Hungria – Segurança

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Ultimamente estou em contato com estudantes brasileiros que pretendem vir para a Hungria em intercâmbio e a pergunta que mais respondo é: Como é a segurança na Hungria?

Bem, para um brasileiro fica até difícil de explicar porque a diferença é absurda! Eu, como brasileira, mesmo vendo, demorei para assimilar a segurança que me cercava, mas foi a questão que mais me chamou a atenção.

No primeiro final de semana que passei na Hungria, em Pécs, meu marido, que na época era namorado, informou-me que iríamos encontrar os amigos dele na cidade. Até aí tudo bem. Arrumei-me toda e saímos de casa. Então ele disse que iríamos a pé.

– Como assim? A pé? Mas que horas vamos voltar? Já vai ser bem tarde!

– Sim, e daí? – respondeu-me ele, sem entender minha aflição, já que nunca reclamei de andar. E não era a distância que me preocupava…

Fomos andando por uns 20 minutos até chegarmos ao local, onde os meninos beberam, nos divertimos bastante e de madrugada, todos saíram a pé para suas respectivas casas, muitas até mais longe que a nossa, alguns iriam andar cerca de uma hora para bairros mais afastados do centro.

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Durante o caminho eu fui apreensiva, com medo de toda sombra que vinha de frente, contra a gente. Não entendia como os amigos do meu marido podiam caminhar para lugares até meio desertos naquela hora. Passamos por pedaços escuros, cheios de árvore, e eu quase tinha certeza de que algo iria pular dos arbustos. No Brasil teria sido pra pedir problemas, mas aqui nada aconteceu…

Depois de vários episódios como esse, comecei a entender que esse perigo que a noite oferece no Brasil, aqui não existe! Comecei a curtir a caminhada à noite e hoje adoro andar até em casa, é a parte do passeio que vamos comentando sobre os fatos da noite e respirando o ar puro de uma cidade quase sem carros pelas ruas. Sabe aquele filme “Only you”, onde eles saem andando pelas ruas de uma cidade da Itália de madrugada? Eu achei que isso só existisse em filme mesmo, ficar vagando por aí ao luar, passeando no escuro… Mas aqui fazemos!

Percebi que com isso, essa segurança, acidentes com jovens bêbados no volante não acontecem. E não é porque bebem menos, que acho que os jovens húngaros bebem bastante, e nem por mais propaganda sobre os perigos com o álcool na direção, que nunca nem vi comercial sobre isso, mas sim porque eles podem caminhar e junto vem essa consciência de que, se querem beber, nem dirigem… Existe uma opção! Um jovem brasileiro não tem essa escolha, ele tem que dirigir… Mas como não beber nunca? As coisas acabam acontecendo… Aqui, se uma turma vem de carro, logo perguntam na festa: Quem está dirigindo? Pra aquela pessoa, eles nem oferecem bebida alcoólica. E ai de quem, dirigindo, pede uma cervejinha… Todo mundo olha feio. Por que não veio andando então? Simples! A consciência vem com a possibilidade de escolha.

É incrível assistir o jornal e só ter notícias políticas, no máximo uma briga entre vizinhos por causa de galinhas. Não se vê assassinatos com frequência, não que nunca aconteçam, mas são muito raros, não vemos no jornal notícias sensacionalistas e isso não é porque os jornalistas daqui não aproveitam o caso, é simplesmente porque não tem! Sequestro então, nunca vi. Assalto à mão armada, jamais. Já ouvi falar de furtos, mas sinceramente, nunca presenciei. Já cheguei a esquecer coisas em Budapeste, num parque público, voltar depois de meia hora e encontrar ajeitadinho para ser encontrado pelo dono. É algo para ficar boquiaberta! No máximo entram numa casa se a pessoa não está e levam algo rápido, o que está na frente, mas isso também não é frequente e se acontece, é motivo para escândalo da população. Também não ouço falar de gente que entrou com pessoas na casa e nem que limpou a casa toda. Imagina essa gente assistindo o Datena no Brasil…

Nunca imaginei que pudesse viver tão tranquila com relação à segurança. As crianças correm na praça enquanto eu tomo um cappuccino, ou escrevo com meu note e não preciso ter medo de que vão levar meus filhos ou meu computador. A vida é mais simples, mais leve… As crianças de uns 9 ou 10 anos vão de bicicleta pra escola e saem praticar esporte sozinhos, em turminhas, tranquilos.

Tenho muitas saudades da vida no Brasil, da família, dos amigos e do clima brasileiro em geral, mas essa segurança é algo que falta para que eu decida viver lá novamente. É difícil abrir mão da segurança do filho que, mais cedo ou mais tarde, vai sair com os amigos e não vai correr o risco de um acidente de carro e nem de violência nas ruas.

