BrasileirasPeloMundo.com
Dicas para viajar sozinha Turismo Pelo Mundo

Turismo consciente e o impacto local

Para o segundo texto da série “Repensando o turismo”, trago aqui um dos tópicos mais paradoxais do tema. De um lado, o turismo é responsável por girar economias de cidades e até países inteiros. Por outro lado, a sua falta de regularização e a dificuldade para tal é uma ameaça e dor de cabeça para moradores e governantes.

Leia também o primeiro texto da série

A massificação do turismo, como podemos ver com a compra de pacotes e roteiros por grandes grupos e pontos turísticos ultra-famosos que ficam lotados de pessoas é um dos problemas desse turismo desenfreado que acaba causando, a longo prazo, uma ”caricaturização” da real experiência.

Essa massificação torna a vivência um espetáculo e, por que não dizer, uma mentira. Como se o espectador estivesse indo para um teatro em que ele, o turista, é parte da peça superficial em significado. Tudo não passa de uma representação e, novamente, uma “caricaturização” muito bem ensaiada. Faço assim minhas as palavras do Situacionista Guy Debord “Tudo o que era vivido diretamente tornou-se representação”, em que o natural e o autêntico se tornam ilusão.

Leia também: ETIAS – A nova autorização para entrar na Europa

Essa super produção do espetáculo desencadeia algumas consequências. Não é raro ir a ambientes extremamente turísticos e encontrar pessoas com roupas ditas típicas, mas, que se não fosse para o simples deleite do consumidor eles não estariam vestindo. Ou perceber que a comida local se adaptou ao paladar do turista: sem pimenta, sabores não tão fortes ou exóticos, ou rituais chocantes aos olhos sensíveis do estrangeiro que são adaptados ao público. Existe toda uma modificação da realidade com a única e exclusiva finalidade de vender mais.

Há, também, o que considero o pior impacto do turismo em massa: o aumento vertiginoso dos preços de tudo. Como consequência, há um aumento no custo de vida fazendo com que os nativos percam o seu próprio espaço geográfico. Não mais conseguem usufruir das praias paradisíacas, bairros centrais, muito menos restaurantes. São cada vez mais empurrados para periferias pouco desenvolvidas ou outras cidades, dando lugar à moradias temporárias e a casas de privilegiados estrangeiros que compram terrenos a “preço de banana”.

O turismo de massa, assim como qualquer consumo desenfreado, devora aquilo que o alimenta. Isso quer dizer que, a longo prazo, o que faz dos lugares um ser vivo, dinâmico e interessante, ou seja, seus habitantes nativos, não estarão mais lá morando, como se, analogamente, apenas sobrasse o esqueleto, e os turistas, urubus, terminariam de acabar com o último pedaço de carne, os moradores.

No fim, no futuro, visitar países que foram tomados e devorados por esse tipo de economia não será muito diferente do que ir a Las Vegas e caminhar pelas imitações dos principais pontos turísticos do mundo. Pois, a essência do lugar estará perdida. O turismo em massa pode não apenas ser o responsável pela extinção de animais, mas, também, extinção de culturas.

Como, então, praticar um turismo consciente?

De acordo com o Jornal de Turismo Sustentável o consumo turístico só irá começar a se balancear quando autoridades e a comunidade local se juntarem para delimitar estratégias de preservação cultural e ambiental frente ao consumo desenfreado. O que, por exemplo, já ocorre em algumas regiões da Ásia em que praias e ilhas inteiras são fechadas ao turismo para que o ecossistema se recupere.

Agora existe o importante papel do turista que está consciente da marca que está deixando naquela sociedade.

E o seu papel é pesquisar, e pesquisar muito sobre cada serviço contratado, revendo o seu próprio comportamento e optando por:

  • Empresas familiares.
  • Restaurantes em que os locais comem.
  • Evitar o consumo excessivo de plásticos (como garrafas d’água), pois muitos países não possuem coleta seletiva e o aumento de lixo é um problema notório.
  • Mantendo seu consumo baixo de água e luz. O alto consumo acaba aumentando os custos para os moradores locais.
  • Respeitando as referências culturais, não julgue ou sobreponha a sua cultura.
  • Comprando com produtores locais, aqueles que você sabe que produziram aquela peça.
  • Fazendo trabalhos de caridade.
  • Perguntando antes de tirar fotos, para algumas culturas, tirar fotos de suas deidades é extremamente ofensivo.
  • Não sujar as ruas.

Em resumo, o nosso papel enquanto turistas conscientes é minimizar os impactos sociais, econômicos e ambientais que causamos, gerando melhorias na economia local e sendo culturalmente sensível à necessidade e diferença do outro. Procurando conexões significativas com o lugar, tendo em mente que você não é um cliente, e sim alguém que teve o privilégio de conhecer uma cultura diferente.

Related posts

As 10 melhores praias em Sydney

Juliana Letra

Dicas de passeio na região basca

Lilian Moritz

Uma ilha chamada Santorini

Liliane Oliveira

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site ou suas ferramentas de terceiros usam cookies Aceitar Consulte Mais Informação