Uruguai – Diferenças entre Montevidéu e São Paulo

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Nasci em São Paulo e vivi dos 17 aos 32 anos no centro da cidade, onde a sensação é de que tudo acontece ali perto.

Viajei à Montevidéu umas 10 vezes antes de me mudar definitivamente em 2012. Eu já estava apaixonada pela cidade desde a primeira viagem, porém, precisava de mais tempo para me preparar emocionalmente, acima de qualquer outra coisa.

Em Montevidéu, capital do Uruguai, vive quase a metade dos 3 milhões de habitantes do país. E você pensa que por isso temos a impressão de que a cidade está superpovoada? Já te conto que não! Essa é uma das grandes diferenças em relação à São Paulo. Não é comum os lugares estarem cheios ou pegarmos filas gigantescas para algum tipo de serviço. Inclusive as ruas podem parecer desertas dependendo da época do ano. No inverno, por exemplo, é normal que todo mundo se recolha mais cedo e saia menos de casa.

Em São Paulo eu estava acostumada a estar sempre atrasada, correndo e presa no trânsito. Salvo situações de acidentes, é raro acontecer picos de trânsito aqui. Aliás, engarrafamento nunca vi, o que já presenciei foram momentos em que o trânsito anda mais lento, principalmente na região central onde fica todo o comércio e no bairro Pocitos, de maior densidade demográfica.

Montevidéu não tem metrô, o transporte público realizado dentro da cidade é basicamente de ônibus. Nessas horas me recordo de São Paulo, porque geralmente no horário padrão de entrada e saída do trabalho os ônibus estão bastante cheios. O lado bom é que por ser uma cidade pequena em território comparada a São Paulo, rapidinho se chega ao destino e o sofrimento dura pouco! Adoro essa característica daqui, tudo é relativamente perto.

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Os montevideanos, em sua maioria, são mais tranquilos que os paulistanos. Não adianta ter pressa, as pessoas vão te atender no tempo delas dentro de uma loja, num restaurante, e não é má vontade, é apenas a maneira de ser desse país. Não é comum sermos cravejadas por uma vendedora ou aceleradas por um garçom para fechar a conta e liberar espaço. Confesso que no início me dava uma certa inquietação, mas aos poucos fui me ambientando e aprendendo a relaxar.

Outro aspecto interessante é o uso do espaço público. Aqui as pessoas se reúnem no fim da tarde para tomar mate, levar as crianças para brincar e bater papo em diversas praças. Mesmo as pracinhas pequenas de cada bairro são ocupadas pelos moradores da região. Em São Paulo eu via isso acontecer somente nos parques grandes como Ibirapuera, Vila Lobos e outros desse porte. O sentimento de apoderamento desses pequenos espaços parece ser diferente aqui e consequentemente gera melhor cuidado desses lugares.

Montevidéu tem um estilo de vida mais natural, favorecido pelo fato de ter o Río de la Plata banhando parte da cidade e ter muitos parques bonitos para desfrutar. É fácil, rápido e barato chegar nesses lugares, então todo mundo pode ter acesso a essa forma de lazer. Somado a isso é importante dizer que o consumo aqui é menos desenfreado, por diversos aspectos que não domino, mas posso citar que a indústria interna é pequena fazendo com que a maioria dos produtos que se consome venha de fora, então custa mais caro.

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Além disso os salários costumam ser mais baixos do que estamos acostumados em São Paulo, o que também freia o consumo exagerado. Não é uma cena comum vermos pessoas carregadas de sacolas andando pelos shoppings, aliás ir ao shopping não é um passeio, normalmente se vai lá realmente para comprar algo, comer ou ir ao cinema.

Logo, tendo condições de aproveitar as belezas naturais do país com pouco dinheiro e tendo gastos mais altos com o custo de vida, os uruguaios equilibram sua equação aproveitando suas praias, parques e casa de amigos.

Mas nem só de natureza a diversão é feita em terras Charrúas. Assim como em São Paulo, Montevidéu por ser capital aglomera os eventos culturais. Existem vários teatros, cinemas e bares onde ir. Me encanta o fato de mesmo chegando encima da hora ainda encontrar entradas! Mas não façam isso, porque dependendo do espetáculo podem esgotar os ingressos e estragar uma noite já planejada.

