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O significado da morte de Charles Aznavour para os armênios

O significado da morte de Charles Aznavour para os armênios.

Charles Aznavour, batizado Shahnour Vaghinag Aznavourian, nasceu em 22 de maio de 1924. Aznavour era um cantor, compositor, ator, ativista e diplomata franco-armênio. Conhecido pela sua voz única de tenor, sua carreira de mais de 70 anos rendeu mais de 1200 canções, interpretadas em oito línguas.

Para ele mesmo e para outros cantores, ele escreveu ou foi coautor de mais de mil canções, e Aznavour foi um dos cantores franceses mais populares e de carreira mais longeva. Em 1998, o cantor e compositor foi nomeado “Entertainer of the Century” pela CNN e pelo público da Time Online. Em 24 de agosto de 2017, Aznavour recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Seu último concerto foi no dia 17 de setembro de 2018, na cidade de Tóquio. No dia 01 de outubro de 2018, foi anunciado que ele faleceu em sua casa, na vila de Mouriès no sul da França.

Sem dúvidas, Charles Aznavour foi o armênio mais famoso desta era, e a morte de Charles Aznavour tem um peso enorme para os armênios. Aznavour cantou para presidentes, para papas e para a realeza, do mesmo modo que cantou em eventos humanitários. Em resposta ao terremoto de 1988 na Armênia, ele fundou a organização de caridade “Aznavour pour l’Arménie” junto de Levon Sayan, empresário armênio e seu amigo de longa data.

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Aznavour esteve sempre ativamente envolvido na política francesa, na política armênia e na política internacional. Em novembro de 2000, ele assumiu o cargo de Ministro da Cultura da França. Em 12 de fevereiro de 2009, ele foi indicado Embaixador da Armênia para a Suíça, bem como delegado permanente da Armênia junto à Organização das Nações Unidas em Genebra, acumulando a função com aquela que já desempenhava como “ambassator-at-large” da França junto à Armênia.

Desde o terremoto de 1988 (conhecido como terremoto Spitak), Aznavour ajudou a Armênia por meio da sua organização. Com seu cunhado Georgers Garvarentz, escreveu a canção “Pour toi Arménie”, que foi gravada por um grupo de famosos artistas franceses e ficou no topo das paradas musicais por 18 semanas.

No centro de Yerevan, há uma praça que leva o seu nome na rua Abovyan, e uma estátua em sua homenagem foi erguida em Gyumri (a 2ª maior cidade da Armênia), que teve o maior número de mortes quando do terremoto. Em 2011, o Museu Charles Aznavour foi inaugurado em Yerevan, ocupando um lugar nobre na cidade, no topo do Cascade.

Em 1995, Charles Aznavour foi indicado como Embaixador e Delegado Permanente da Armênia junto à UNESCO. Aznavour era membro do Armenia Fund International Board of Trustees, e a organização rendeu mais de US$150 milhões em ajuda humanitária e assistência para desenvolvimento de infraestrutura para a Armênia desde 1992. Em 2004, Charles Aznavour recebeu o título de Herói Nacional da Armênia, que é a maior honraria armênia. Em 26 de dezembro de 2008, o então Presidente da Armênia Serzh Sargsyan assinou um decreto presidencial que dava a Aznavour cidadania armênia, reconhecendo a proeminência de Aznavour como cantor e figura pública, e que ele era um herói para o povo armênio.

Leia também: Custo de vida na Armênia 

Em abril de 2016, Aznavour visitou a Armênia para participar da cerimônia Aurora Prize Award. Em 24 de abril, dia em que é celebrada a memória do genocídio, Charles Aznavour depositou flores no Memorial do Genocídio, ao lado de Serzh Sargsyan, do Católico de Todos os Armênios Sua Santidade Garegin II, e do ator George Clooney. Charles Aznavour escreveu uma música sobre o genocídio armênio, chamada “Ils sont tombés”.

O Presidente francês Emmanuel Macron, ao expressar suas condolências, reconheceu a conexão de Aznavour com suas raízes armênias. Por sua vez, o Ministro das Relações Exteriores da Armênia, Zohrab Mnatsakanyan, também expressou suas condolências sobre a morte de Charles Aznavour, dizendo que ele era um dos grandes tesouros do mundo, uma lenda, filho dos povos armênio e francês. Mnatsakanyan ainda disse que Charles Aznavour emocionava os corações de muitas gerações em todos os cantos do mundo.

O Primeiro Ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, lamentou a morte de Charles Aznavour, destacando que é difícil acreditar que um homem que moldou um século e a história ao servir o seu povo, e que dizia que era 100% francês e 100% armênio, não está mais entre nós. O Primeiro Ministro Pashinyan disse que o dia 01 de outubro era um dia verdadeiramente doloroso para o povo armênio e para o país.

Pashinyan destacou que a morte de Aznavour era uma perda universal, já que ele foi um homem que criou valores universais e acompanhou a humanidade rumo ao amor e à solidariedade. Aznavour era a personificação das relações entre a França e a Armênia, estreitando os laços entre os dois países.

Aro Babloyan, em nome da Assembleia Nacional da Armênia, destacou que a Armênia e todos os armênios se despediam do maior armênio que já existiu e que permanecerá na memória de muitas gerações não apenas por causa das suas canções, mas também pelas suas atividades públicas e humanitárias. Babloyan disse que toda a Armênia está de luto junto aos familiares e amigos de Charles Aznavour. E isso foi personificado em uma vigília iluminada por velas em memória ao herói nacional da Armênia que aconteceu na Praça Aznavour em Yerevan, reunindo a população armênia que quis homenagear esta figura tão importante para o país.

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