5 motivos para morar em Gotemburgo na Suécia

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Canal em Gotemburgo. Foto: Acervo pessoal.
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Desde que me mudei para a Suécia tenho morado em Gotemburgo. E sinceramente, não trocaria esta cidade por nada por um simples motivo: aqui há o melhor dos dois mundos – a vida agitada de cidade grande e a sensação de se viver numa cidadezinha pequena à beira do mar.
Gotemburgo é a segunda cidade mais populosa da Suécia, apenas atrás de Estocolmo. Localizada na costa oeste, sofreu muitas interferências culturais de outros povos como escoceses, holandeses, noruegueses, alemães etc., mas eu falarei mais do fundo histórico e cultural dessa cidade maravilhosa no meu próximo texto!
Mas vamos direto aos fatos!
1. Cafés e restaurantes à vontade
Em Gotemburgo e arredores é quase impossível não fazer uma pausa para um café, afinal, há cafés em todo lugar, literalmente. Pode ser no subúrbio, centro, aeroporto, shopping, universidade, quarteirão comercial… Sem contar que Gotemburgo é a cidade sede de um dos melhores cafés do mundo, Da Matteo, segundo o artigo da GP (jornal Göteborg Posten) de 26 maio de 2013. O item mais pedido é o tradicional bolinho de canela com uma caneca grande de café preto. Lugares como Haga, Vasa, Magasingatan são os lugares mais procurados para um tradicional fika, rodeado por prédios centenários e ruelas de ladrilho, apenas abertas para pedestres e ciclistas.
Sem contar com a vasta opção gastronômica na cidade que atende a todos os gostos – desde os mais carnívoros aos românticos com restaurantes italianos, bares culturais com opções vegetarianas, de raw food e o forte da cidade – frutos do mar. Para quem ama peixes frescos, crustáceos, lagostas e afins, aqui é o melhor lugar para se comprar todos estes produtos frescos direto dos pescadores por leilão. Isso mesmo – aqui você pode comprar caixotes com quilos de peixe fresco de madrugada logo após a pesca. Única condição: ter um freezer enorme que comporte todo o lote. Desnecessário citar que a cidade também comporta 7 restaurantes com 1 estrela Michelin cada, mas como dito – há restaurantes para todos os gostos e bolsos.
2. Diversidade cultural e linguística
Gotemburgo é uma cidade que exala cultura e diversidade. Graças à onda de imigrantes pós II Guerra Mundial e à grande demanda de mão de obra, o país, no geral, abrigou inúmeros imigrantes europeus, sul-americanos, finlandeses, turcos e árabes. Até mesmo no vocabulário sueco pode-se encontrar diversas contribuições linguísticas como kalabalik (do turco, que significa tumulto, confusão) e paraply (do francês, que significa guarda-chuva) e orangeri (do árabe, conservatório). Muitas destas contribuições são datadas desde os anos 1520.
É bastante comum você andar na rua e ver indianos vestindo suas roupas típicas, ou africanos com suas roupas coloridas e turbantes e mesmo muçulmanos com seus véus e lenços. O respeito à diversidade ainda é bem amplo na cidade, mesmo que alguns sempre tenham algo a dizer sobre determinado modo de vestir ou de ser.
Logo, viver como um não sueco em Gotemburgo é relativamente mais fácil do que em cidades de pequeno porte mais adentro do país. Ah, e se você gostar de cavalos, fica ainda mais fácil de se entrosar com o povo local!
3. A vida à beira mar
O estilo de vida em Gotemburgo, uma cidade que conta com a presença de montanhas, florestas, lagos, rios e arquipélagos, reflete nitidamente o lado costeiro e marítimo de se viver. Esse estilo traz consigo o modo como as pessoas vivem e agem no dia a dia. As pessoas em Gotemburgo são um tanto largadas e boêmias, sempre a  fim de tirar uma prosa ou sentar para tomar um café. Aqui, diferente do resto da Suécia, não é tão difícil puxar assunto out of the blue (inesperado) com um estranho no mercado, na padaria, numa loja de roupas etc., mas talvez o mais incômodo  – e nem tão fácil de se lidar – é com o humor de Gotemburgo. Sarcasmo e ironia é a combinação que, de certo modo, chega a ser apreciada por alguns e odiada por outros (especialmente por nós, não suecos de nascença).
4. Portão de entrada/saída para a Europa
É muito fácil se deslocar para inúmeras destinações ao redor da Europa e do mundo a partir de Gotemburgo. Avião, barco, trem, ônibus – pode escolher o meio de transporte que quiser, aqui tem de todos os tipos, conveniências, horários e preços para todos os bolsos. Os destinos praieiros durante os invernos rigorosos estão a apenas algumas horas de distância, ou mesmo compras rápidas de final de semana como doces e bebidas alcóolicas na Dinamarca e Alemanha estão mais perto do que visitar a família no interior do país!
Logo, muitos (inclusive o maridão e eu) não pensam duas vezes quando chega um feriado
prolongado para agendar a próxima aventura ao redor da vasta Europa.
Os destinos mais populares são Oslo (aprox. 3h de carro do centro) Copenhague (aprox. 4h de trem) e Fredrikshavn (cerca de 3h de balsa).
5. O clima
Este ponto pode ser um tremendo paradoxo. O clima em Gotemburgo é tão instável quanto a economia brasileira. Mas para ressaltar o lado positivo deste ponto, apesar de todos os reveses, invernos molhados e escuros, ainda podemos dizer com muito orgulho que o melhor clima sempre chega primeiro em Gotemburgo – e muitas vezes fica mais tempo por aqui. Isso por motivos geográficos, já que a costa oeste é a que recebe as frentes quentes que chegam do Atlântico enquanto a frente fria vem pela costa leste do país, originária da Rússia.
Quando o verão chega, muitas vezes, apresenta-se chuvoso e nublado, principalmente no midsommarcelebração do dia mais longo do ano e quando ocorrem festividades para celebrar o sol e a fertilidade. Às vezes passamos semanas com um calor mediterrâneo de 22 a 29 graus durante o dia e 16 a 17 graus durante a noite. Sem contar as noites longas e claras de verão que são únicas deste lado do país, onde você pode passar à beira do mar, na praia ou nas rochas entre o arquipélago ou simplesmente da sacada do apartamento.
Resumidamente estes são 5 motivos pelos quais eu acredito que valha a pena morar em
Gotemburgo. A cidade é um grande destino turístico e recebe centenas de turistas todos os anos de toda a parte do planeta. Temos um incrível parque de diversões considerado o maior da Escandinávia, sem contar o Universeum que abriga uma floresta tropical com mico-leão- dourado e mini sapinhos que podem pegar uma carona na sua mochila caso você não esteja atento!
A “Pequena Londres” guarda grandes tesouros, nem todos palpáveis, mas a maioria que se pode guardar na memória e no coração.

