Você sofre de brasileirofobia?

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Fonte: Pixabay.com
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Este não é um texto sobre Portugal… É um texto de uma brasileira morando em Portugal, para todos os que possam ter sinais de brasileirofobia. Existem dois tipos desta fobia: a contra si mesmo e a contra os outros. Você sofre deste mal?

Diga aqui a verdade. Pode ser sincero. Como você reage ao ver outros brasileiros quando você está de férias na Europa?

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Ou mesmo em alguma situação de encontro com pessoas de outras nacionalidades, você já se sentiu inferior a elas?

Você, brasileiro ou brasileira, que torce o nariz quando vê outros brasileiros no exterior: Apenas pare! Não seja essa pessoa. Sério.

“Afe… tinha que ser brasileiro.” Mas quem nunca disse essa frase, não é mesmo? Só superei esse pensamento de “brasileirofóbica” depois de alguns anos de maturidade aliados à saudade e certa admiração ao nosso jeito acolhedor, expansivo e alegre. Conto aqui pedacinhos da minha história que me fizeram mudar a percepção…

Em 2005 fiz um intercâmbio no Canadá. Fui para ficar um mês e com a ideia fixa e pouco ambiciosa (só que não) de transformar meu inglês meia-boca em língua fluente. Dominava-me a ideia de que o intercâmbio custara muito caro para não dar resultado. Eu jurava não querer encontrar nenhum brasileiro à minha frente. “Ah, se tiver brasileiro na escola vou ignorar.” “Vou falar em inglês 100% do tempo.” “Quero viver esse um mês como uma canadense.” Expectativas… Aí vem a realidade e te coloca no teu lugar, sentada, de boca fechada, quietinha e sem reclamar. A escola era cheia de brasileiros, uns 50% da turma. E quem são as pessoas mais legais, acolhedoras e menos estranhas quando você está longe de casa, num inverno de lascar e com um inglês macarrônico? Exatamente, brasileiros! E as melhores festas? De brasileiros, claro. E os mais topa-tudo empolgados com o frio? Brasileiros! E por aí vai… Resumindo, falei muito português e fiz amigos incríveis. Todos brasileiros. “Tinha que ser brasileiro!” Preciso falar que o placar realidade x expectativa foi tipo um 7 a 1 nesse intercâmbio?

Em 2008 fui para Orlando, nos Estados Unidos, em uma Convenção de Vendas da empresa na qual eu trabalhava. Éramos uns 500 brasileiros empolgadíssimos para comprar NikeShox, todos os cremes da Victoria’s Secrets e tudo o que a Best Buy, Target e WallMart tinham a oferecer. Lista de compras em mãos, “bora” para os outlets comprar tudo o que precisava e tudo o que algum dia poderia precisar na vida. O resultado foi uma total destruição dos estoques de todas as lojas de Orlando e arredores. Todos compraram como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. Na época, eu pensava: “Que horror! Que vergonha! O que os americanos devem pensar da gente.” Hoje penso que somos um povo que sabe aproveitar as oportunidades no último grau possível. Boba era eu que ficava preocupada com o que os gringos iam pensar e ficava cheia de dedos para me jogar nos outlets. Os americanos deviam é estar bem felizes em venderem tanto em tão pouco tempo.

Em 2014 comecei a trabalhar em Londres. Sempre que eu falava que era brasileira ficava meio com o pé atrás com medo de preconceito e julgamentos. Eu tinha essa brasileirofobia jogando contra mim mesma. Sempre me achando menos que os demais, ou achando que ninguém me levava a sério. Era quase um… “Sou brasileira, desculpe.” Minha vida mudou quando parei com isso que só me levava para baixo. Depois de me deparar com tanta gente de todos os cantos do mundo, assumi o sou brasileira, sim! Estou aqui como muitos de outros países. Minha língua materna não é o inglês, tenho sotaque, sim. Não sei dançar samba, mas amo Carnaval. Meu país tem coisas incríveis, assim como o seu. Existem problemas no Brasil, sim, somos uma nação jovem com muito a melhorar. Fim. Não quero aqui defender que devemos ser cegos para os graves problemas do nosso país, longe disso. Defendo que devemos ter maturidade para saber compreender as raízes de nossos problemas como nação, que acabam por refletir em problemas graves em nossa sociedade.

