Suíça – Comportamento: praxe e inconveniência

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Uma das coisas que me fascinam na vida de expatriada é a possibilidade de conhecer melhor outras culturas, os costumes que muitas vezes nas viagens turísticas não vivenciamos a fundo. Aquelas atitudes do dia-a-dia, o que fazemos automaticamente do jeito que fomos acostumados desde pequenos, e que por vezes não imaginamos ser diferente em outro país, ou até mesmo inadequado ou ofensivo.

Desta vez, quero compartilhar com vocês o que tenho aprendido e vivenciado sobre o comportamento social suíço. O que é praxe – hábitos dos suíços –, e o que se deve evitar ou não fazer – tanto para não cometer uma gafe, como para não gerar problemas.

Hábitos:

Cumprimentar e agradecer

A gentileza é muito apreciada na Suíça. Ser cortês com todos ao redor, às vezes, pode parecer excessivo para quem vem de fora, mas faz parte do cotidiano suíço. Nunca se esqueça de agradecer (Danke!) e dizer por favor (Bitte!) – é melhor uma gentileza a mais do que de menos.

Em muitos lugares, principalmente nas cidades menores, as pessoas se cumprimentam na rua mesmo que não se conheçam. Na parte alemã da Suíça, Guten Morgen (bom dia), Guten Tag (boa tarde), Guten Abend (boa noite), Hallo (olá) ou o famoso Grüezi (saudação geral), são sempre bem-vindos. Funcionários de lojas, supermercados, padarias, etc., cumprimentam todos que entram e saem, e as pessoas respondem, portanto, esteja sempre preparado para um “Adieu” ou um “Auf Wiedersehen” (até logo).

Aperto de mãos e beijos

Ao encontrar uma pessoa pela primeira vez, seja homem ou mulher, em geral, a saudação é feita com o aperto de mãos. Já quando as pessoas são conhecidas, entre as mulheres é comum dar três beijos nas bochechas. Se a pessoa for mais íntima, parente ou uma amizade de mais tempo, aí cabe um abraço ou só um beijo – tanto homens como mulheres.

Os suíços nunca dão dois beijos – sempre um ou três. E lembre-se que nunca dão beijos em quem estão conhecendo no momento!

Dizer o nome durante a saudação

É bem comum que os suíços repitam o nome da outra pessoa quando se cumprimentam pela primeira vez. Por exemplo, um diz: “Prazer, meu nome é Fulano!”; o outro responde: “Prazer, Fulano! Eu sou o Beltrano.”

E se estiver em um jantar ou uma festa, “vai por mim”, é bom memorizar todos os nomes porque, provavelmente, você vai precisar lembrá-los durante o brinde!

Brinde

Seja para um aperitivo, jantar ou até mesmo um digestivo, é comum fazer um brinde antes de começar a beber. Muitas vezes o brinde é feito um por um, olhando nos olhos e dizendo o nome da pessoa com quem se está brindando: “Prost, Fulano!” (Saúde, Fulano!).

Já nos aconteceu isso durante um jantar de aniversário, onde, tirando um casal de amigos, as pessoas que estavam na mesma mesa eram todas desconhecidas. Meu marido se esqueceu que já tínhamos lido sobre este costume, e eu mal tive tempo de relembrá-lo. O que nos rendeu muitas risadas depois, porque um dos suíços falava o nome do meu marido e ficava com a taça erguida esperando que ele pronunciasse o seu nome, enquanto meu marido repetia o próprio nome pensando que o outro queria confirmar como se chamava… repetiram umas 5 vezes, até que o suíço desistiu e deu um gole no vinho.

Gafes:

Falta de pontualidade

No país da precisão, atrasar mais de 15 minutos não é aceitável. Na verdade, chegar atrasado mesmo que de poucos minutos já não é o máximo da educação, afinal, a outra pessoa reservou uma parte do seu tempo para você, disponibilizou-se e organizou-se para estar com você naquele horário, portanto, fazê-la esperar não é agradável. Se não puder evitar o atraso, deve impreterivelmente, avisar a pessoa que está esperando. E, claro, pedir desculpas! Calcular o tempo e organizar-se para chegar nos horários marcados (e até mesmo alguns minutos antes), são sinais de educação e respeito ao próximo.

