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Luana Cavalcanti, líder da Comunidade Women in Tech em Dublin

Na sessão de Entrevistas do Brasileiras pelo Mundo dessa vez, venho apresentar um pouco da história de vida de Luana Cavalcanti, que vive há cerca de 8 anos na Irlanda, e que vem fazendo uma carreira de sucesso na área de tecnologia. Fundadora do Ladies that UX Dublin (uma pequena empresa online direcionada a mulheres com cabelos encaracolados e crespos), Luana trabalha como designer UX e possui vários artigos publicados na plataforma LinkedIn.

BPM -Conte-nos um pouco sobre sua trajetória e chegada até a Irlanda.

Minha trajetória profissional me levou a trabalhar em turismo, onde me formei no ano de 2005 e, logo em seguida, comecei a trabalhar em transatlânticos como recepcionista. No entanto, quando voltei para o Brasil, em 2009, já estava decidida a mudar de país, e na época eu tinha como planos morar na Irlanda. E foi para onde fui. Vim como estudante de inglês em 2010, e, como estudante, eu só poderia trabalhar 20 horas durante o período de aulas. Eu lecionava português para estrangeiros e mais tarde fiz um curso do Instituto Camões. Com isso, ao longo do tempo, percebi que o que realmente gostava de fazer era trabalhar em localização. Daí, fui fazer um curso de localização na Imperial College of London e, com o passar do tempo, notei que estava totalmente inserida na área de tecnologia. Foi quando, em 2016, completei outra graduação e atualmente trabalho como UI/UX designer para uma empresa voltada pra área de blockchain.

BPM -Conte um pouquinho de como é a vida em Dublin.

Eu costumo chamar os irlandeses de ”latinos do norte”, devido à grande influência do catolicismo. Então, há costumes semelhantes, as crianças fazem a primeira comunhão, por exemplo, e há uma grande festa. No entanto, existem também muitas diferenças culturais. Há membros da família do meu marido que só vejo em casamento ou funeral, embora a família imediata eu vejo mais frequentemente. Como sou casada com irlandês, eu acabei rapidamente assimilando essas diferenças.

Leia também: o desafio de trabalhar como freelancer na Irlanda

BPM – O que mais lhe motivou a iniciar uma carreira voltada ao empreendedorismo?

O fato de ser imigrante e querer, de certo modo, me sobressair, me motivou e me motiva diariamente, além do fato de saber que na área de tecnologia paga-se muito bem. Há pesquisas que apontam o interesse de imigrantes na área de tecnologia, justamente por oferecer independência de localidade e financeira (devido aos salários e demanda). Quanto empreendedora, eu percebi durante um programa de mentoria que em Dublin não havia programas voltados para o empoderamento de gênero na área de tecnologia. Sendo assim, resolvi lançar em 2016 o Ladies that UX Dublin, e hoje temos mais de 450 membros locais (a maioria mulheres), e o meu trabalho é justamente promover habilidades técnicas através de workshops. A Ladies that UX Dublin é sem fins lucrativos, e, além deste projeto, eu estou trabalhando em um aplicativo voltado para mulheres com cabelos crespos e cacheados e, por conta deste trabalho, estou frequentando uma aceleradora de startup, que é uma incubadora de empresas.

Luana e uma amiga durante a premiação Women in Tech 2018

BPM – Quais foram as suas maiores dificuldades, desafios enfrentados até hoje, como expatriada e empreendedora?

Sem dúvida, a maior dificuldade que enfrentei aqui na Irlanda foi conseguir o meu primeiro emprego na área de tecnologia. Isso ocorreu somente em 2014, e na época eu trabalhava como gerente de projetos para uma empresa farmacêutica. Precisei antes disso investir em cursos técnicos de qualificações e consultoria voltada para imigrantes (a consultoria foi oferecida gratuitamente pelo Epic Programme).

BPM – Você sente saudades do Brasil e voltaria a viver algum dia em sua terra natal?

Eu sinto saudades, principalmente do clima, claro que sinto saudades também de amigos próximos e de familiares, mas reconstruí minha vida aqui na Irlanda com emprego na área em que eu sempre almejei e hoje em dia tenho família, e portanto não considero a possibilidade de voltar.

Leia também: como obter cidadania irlandesa

Deixe aqui alguma dica para as mulheres que pensam em começar uma carreira na Irlanda.

Estude bem sobre o país, já que a Irlanda é uma república e faz fronteira com o Reino Unido. Tem suas particularidades, mas é um hub para empresas da área de tecnologia. Sendo assim, se você também demonstra ou tem algum interesse, ou até mesmo já trabalhe na área de tecnologia, eu de fato recomendo ver a lista de profissões em alta demanda, e, caso a sua profissão esteja inserida na lista de empregos procurados, há uma enorme possibilidade de emigrar com um visto especial de trabalho, sem precisar vir como estudante. A Irlanda é um país muito receptivo, alegre, aberto pro novo, organizado e que, sem sombra de dúvidas, existe espaço pra criar uma nova vida ou dar seguimento a algo já começado.

Contatos: LinkedIn / Twitter/ Instagram/ Aplicativo

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3 comentários

Dan Carlos Fevereiro 3, 2019 at 2:27 am

Luana, se me permitir saber, qual outra graduação você fez para trabalhar com UI/UX Design?

Resposta
Debora Pedroni Fevereiro 8, 2019 at 12:58 pm

OI, Danni, entre em contato com a Luana por meio de um dos links disponibilizados no post. Obrigada.

Resposta
Luana Cavalcanti Fevereiro 14, 2019 at 1:20 am

Oi Dan, eu fiz um curso de graduação em Digital Technology and Design pelo DIT, mas antes já tinha experiência em TI, como project manager e como marketing designer.

Resposta

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