Em 2016 me mudei para Portugal, onde moro hoje. Aqui convivo muito com pessoas de vários países. Um comentário trivial quando digo que sou brasileira é: “Mas você não parece brasileira!” Uma vez perguntei para um inglês porque ele havia me dito isso. Ele respondeu: “Você não se parece com o Pelé.” Então falei em tom de brincadeira: “Mas você é inglês e não se parece com o David Beckham!” Muitas pessoas que já encontrei pela Europa acreditam (sério mesmo) que o brasileiro nativo é o negro. Eles nem sabem da história da escravidão, nem sequer dos índios, imigrações e tal. Não julgo a falta de conhecimento como preconceito. Se estou num dia muito iluminado ainda tento explicar o rolo todo que gerou a tão diversificada população brasileira. Se estou num dia mais normal apenas concordo para evitar a fadiga, mas nunca, jamais me ofendo. Apenas sou um exemplo vivo na vida daquela pessoa que sou brasileira e não estou naquela caixinha de estereótipo que ele tinha anteriormente sobre Brasil – e mentalmente solto um: “De nada”.

Eu admiro a alegria e a criatividade brasileira com todas as minhas forças. Somos um povo especialista em ser feliz apesar dos pesares. Sabemos como ninguém dar as mãos e rir da nossa própria desgraça (vide nossos memes!). Mas só vale falar mal se for brasileiro. Tenta um gringo vir falar mal aqui, ah, coitado! Somos mestres em empatia e em acolher. Somos mestres em dar um jeitinho para conseguir as coisas apesar das adversidades. Em uma entrevista, o ator Pedro Cardoso (veja o vídeo aqui) fez uma ótima análise: “A razão da nossa pobreza é não ter serviços públicos. Quando a sociedade não tem serviço público de qualidade todo mundo luta por ter muito dinheiro, porque você acha que com muito dinheiro vai se livrar do hospital público, transporte público, da insegurança pública e tudo mais que é ruim (…) Por que o brasileiro quer ter tanto dinheiro? Pra escapar da falência do Estado.” Faz todo o sentido…

A frase “Tinha que ser brasileiro”, geralmente vem acompanhada de maus exemplos. Mas isso é algo que para o futuro da nossa nação devemos tentar ressignificar. O mundo está cada vez mais globalizado e esses estereótipos perdem o sentido quando você sai do seu país e descobre que o mundo é cheio de maus exemplos em todas as nacionalidades. Não são só os brasileiros que são errados, há muita coisa aí inerente à espécie humana e que só vai se corrigir depois de anos de evolução da espécie (tomara!). Uma coisa é entender que temos muito que evoluir como sociedade, outra coisa é acreditar que só porque nasceu brasileiro, nasceu fadado a ser inferior. Temos tantos, mas tantos, brasileiros e brasileiras in-crí-veis, por que só pensar nos maus exemplos?

E você? Sofre de brasileirofobia? Tem exemplos para compartilhar? Escreva-me, pois somos brasileiros e a gente sempre se entende.

26 Comentários

  1. Excelente texto Analu! Tenho uma prima que vive em Cascais há alguns anos e converso muito com ela. Principalmente agora que um volume enorme de brasileiros buscam ir embora como se a saída pelo aeroporto revelasse a solução de todos os males da existência… Acredito que nós sofremos perpetuamente daquilo que Nelson Rodrigues chamava de “Complexo de vira-lata” – a constante comparação que certa insegurança e busca obsessiva por identidade acaba causando. Somando-se a isso os últimos acontecimentos no mundo da política, economia e que prejudicam direta e diariamente milhares de pessoas(RJ por exemplo) – criando um exército de desempregados, empresários falidos e outras vítimas da “gestão” de alguns grupos… O que naturalmente(como bem observou você) ocorre em todos as nacionalidades – obviamente respeitadas as matizes e proporções. Isso faz qualquer destas pessoa detestarem a própria situação(“culpa” do país inteiro) e pensarem naturalmente noutro lugar “melhor” como forma de recomeço – principalmente pelo marketing positivo de quem foi. O que não quer dizer ódio propriamente ao país ou “povo” – há diferenças entre regiões, municípios, bairros e ainda um povo formado por variadas culturas, que produz coisas maravilhosas além de termos a disposição ambientes naturais únicos no Planeta… Muitos dos que foram embora do país (há alguns anos) relatam certa saudade, frequentes comparações e lembranças do Brasil – apesar das vantagens “superiores” do novo lar em termos de economia, serviços públicos e qualidade de vida(algo que só se mede de indivíduo para indivíduo). Como você bem disse no texto talvez com uma futura “evolução” a casa aqui se torne menos bagunçada e abrigue todos nós de uma maneira melhor. Com isso quem sabe não deixamos pra lá essa “insegurança” ou brasileirofobia… Até lá tudo o que temos do Brasil é isso que ele nos dá diariamente juntamente com a decisão pessoal de escolhermos o que fazer e como enxergar tudo isso. O jeitinho também pode ser adaptado para o que é bom (imagino) e não dá para negar que somos um povo que se mistura com simpatia e sem frescuras.

