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Sistema Educacional da Eslovênia

Sistema Educacional Esloveno: Pré-escola e Ensino Básico

Este ano, em março, minha filha completou e, portanto, deverá ir à escola. Um grande passo para ela e para mim, que ainda não falo a língua eslovena e deverei acompanhá-la nesta aventura.

Na Eslovênia, o Ministério da Educação, Ciências e Esporte é o responsável pelas diretrizes que regem a Educação. No caso da educação básica, esta é gratuita, garantida pela Constituição, e compulsória.

A educação básica segue uma estrutura educacional única e integrada, com duração de 9 anos, que compreende o período de educação das crianças na faixa dos 6 aos 15 anos (Ensino Básico). Depois do Ensino Básico, aos 15 anos, os jovens cursam o Ensino Secundário, que leva de 2 a 5 anos e é gratuito. O Ensino Superior também é gratuito, sendo que paga-se uma matrícula de 30 euros anual.

A Pré-escola (3 aos 5 anos)

A partir dos 11 meses, é possível frequentar. As crianças são divididas em dois grupos por faixa etária: 1 a 3 anos e 3 a 5 anos.

A pré-escola, tanto privada quanto a particular que são subsidiadas pelo Governo, devem seguir o Kindergarten Curricullum, o documento que dá as diretrizes para o ensino.

O Vrtec, ou jardim de infância, é subsidiado pelo Governo e o preço varia de acordo com a faixa salarial dos pais, ou seja, não é gratuito. Quem ganha mais paga mais segundo uma tabela.

As pré-escolas particulares subsidiadas seguem a mesma regra (paga-se de acordo com renda salarial dos pais) e as que não são subsidiados o preço é igual para todos.

Existem poucas pré-escolas particulares na Eslovênia, muitas seguem o método Montessori. Quando chegamos à Eslovênia, optamos por uma pré-escola particular que seguia este método.

Escola primária

As escolas primárias, e todo o ensino básico, dos 6 aos 9 anos é gratuito. As escolas são laicas, pois a Constituição eslovena separa Estado e religião.

Normalmente, as crianças são inscritas pelos pais para as escolas que fazem parte da região onde moram (bairros). O ano letivo inicia-se em setembro, portanto as crianças que completam seis anos antes de setembro devem ser matriculadas ainda neste mesmo ano. Existe a possibilidade de retardar a entrada até o próximo ano, questão a ser discutida entre pais e professores.

A currículo mandatório de matérias no ensino básico inclui: Língua eslovena e Italiana ou Húngaro, em regiões de áreas com etnias mistas; duas Línguas Estrangeiras; História; Ciências Sociais; Geografia; Cultura Patriótica e Cívica; Matemática; Ciências Naturais; Educação Ambiental; Tecnologias da educação e Informação; Química; Biologia; Artes Visuais; Educação Musical; Esportes; Tecnologia e Educação Doméstica.

Os estudantes assistem às aulas num período entre 8:20 e 12:00 (com variações) e após este horário podem frequentar atividades extracurriculares.

Para todas as escolas de ensino básico é compulsório oferecer aos alunos as seguintes atividades extracurriculares gratuitamente:

  • Matérias não compulsórias opcionais (Primeiro ano: Línguas estrangeiras; Do 4º ao 6º ano: segunda opção de Língua estrangeira, Arte, Ciência da Computação, Esportes, e Tecnologia; Do 7º ao 9º: Segunda Língua Estrangeira);
  • Lições de apoio (Para crianças que necessitem);
  • Aulas suplementares (Para alunos com uma desempenho acima da média em alguma matéria);
  • Cuidado matinal (Duas horas no máximo antes do início das aulas para o primeiro ano);
  • Lições extras pós-aulas (Do ano 1 ao 5: As crianças fazem seus trabalhos de casa, estudam, participam de várias atividades e fazem um lanche. Em geral, 5 horas por dia, podendo ser mais);
  • Atividades extracurriculares (Para despertar o interesse das crianças em atividades diversas todas as escolas possuem coros de música, atividades artísticas, técnicas e tecnológicas e aulas de ciclismo – andar de bicicleta).

Segundo uma decisão recente (2017), todo o material escolar passa a ser gratuito. Essas são alguma informações oficiais sobre o ensino, agora farei minhas observações.

Minha filha frequentou dos dois anos e meio até os cinco anos e meio um jardim de infância particular, e ano passado decidi colocá-la no público, na mesma escola onde começará seus estudos.

Minha decisão tem a ver com o fato de a pré-escola particular ser bem diferente da pública. Na particular, o grupo era bem menor e as crianças estavam numa faixa etária menor do que a de minha filha. Achei que seria uma mudança drástica sair direto daquela escolinha com tão poucas crianças e ainda menores que ela para um primeiro ano escolar diretamente.

Eu estava certa, ela sentiu a diferença entre estudar numa turma com 15 alunos e uma de 23, onde quase todos estão na mesma faixa etária dela. Com um número alto de crianças (é permitido no máximo 28 com uma professora e uma assistente), ela passou doente de setembro do ano passado até quase março deste ano, dureza, mas se não adoecesse agora, adoeceria na escola, pois no inverno é assim mesmo.

Entrar numa turma que já se conhecia, com grupinhos já formados, também não foi fácil, ela ficou de fora algumas vezes, mas adaptou-se.

Entre longas licenças médicas, algum choro e reclamações, ela sobreviveu!

Conversamos muito e apoiei-a bastante, como mãe claro, e quem é mãe sabe, com aquela vontade de, às vezes, chorar junto sua tristeza ou aquela vontade de ir lá tirar satisfação com aquelas crianças que… “como podem não querer brincar com minha filhota que é tão legal!”.

Crescemos juntas na mudança, eu trabalhando minhas emoções e ela as dela.

Não tenho uma opinião ainda sobre a qualidade do ensino esloveno, já que minha filha entrará na escola agora. Os eslovenos acham o ensino bom, mas dizem que pode melhorar. Detalhe: difícil alguma coisa ganhar nota máxima de um esloveno! De tudo que sei, parabenizo um país, onde:

  • TODOS têm acesso à educação.
  • Quem mora longe tem transporte e ajuda do Estado.
  • Quem não quer ir para a Faculdade é estimulado a fazer um curso técnico, numa boa, sem preconceito. Esses profissionais atualmente são até mais requisitados no mercado.

O custo da educação pré-escolar está atrelado ao salário dos pais. Quem ganha mais pode mais e paga mais. Portanto, aqui nas escolas toda criança é igual. Na mesma escola estudam filhos de ministro, cabeleireira, arquitetos, caixas de supermercado e assim por diante.

O resultado é uma sociedade com diferenças sociais pequenas, o que gera um índice de violência baixíssimo, pois educação não é privilégio de alguns mas direito de todos.

E não é só no papel.

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1 comentário

Gabriel Oest Maio 14, 2018 at 1:27 pm

Olá Marta,

Tenho acompanhado os seus posts sobre a Eslovênia e esse me interessou bastante.
Estou com a possibilidade de me mudar a trabalho para Eslovênia, com minha esposa e dois filhos (2 e 10 anos). Você poderia passar os custos do jardim de infância particular que sua filha frequentou? E na educação pública, a língua das aulas é o Esloveno?

Até mais,

Gabriel Oest.

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