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A comunidade indiana nos EUA

Esta história começou há alguns anos quando vim para os Estados Unidos com um objetivo, aprender a língua inglesa. Minha estratégia de guerra foi dividir um apartamento somente com americanos para poder praticar o inglês. Éramos quatro no total: uma americana nascida no Texas – filha de uma mexicana mãe solteira, um afro-americano nascido no Brooklin, uma indiana e eu. Foi uma experiência surreal, pois me mostrou que a América é fruto de toda essa miscigenação.

Acabei ficando amiga da indiana, tudo era tão diferente, inclusive a pronúncia do nome dela, Apoorva. Foi ela quem me ensinou que indianos falam pelo menos duas línguas diferentes, não usam talheres para comer e o que é spicy food (comida apimentada).

Apoorva tinha 23 anos naquela época e estava procurando desesperadamente um marido. De acordo com ela, na cultura indiana 25 anos já era considerada velha para se casar. Apoorva era implacável, todos os finais de semana tinha um dating (encontro) diferente. Nos divertimos bastante, fui em algumas boas festas de indianos outras de não indianos. Até que finalmente deu final feliz, ela encontrou o seu príncipe, casou-se linda, antes dos 25, em seu saree (vestido tradicional indiano) vermelho.

Apoorva faz parte dos 3 milhões de imigrantes indianos nos Estados Unidos que representam atualmente a maior massa demográfica no país, ultrapassando até mesmo os mexicanos. A maioria possui escolaridade elevada, ensino superior completo e além disto, possuem conhecimento na língua inglesa, o que é um grande diferencial.

Conforme o professor de ciência de política da Universidade da Pensilvânia e co-autor do artigo: The Other One Percent: Indians in America (O outro um por cento: Indianos na América), houve três ondas de imigração originada na Índia para os Estados Unidos.

A primeira onda deu-se em 1965, período em que os Estados Unidos implementaram o Immigration and Nationality Act (Ato de Imigração e Nacionalidade), onde 12 mil indianos imigraram para o país, sendo a maioria destes médicos, engenheiros e cientistas. Já a segunda onda foi nos anos 80, quando os parentes dos indianos já estabilizados nos Estados Unidos, migraram. Finalmente, a terceira onda, chamada de TI geração, migraram na década de 90. Mais de 100 mil cientistas da computação vieram para o país a fim de auxiliar e desenvolver novas tecnologias para empresas americanas no “Bug do Milênio”.

Os imigrantes indianos geralmente chegam pela porta da frente dos Estados Unidos com vistos de trabalho, um ponto que favorece o sucesso da comunidade no país. A maioria dos profissionais vêm de empresas de tecnologia de Mumbai ou Nova Deli e passam a ter seu novo destino de trabalho em Wall Street – Nova Iorque. Desta forma, uma grande massa de indianos se concentram nas regiões próximas a Nova Iorque e como havia mencionado no texto “Quase em Nova Iorque”, morar em NJ – Nova Jersei é uma opção viável.

Essa seria uma das razões de Nova Jersei possuir uma das maiores comunidades indianas no país, porém gostaria de destacar uma cidade em particular, Edison – NJ. Estima-se que a população de indianos nessa cidade seja de aproximadamente 17%. Edison, possui uma rua famosa chamada Oak Tree Road, conhecida também por little Índia (pequena Índia). Após estacionar o carro e abrir a porta, você sente o cheiro da masala (mistura de temperos) no ar, imediatamente se faz certa de estar em Oak Tree Road. Andar pelas ruas é o mesmo que se estivesse nas ruas de Bandra, em Mumbai, várias joalherias espalhadas pelos quarteirões exibindo seus mangalsutras (colar de casamento) e sarees pendurados nas vitrines nos convidando para vesti-los.

E claro, não podendo faltar nunca a comida indiana. Para os que pensam que sabem, mas não sabem, o tempero indiano vai muito muito além do curry (aquele tempero amarelo que na verdade é açafrão). Em Oak Tree Road, existem várias opções de pratos desde dosas (equivalente a panquecas), idly (pequenos bolinhos) e sambar (lentilhas) feitos no sul da Índia, como você pode experimentar chicken tikka masala (frango com molho de tomate) e tandori chicken (frango grelhado) feitos no norte ou provar a famosa samosa (similar à uma empada recheada de batata e ervilha) tomando o delicioso chá indiano. Fazendo um parênteses aqui, a comida indiana teve um papel muito importante na minha história com a cultura. Ela abriu minhas percepções para novos sabores, cores e principalmente para com o que seja respeito. Respeito com o alimento, com quem o prepara e com os que se sentam à mesa.

Foto: Arquivo pessoal

E em meio a toda essa diversidade, a vida me mostrou que quando abrimos nossa porta para o diferente, coisas inimagináveis acontecem. Sim, elas acontecem. Mesmo quando nossas crenças são tão fortes ao ponto de nos fazer cegos para a felicidade. Também foi Apoorva quem deu a chave para a minha porta ao colocar um indiano no meu caminho. Aquele que me mostra todos os dias como a vida é maravilhosa através de um olhar diferente sobre o mundo. O meu príncipe, o meu marido. E nessa miscelânea de raça, cultura, o amor da minha vida estava guardado e deu final feliz para mim também.

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2 comentários

Andre Pirré Julho 20, 2017 at 7:02 pm

Lindo post Gabi, sucesso!

Resposta
Gabriela S Setembro 19, 2017 at 8:02 pm

Sem sinto assim quando me aprofundo em assuntos relacionados à India, abrindo portas para o novo. Adorei saber mais sobre suas interessantes experiências e visão de mundo. Parabéns!

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