    Abraços do Tocantins.

  2. Adorei o seu texto!

    Confesso que também já sofri de brasileirofobia, e tive que ir muito longe pra perceber isso.
    Depois de morar na Polônia, percebi que cada vez que eu falava para alguém que eu era brasileira, e via o sorriso da pessoa, eu sentia mais orgulho disso. As pessoas tinham curiosidade, perguntavam varias coisas e demonstravam muito interesse em saber mais sobre a minha cultura.
    Demorou muito, eu precisei ir lá longe pra perceber tudo isso que vc falou. Temos tantos brasileiros incríveis, somos incríveis, e eu tenho muito orgulho disso.
    Parabéns pelo texto!

  3. Que lindo seu texto! Vejo que esta tua vivência por tempos fora do Brasil se chama – maturidade. Aquela maturidade que temos quando saímos do nosso ninho, e o quanto a gente aprende e começa ver a vida com outra perspectiva. Concordo com vc, com seu texto. Somos acolhedores, uma noção muito especial, e como dizes-te: “apesar dos pesares”.
    Hoje conversando com um querido brasileiro que mora aqui no Porto falamos disso: pessoas ruins e boas há em todos os lugares. E com nós brasileiros não é diferente.
    Já tive este pensamento “a só pode ser brasileiro”, (risos) mas hoje com outro olhar. Quatro anos na Europa, e agora um ano de Portugal. Me trouxe uma visão incrível do mundo, principalmente do nosso povo.
    Parabéns pelo texto. Quando vier no Porto – avise. Também adoro falar sobre a vida! Um beijo para você.

  4. Ótimo texto! Também moramos em Cascais, eu trabalho no café do Pingo Doce e muitos clientes que atendo são também brasileiros, o que tenho a acrescentar é que por diversas vezes vejo que muitos não tem aquela “educação de casa”, em dizer “bom dia”, “por favor”, “obrigado” por exemplo, e isso causa uma certa estranheza e constrangimento.

    Gustavo

  5. Analu, você está totalmente coberta de razão. Parabéns e obrigado pelo excelente texto. Acredite, mudou meu ano.
    Se eu pudesse fazer um comentário sobre o motivo da existência da pobreza do brasileiro, eu discordaria do Pedro Cardoso. A pobreza econômica está relacionada com diversos fatores econômicos (que acho não ser tema do assunto), mas a pobreza moral vem do fato do brasileiro delegar ao estado toda a responsabilidade e o poder para resolver os problemas. Assim, não nos sentimos responsáveis por eles. Não tem como se sentir. Isso é uma situação artificial gerada pelo estado. Um efeito que não é visto quando se planeja os programas sociais. Mas ele vem. Sempre. O estado diz, diariamente, para deixar isso para lá porque há quem cuide.
    Claro que o efeito disso é o egoísmo.
    Mas em uma situação onde fica claro que o estado não possui meios para resolver, o Brasileiro tem uma solidariedade sem igual.

  6. Muito interesante o seu depoimento.

    Acredito que há entre os brasileiros aquela dicotomia do amo e odeio o comportamento do brasileiro.

