Escócia – Como os escoceses tratam os animais

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Se tem uma coisa que me chamou a atenção aqui na Escócia, foi a situação dos animais. No Brasil, eu estava acostumada a ver muitos cachorros e gatos de rua (e a levá-los pra casa também, muitas vezes). Mas, aqui, ainda não vi nenhum. Se vê  gatos andando pela rua, mas todos de coleira, o que significa que têm donos e estão dando uma voltinha.

Aliás, no Brasil, eu não deixava nunca meus gatos terem acesso à rua. Existia o  risco de atropelamento, e de pessoas que maltratam, dão carne com veneno, jogam pedra, tacam fogo…. Tudo porque o coitado do gato pulou no quintal da pessoa, ou chegou perto. Quem é envolvido com a causa animal sabe dos horrores que infelizmente ainda existem no nosso país, frutos da ignorância e da falta de compaixão.

Eu trouxe meus 4 gatos para a Escócia, e ainda não os deixo sair. Mas os gatos da vizinhança passeiam pelo nosso quintal todos os dias, e meus gatos ficam olhando, pela janela, indignados com tamanha ousadia. Ele vão por tudo e, quem gosta, faz carinho, dá comida (o gato da vizinha é alimentado em 3 casas diferentes) e quem não gosta, simplesmente ignora.

Essa falta de animais de rua é tanto resultado da mentalidade mais educada daqui quanto de políticas públicas de controle de animais. Claro que existem problemas, e vários abrigos de animais pedindo contribuições. Mas nem se compara à situação do Brasil.

A lei escocesa considera ofensa passível de multa encontrar um animal de rua e não tomar uma providência. Ela dita que você deve, obrigatoriamente, fazer uma dessas 3 coisas:

  • Devolver o animal ao dono, caso ele tenha coleira com nome ou alguma identificação;
  • Levar o animal para casa e telefonar para que as autoridades o busquem;
  • Levá-lo até uma estação de polícia.

Você não pode, simplesmente, ver um bichinho solto passando por aí e ignorá-lo. Caso não tenha dono e você queira ficar com ele, precisa informar às autoridades e colocar um microchip com as suas informações.

Outra coisa muito boa daqui é que criadores são fiscalizados. Precisam seguir regras de bem-estar animal, como não permitir que a mesma fêmea tenha mais de 2 crias por ano, com um máximo autorizado de 6 crias durante a vida dela. Ela também não pode ser menor de 12 meses de idade, e os filhotes precisam ter pelo menos 2 meses  antes de serem separados da mãe. Também é necessária uma licença da prefeitura para vender qualquer tipo de animal.

A Escócia é um país que ama cachorros, e a gente percebe isso não só nas leis (que aqui funcionam), como também no dia a dia. Eu lembro da primeira vez em que fui a um pub que tinha um Menu especial para cachorros, com itens como biscoitos, ossos com molho e até uma cerveja sem álcool especial para caninos. A maioria desses lugares também possui mantinhas para os cachorros sentarem em cima ou deitarem, o que evita que sujem os bancos. Cachorros também podem andar no ônibus e no trem, frequentar lojas e livrarias (a maioria possui um adesivo na porta informando que cachorros são bem-vindos) e até – pasmem! – ir à praia!! Tomam banho de mar e tudo, bem felizes e faceiros.

Isso deve ser porque os cachorros daqui são bem cuidados, vacinados, e não têm as verminoses dos trópicos. Existe também uma lei rigorosa que multa em até 1000 libras donos de cachorro que não limparem os cocôs deles. O vilarejo onde moro é bem pequeno, mas tem várias placas lembrando essa regra e estimulando as pessoas a denunciarem caso vejam algum infrator. “Scoop any poop” (recolha qualquer cocô) é a rima da lei!!

Esse amor por cachorros não é novo. Quem visitar o Castelo de Edimburgo, vai encontrar ali um cemitério especial para os cachorros dos soldados, por exemplo. E uma das maiores atrações de Edimburgo é a estátua do Greyfriars Bobby, o cachorrinho mais famoso da Escócia. Em 1858, o dono de Bobby morreu, e ele não apenas acompanhou o enterro como também se recusou a sair de perto do seu túmulo. As pessoas o tiravam de lá, mas ele dava um jeito de voltar, mesmo sob frio, chuva ou neve. Esse comportamento tocou o coração dos moradores, que construíram um abrigo para ele no cemitério, bem onde ele queria ficar. E por 14 anos ele ficou cuidando do túmulo do seu dono. Saía apenas para comer, todos os dias, à 1 da tarde, quando religiosamente – até hoje – acontece o disparo de canhão do Castelo de Edimburgo. A história se espalhou, e muita gente vinha de longe só para vê-lo nessa rotina. Quando ele morreu, foi enterrado o mais perto possível do seu dono, e ganhou uma lápide com os seguintes dizeres: “Greyfriars Bobby – morreu em 14 de janeiro de 1872, aos 16 anos. Que sua lealdade e devoção sejam uma lição para todos nós”.

Fonte: Arquivo Pessoal.

Muitos turistas visitam a estátua do Bobby e passam a mão no nariz dele, que já está até dourado de tantas passadas. Mas, se você vier a Edimburgo, NÃO FAÇA ISSO. Nada irrita mais os escoceses. O lugar certo de passar a mão para ter sorte é o dedão do pé da estátua do David Hume, na Royal Mile.

Outra coisa que eu vejo muito aqui, no interior, são cavalos de capas. Mal começa o outono e os cavalos já aparecem todos elegantes, com capas para se proteger do frio e da chuva.

Gandhi disse uma vez que a forma como uma sociedade trata seus animais dá a medida do seu grau de civilização. Eu concordo, e acho que são nessas pequenas coisas que percebemos o quanto o Brasil ainda tem a aprender.

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