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Três fatos desconhecidos sobre Singapura

Três fatos desconhecidos sobre Singapura.

Todo mundo já ouviu falar da Singapura das inovações tecnológicas e dos arranha-céus, dos empregos high-tech e inovações, mas poucos conhecem alguns detalhes prosaicos da vida cotidiana.

Pensando em se mudar para Singapura?

Considere estes três fatores (importantes ou não) na hora da mudança:

1. A língua oficial é o inglês, mas na prática, os locais usam o Singlish

Assim que saí do Canadá e cheguei em Singapura para trabalhar em uma multinacional, qual foi o meu espanto ao perceber que eu não entendia nem a metade do que os singapurianos conversavam na hora do almoço…

A verdade é que eles usam singlish (singaporean english), uma versão informal do inglês criada a partir de influências das quatro línguas e dialetos de Singapura: inglês, malaio, mandarim, tâmil e hokkien. Embora o uso seja desencorajado em escolas e ambientes formais, é realmente a língua usada no dia a dia.

Ou seja, em reuniões da companhia (incluindo expatriados e, às vezes, pessoas em outros países por meio de teleconferências) faz-se um esforço enorme para respeitar a construção de frases em inglês e evitar palavras “locais”, o que não significa que esse protocolo seja cumprido em situações informais.

Isso quer dizer que palavras de qualquer uma das línguas citadas podem ser introduzidas de forma completamente aleatória em uma conversa, como por exemplo:

Um colega me avisando que vai buscar o almoço: “I’m going to tapao lunch from the hawker.” – tapao ou tabao = take away; hawker = qualquer restaurante popular com vários stands de comida.

Leia também: A cultura gastronômica de Singapura

Ou uma colega me pedindo para enviar os emails enquanto ela organiza as reuniões:“You send the emails and I’ll handle the meetings. Boleh?”

O boleh seria somente uma confirmação, do tipo “pode ser?”

Outra comum: o uso do “Alamak” como uma expressão de desespero: “Alamak! Esqueci das reuniões!”

Pode parecer engraçado, mas as coisas facilmente se complicam quando todas frases são construídas dessa forma:

“Ontem fui ao hawker tapao e pedi Nasi lemak sem chili, boleh, mas quando fui comer… Alamak!” (chili: pimenta, nasi lemak: prato típico malaio à base de arroz com leite de coco).

Resposta possível: “Wah tai ko, sia!” (Putz, que sortudo! – Mas com significado irônico).

Aliás, leia aqui sobre onde comer em Singapura se quiser experimentar o nasi lemak!

2. O café local, Kopi, é servido em um saquinho plástico

Da série: fatos estranhos e incompreensíveis para os não locais.

O café “para levar” ou “tapao” como vimos acima, não é servido em um copinho plástico, mas em um saquinho plástico.

Kopi O – Fonte: Tripping Unicorn

Vendidos em kopitiams (cafeterias locais) ou hawker centers (stands de comida de rua, que na verdade não ficam na rua), existem tantas variedades de kopi em Singapura quanto modalidades de café na Itália. Com a diferença de que os últimos são bem mais famosos no mundo ocidental, sem sombra de dúvida.

No estilo tradicional, os grãos de café são torrados com açúcar e margarina em um wok, às vezes usando também abacaxi (!) até ficarem bem escuros. Depois são moídos e coados em um coador de algodão parecendo uma meia grossa de lã.

Entre os tipos mais pedidos:

Kopi – café preto com leite condensado (sim, o tradicional deles é bem basiquinho)

Kopi Peng – café preto com leite condensado e gelo (para o verão, ou seja, para o ano todo)

Kopi-O – café preto com açúcar (para quê? Já existe o leite condensado! rs rs)

Kopi-O-Kosong – café preto sem açúcar (o meu café, quando quero emagrecer)

Kopi-O-Kosong Peng – café preto sem açúcar, com gelo (hummm, ok)

Kopi Gah Dai – café com leite condensado extra (agora sim!)

E muito muitos outros…

São mais de 3 mil kopitiams (cafeterias) espalhadas em Singapura, e uma xícara (ops, saquinho) de kopi pode custar de 0,80 centavos a 1,50 dólares singapurianos (SGD), ou em torno de 1 dólar americano.

3. Encontrar emprego em Singapura não é tão simples quanto parece, mas é possível

A lenda de que Singapura está sempre faminta por expatriados não é mais do que isso mesmo: lenda!

Fazendo uma pesquisa básica de palavras-chaves básicas (em português mesmo), tem-se a sensação de que Singapura é um lugar super aberto para encontrar aquele teu posto dos sonhos, uma espécie de mini-Canadá ou mini-Austrália, pronta para receber mão de obra qualificada.

Não é bem assim. Muitos brasileiros chegam aqui com um dos cônjuges empregado acreditando que a realização profissional do outro é questão de tempo, mas na realidade as coisas estão longe de funcionar assim. Pelo menos não de forma automática, como alguns sites em português levam a crer.

Expatriados geralmente vêm com a família, com um pacote já fechado de mudança, salário, aluguel, plano de saúde, escola para os filhos, etc, mas esses programas estão ficando cada vez mais raros, e a realidade dos contratos locais (ainda que geralmente muito bem remunerados) apresenta menos benefícios.

Leia também: Tipos de vistos para morar em Singapura

O mercado de trabalho em Singapura está se tornando cada vez mais auto-suficiente e em algumas profissões, nem os singapurianos estão conseguindo vagas. Com a explosão da economia e tantas pessoas podendo pagar cursos em universidades (medicina, por exemplo) já existe até um mercado de singapurianos partindo estudar na Austrália ou Nova Zelândia.

Apesar disso, é possível encontrar trabalho qualificado na área, desde que o candidato tenha consciência da feroz competição local e saiba se valorizar por meio de diversas ferramentas (networking, CV, portfolio online, cover letter e muita pesquisa).

A consideração da cultura local também conta muitos pontos, já que uma experiência multicultural é super valorizada por aqui. Outra alternativa em Singapura é empreender, alternativa para quem quer escapar de grandes corporações e ser seu próprio chefe.

Abrir uma empresa em Singapura hoje pode levar duas semanas, e começa com o investimento mínimo de 1 dólar!

Se você se interessa pelo assunto estou criando um empreendimento digital gratuito e experimental visando pessoas (com fluência em inglês) que querem trabalhar no exterior em 2019.

Detalhes no post: trabalhar fora do Brasil com inscrição neste link.

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2 comentários

Junior Ribas Outubro 3, 2019 at 2:26 pm

Bom dia !
Patti, gostaria de uma ajuda com uma questão especial.
Sou gay, casado e temos 2 filhos adotivos e existe a possibilidade de mudar para Singapura a trabalho. Como funciona no nosso caso, sabe informar? Por sermos estrangeiros e casados legalmente, isso será reconhecido lá? Pergunto mais especificamente sobre os custos de dependentes.
Obrigado!

Resposta
Liliane Oliveira Outubro 3, 2019 at 7:04 pm

Olá Junior,
A Patti Neves parou de colaborar conosco e, infelizmente, não temos outra colunista morando no país.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta

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