    O “amo” vem da afabilidade natural que desenvolvemos ao longo dos anos e oriunda da mixtura de raças no nosso país, principalmente dos negros que foram trazidos da África.

    O “odeio” vem da amizade circunstancial que se forma, por vezes demasiado rápida, para descobrir que na verdade só se chegaram por haver alguma necessidade ou vantagem.

    Tendo imigrado (de verdade, não foi experiência no exterior não) para o Canadá faz anos, observei os dois mas soube usar a sensatez para ter perto de mim o pessoal legal.

    Tenho orgulho do país onde nasci e, sem deixar de reconhecer as coisas menos boas que acontecem por lá, defendo-o na frente de qualquer estrangeiro. Afinal, nenhum lugar é perfeito, certo ?

    Sim, alguns brasileiros sofrem de um complexo de inferioridade frente aos habitantes do Primeiro Mundo, queixam-se de preconceito mas ao mesmo tempo mostram o mesmo preconceito com relacão a outros países da América Latina.

    Um caso recente foi o de uma brasileira fazendo escala no Panamá que foi proibida a saída do aeroporto pelas autoridades (ela queira visitar a cidade por que a escala era longa) devido ao problema do vírus da zika no Brasil.

    A sua reação: a decisão das autoridades panamenhas foi baseada no complexo de inferiodade deles frente ao Brasil e argumentou com eles.

    Outra assumiu que a mala aberta aconteceu no Panamá quando há tantos casos de malas supostamente abertas nos aeroportos brasileiros.

    Enfim, quando vejo brasileiros não se comportando bem na terra dos outros, sinto pena daqueles que lá moram e que pagam por uma minoria.

  7. Unico “brasileirofobia” que eu sofro é aquele de: medo de brasileiro. Sim, morei nos EUA e o que eu conheci de brasileiro pilantra tentando se aproveitar de recém-chegados é triste. Infelizmente fui enganada, conheci amigos recem-chegados que também foram enganados. E isso só me fez criar um ranço de brasileiro no exterior. Obviamente não vou generalizar porque conheci brasileiros maravilhosos que vou levar pra vida toda, porém existem muitos pilantras sim, eu não confio em Brasileiro no exterior. Se conheço um, pode ter certeza que vou desconfiar de tudo.

    • Concordo com você Júlia 100% conheço muitos Brasileiros, tenho poucos no meu convívio, não me envolvo com Brasileiros, e esta mania de dizer que Brasileiro e acolhedor, balela pura, talvez escolhem quem querem acolher, puro interesse, já conheci e já ouvi muitas histórias sobre Brasileiros, falo Brasileiro pq este é o tópico , tem muita gente boa honesta claro que tem , mas tem o porem do egoísmo…..

  8. Adorei o texto e vou dar um exemplo de orgulho quando dizemos: “Tinha que ser brasileiro!” Tenho o maior orgulho de algo que, para muitas pessoas, reflete uma característica negativa do nosso povo, que é o tal “jeitinho brasileiro”. Gente, na boa, essa é a nossa melhor característica!! Vou explicar porquê, na Europa, como creio que deva ser na maioria dos países considerados desenvolvidos, as pessoas não tem aquele traquejo que para nós é tão natural, de encontrar uma forma de resolver pequenos (ou grandes) problemas do cotidiano, sem sentir a necessidade de chamar um técnico para resolver ou, como é muito comum, jogar fora algo com defeito e comprar novo. Já aconteceu comigo de consertar coisas ou resolver problemas, de forma automática e natural, porque estou habituada a fazer isso. E com esta atitude, causar surpresa e gratidão nas pessoas, sejam amigos ou patrões. Nosso “jeitinho brasileiro” é único, e eles reconhecem e admiram isso. Só falta o brasileiro se reconhecer como um povo maravilhoso e dono de um país rico, como os estrangeiros já se deram conta.