Eu fico abismada como, mesmo em Budapeste é possível ter uma vida tranquila e segura. Uma capital, com muita gente morando e até com moradores de rua, ouvi dizer que existe máfia e até mesmo skinheads, mas não vejo violência, não me sinto ameaçada! Tenho mais medo do trombadinha brasileiro. As pessoas andam a pé a noite da mesma forma, deixam as bolsas no banco enquanto brincam com o filho no parque… Fico pensando, de onde vem a violência que presenciamos mesmo nas pequenas cidades do Brasil?

É uma pena os brasileiros não poderem viver com cercas baixas e liberdade de andar pelas ruas, de ver o filho andar de bicicleta em lugares públicos… Se eu tivesse um pedido para fazer pelo Brasil, seria que os brasileiros pudessem viver na segurança que eu vivo aqui.

Enquanto essa questão não tem resposta, a segurança que a Hungria me oferece é algo que só reforça meu amor por esse país, ele me oferece liberdade.

 

24 Comentários

  1. Carol, é incrível como a segurança faz toda a diferença né?
    Pareceq ue a gente , brasileiros, nos acostumamos com a violência e insegurança.Aqui na França eu também sinto isso, é tão bom, você poder ir e vir e sabe que vai voltar com o seu compurador e carteira pra casa, saber que as crianças estarão bem , sem medo de um trombadinha agredir a eles por um celular ou algo parecido.
    Adorei o texto , Hungria esta cada vez mais na minha lista de viAgens!!
    Beejos

    • Ana Carina, eu tenho a impressão que os brasileiros não sabem que pode ser assim e até acham natural viver com medo… É uma pena isso…
      A Hungria realmente é um lugar para estar na lista de viagens. 😉 A França já está no meu faz tempo… Eu chego lá… hahahah
      Beijos!

  2. Um dos motivos que me faz continuar morando na Estônia é toda vez que vejo o jornal nacional pela internet e me deparo com as mesmas noticias ruins que nunca mudam e só pioram. Realmente a maioria dos outros Países tem segurança e Educação incomparáveis á do Brasil.

    • Sim Camila, é muito ruim ver jornal do Brasil… Eles procuram coisas pra mostrar!
      Da última vez que estivemos no Brasil, estava vendo o jornal com meu marido e passou uma notícia de violência da Alemanha… Qual a necessidade? Meu marido comentou: -Hoje a violência não foi suficiente no Brasil, aí importaram…
      Dei risada, mas é verdade! Parece que gostam de manter o povo em medo e acentuam a violência como uma coisa corriqueira.
      Fiquei pensando nisso, se a mídia não incentiva… Enfim, isso é um assunto bem complicado, mas é fato que não se compara.
      Beijinhos!

  3. Fico muito feliz por saber que no interior da Hungria as coisas são tranquilas nesse nível! Pois aqui em Budapeste já muda um pouco.. Não digo em relação a andar na rua e etc.. sempre ando a noite sozinho e nunca me aconteceu nada, exceto a um amigo que foi assaltado com um canivete, mas ele estava em um bairro conhecido por ser um pouco perigoso e, de fato, foi motivo pra grandes investigações!! Acredito que o que deixa a desejar em Budapeste seja a segurança dentro de casa. Moro há quase 7 meses aqui e soube de dois casos de invasão a domicílio, um deles na casa de um amigo e o outro em meu próprio apartamento há poucas semanas. Mesmo morando em um lugar considerado seguro e no 3o andar, sei que essas coisas podem acontecer em qualquer lugar, sendo Hungria ou Brasil. O que me chamou a atenção foi o pouco caso por parte da polícia, que simplesmente colocou fitas vermelhas na minha janela arrombada, como pra dizer ‘venham, ladrões.. essa janela está esperando por vocês!!’. Quando meu flatmate foi à delegacia, foi tratado de forma extremamente rude como se fosse um bandido. Nessa semana, também tentaram entrar no apartamento da minha vizinha, que ouviu toda a tentativa do lado de dentro, apavorada! Quando os policiais chegaram, obviamente os ladrões já tinham ido embora, e simplesmente falaram: “tranque sua casa e durma.. não há nada que eu possa fazer!”.

    • Olá Arthur!
      Entendo o que vc diz. A Hungria tem muito o que melhorar e tem certos pontos que até se parece com o Brasil, pois foi mais ou menos assim quando invadiram a casa do meu pai e levaram TUDO, que a polícia agiu. Mesmo assim, creio que a segurança aqui não se compara com a de lá e que Budapeste, por ser capital (vivi 2 anos áí) tem uma taxa mais elevada de violência, mas ainda considero segura para uma capital. Seu amigo foi assaltado de canivete, não de metralhadora, com em cidades grandes brasileiras, e pelo que entendi, ninguém foi ferido. Isso, no Brasil, não seria nem caso pra jornal. Entendo sua revolta, mas ainda acho que a Hungria é um lugar muito seguro.
      Fato que aumentaram os casos de roubo desde que começou a. crise, por aqui tb. Mas são furtos, sem maiores violência e o que eu quis mostrar é justamente a diferença entre dois países com problemas econômicos e os níveis de violência entre eles.
      Bom, espero que não te aconteça mais nada. Os policiais na Hungria podem ser uns chatos mesmo… 😛
      Abraço!

