Da Bélgica para Moquegua no Peru

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Foto: arquivo pessoal
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Ufa cheguei! Acho que foi uma das viagens mais cansativas e longas nessa minha trajetória
expatriada. Chegamos em Moquegua, depois de 3 conexões de avião, sendo 17 horas de
voo com uma parada para dormir em Lima.

Chegando em Tacna, nossa última parada de avião, pegamos uma van e viajamos por mais duas horas até Moquegua. Foram 2 dias de viagem da Bélgica até aqui, com 2 crianças pequenas. Além da distância, ainda teve o fuso horário de 7 horas a mais que na Bélgica. Muita calma e uma boa dose de bom humor são primordiais para lidar com todas às situações de stress com os pequenos nessas viagens longas.

Já tínhamos alugado uma casa anteriormente e fomos recebidos pela dona da casa com
flores, doces para as crianças e uma bebida típica chamada Macerado de Damasco. A dona da casa disse que eu deveria tomar essa bebida de damasco, a sós com meu marido. Achei engraçada essa observação, mas ela foi muito simpática e amável!

O clima e a paisagem de Moquegua me agradaram bastante. Chegamos em julho e, apesar de ser inverno, estava um dia quente, com céu azul.

Moquegua está a 1300m do nível do mar. É uma região de montanhas áridas, porém com muito verde ao redor do rio que passa pela cidade. À noite, no inverno, fica mais frio com temperaturas podendo chegar até 10 graus.

Moquegua é uma cidade pequena, com 55 mil habitantes. A economia gira em torno de plantações de azeitona, palta (um tipo de abacate menor do que conhecemos no Brasil), além de limão, lima e damascos. As minas de Quellaveco e Cuajone também são importantes na economia da região e atrai muitos profissionais de outras regiões do Peru.

A universidade da cidade tem apenas 10 anos de fundação e, as famílias com melhores condições financeiras, enviam os filhos para estudarem em Arequipa. Moquegua é uma cidade pequena, mas bem acolhedora. Conheci o mercado da cidade, onde se pode comprar de tudo como frutas, verduras, arroz, feijão, etc. Fui com a dona da
casa que alugamos e ela muito simpática, fez questão de me mostrar onde fazer compras,
comprar frango, carne, verduras e arroz. Ela também me levou em uma bodega onde produzem o melhor pisco da região, chamada Biondi, além de outras que produzem vinhos Borgonha e Malbec.

Na primeira noite, fomos todos dormir cedo, afinal 5 da tarde já era meia-noite no fuso da
Bélgica. As crianças madrugaram por duas noites seguidas, acordando por volta de 4 e 5
horas da manhã mas depois, foram entrando no ritmo e se acostumando com o novo horário.

No terceiro dia por aqui, fui em busca de escolinha para as crianças e tive várias surpresas. Primeiro, porque nunca tinha visto escolas primárias com televisão em sala de aula. Segundo, porque nunca concordei muito com assistir TV na hora de comer e vi as crianças assistindo TV e fazendo o lanchinho às 11h da manhã. Bom, para quem estava acostumado com escola no Rio de Janeiro, com metodologia Montessori, acredito que vai ser difícil encontrar o mesmo padrão por aqui. Escolhi a escola mais organizada e que me apareceu mais acolhedora para as crianças.

Achei interessante que os pequenos com 2 e 3 anos de idade levavam atividades para fazer em casa. Cada um tem um caderno amarelo e todos os dias chegam atividades para fazer como recortar, colar e colorir. Sinceramente, acho um pouco cedo para essas atividades, mas enfim, parece que aqui no Peru é uma coisa comum e as escolas se diferenciam por ter inglês no currículo.

Chegamos no mês de julho e logo vieram as “fiestas pátrias” no dia 28 de julho, que representa o dia da independência do Peru da colonização espanhola. Fomos convidados para um desfile das escolas primárias da “Urbanización Primavera”, uma semana antes das fiestas pátrias. No dia 27 de julho, teve uma festa na escola das crianças, onde todos deveriam ir fantasiados de alguma região do Peru. Meus filhos, foram fantasiados de sereia do mar e caranguejo para representar a fauna do oceano pacífico. Todas as turmas dançaram, inclusive as professoras representando os costumes do país. Os pais e professores organizaram stands de cada região com comidas típicas que foram servidas no fim do evento depois que todas as danças terminaram. Todas as regiões estavam representadas: a região do Mar Pacífico, região Costa, região Sierra e região Selva.

Foto: arquivo pessoal

As comidas típicas estavam bem gostosas. Provei arroz com mariscos, ceviche
e a bebida chincha morada – que é feita de um milho típico da região que é preto. As
demais regiões, têm comidas como o chincharrón de chancho y pollo – são pedaços de
porco e frango empanados e fritos. A batata também é muito típica e é servida cozida e
pura com o restante das comidas típicas.

Foi sensacional participar da fiesta pátria peruana e conhecer um pouco mais da cultura
desse país com sua culinária maravilhosa e com um povo muito acolhedor que de agora em diante vai ser a nossa casa!

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Carolina é mineira, de BH, formada em Administração pela Puc Minas e com MBA pela Solvay Brussels School. Sempre trabalhou em empresas multinacionais nas áreas de projetos e compras. Já morou na Alemanha, Bélgica, Holanda, Chile e atualmente vive no Peru com o marido belga e os filhos. Adora planejar as viagens da família e tem muita história pra contar sobre vida expatriada, filhos bilíngues, diferenças culturais e inúmeras viagens feitas por esse mundo afora!

15 Comentários

  1. Oi, Carol! Que maravilha, acho muito importante o que você está fazendo! Adorei o texto e me deu até vontade de provar a comida!!
    Parabéns, siga em frente, isto ajuda muito a quem tem receios ou dúvidas para acompanhar o marido que viaja a trabalho e levar os filhos!! Sucesso e felicidades pra vocês !! Beijos!!
    PS: Estou morando na Alemanha!!

  2. Que aventura gostosa, e que aprendizado Carol! Amei seu texto! E ai, tomou ou nao tomou o Macerado de Damasco as sós com o marido? Rsrsrsrsrs… Bjos que Deus vós protejas!

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