  9. Analu, infelizmente não consigo pensar como você ainda. Tenho quase 40 anos e vivo ouvindo a frase : O Brasil é o país do futuro! E os anos se passaram, passaram e esse tão sonhado futuro nunca chegou. Desde muito nova sentia vontade de morar em outro país. Aos 17 anos morei um ano no Japão, mesmo tendo uma cultura COMPLETAMENTE oposta à nossa eu me adaptei muito vem lá! Depois deste intercâmbio vi o Brasil de uma forma pior ainda é estive 2 décadas de minha vida sofrendo vendo os noticiários, vivendo a triste realidade do país se degradando cada vez mais. Me tornei mãe e aí vi que tinha mesmo de colocar o projeto de sair do Brasil em pratica. Graças ao meu marido que tem cidadania Portuguesa vivemos aqui no Porto e não me imagino mais vivendo a realidade brasileira. Incentivo à todos os amigos e familiares que puderem que também possam buscar seu lugar ao sol, seja onde for, desde que seja um lugar onde se tenha paz na alma, que se tenha VIDA! Também já vivi nos EUA e Canadá e de todos estes Portugal foi o que mais me adaptei. É claro que não é perfeito, a economia não é saudável, a política tem seus sérios problemas, mas a qualidade de vida que temos aqui é infinitamente maior. Não acho engraçado ou bonito o brasileiro rir da sua própria desgraça, como você mesma disse, somos os reis dos memes. Acho que na verdade isso é reflexo de um povo que na sua grande maioria se acomodou a viver em um país onde NADA funciona. E isso para mim é triste, não engraçado. Sempre fui taxada de chata por me inteirar sobre política e gostar de debater o tema, mas nas rodas de amigos isso é chato, é entediante falar ou entender de política. A impressão que tenho é de que essa Felicidade tão falada do nosso povo na verdade esconde uma frustração por não quererem encarar a realidade e lutar por mudanças. Mudanças drásticas em tudo, na política, na educação social, financeira. Também não acho criativo ou bonito o jeitinho brasileiro de resolver as coisas, isso sempre me soa como algo em que levamos vantagem sobre alguém ou determinada situação. Para mim se existem regras elas devem ser seguidas e pronto. Sem precisar apelar ao jeitinho brasileiro. Abraçar e beijar? Eu sinceramente não me sinto confortável com isso, sempre achei uma Chatisse ter de abraçar um por um em uma festa ou simples churrasco. Prefiro o jeito português, onde são mais recatados moderadamente e vão dando liberdade aos poucos. Nada de exageros.
    Bom, talvez eu tenha nascido no país errado mesmo, até brinco com minha mãe que a cegonha errou o endereço feio comigo Rsrs.
    É claro que nossa comida é maravilhosa, nossas praias são lindas, mas um país é muito mais que isso, um país se faz pelo seu povo. Espero que um dia eu possa me orgulhar de ser brasileira, acredito que nem estarei mais viva, mas que pelo menos minha filha ou netos possam se orgulhar. De momento não vejo motivo para tal e não vejo perspectiva a curto prazo para esta reversão. Já ouvi: Mas como não ama sua própria terra? E eu disse: Só porque nasci lá não tenho obrigação nenhuma de amá-la. Não odeio nem amo, só tenho vergonha. Quem sabe na próxima vida a cegonha acerte comigo, não é? Abraço!

    • Oi Sabrina, muito obrigada pelo seu comentário! O Brasil tem sim muitos defeitos, mas este texto teve o intuito de ser uma brisa leve na alma de quem só escuta barbaridades sobre o Brasil… A vertente foi positiva, mas concordo com você que com tantos acontecimentos, não se envergonhar é impossível… Também sinto vergonha de muita coisa, principalmente vendo de perto como tão bem as coisas funcionam na Europa. Meu intuito aqui foi somente uma reflexão sobre o preconceito que construímos contra nós mesmos e que no fundo, não leva a nada… Fiquei muito mais leve quando aceitei os problemas do meu país e parei de ser tão negativa nos meus discursos sobre o país onde nasci. Isso foi algo que funcionou para mim e resolvi partilhar aqui. Obrigada por abordar outros pontos super relevantes, é para isso que este blog serve, para nos comunicarmos e trocarmos experiências. Beijinhos 🙂