Os teatros daqui costumam ser menores e intimistas, salvo algumas exceções como o teatro Solís. A proximidade com os atores no palco torna o espetáculo muito especial.

Não posso esquecer de uma vez que fui assistir a uma peça com um ator uruguaio nacionalmente reconhecido, Cesar Troncoso, (no Brasil fez participação na novela Flor do Caribe e no filme Faroeste Caboclo). Ele chegou caminhando tranquilamente alguns minutos antes da função, passou pelas pessoas na fila como se não fosse famoso e ninguém lhe parou ou pediu para tirar uma foto.

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Os uruguaios são bastante reservados nesse sentido e tietagem não costuma rolar. Rá! Menos para mim que meses depois o encontrei fazendo feira e não resisti, pedi uma foto!

As diferenças entre São Paulo e Montevidéu são incontáveis e nessa história não há ganhadores. Existe o lado bom e ruim das duas cidades. Aqui ressaltei aspectos de Montevidéu porque a intenção é informar sobre cidades do exterior, mas São Paulo oferece um mundo de possibilidades que faz justamente o movimento contrário acontecer, uruguaios emigrarem para lá.

E você, que diferenças encontrou entre Montevidéu e São Paulo?

13 Comentários

  1. Excelente a comparação entre as cidades, eu, como paulistano que vivi por mais de 30 anos em sampa, e agora moro em Montevideo desde meados de 2013, percebi exatamente o mesmo! Ótimo ponto de vista para que quer comparações entre as duas cidades.

  2. Li todo o texto com um saudosismo enorme, para quase no finalzinho ver que era de uma querida.
    Vanessa, adorei seu texto e relembrar cada diferença é delícias dessa hermosa ciudad! Saudade desses ares…
    Beijo pra ti!
    Jana

  3. Bom artigo Vanessa. Realmente, a tranquilidade de montevidéu faz a diferença, e também a educação dos uruguaios, ainda que reclamem da piora no ensino público (comparado com brasil continua sendo muito melhor). Moro faz nove anos no Uruguay, atualmente na zona metropolitana da costa, e creio q mesmo morar “longe” de Montevidéu é perto para um brasileiro,acostumado a grandes cidades. Creio que o fato de que o uruguaio não encha os lugares teria dois fatores principais: o baixo poder de consumo da população (lembre-se que quando implementaram o IRPF aqui 80% da população ficava de fora, e a renda mínima era 12 mil pesos!) e o fator cultural (o uruguaio é mais intimista e vive para dentro, também geográficamente, apesar de estar às margens do rio/mar – tirando Punta del Leste, você vê como é difícil comer peixe nesse país?) ????

  4. olá Vanessa, comecei a ler seus artigos hoje dia 09/04/2017 tenho pensado muito em conhecer Montevidéu e analisar a possibilidade de morar aí. sou da área da segurança pública em Brasília e gostaria de saber se você ja viu por aí algo semelhante ao que acontece aqui, como tiroteios na rua a qualquer hora do dia, como acontece principalmente nas cidades de Rio de Janeiro e São paulo, Assaltos em ônibus, a pessoa ser abordada a qualquer hora do dia e ter seus pertences levados por ladrões, principalmente smartfones. gostaria de que me falasse um pouco sobre a sensação de segurança aí em Montevidéu.
    obrigado !

    • Olá Elias, a violência aqui existe, mas o que sinto é que os atos são menos agressivos. Por outro lado, para população nativa a sensação de insegurança é muito maior que a minha. De forma geral, todos têm a percepção de que os assaltos e furtos estão aumentando, que o número de desempregados vêm aumentando e com o aparente empobrecimento do país a violência aumenta. Tiroteios não são anunciados com a mesma frequência que eu escutava nos noticiários paulistanos mas também acontecem por aqui, geralmente nos bairros mais periféricos. Os roubos de celulares que você citou, também são frequentes aqui, principalmente no centro da cidade onde circula mais gente.

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