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Mercado de trabalho para estrangeiros na Turquia

Esta é sempre uma das primeiras preocupações de quem se muda para o exterior. Quando decidi me mudar para a Turquia meu objetivo principal não era o trabalho, mas nem por isso deixou de ser uma das minhas preocupações, também. Eu estava me casando com um turco, compreendia as diferenças culturais e isso levaria um tempo para me ambientar. E nessa busca de informações sobre trabalho ficou muito claro que o idioma é um dos fatores mais importantes nesse empreendimento. A necessidade do inglês ou da língua turca é extremamente essencial para se trabalhar por aqui, uma das minhas dificuldades. Meu inglês, na época, era muito básico e meu turco zero.

Não vou tratar neste texto das formas técnicas para se conseguir um trabalho na Turquia e nem de documentação, porque isso pode variar muito de um setor para o outro e das condições de busca. Vou falar um pouco de como é para um estrangeiro trabalhar na Turquia, de que forma conseguiu esse emprego e quão satisfatório ou não foi essa mudança.

Para isso, conversei com dois amigos brasileiros que vieram para a Turquia a trabalho, de setores diferentes, Margareth Perucci, professora de inglês no High School da escola Işikkent eğitim kampusu atualmente, mas já trabalhou com treinamento e aperfeiçoamento de professores, é tutora freelancer para o curso de formação rápida de professores da Cambridge (CELTA) e também publicou o livro Passages pela Cambridge University Press, juntamente com Chuck Sandy e Jack C. Richards. O outro amigo que também colaborou para que eu pudesse escrever com mais propriedade sobre o assunto foi Juliano Vandir Zuege, Regional EHS Lead na Japan Tobacco International.

Na área da educação parece haver sempre mais oportunidades, isso porque uma escola que tem um professor de línguas nativo dá um prestígio melhor ao estabelecimento.

Leia também: Como requerer o documento de residência na Turquia

Margareth me disse que contratam apenas professores com mestrado como grau mínimo. Os benefícios são vantajosos e vou citar alguns, como exemplo. No caso dela, possui seguro de saúde privado e público. O privado é pago integralmente pela escola e abrange seus dependentes, caso opte por isso, pagando uma pequena taxa mensalmente, que é descontado no salário. O bom do seguro privado é que pode ir a qualquer médico que necessite sem pagar por isso, diferente de quem só tem o seguro público, cujo atendimento é restringido aos médicos que realizam atendimento na rede pública e caso queira outro é necessário pagar uma taxa pela consulta, que pode variar os valores. Em casos de afastamento por motivo de doença ou acidente de trabalho, o salário continua sendo pago integralmente. Há licença-maternidade de quatro meses para quem engravida e as férias seguem o ritmo das férias escolares, uma semana de férias de primavera, dois meses de férias logo após o Ramadan, quinze dias de férias de inverno e uma semana não obrigatória de férias de outono. A refeição é oferecida pela instituição.

No período de contratação, a documentação exigida deveria ser traduzida para o turco e, segundo ela, não foi das mais burocráticas. Uma das coisas que salientou é que sempre deve ser verificado se o pagamento do “Sigorta” (seguro social) está sendo feito corretamente, porque existem casos de as empresas pagarem valores abaixo do correto e isso implicará diretamente no valor recebido na aposentadoria. Como professora de inglês, a falta do idioma turco não dificultou sua contratação e até o momento não tem sido uma barreira.

Já em outros setores como no que Juliano trabalha, o idioma turco, segundo ele, é necessário para alavancar o trabalho, mas ele também se comunica em inglês com os colegas de profissão. O seguro social é integralmente pago pela empresa, enquanto o seguro de saúde é privado e existe uma coparticipação por parte do funcionário e a cobertura é estendida a todos os seus dependentes, esposa e filhos. Seu seguro é internacional, isso lhe dá uma cobertura ampla onde quer que esteja, diferente de um funcionário turco. Segundo Juliano, os benefícios de um estrangeiro são diferentes do sistema turco e são bem mais vantajosos. Um exemplo disso são as férias: tem direito a vinte e cinco dias enquanto os turcos, nos primeiros cinco anos, gozam de apenas quatorze dias e após cinco anos de trabalho, vinte dias.

Juliano veio para a Turquia transferido pela empresa que trabalhava no Brasil. Neste caso, a sua aposentadoria segue as regras do país empregador, o Brasil.

Ainda sobre a aposentadoria, vale ressaltar que os anos de contribuição no Brasil são aceitos na Turquia. Sendo assim, quem vem para cá e trabalha legalmente poderá usufruir dos benefícios da aposentadoria por aqui, somando o tempo trabalhado e contribuído nos dois países, Brasil e Turquia.

Em todos os setores o visto de trabalho parece não ser tão burocrático  em relação à solicitação de documentos, mas vir para a Turquia sem um emprego em vista e sem falar o idioma, ambos me disseram a mesma coisa e eu também tenho visto isso, é sempre muito difícil e burocrático. Existem documentos que devem ser expedidos e reconhecidos somente no Brasil e o consulado, nesse caso, não pode fazer muita coisa, porque a exigência é turca, diferente de quem já vem contratado ou transferido.

Agora vou tratar do cenário atual turco. Estamos vivendo uma economia instável, com uma inflação que superou as expectativas, chegando a 19,71% em março de 2019, o que acarreta diretamente nos valores da alimentação e moradia. Acabamos de passar por uma eleição municipal no dia 31 de março e sempre esperam por mudanças, nessas ocasiões.

Há várias empresas que fecharam as portas e outras que, para não fechar, estão fazendo rodízio de funcionários, quinze dias trabalham e quinze dias ficam em casa, com 50% do salário pago pela empresa e 50% pago pelo governo, mas isso implicará diretamente no tempo de aposentadoria desses funcionários.

A economia não está estável e isso torna o cenário um pouco mais complicado para quem vem “tentar” uma oportunidade na Turquia. Não que não seja possível conseguir um emprego por aqui, mas com certeza não será tão fácil. Para quem deseja essa experiência é bom se preparar no conhecimento da língua turca e/ou inglês. Por aqui, há cursos de idioma gratuitos oferecidos pelo governo, mas são em datas específicas e com quantidade mínima e máxima de alunos.

Já cursos particulares da língua turca ou inglesa não possuem valores nada atraentes, por aqui.

Leia também: Cursos gratuitos na Turquia, onde fazer

Em um olhar geral sobre trabalho na Turquia para quem não vem com algo certo, um contrato firmado pode ser um ato um tanto quanto de risco.

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