      • Analu Tavela
        Obrigada pelo texto maravilhoso! Morando hoje a 15 anos na Suiça concordo com vc! Qdo cheguei foi muito difícil, mas hoje tenho minha clinica de esteticista no centro de Lausanne 80% das minhas clientes são brasileira de grandes empresas que aqui estão Vale do Rio Doce, Philipe Morris e tantas outras! Amo meu brasil vou todo ano lavrecaregar minhas baterias! Sou grata pela Suiça ter me recebido aqui, Suiça minha segunda Pátria, mas com certeza orgulho de se a pessoa que sou e BRASILEIRA! Amei seu texto! Muito obrigada por compartilhar conosco!👏👏👏👏👏👏😘

  10. A ‘brasileirofobia’ definitivamente existe. Se algum dia já sofri disso, posso dizer que já superei! Me considero uma ‘brasileira cidadã do mundo’. Não escolho amizades baseado na nacionalidade das pessoas e sim por afinidade. Encho a boca para falar que sou brasileira sim, como tapioca, coxinha e não resisto uma farofa (quando disponível rs)! Assisto canal brasileiro, ensino português as minhas filhas (com direito a galinha pintadinha rs) e nem por isso deixo de estar por dentro do que está acontecendo aonde eu moro ou deixo de me socializar com os locais. Não tenho complexo de inferioridade ou me sinto envergonhada pelas cagadas que acontecem no Brasil. É muito libertador se aceitar como é e fazer as pazes com a sua origem. Recomendo a todos!

    • Exatamente, Jailene! Essa sensação libertadora de aceitar as diferenças e olhar para as pessoas com mais humanidade deixa tudo mais leve, inclusive a vida! Beijos e super obrigada pelo comentário! 🙂

  11. Tudo isso e verdade, pois moro no Japão. E sei como são os brasileiros quando nos encontramos em alguns lugares
    Outros tem vergonha de ser o que são outros tem orgulhos
    Já os japoneses ao contrário dos brasileiros gostam de nós como nós somos extrovertidos , sorridentes e brincalhão . Eu amo falar que sou brasileiro com muito orgulho sim obrigado .

  12. Pelo menos VC deu um nome a ‘isso’…
    Sempre me pergunto: que DOENCA e essa que muitos brasileiros tem de se depreciarem, se auto defamarem, se auto segregarem?…pode me explicar?
    Nao consigo ver senso nisso e acredito que ja esta na hora de se contruir uma forte auto estima. Chega a ser embarrassing!..
    Ok vejamos um mantra para comecarmos a melhorar isto: “somos inteligentes, honestos, trabalhadores, amigos, bonitos e respeitamos nossas origens assim como a dos outros… “….respire fundo…outra vez: ” somos honestos……
    Cruz!

  13. Belíssimo texto, quanta inspiração…Vc disse tudo Analu. Eu estou em Portugal desde o início do ano, fui bem recebida, não tenho vergonha nenhuma de dizer que sou brasileira. E digo mais, cada dia amo mais o meu país e povo igual ao nosso não existe. Mesmo com tudo que está acontecendo por lá.Tive dificuldades de adaptação no início e quem me “socorreu” e devolveu minha alegria e tranquilidade? os brasileiros claro, com sua alegria, alto astral e calor humano. Fico triste quando escuto brasileiros falando do nosso Brasil, mas entendo que cada um que fala mal, no fundo do coração sente amor e sonha com uma melhora no país. Parabéns mais uma vez pelo belíssimo texto. Bjs

  14. Meus parabéns – foi tão espetacular o que li – que fiquei sem palavras… apenas o que posso lhe dizer é GRATIDÃO!!!

  15. Excelente texto. Olha, Analu, nunca sofri dessa doença porque sempre tive muito orgulho de ser brasileira. mas sei que muitos brasileiros no mundo sofrem dessa enorme besteira. Sou atriz, arte-educadora e escritora. Saí do Brasil em 1989 e fui visitar uns amigos, atores, em Amsterdã. Fiquei dez anos. Casei tive duas filhas e criamos, junto com outros artistas, diversos eventos anuais como o Carnaval Brasileiro, Festa Junina para adultos e crianças. E ainda nem falava holandês. Viajamos pela Holanda e Bélgica levando teatro e música – histórias brasileiras – para as crianças. Criamos um jornal em duas línguas – Papagaio, juntamos aos brasileiros e interessados na cultura brasileira. Hoje moro em Joanesburgo, Africa do Sul, mas na Holanda a comunidade brasileira é forte. Os meus amigos, hoje, são donos da Casa Munganga, um espaço cultural aberto para teatro, música, filmes, debates etc. A grande maioria de brasileiros que sofre dessa fobia, falo isso por experiência própria, é gente que se acha parte elite – coitados, no fim são todos estrangeiros! – porque está estudando, porque pode ficar de boa sem se preocupar com aluguel, afinal tem mesada, etc. É essaque gente se acha mais importante do que o capoeirista brasileiros que trabalha dando aulas e fazendo shows e quase não frequentou a escola por falta de oportunidade. Dessa gente eu tenho pena!