  4. Carol, parabéns pelo texto…. muito bom saber que há outros países tão seguros ou mais seguros que Cingapura! Afinal este é um dos principais requisitos para qualidade de vida não é mesmo… sinto muito pelo Brasil estar tão longe de tornar-se um país assim… mas quem sabe um dia não é mesmo… vou inserir a Hungria na minha pocket-list heheheh

  5. Querida Carol,
    Essa situação eu conheço muito bem…por motivo que sou do cidade de Pecs de nascença…Pois bem, e uma vida totalmente diferente…adorei seu relato ate lembrei dos lugares…acabei de voltar em novembro pro Brasil…depois de 3 anos entre Hungria e Espanha….esse segurança domina Europa inteira….Minha esposa e Brasileira…sinceramente ela nem queria voltar…mais nosso lugar (entre, passado presente e futuro imediato e aqui…nos teremos que ir novamente pra passar uma temporada de 6 meses a 1 ano…isso acontecera nos finais de 2015…para que ela defenda o doutorado dela….seria um imenso prazer de manter contato com vocês e quem sabe nessa data ate conhecer pessoalmente você e sua familia….de qualquer forma…desejo que sua vida continue na Hungria deste jeito como você descreveu..ou Melhor….ate mais…desarei meu e-mail pessoal pra contato…[email protected]ve .com sucesso e abraços….

    • Olá Elod!
      Puxa, que legal você ser de Pécs… Claro que podemos nos conhecer pessoalmente! Meu e-mail: [email protected]
      A vida aqui em Pécs é muito agradável. Eu pretendo ficar por aqui por muito tempo ainda, o quanto puder. 🙂 Adoro a cidade, adoro o seu ritmo e tudo o que ela oferece. Sinto falta de muita coisa no Brasil, claro, sinto saudades, mas me sinto muito tranquila aqui. Creio que a Hungria seja meu lugar.
      Avisa quando vierem pra cá. Abraço!

  6. Carol, adorei o seu texto, e é realmente uma diferença incrível. Eu morando na Suica nem preciso muito de falar de segurança né rsrsrsrrs o desespero da minha mae e de toda minha família e amigos no Brasil ;e que eu adoro fazer as coisas andando, ando com a bolsa aberta e não presto muita atenção aos meus redores, eles sempre acham que vou morrer esquartejada rsrrsrrsrsr mas é como voce falou, existem casos de crimes com certeza, mas são raros, nada comparado com o Brasil, nem com a atrocidade nem na quantidade e menos ainda na regularidade. O que mais desejo pro Brasil é segurança, educação e saúde, que Deus abençoe nosso pais pra que um dia possamos dar este tipo de depoimento sobre andar nas ruas de forma tranquila voltando pra casa no meio da madrugada sem problemas. Adorei o texto! Parabens Bjus

    • Ana, você falou tudo!
      Meus pais tb ficam de cabelo em pé por verem as crianças saindo de bicicleta ou correndo na nossa frente, a caminho do centro… ahahahah E na hora de brincarem na praça, que eles correm por tudo livremente?…
      Espero muito que o Brasil chegue lá um dia.
      Beijos!

  7. Adorei o texto da Ana e demais comentários … é exatamente este tipo de informação que procurava sobre a Hungria – mais exatamente sobre Budapeste. Pais pouco comentado em nossas mídias …
    Isso pq minha filha passou numa prova para a bolsa de estudo na ESSCA. Estou muito orgulhosa, mas ao mesmo tempo assustada por ela ir pra um lugar nada conhecido por nós. … qualquer ajuda ou referência será muito importante! Obrigada pessoal!
    beijos e abraços calorosos do nosso Brasil para vocês que vivem estas experiências magnífica de viver por aí neste mundão de Deus!!!!!!

    • Ana, muito obrigada!
      A Hungria é um país perfeito para se fazer intercâmbio: segura, receptiva e linda. Parabéns para a filhota e que ela curta muito seu tempo por esses lados. Se quiser mais informação, meu blog Carol Brasil/Hungria está a disposição, e se não encontrar o que procura, pode entrar em contato comigo.
      Beijinhos,
      Carol.

