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Visto de estudante na Indonésia, existe?

Visto de estudante na Indonésia, existe? É claro que sim!

Há sempre tanto para se aprender nos movimentos da vida, e descobrir a existência desse visto de estudante, foi um dos aprendizados que tive conversando com um amigo brasileiro na Austrália há uns três anos.

Apesar da única maneira de entrar em contato com todo esse aprendizado ser através do nosso corpo e da nossa vida, sempre há algo de mais importante do que a nossa própria existência e experiência… Então, a gente tenta andar pelo mundo, respeitando os seres viventes e olhando para tudo aquilo que nos gera interesse ou sentido no caminho.

Para quem já leu alguns dos meus posts, sabe que estou morando em Jacarta há pouco mais de um ano, e minha irmã, que estava morrendo de saudades de mim e que é cantora e apaixonada por culturas – principalmente as que não estão nas vitrines da rua principal –, resolveu fazer um intercâmbio na Indonésia, para abrir novos caminhos com a música e para ficar mais perto de mim.

Dedicarei essa matéria para falar um pouco sobre essa oportunidade que a trouxe até aqui.

O Darmasiswa é um programa de bolsa de estudos organizado pelo Ministério de Educação e Cultura da Indonésia, em parceria com o Ministério de Relações Exteriores. Este programa está disponível para estrangeiros de países que possuem relações diplomáticas com a Indonésia, e almeja promover e difundir o interesse na língua e cultura Indonésia entre os jovens do mundo.

O programa foi lançado em 1974 como uma iniciativa da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático) apenas para alunos dos países que fazem parte do Sudeste Asiático, entretanto, hoje em dia o programa está aberto para alunos de mais de 90 países e já recebeu mais de 5.500 estudantes. Sensacional, não?

Ele é uma ótima oportunidade de intercâmbio para quem está ligado às artes e à cultura do oriente. Já sei que não poderia e não quero colocar tudo quanto for arte do mundo oriental no mesmo balaio, principalmente porque o que você vai encontrar na Indonésia é muito peculiar, no entanto, estando em uma das 17 mil ilhas da Indonésia, os ecos chineses, japoneses ou indianos foram e são historicamente sentidos na pele.

Para falar a verdade, estando no Brasil, qualquer coisa do lado de lá já é estar exposto a outros portais de significado e sabor, correto? Mas como sempre, certifique-se de que você vai respeitar e amar a cultura Indonésia, senão pode sofrer com os temperos, com a convivência com a cultura muçulmana (é o país mais populoso de maioria muçulmana no mundo, cerca de 85% de toda a população), e se acabar sofrendo com tudo isso, pode destruir a peculiaridade desse país que ninguém desconfia ser tão imenso.

Para o ano acadêmico de 2017/2018 – que vai de setembro de 2017 até junho de 2018 –, 710 indivíduos entre 17 e 35 anos, provenientes de 95 países do mundo foram aceitos. Apenas uma brasileira (para a minha alegria), minha irmã. Todos eles foram contemplados pelo governo da Indonésia com uma bolsa de estudos e uma vaga para estudar um assunto específico – podendo ser ele dança, música, pintura, medicina natural ou língua – em uma das centenas de universidades indonésias em diferentes ilhas e províncias.

Curtindo a irmã na Indonésia. Foto: Arquivo pessoal.

No Brasil não é muito comum, mas pelo mundo afora, principalmente na Europa e na América do Norte, onde estão os países com mais “grana” (e com mais culpa no cartório) há inúmeras orquestras de gamelão. Esse dado comprova uma estratégia do governo indonésio que, apoiado pelos seus mais recentes ex-colonizadores, os holandeses, por volta dos anos 70 começaram a promover a cultura indonésia a fim de gerar mais interesse e assim perpetuar a cultura e não perdê-la. Isso também alimenta bastante o turismo, é claro, mas esse já é assunto para outro post.

Para participar, é necessário submeter-se a um processo de seleção no site do Darmasiswa, apresentar vários documentos com tradução juramentada, carta de intenções, portfólio, carta de recomendação, etc. E se você for selecionado, precisa ir até a embaixada da Indonésia, no caso de brasileiros em Brasília, para fazer uma entrevista final. O processo para o ano acadêmico de 2018/2019 está aberto a partir de dezembro de 2017, para chegada na Indonésia provavelmente no final de agosto de 2018.

O Darmasiswa serve como uma boa ponte em muitos casos. Minha irmã conheceu uma estudante Darmasiswa que tinha um namorado indonésio no seu país de origem e queria aprender a língua, por isso aplicou para o programa. Outra terminou o doutorado em letras e estava muito esgotada, querendo entrar em contato com outros assuntos. No caso dela (minha irmã), veio para ficar mais perto de mim e também para conhecer os passos musicais tradicionais da Indonésia.

Alguns vêm pela possibilidade de morar em um país exótico, diferente e acabam gastando mais do que recebem para estar aqui. Há também aqueles que vêm pela bolsa e vivem em condições bastante escassas para poder mandar o dinheiro às suas famílias (a bolsa não passa de R$ 600,00 mas essa quantia pode ser uma fortuna em outros lados do planeta).

Eu pude assistir a cerimônia de abertura do programa, que aconteceu em Jacarta no final de agosto deste ano e foi algo realmente muito bonito, vi apresentações de dança de diferentes regiões do país, assim como apresentações musicais e até fizemos parte de uma das intervenções, com todos os mais de 700 presentes na sala tocando a música Imagine, dos Beatles num instrumento local conhecido por Angklung.

Os estudantes estrangeiros são chamados de Indonesian Ambassadors e tenho certeza que muitos voltarão para o seu país de origem deixando parte de seu coração aqui no país das milhares de ilhas…

Espero que tenham gostado do texto e aguardo mais brasileiros por aqui participando do Darmasiswa no próximo ano!

Até breve!

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