Barulho

Uma característica muito conhecida da Suíça é a de ser um país tranquilo onde as pessoas não são barulhentas. Pois bem, assistir televisão e escutar música com volume muito alto, gritar, falar alto ao telefone, levantar a voz numa conversa ou até mesmo em uma discussão, contar piadas ou reclamar em voz alta, tudo isso supera o limite de respeito aos olhos dos suíços.

Em alguns lugares até o barulho do chuveiro e a descarga de água do vaso sanitário podem se tornar um problema com os vizinhos depois das 22 horas. Quem perturba o sossego alheio é caracterizado como mal-educado, grosseiro e egocêntrico, e dependendo do caso, pode aparecer a polícia para intervir.

Ironia

Diferente do que muitos pensam, os suíços não são desprovidos de humor. No entanto, é necessário ter muito cuidado com a ironia e o sarcasmo. Com pessoas desconhecidas ou mesmo com pessoas que se conhece pouco, a ironia não é bem compreendida e, na maioria das vezes, classificada como imprópria. Já na esfera privada, entre amigos com os quais há intimidade e confiança, tudo bem, a ironia e brincadeiras são permitidas – vale ressaltar que mesmo assim, sempre sem desrespeitar ninguém!

Mesquinharia

Todos sabemos que o custo de vida na Suíça é bem alto, mas o que muitos não sabem é que lamentar-se ou reclamar dos altos preços, principalmente com os funcionários das lojas, supermercados, farmácias, restaurantes, etc., não é comum por aqui, e a pessoa que se queixa pode ser automaticamente considerada mesquinha e rude – características que, convenhamos, não são bem vistas. Fora isso, ficar contando os centavos diante do caixa, fazendo a fila atrás de você esperar, também não é agradável.

Atitudes impacientes

Demonstrar impaciência, pressionar ou apressar, por exemplo, no trânsito, na fila do caixa, no restaurante ou em uma reunião, são atitudes consideradas impertinentes, e que certamente não irão mudar a situação. Portanto, desacelere e pratique a paciência. Buzinar, então, só se extremamente necessário!

No próximo texto, trarei mais um pouquinho sobre o comportamento suíço.

E vocês, já presenciaram ou passaram por alguma situação que citei acima?

2 Comentários

  1. Olá Mel,

    Adorei seu texto, até porque sou apaixonada por comportamento humano, cultura, costumes e tradições então, quando viajo quere sempre saber sobre o modo de vida e as pessoas que lá estão.
    Com relação aos comportamentos acima não passei nenhum vexame más, passei por um mais grave.
    Éramos visita em uma casa e meu marido não se adaptou bem a comida, teve um certo piriri e foi ao toillet ele não sabia que o papel deveria ser descartado na própria bacia e ser descartado ao acionar a descarga, ele descartou tudo na lixeirinha linda que encontrou.
    Claro, enquanto estávamos lá nada aconteceu más, quando chegamos no hotel e ele me contou noooosssssaaaaaa imaginei milhões de coisas oque os donos da casa devem ter dito quando viram aquilo.
    Que vexame kkkk que sirva também de exemplo para que outros não passem por isto.

    • Olá, Nádia!

      Obrigada pelo comentário. Eu também adoro saber sobre os costumes e tradições.
      Nossa, isso de jogar o papel na lixeira acontece muito com os brasileiros que vêm para a Europa! Aqui em casa eu sempre aviso antes… rs… mas, os europeus não imaginam que isso possa acontecer, o papel é sempre jogado no vaso sanitário e a lixeira serve apenas para outros descartes que não se dissolvem na água. Muito bem lembrado o teu alerta! 😉

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