7 Comentários

    • Olá Charles!

      Brasileiros podem residir na Suécia sem visto por 3 meses. Caso você venha à trabalho, estudos ou tenha um cônjuge sueco você pode solicitar um visto para tais ocasiões. Mas se sua pergunta se refere à morar aqui sem cidadania sueca (quando você tem o direito de retirar seu “passaporte vermelho”) depende das suas intencões e do que você irá fazer por aqui. Se você tem descendência européia claro pode morar aqui com outra cidadania, sem problema algun, porém não é certeza que você terá todos os benefícios que um sueco usufrui do Estado.

  1. Ai Ana esse post só me deu mais saudades daí! Sou apaixonada por Gotemburgo e pude morar aí por um pouco de tempo q foi o suficiente pra eu lembrar dos detalhes q vc falou todos os dias! Quem sabe um dia eu volto e viro sua vizinha!? rs
    Beijos!

  2. Olá Júlia, recebi uma oferta de emprego para Gotemburgo e gostaria de conversar com alguém que mora na cidade, principalmente para ter noção do custo de vida. Poderias me ajudar a ter uma visão mas prática sobre a vida aí? Poderíamos trocar e-mails?

  3. Olá Ana!
    Estou procurando alguém que mora em Gothenburg que possa me ajudar.
    Minha tia mora com seu marido aí é não estamos conseguindo entrar em contato com ela.
    Já faz 15 dias que minha mãe tenta e não consegue.
    Você tem alguma idéia de como podemos encontrá-la?
    Pode me ajudar a encontrá-la?
    Minha mãe está desesperada.
    Se você poder nos ajudar, ficaremos super agradecidos!

    • Olá Ana Cristine,
      A Ana Laura Stål parou de colaborar conosco, mas temos outras colunistas na Suécia que talvez possam te ajudar.
      Por questões de segurança, apaguei o endereço indicado em sua mensagem, ok?
      Você pode entrar em contato com as colunitas: Renata Labanca, Semida Silveira e Verônica Iwarson deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
      Obrigada,
      Edição BPM

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