados centrados no paciente. Sendo seguido então pelos sistemas de saúde da Austrália, Países Baixos, Nova Zelândia, Noruega, Suécia, Suíça, Alemanha, Canadá, França e Estados Unidos da América.

No sistema privado, o valor pago dependerá do plano escolhido. Os benefícios incluem: menor tempo de espera para consulta com um especialista, o tratamento pode ser iniciado mais rapidamente, escolha de hospitais particulares e escolha do médico especializado.

E na prática, como tudo isso funciona?

Temos postos de saúde (conhecidos aqui como GP) com médicos gerais, enfermeiros e outros profissionais de saúde. Precisando de atendimento médico ou de enfermagem, é preciso contatar o GP e marcar consulta com o profissional de interesse. Geralmente, se consegue horário em uma ou duas semana, claro que em casos que não sejam de emergência. Após a avaliação do profissional, você será encaminhado para um médico especializado ou será tratado pelo GP mesmo.

Em casos de cirurgias eletivas, o tempo de espera é de geralmente dois meses ou mais, dependendo do problema. A maioria dos hospitais é pública, e minoria mesmo particular. A minoria da população tem plano de saúde, a maioria é tratada pelo NHS. Claro que, como qualquer instituição, tem seus problemas, nem tudo é perfeito, mas na minha opinião, o sistema funciona mesmo. Para curiosidade de vocês, medicamentos não têm custo nenhum se: for acima de 60 anos, menores de 16, 16-18 anos e estudante, gestantes e pessoas deficientes.

No caso de se ter um plano de saúde, é necessário marcar uma consulta com o GP. O médico que lhe atender no NHS, deverá fazer um encaminhamento para o médico particular da sua escolha ou o GP poderá encaminhar para um determinado médico. Em seguida, terá que entrar em contato com o seu plano de saúde e enviar o encaminhamento por fax, para ser autorizada a consulta. Obterá um código após a consulta ser autorizada e terá que entrar em contato com o hospital, que queira marcar a consulta. Lembrando que, a partir desse momento, todo atendimento passa a ser privado, inclusive os medicamentos. Por exemplo, se receber uma prescrição de medicamento para menores de 16 anos, na farmácia do Hospital Particular terá que pagar pelo remédio. E se quiser ter acesso ao remédio no NHS sem custo, terá que pagar um valor para o GP emitir uma outra prescrição.

Vantagens de ter um plano de saúde:
– Escolha de um especialista.
– Escolha do hospital.
– Exames e tratamentos, dependendo do plano, que não foi autorizado pelo NHS.
– Menor tempo de espera.
– Quartos privados.
– Serviço de fisioterapia disponível, com menor tempo de espera. Geralmente, consulta e informações são por telefone. Se precisar de consulta presencial, é necessário encaminhamento do GP.

Desvantagens de ter um plano de saúde:
– Doença grave, como câncer, doença cardíaca ou acidente vascular cerebral, tem o valor no plano de saúde bem mais caro, e terá um aumento anual.
– Doenças Crônicas não são cobertas pelo plano, como diabetes e alguns tipos de câncer.

Curiosidades entre os dois sistemas:
– Os equipamentos, medicamentos e materiais usados são os mesmos no NHS e no Setor Privado, com algumas pequenas diferenças (no caso dos medicamentos pelo custo e benefício).
– Os médicos e cirurgiões que atendem no setor privado são os mesmos que atendem no NHS.
– Hospitais privados geralmente não têm pronto-socorro.
– O NHS oferece tratamento de fertilidade, se os critérios forem atendidos.
– Tratamento de fertilidade no privado será pago.
– Em cada problema de saúde, precisa-se marcar uma consulta. Por exemplo, se tiver dois problemas serão dois horários.
– Para emergências que não necessitam de pronto-socorro, na maioria das vezes consegue-se consulta no mesmo dia.
– Os hospitais são inspecionados por uma equipe externa do hospital para investigar a qualidade dos serviços oferecidos para a população. Assim recebem uma posição e metas no que precisam ser melhorados, com prazo para uma nova inspeção.
– Se precisar de atendimento médico quando o GP estiver fechado, o atendimento pode ser por telefone. Ligar 111, explicar o problema e receberá informações do que fazer. Se for necessário até marcarão uma consulta para você. Outra opção são as Walk in Clinic (só ir a uma clínica mais próxima, não precisa marcar um horário. O atendimento será por ordem de chegada).
– 999 para emergências.

Leia: Tudo que você precisa saber para morar na Inglaterra!

Já fui usuária do sistema público e do particular, e também já trabalhei como enfermeira  nos dois sistemas. Apesar do NHS não ser perfeito, considero um sistema de muita eficiência e qualidade. Quando li sobre as colocações dos sistemas de saúde dos dez países envolvidos na pesquisa, fiquei muito surpresa e feliz pelo NHS ter atingido a posição de melhor dentre os países citados.

3 Comentários

    • Oi Roberto, qual diploma está de referindo?no meu caso sou enfermeira e precisei fazer uma adaptação(estudar em uma faculdade e fazer estágio entre vários outros requisitos) para poder me registrar no Conselho de enfermagem daqui.

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