  16. Oi Analu.

    Muito bom o seu texto. Tão bom que gostaria de tê-lo escrito!

    Sinto-me como alguém ali em cima: nasci no lugar errado. Mas como não acredito em outra vida, creio ser nossa tarefa buscar a gelicidade e as coisas boas nessa aqui mesmo.

    E não tenho conseguido encontrar muitas perspectivas de melhora a curto, médio ou longo prazo. O Brasil não está em crise. Ele simplesmente é assim.

    E quando constatei isso, entristeci e desgostei de tal maneira, que resolvi sair. Vou-me embora. Cansei. Não quero mais lutar por um país que não luta por mim.

    Como a colega disse, não é só porque nasci aqui que sou obrigado a amar o Brasil. E olhe que amo! Sentimentos dúbios e tristes…

    Minha esposa e eu iremos à Itália reconhecer sua cidadania e pretendemos por lá ficar.

    Espero um dia ter essa saudade toda do Brasil.

    Sei não…

  17. Acho super válido o texto debater sobre esse assunto, mas não concordo com alguns aspectos. Falo com a experiência de quem já morou em 2 países e está em vias de partir para o terceiro. Primeiro, acho importante termos orgulho de quem somos e de onde viemos. Sempre apresentei da seguinte forma quando perguntada sobre o Brasil “venho de um país riquíssimo, com muitas pessoas pobres”. Essa é a nossa realidade e não sou eu que tenho que ter vergonha, quem tem que ter vergonha são os políticos e demais cidadãos que adoram um jeitinho brasileiro – um eufemismo tupiniquim para a pequena corrupção do dia a dia. As pessoas têm uma percepção errada de que somos pobres, de que somos inferiores, nada disso. É essa corrupção sistêmica, a inércia dos eleitores e a incapacidade de mobilização que nos deixa estagnados. Quantos países do mundo pagam a quantidade de impostos que nós pagamos? Quantos têm as riquezas naturais que temos?
    Conviver com brasileiros no novo país não te faz sentir no Brasil, aliás, cuidado! Muitas pessoas na nostalgia que costuma impregnar os expatriados acabam por se envolver com todo tipo de conterrâneos, até aqueles com os quais você jamais se relacionaria se estivesse no Brasil. Mas aí, na carência, a pessoa pensa: ah, mas é brasileiro, tá tudo certo. A pessoa acha que rola um certo senso de irmandade pelo simples fato do outro ser brasileiro. As pessoas devem se unir por afinidades, não por nacionalidades. Nem todo brasileiro gosta de festa, de futebol, de samba (aliás, abaixo os estereótipos!).

    Um segundo aspecto é a questão da inclusão no país: perdi as contas de quantos brasileiros conheci que moravam há anos na Espanha mas não falam espanhol; moram há anos nos Estados Unidos mas não falam inglês. Que espécie de integração é essa? A nossa fama no exterior não é boa e sendo muito sincera não é injusta com grande parte. É injusta com aqueles que lutam para se integrar, para fazer parte de uma nova sociedade, que trabalham duro, que seguem as leis. Para esses sim é injusto porque acabam levando uma fama que não deveriam. Toda pessoa precisa sair de sua zona de conforto para crescer, se for para conviver só com brasileiros, se for só pra falar seu idioma, por que saiu do Brasil então?

    O meu orgulho de ser brasileira não passa necessariamente pela convivência com outros brasileiros. O meu orgulho passa sim pela exaltação das coisas boas que temos (que são muitas), das nossas conquistas e do trabalho duríssimo que temos pela frente na busca por um país melhor para todos.

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