  8. Carol, uma pergunta rápida (não pude ler os comentários, mas se ela já foi respondida, peço desculpas): você conseguiu observar toda essa segurança em Budapeste? Estou tentando um intercâmbio e fiquei muito empolgado por ler coisas tão positivas sobre a Hungria! Como a universidade que estou almejando fica em Budapeste, com certeza morarei lá se conseguir o intercâmbio, e gostaria de saber se a cidade também é segura como Pécs.

    Parabéns pelo blog! É inspirador 🙂

    Beijos,
    Fellipe.

    • Olá Felipe!
      Morei 2 anos em Budapeste e percebi que é uma capital segura sim. Como capital, é claro que requer uns cuidados (nunca é demais, mesmo em Pécs), mas da mesma forma andávamos a noite sem grandes riscos. Ouvi falar em furtos, mas nunca presenciei um, honestamente. O pessoal que foi de intercambio pra Budapeste também está bem satisfeito e tem boas opiniões sobre a segurança da cidade. Existem alguns grupos de estudantes brasileiros que já estão por lá, no facebook. Da uma procurada, se quiser conferir de perto o que os que estão na mesma situação que vc estará estão dizendo. Em geral, a segurança na Hungria TODA é incomparável com a do Brasil.
      Obrigada pelo comentário e se quiser saber mais, da uma passadinha no meu blog pessoal, ou pode entrar em contato direto comigo pelos canais disponibilizados no meu blog. O endereço do meu blog pessoal é disponibilizado acima, ao final do texto. 🙂
      Abraço!

  9. Estou doido para conhecer a Hungria, mas ainda não fui por falta de tempo… Já visitei Marselha, Barcelona, Nápoles, Palermo, Mallorca e Stutgartt, mas ainda não me aventurei por essas bandas… Sempre digo à minha filha de 21 anos, que agora posso sair em definitivo do Brasil, pois ela já sabe se virar, e daqui a uns dois anos vai estar formada. Embora tenha crescido em um bairro violento de SP, até hj não me acostumei a isso, muito nefasto e bizarro. E por isso que pretendo me aventurar pelo leste europeu (leia-se Hungria), daqui a uns dois anos. E provavelmente não voltar mais ao Brasil.
    PS: Seria um sonho fazer isso que vc faz aqui em Sampa!

  10. Olá boa noite
    Eu sou Brasileira ,me chamo Gabriela e estou com meu marido de passagem por Budapeste até 03/12/2015.Hoje a noite entre 08:00/10:00 hr fomos ao banho termal e ao término deste meu marido no banho recostou sua câmera gopro pra passar a mão no corpo e saiu…Quando em segundos retornou à câmera foi levada.
    Lá é um lugar com muitos turistas eu sei , mas me senti indignada por terem me roubado em segundos.
    Não sei onde fica a delegacia por onde me encontro…Estou ao lado da igreja Judia.Se puder me ajudar com o endereço ficarei muito grata.
    [email protected]

  11. e dificil passar para um brasileiro que nunca saiu daqui, como e essa sensacao de seguranca. Ninguem esta dizendo que nao exista ocorrencia nenhuma, claro que ha. Onde o ser humano esta, vai haver algum tipo de violencia em algum momento. Mas, nada paga a sensacao de sair sem ter que ficar olhando pros lados, pra tras, medo de ir a pe, de onibus, de taxi, o que seja. Nos acostumamos sim com a violencia, a ver corpos nos noticiarios, aos Datenas da vida supostamente esbravejando contra, mas na verdade sensacionalizando.
    Eu amo a Europa e nao vejo a hora de voltar.

  12. Carol, obrigada pelo post a respeito de segurança, é uma informação importantíssima que toda mulher precisa ter ao programar uma viagem.
    No fim de junho comecei a pesquisar lugares para viajar sozinha nas férias, claro que infelizmente destinos brasileiros tornaram—se impensáveis. Por uma questão de segurança comecei a pesquisar a Europa e encontrei imagens de Budapeste. Que lugar lindo, cheio de história.
    Sua postagem no site foi a cereja, a resposta que eu precisava para me decidir.
    Duas semanas depois embarquei rumo a Budapeste, sozinha, com um inglês bem ruim.
    Que lugar fantástico, que lugar seguro para uma mulher, os homens nem ao menos nos encaram, podemos usar vestidos durante a noite no metrô e ninguém repara. Me apaixonei. Me apaixonei pela segurança das mulheres, pela segurança nas ruas, por poder sacar dinheiro no meio da rua, pela hospitalidade e simpatia dos húngaros, dividi quarto com pessoal da Finlândia, Dubai e Grécia. Posso dizer que perdi o medo de falar inglês. Voltei outra pessoa, com outra visão de mundo.
    Obrigada também pela postagem que conta como os húngaros são receptivos. São mesmo.

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